sábado, 10 de junho de 2006

O Rei do Deserto

Você já ouviu falar no ator William S. Hart? Provavelmente não, já que ele foi um astro de faroeste há mais de cem anos! Isso mesmo Hart foi um dos primeiros ídolos do cinema nesse estilo de personagem cowboy. É tão antigo que faleceu em 1945. Hoje em dia ele está praticamente esquecido, infelizmente. É algo fácil de entender porque são muitas décadas de diferença. Seus filmes se tornaram objeto de estudo e pesquisa por estudantes de cinema nos Estados Unidos. É a passagem do tempo marcando sua presença sobre filmes e arte em geral. Infelizmente grande parte de sua filmografia já não existe mais. Incêndios em arquivos de estúdios do passado destruíram para sempre grande parte de seu trabalho, de seus antigos filmes.

Eu me recordo que uma edição da revista Cinemin, já extinta, trouxe certa vez uma ótima pesquisa sobre sua carreira no cinema americano. Esse "O Rei do Deserto" foi um de seus últimos trabalhos e também um filme que sobreviveu ao tempo, já que vários de seus faroestes simplesmente foram levados pelas areias do tempo. É uma fita ágil, cheio de boas cenas de ação e uma curiosidade interessante: todas as cenas de perigo foram rodadas pelo próprio Hart. Pelo visto ele era durão também na vida real.

O Rei do Deserto (Tumbleweeds, Estados Unidos, 1925) Direção: King Baggot / Roteiro: Hal G. Evarts / Elenco: William S. Hart, Barbara Bedford, Lucien Littlefield / Sinopse: O governo dos Estados Unidos decide doar terras na costa oeste do país. Todos os que desejam participar precisam chegar nessas terras distantes para tomar posse. E eles devem partir de um único ponto de largada, dando origem a uma verdadeira corrida em direção ao velho oeste selvagem.

Pablo Aluísio.

Os Cowboys

Esse filme não foi o maior sucesso cinematográfica da carreira de John Wayne, mas certamente é um dos mais lembrados. E o curioso de tudo é saber que é um filme da fase final do ator, já nos anos 70, quando ele realizou seus últimos filmes. O roteiro foi muito feliz em apostar no choque de gerações, com John Wayne interpretando o velho cowboy que precisa ensinar um grupo de garotos a se tornarem também cowboys, na prática, na luta diária de levar um rebanho de gado entre diferentes regiões. E nesse processo o velho homem também vai ensinando aos meninos lições de vida que eles vão levar para sempre em suas lembranças.

É interessante salientar também que apesar de ter sido provavelmente o nome mais famoso da história do western americano, John Wayne nunca deixou de trazer um certo humor, uma certa suavidade em seus filmes. Talvez por essa razão ele tenha se tornado tão popular. Não era apenas um sujeito armado e durão enfrentando malfeitores no velho oeste, mas também um gigante gentil, sendo que a maioria de seus personagens tinha mesmo esse lado carismático. No fundo eram homens de bom coração como bem podemos notar nesse pequeno grande clássico de sua filmografia. É um filme, sem dúvida, muito especial.

Os Cowboys (The Cowboys, Estados Unidos, 1972) Direção: Mark Rydell / Roteiro: William Dale Jennings / Elenco: John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern / Sinopse: Wil Andersen (John Wayne) é um velho cowboy que decide ensinar a um grupo de garotos os segredos de sua profissão e os grandes valores morais de sua vida.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Quadrilha Maldita

Título no Brasil: Quadrilha Maldita
Título Original: Day of the Outlaw
Ano de Produção: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Security Pictures
Direção: André De Toth
Roteiro: Philip Yordan
Elenco: Robert Ryan, Burl Ives, Tina Louise, Alan Marshal, Venetia Stevenson, David Nelson

Sinopse:
O filme "Quadrilha Maldita" conta a história de um fazendeiro que só quer tocar sua propriedade rural ao lado de sua família. Sua paz é rompida quando surge uma violenta quadrilha na região. Eles estão dispostos a tudo para salvar a vida do líder do bando, agora severamente ferido numa perseguição de homens da lei.

