sexta-feira, 2 de março de 2001

James Dean: De Volta a Hollywood

Hollywood, 1954
Depois de seu tempo de formação como ator de teatro, já devidamente experimentado pelo Actors Studio, James Dean retornou para a Costa Oeste, para Los Angeles, para Hollywood! Só que dessa vez ele voltava com oportunidades de trabalho. Os anos em que foi esnobado pelos estúdios tinham ficado para trás. A Warner havia assinado um contrato com o jovem ator. Havia muitas esperanças no ar naquele momento de sua vida profissional. 

Nessa nova ocasião James Dean teve oportunidade de conhecer grandes atores de sua geração, entre eles aquele que era considerado o melhor de todos, Marlon Brando! Em seu livro de memórias Brando resolveu dedicar algumas palavras ao ator. Para Brando, Dean não lhe causava grande impressão. Ele já tinha ouvida falar em Dean, mas não procurou conhecer pessoalmente o famoso rebelde das telas. Já James Dean procurava se encontrar com Brando há tempos pois o tinha como ídolo. Ele enviou alguns convites por amigos mútuos, mas Brando não demonstrou maior interesse em lhe conhecer. Tudo parecia na mesma até que por mero acaso Brando e Dean se viram face a face numa festa nas colinas de Hollywood. Dean estava visivelmente emocionado em encontrar aquele que considerava o melhor ator do cinema americano.

Já Brando percebeu algumas coisas em Dean desde a primeira vez que o viu. Achou que Dean ainda mantinha a velha forma de agir dos americanos do meio oeste, um misto de medo e encantamento com a cidade grande. Como Brando também vinha de um estado rural do meio oeste, entendeu que isso gerou uma familiaridade até nostálgica entre ambos. Simpático em um primeiro momento com Dean, abriu uma conversa amigável com o colega de profissão. James Dean não deixou passar em branco e disse a Brando que o admirava muito e que em sua vida pessoal procurava seguir os passos do grande ator.

Brando por outro lado resolveu lhe dar alguns conselhos. Disse a Dean que ele não deveria seguir por esse caminho, procurando ser igual ao seu ídolo, pois todos deviam trilhar sua própria carreira e trazer aspectos de suas personalidades para obter êxito em Hollywood. Em palavras educadas Marlon Brando estava aconselhando James Dean a não ser uma mera imitação dele mesmo. Dean havia dito que admirava Brando por ele ser um tipo fora dos padrões, rebelde, que saia de moto pelas madrugadas. Aquilo deixou Brando surpreso. Em sua opinião Dean procurava por um tipo de aprovação - como se estivesse pedindo sua bênção por seu comportamento.

Depois desse encontro e dessa conversa mais do que interessante eles poucos se encontraram novamente. Para Brando foi uma gratificação saber que James Dean havia ouvido seus conselhos e os estava seguindo. Segundo Brando seu colega ainda não tinha personalidade própria até o advento do filme "Assim Caminha a Humanidade" quando, na visão de Brando, James Dean havia finalmente encontrado seu próprio caminho. Infelizmente assim que chegou em seu objetivo na profissão, Dean encontrou também a morte de forma prematura em um acidente de carro. Para Brando o jovem James Dean acabou sendo enterrado em seu próprio mito. Uma infelicidade trágica do destino.

James Dean e Paul Newman
Outro encontro interessante dessa mesma época aconteceu com o jovem ator Paul Newman. No começo de sua carreira, quando era apenas um jovem ator tentando descolar algum trabalho, Paul Newman conheceu James Dean, o ator rebelde que estava virando um mito em Hollywood. Ambos se encontraram por acaso no Actors Studio em Nova York. Dean nunca fora conhecido por ser um sujeito simpático fora das telas mas na ocasião pareceu ser educado com o novo colega. Em plena aula eles tinham que improvisar uma cena de amor ou ódio. James Dean brincou dizendo que deveriam fazer uma cena de duas pessoas que se amavam muito, o que era estranho para Paul Newman naquela ocasião. Dean então virou-se para ele e sugeriu que fizessem algo que colocasse a sala "em chamas"! Newman se assustou com aquele tipo de proposta e brincou rebatendo: "Hey amigo, vamos com calma! De onde eu venho nós gostamos de trabalhar melhor as coisas...".

Anos mais tarde Newman admitiu que aquele primeiro encontro com James Dean o havia deixado preocupado. Dean tinha deixado meio claramente que se relacionava tanto com homens como com mulheres, e que era um sujeito aberto a todos os tipos de relacionamentos. 

Na época Paul Newman era casado, tinha filhos e não tinha entendido ainda muito bem como a comunidade gay dava as cartas no mundo do teatro e do cinema americanos. Ele era um hétero convicto e ficou com um pé atrás sobre o que ouvia de seus colegas de Actors Studio. Numa conversa trivial entre as aulas, Jimmy Dean confidenciou para Newman que estava tendo um caso amoroso com um grã-fino chamado Rogers Brackett que o estava bancando em Nova Iorque. Aquilo certamente foi meio chocante para Newman. Ali Dean havia admitido não apenas que era gay, mas que também era sustentado por um homem rico. Duas revelações bombásticas para Newman.

Ao que tudo indica James Dean acabou desenvolvendo alguma queda por Paul Newman. Tempos depois durante um teste de câmera para um filme - um trecho que sobreviveu ao tempo - Newman e Dean surgem juntos na tela. Newman parece pouco à vontade, dando risinhos nervosos. Já Dean é todo presunção. Após trocarem olhares suspeitos, Dean não se contém mais e diz para Paul: "Vamos lá, me beije!". Newman cai na gargalhada logo em seguida. Dean sabia que Newman era um sujeito quadrado, que tinha filhos, obrigações de pai de família e tudo mais e por isso não levou adiante seus ataques! O máximo que conseguiu de Paul Newman foi levá-lo ao apartamento onde morava, onde passaram à tarde de bobeira. Dean deu a Paul um boné de presente, todo vermelho, que ele depois usaria em um jogo de beisebol.

Alguns escritores acreditam que Dean e Newman acabaram tendo um caso passageiro, nada importante ou marcante. A professora de dança de James Dean na época, Eartha Kitt, disse que que eles tiveram sim uma ligação debaixo dos lençóis. Aliás ela chegou inclusive a ir além em suas confidências, dizendo que havia transado com os dois no apartamento de James Dean. Ela afirmou que aquilo havia sido "uma das experiências mais celestiais da minha vida. Essas duas beldades me transportando para o céu. Eu nunca soube que o ato sexual podia ser tão bonito." Verdade ou apenas fantasia de alguém que procurava notoriedade com a imprensa?

Amigos ou amantes, o fato é que as coisas ficariam ruins entre eles pouco tempo depois. James Dean venceu a disputa por um papel importante e Paul Newman foi até ele pedir que Dean falasse com o diretor para que lhe arranjasse um personagem coadjuvante para trabalhar. Dean disse que não o ajudaria.

Newman ficaria ainda mais chateado depois quando perderia mais um papel, só que dessa vez para o atlético Tab Hunter, um ator que nunca fora conhecido por ser um grande talento. Anos depois ele confessaria sua frustração ao afirmar: ""Perder para James Dean era uma coisa, mas como eu poderia viver após perder um papel para Tab Hunter?" Nesse meio tempo James Dean se espatifou em um terrível acidente na estrada de Salinas. Paul Newman ficou bem triste, não apenas por sua morte, mas também por nunca ter tido a oportunidade de reatar sua amizade com Dean. Ele jamais confirmou que tinha tido um namoro com Dean, dizia apenas que tinham sido colegas de estudos em Nova Iorque. "Era um bom sujeito", finalizou ao resumir James Dean.

James Dean: Um Novo Recomeço em Nova York

Nova York, 1952
Em 1952 James Dean deixou Los Angeles e foi embora, mudar para Nova York, onde pretendia se tornar um ator profissional de teatro. Ele havia tomado a decisão certa, conforme o tempo iria demonstrar. Conforme lembraria depois Dean chegou em Nova Iorque com 5 dólares no bolso. Era um tempo frio, com muita chuva, mas nem isso desanimou o jovem ator. Ele adorou o clima da cidade, os bairros de artistas como o Greenwich Village, onde havia oportunidades para todos, pintores, escultores, poetas e... atores! A cidade respirava arte em todos os lugares. Escrevendo para um amigo Dean relatou: "Os primeiros dias em Nova Iorque foram impactantes! Essa grande cidade quase me esmagou! Agora estou mais confortável nela. Adoro caminhar pela Broadway, ver as peças que estão em cartaz! Nova Iorque, essa sim é uma cidade acolhedora!".