Comentários:
Baseado no romance de faroeste escrito por Lee E. Wells, esse filme B dos anos 50 inova ao trazer para primeiro plano uma violência mais crua do que era comum naqueles anos. Longe das amarras dos grandes estúdios de Hollywood como a Warner, Columbia e Fox, o diretor André De Toth conseguiu antecipar em alguns anos a violência estilizada que iria imperar no western a partir dos anos 60. Ele foi um veterano do gênero e críticos de cinema afirmam que ele sempre foi mais talentoso quando trabalhava em pequenos estúdios de cinema ou companhias cinematográficas independentes como foi o caso desse filme. Pena que também por não ser produzido por uma das majors de Hollywood, pouco foi visto em seu lançamento original.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Sete Noivas para Sete Irmãos

Eu me lembro bastante de ver esse filme sendo reprisado, até com uma certa frequência, nas tardes da Rede Globo. Era figurinha fácil na Sessão da Tarde dos anos 70 e 80. E o mais interessante de tudo é que embora sua história se passasse no velho oeste (no território do Oregon, em 1850), o filme na verdade não era um western tradicional, diria convencional. Sim,poderia ser considerado um faroeste, mas um faroeste diferente. A melhor definição para esse filme seria então o de ser um "Western musical". Isso mesmo, apesar de soar um pouco estranho para os dias atuais.

Confesso que mesmo na época já achava algumas coisas estranhas. Por exemplo, o que dizer de um bando de homens rústicos do meio rural, homens fortes e bem masculinizados, lenhadores, que saiam por aí dando passos de balé? Meio fora do normal não é mesmo? Porém temos que ver que filmes musicais podem tomar esse tipo de liberdade sem soarem absurdos ou ridículos. Faz parte do gênero mesmo. E esse filme, mesmo com tudo isso, não deixava de ser delicioso de assistir. Um programa de pura nostalgia para quem o viu na TV naquelas tardes saudosas de antigamente.

Sete Noivas para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers, Estados Unidos, 1954) Direção: Stanley Donen / Roteiro: Albert Hackett / Elenco: Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall / Sinopse: Esse divertido musical clássico de Hollywood se passa no velho oeste. São sete irmãos que vivem nas montanhas. São solteirões. Até que um deles se casa e decide ajudar os demais irmãos a arranjaram também suas próprias noivas.

Pablo Aluísio.

Cine Western - William Holden

 
Cine Western - William Holden
O excelente ator em fase mais madura de sua vida, quando já estava idoso. Ele morreria de uma bebedeira em sua casa em Hollywood.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Matar ou Morrer

Esse é um grande clássico da história do western americano por causa de seu roteiro atemporal, tratando de temas que ultrapassam e muito a simples esfera do gênero cinematográfico do qual pertence. O protagonista é um xerife, um homem honesto e íntegro que aos poucos vai percebendo que está completamente sozinho na sua luta de implantar lei e ordem. A cidade que defende, os moradores pelos quais zela por sua segurança e integridade física são os primeiros a abandoná-lo à própria sorte. Esse delicado tema de seu roteiro demonstra toda a fragilidade e falta de caráter do homem comum, ordinário. Com isso se ressalta a importância da figura do xerife Will Kane (Gary Cooper). Seu caráter e coragem são raros. Não se deve esperar esse tipo de atitude de pessoas pusilânimes. O homem corajoso muitas vezes fica totalmente sozinho na luta por seus valores e ideais.

Outro aspecto que tornou esse "Matar ou Morrer" tão celebrado ao longo de todos esses anos vem do tratamento psicológico do roteiro. Os personagens são mostrados em suas emoções internas, criando um clima de tensão e ansiedade que só aumenta ao longo do filme. O relógio na parede vira assim um instrumento narrativo dos mais aflitivos. E por fim, para coroar tantas qualidades cinematográficas importantes, ainda há um elenco espetacular em cena. Não apenas pela presença imponente de Gary Cooper, no auge de sua carreira, como também da doce beleza de Grace Kelly. Elementos que tornaram esse western um clássico absoluto em todos os aspectos.

Matar ou Morrer (High Noon, Estados Unidos, 1952) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Carl Foreman, John W. Cunningham / Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges / Sinopse: Um xerife é abandonado pelos moradores da cidade onde trabalha após correr a notícia de que um grupo de bandidos está chegando para acertar as contas com ele. Mesmo assim, sozinho, o velho home da lei decide enfrentar a situação com coragem e determinação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator (Gary Cooper), melhor edição, melhor música original.

Pablo Aluísio.

Terras do Norte

Título no Brasil: Terras do Norte
Título Original: The Wild North
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Andrew Marton
Roteiro: Frank Fenton
Elenco: Stewart Granger, Cyd Charisse, Morgan Farley, Wendell Corey, John Butler, G. Pat Collins

Sinopse:
Nas montanhas canadenses, um caçador foge acusado de um crime e é perseguido por um homem da lei rude e determinado da Polícia Montada Real do Noroeste. E assim se forma uma verdadeira caçada humana na neve das montanhas geladas.