O ator gostou tanto da nova cidade que mesmo anos depois quando já era um astro em Hollywood, sempre ia para NY para passar os fins de semana. De fato ele considerava a "Big Apple" como seu verdadeiro lar. Nada de Hollywood com sua sociedade fútil e petulante. Os verdadeiros artistas estavam andando pelas ruas de Nova Iorque, isso Dean afirmou mais de uma vez. O ator tinha razão em amar o novo lar. Em Nova Iorque as coisas finalmente começaram a dar certo. Ele foi aprovado para participar de peças e o mais importante de tudo: foi aceito na prestigiada escola de atores do Actors Studio. Sua vida estava para mudar para sempre!

Rogers Brackett
Depois que abandonou a universidade, James Dean ficou sem grana, sem apoio do pai e sem emprego. Dean chegou a ponto de ficar sem ter nem o que comer, geralmente contando com a boa vontade de conhecidos que lhe pagavam algum lanche casual. Diante de uma situação financeira tão ruim Dean acabou encontrando a solução para seus problemas em Rogers Brackett. Ele era um homossexual rico e bem relacionado em Nova York. Um sujeito que poderia lhe ajudar no começo de sua carreira, que ainda não tinha decolado. 

O interesse de Rogers em relação a Dean era claramente sexual. Ele se sentiu atraído pelo jovem ator e o tornou seu namorado, seu protegido. Embora se apaixonasse mesmo por mulheres, James Dean estava aberto a todas as possibilidades. Além disso se houvesse uma ajuda financeira seria muito bem-vinda. Era claro para Rogers que James Dean tinha interesse nele e isso passava por uma ajuda em dinheiro em relação à sua situação. Era um relacionamento de interesses mútuos e eles sabiam disso. Com tudo certo entre eles James Dean arrumou suas malas e foi morar com Brackett em sua casa sofisticada. 

Anos depois quando finalmente resolveu falar sobre seu romance com James Dean, Rogers explicou que aquela não havia sido a primeira experiência homossexual na vida do ator. Ele teria tido ao namorado que havia se relacionado com outros homens gays em seu passado.  

Outro fato que Rogers Brackett lamentaria seria o fato de ter rasgado as cartas de amor que James Dean havia lhe escrito anos antes. Ele disse na entrevista: "Se eu soubesse que Dean iria virar um ator tão popular do cinema, um astro de Hollywood, eu teria guardado todas as cartas românticas que ele me escreveu. As terias colocado em leilão e teria ficado muito rico com elas! Pena que depois que terminamos eu as rasguei, com raiva e mágoa dele! Uma coisa estúpida que fiz!". A mágoa de Brackett em relação a Dean teria sido causada pelo distanciamento de Dean para com ele, principalmente depois que ficou famoso. Assim que as coisas começaram a dar certo James Dean dispensou o namorado que havia lhe ajudado sem muita cerimônia.

De uma maneira ou outra o relacionamento entre dois ficou preservado pelas diversas fotos que Rogers tirou de seu namorado! Rogers Brackett já era um fotógrafo reconhecido e passou a fotografar Dean nesse período. As imagens feitas por ele — especialmente entre 1953 e 1955 — se tornaram algumas das fotografias mais íntimas e conhecidas de James Dean, mostrando-o fora do sistema de estúdios de Hollywood.

A Liberdade
Em Nova Iorque James Dean finalmente encontrou a liberdade que tanto procurava. Na cidadezinha onde nasceu e cresceu todos cuidavam da vida dos outros. Não se podia dar um pequeno passo sem que isso se tornasse a fofoca da cidade. Já em Nova Iorque, uma metrópole, ninguém queria saber da vida de ninguém. Dean podia seguir seus próprios passos sem se importar com o que os outros iriam dizer. Liberdade, acima de tudo. Era o que ele tanto procurava.

Além disso a cidade fervilhava artisticamente. Não era apenas a arte dramática. Havia poetas, artistas plásticos, escritores, todos os tipos de artistas que se podia imaginar. James Dean assim passou a cultivar amizades com toda essa gente. Seu passatempo preferido passou a frequentar um café perto do Actors Studio, onde ele passou a conhecer a classe artística de NYC. E apesar de ser bem jovem, Dean decidiu que não queria apenas atuar, ele queria tudo o que pudesse alcançar.

Não demorou muito e James Dean se matriculou nos mais diversos cursos de arte. Chegou até mesmo a estudar ballet! Isso seria impensável em Indiana, naquela sociedade rural e atrasada, onde isso era coisa de afeminados. Em Nova Iorque obviamente ninguém pensava assim. Ser bailarino era apenas mais uma chance de aprender uma nova expressão artística. Na dança James Dean acabou encontrando uma forma de aliviar o stress, a tensão do dia a dia. Foi uma experiência que ele gostou bastante.

Além disso se expressar com o corpo era algo essencial para um bom ator. No próprio Actors Studio os jovens atores eram incentivados a aprenderam canto, dança moderna, tudo que pudesse a desenvolver melhor a expressão corporal. Uma forma de ir fundo na arte dramática. Além disso todos os estudantes eram também incentivados a procurar por bons livros, grandes clássicos da literatura antiga e moderna. Ter cultura era essencial para se tornar um bom ator. Afinal ter base cultural era o primeiro passo para ser um grande artista em qualquer área que se abraçasse..

James Dean no Actors Studio
James Dean ingressou no Actors Studio, em Nova York, no início da década de 1950, quando ainda era um ator desconhecido em busca de formação sólida e identidade artística. O Actors Studio, dirigido por Lee Strasberg, era o centro mais importante do Método de Interpretação nos Estados Unidos, atraindo jovens atores interessados em atuações psicológicas profundas e realistas. Para Dean, aquele ambiente representava uma alternativa ao estilo artificial de Hollywood.

Antes de entrar no Actors Studio, James Dean já havia estudado teatro na UCLA, em Los Angeles, mas sentia-se limitado pelo ensino tradicional. Ao se mudar para Nova York em 1952, ele mergulhou no circuito teatral e televisivo e passou por audições rigorosas até ser aceito no Studio, um feito significativo, já que a instituição era altamente seletiva.

No Actors Studio, Dean estudou diretamente sob a influência de Lee Strasberg, além de conviver com professores ligados às ideias de Konstantin Stanislavski. O foco estava na memória emocional, na vivência interna do personagem e na verdade psicológica da atuação. Dean se destacou rapidamente por sua intensidade, sensibilidade e disposição para se expor emocionalmente em cena.

Durante esse período, James Dean participou de exercícios públicos e workshops, onde atores apresentavam cenas diante de colegas e professores. Seu estilo chamou atenção por ser visceral, imprevisível e profundamente humano. Muitos relatos da época indicam que suas apresentações provocavam reações fortes, tanto admiração quanto estranhamento, por romperem com padrões estabelecidos.

Paralelamente aos estudos no Actors Studio, Dean começou a trabalhar em teatro profissional e televisão, atuando em produções ao vivo que exigiam grande preparo técnico e emocional. Essas experiências ajudaram a consolidar sua reputação em Nova York como um ator promissor e disciplinado, ainda que difícil e introspectivo.

Foi nesse ambiente nova-iorquino que James Dean passou a ser fotografado por Rogers Brackett, registrando um jovem artista em formação, longe da imagem glamourosa que teria mais tarde. Essas fotografias refletem o período do Actors Studio: um Dean concentrado, experimental e em constante busca por autenticidade.

A passagem pelo Actors Studio foi decisiva para que diretores importantes notassem James Dean. Elia Kazan, também ligado ao método de interpretação, viu nele o ator ideal para o papel de Cal Trask em Vidas Amargas (East of Eden). A escolha de Dean para o filme está diretamente ligada à sua formação e postura artística desenvolvidas no Studio.