Comentários:
O ator Stewart Granger era conhecido na velha Hollywood como o "grande caçador branco". Verdade ou pura cascata? Até hoje há dúvidas se ele era mesmo um caçador de verdade, entretanto com essa fama ele acabou abrindo seu espaço no cinema, estrelando uma série de filmes onde essa mesma imagem era explorada na tela e nos roteiros. Nesse aqui, ambientando no gelado Canadá, temos também a participação da bela atriz e dançarina Cyd Charisse. Essa fez fama com seus belas pernas e seu visual considerado exótico em Hollywood. Em suma, um filme interessante, com uma clara tentativa de se fazer cinema de um jeito diferente, ambientando sua história em uma região pouco explorada, de grande beleza natural. Dessa maneira deixo a dica desse faroeste incomum. A diversão estará garantida.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 6 de junho de 2006

Barão do Oeste

Também conhecido pelo título nacional de "Quando um Homem é Homem", esse excelente faroeste estrelado por John Wayne ainda hoje surpreende por seu bom roteiro e ótimo desenvolvimento de todos os personagens. O Inesquecível Wayne interpreta George Washington 'G.W.' McLintock, um rico fazendeiro de um território do velho oeste. A região tem pouca água e os mananciais estão todos em suas terras. Isso cria uma certa tensão entre os colonos que chegam todos os dias em busca de uma nova vida. G.W. avisa que ali não há terras férteis para plantações, mas isso não inibe a chegada de mais e mais caravanas. E também há a questão dos nativos, muitos deles amigos do fazendeiro há muitos anos. Entre os índios e os colonos logo surge uma rivalidade complicada de se administrar.

Na vida pessoal McLintock também tem problemas para lidar. Ele é casado com uma mulher de gênio forte, dada a brigas homéricas. Ela passa vários meses na capital e volta para a fazenda quando sua filha está prestes a chegar de viagem. Ela estuda em uma escola para ricos na cidade grande, na capital. McLintock fica feliz por sua família estar reunida novamente e providencia uma grande festa de boas vindas. Esse filme, como já frisei, tem excelente roteiro. De certa maneira é uma novela sobre uma família naqueles tempos pioneiros. Embora a trama tenha várias ramificações surge espaço inclusive para o humor, como na cena da briga generalizada, onde todos (inclusive John Wayne) vão parar em um grande poço de lama e argila. Enfim, um faroeste bem acima da média e um dos melhores momentos do grande Wayne no cinema.

Barão do Oeste / Quando um Homem é Homem (McLintock!, Estados Unidos, 1963) Direção: Andrew V. McLaglen / Roteiro: James Edward Grant / Elenco: John Wayne, Maureen O'Hara, Patrick Wayne, Stefanie Powers / Sinopse: Fazendeiro rico e poderoso precisa lidar com problemas na região onde está localizada suas vastas terras, ao mesmo tempo em que precisa resolver questões familiares envolvendo sua esposa briguenta e sua jovem filha adolescente, de volta à casa do pai para passar suas férias escolares.

Pablo Aluísio.

Cine Western - Pamela Tiffin & Lee Remick


Cine Western - Pamela Tiffin & Lee Remick
As mulheres também tinham seu espaço no velho oeste, seja como mocinhas, mães ou mulheres de fibra!

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Mensagem a Garcia

Título no Brasil: Mensagem a Garcia
Título Original: A Message to Garcia
Ano de Produção: 1936
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: George Marshall
Roteiro: Elbert Hubbard
Elenco: Wallace Beery, Barbara Stanwyck, John Boles, Alan Hale, Herbert Mundin, Mona Barrie

Sinopse:
Baseado no livro escrito por Elbert Hubbard, o filme "Mensagem a Garcia" conta uma história passada na guerra civl Hispano-Americana, quando um mensageiro enviado pelo presidente dos Estados Unidos a Cuba precisa passar por todos os desafios para cumprir sua missão.

Comentários:
O filme conta a história real da jornada do tenente Rowan do Exército dos Estados Unidos até Cuba, onde deveria entregar uma mensagem importante enviada pelo presidente McKinley ao general rebelde cubano Garcia. Esse foi um dos primeiros filmes produzidos pelo famoso Darryl F. Zanuck na Fox e não escapou de sofrer diversas críticas, principalmente pela escolha errada de parte do elenco. Por exemplo, a ótima atriz Barbara Stanwyck foi escolhida para interpretar uma madame cubana. Claro que não deu certo! Ela sempre foi por demais americana e seu sotaque não convenceu ninguém. Além disso o filme também apresenta problemas de edição e produção, fruto talvez da inexperiência de Zanuck, algo que ele iria superar. Afinal acabou se tornando uma lenda em Hollywood com o passar dos anos. De qualquer maneira o filme ainda tem seus atrativos principalmente pelo contexto histórico onde passa a sua história. E o fato de que tudo foi baseado em eventos históricos reais ajuda a manter ainda mais o interesse do espectador.

Pablo Aluísio.