Em retrospecto, o Actors Studio foi o espaço onde James Dean construiu a base de tudo o que o tornaria um ícone. Sua atuação naturalista, carregada de conflitos internos e emoção contida, nasceu ali. Embora sua carreira no cinema tenha sido curta, o período no Actors Studio garantiu a ele um lugar definitivo na história da interpretação moderna.

James Dean no Teatro de Nova York
James Dean chegou a Nova York em 1952, decidido a se afirmar como ator sério, longe do sistema de estúdios de Hollywood. A cidade vivia um período intenso de renovação teatral, com a Broadway e o circuito off-Broadway atraindo jovens talentos interessados em interpretações mais realistas e psicológicas. Para Dean, o teatro nova-iorquino era o lugar ideal para experimentar, errar e crescer artisticamente.

Logo após se estabelecer na cidade, James Dean passou a estudar no Actors Studio, onde entrou em contato direto com o Método de Interpretação. Embora o Studio não fosse um teatro comercial, ele funcionava como um laboratório cênico fundamental. Ali, Dean participou de exercícios públicos e apresentações internas que moldaram sua forma de atuar e o prepararam para o palco profissional.

No teatro propriamente dito, Dean atuou em peças da Broadway, ainda em papéis pequenos, mas significativos. Seu trabalho mais conhecido foi em “See the Jaguar” (1952), de N. Richard Nash. Embora a peça tenha tido curta duração, a atuação de Dean chamou atenção por sua intensidade emocional e presença cênica, destacando-se mesmo em uma produção de vida breve.

Além da Broadway, James Dean esteve ligado ao teatro experimental e ao circuito alternativo, onde atores tinham mais liberdade criativa. Esses espaços eram menos voltados ao sucesso comercial e mais à pesquisa artística, algo que combinava com seu temperamento inquieto e introspectivo. Dean se sentia mais à vontade em ambientes que valorizavam a verdade emocional em vez da técnica convencional.

Paralelamente ao teatro, ele atuou em dramas ao vivo na televisão, muito comuns em Nova York nos anos 1950. Essas produções exigiam preparo teatral rigoroso, já que eram encenadas em tempo real. A experiência televisiva complementou sua formação teatral, ajudando-o a desenvolver concentração, disciplina e rapidez emocional.

O período de James Dean no teatro de Nova York foi essencial para sua descoberta como ator. Embora não tenha se tornado uma estrela dos palcos, foi ali que ele construiu a base artística que impressionaria diretores como Elia Kazan. O teatro nova-iorquino não lhe deu fama, mas deu algo mais duradouro: uma identidade artística sólida, que se refletiria de forma definitiva em sua curta e histórica carreira no cinema.

quinta-feira, 1 de março de 2001

James Dean: Os Anos na Universidade

Los Angeles, 1949
Quando James Dean terminou o colegial ele não tinha a menor ideia do que iria fazer na vida. Morando numa pequena cidade do estado de Indiana suas perspectivas de futuro não pareciam muito promissoras. Aos amigos da escola Dean dizia que queria ser ator, advogado ou até mesmo pastor protestante. Eles não ficaram muito surpresos com isso pois Dean havia sido muito próximo do grupo de teatro da escola. Havia inclusive um professor de artes que havia despertado em Dean o gosto pela poesia e pela arte do teatro. Ele incentivava o jovem Dean a atuar nas peças da escola e lhe dava livros, principalmente de Shakespeare, para que Dean tomasse gosto pela literatura e pelas artes cênicas. Esse professor de ensino médio de Fairmount foi seguramente a pessoa que mais influenciou James Dean em sua vontade de um dia se tornar ator em Hollywood.

O tio de Dean, Marcus, com quem ele havia ido morar quando sua mãe faleceu, acreditava que o sobrinho seria feliz sendo um fazendeiro como ele havia sido por toda a vida. James Dean gostava da vida no campo, mas essa escolha estava fora de seus planos. Ele queria experimentar a vida lá fora, na cidade grande. A oportunidade bateu sua porta quando seu pai, que morava na Califórnia, lhe escreveu dizendo que ele deveria ir para Los Angeles morar com ele. 

O pai de Dean queria que ele se formasse em Direito na UCLA, a universidade da Califórnia. Dean que estava com vontade de ir embora de Indiana viu ali sua grande oportunidade. Na semana seguinte ele pegou o primeiro trem e foi embora para a Califórnia, para quem sabe, um dia, vir a se ator de teatro e cinema.

James Dean chegou em Los Angeles com uma mochila nas costas e cinco dólares no bolso. Seu pai o pegou na estação ferroviária. Ele adorou a ensolarada e quente Califórnia desde os primeiros dias. Seu principal desafio seria passar no exame de admissão da UCLA. Dean tinha sido um bom aluno desde os primeiros dias na escola em Fairmount e ao lado de bons professores conseguiu acumular uma boa bagagem cultural que foi decisiva quando ele finalmente foi aprovado na Universidade que seu pai tanto sonhara. Ser um aluno de Direito na UCLA era uma grande honra para a família. Certamente James Dean estava indo pelo caminho certo.

A felicidade no mundo acadêmico porém não era repetida na vida familiar de Dean. Os longos anos que morou longe de seu pai cobraram um preço. Na verdade ambos se sentiam quase como estranhos. O fato do pai morar com uma mulher com quem Dean não gostava só piorava as coisas. Assim poucos meses depois de chegar em Los Angeles, Dean resolveu ir embora da casa de seu pai. 

Ele conseguiu ser aceito numa fraternidade de estudantes (muito comum nos Estados Unidos). A Sigma Nu reunia os estudantes de Direito da UCLA em apenas uma grande residência dentro do Campus. O clima mais sofisticado do lugar porém fez Dean novamente se sentir deslocado. Dean achava seus colegas bem afetados, esnobes e por essa razão não se deu muito bem. Pior do que isso, Dean começou a perder interesse pelas matérias jurídicas, ficando quase todo o tempo no Departamento de Artes Cênicas da UCLA. Sua vocação para ser ator novamente falava mais alto.

O sonho de ser ator
James Dean não era muito alto, pelo contrário. Parece uma questão secundária, mas que para Dean acabou ganhando uma importância maior do que ele inicialmente esperava! Quando Dean foi para a Califórnia ele tinha um sonho de se tornar ator de teatro ou quem sabe, de cinema. O aspirante a essa nova profissão foi para o novo estado, saindo da caipira Fairmount, em Indiana, com a intenção de estudar na universidade UCLA. Pelo menos essa era a intenção do pai de Dean. Na realidade ele não via qualquer futuro na profissão de ator e sempre desencorajava Dean a seguir por esse caminho. Os sonhos porém sempre falam mais alto.

Os primeiros meses de James Dean na nova universidade não foram nada promissores. Ele não se deu bem com colegas e professores e logo achou tudo muito maçante e tedioso. Chegou a ser expulso da fraternidade que fazia parte após brigar com um dos colegas. Embora estivesse estudando matérias direcionadas para o curso de Direito, para quem sabe ser um advogado no futuro, o que Dean gostava mesmo era de frequentar o campus de artes - onde grupos de estudantes ensaiavam peças ao ar livre. 

Era tudo muito libertador e empolgando, algo bem melhor do que ficar estudando leis e mais leis, rebuscadas pela jurisprudência da corte suprema dos Estados Unidos. No fundo James Dean não queria ser um profissional de terno e gravata, mas sim um artista, como sempre sonhou. O pai dele, claro, não gostava nada quando tinha lhe contava essas ambições para seu futuro profissional.

Sem falar para ninguém, um dia James Dean começou a ir a testes de atores para peças e filmes. Ele achava sinceramente que logo iria ser descoberto pelos agentes e estúdios de Hollywood. Chegou inclusive a procurar um agente que o ajudasse a despontar. Porém o que efetivamente encontrou foram muitas portas fechadas em sua cara! Nos testes não se saiu nada bem. Dean não tinha muitos modos finos e não conseguia convencer os selecionadores. 

Em vários testes sua pouca estatura tornou-se um empecilho. Com muito esforço e botas altas, Dean conseguia disfarçar sua pouca altura, conseguindo chegar ao 1.69m de altura. Dean foi sendo recusado teste após teste. Os filmes, principalmente de cowboy, exigiam atores altos e fortes. Não era o caso de Dean. Ele sabia montar - afinal morava numa fazenda em Indiana - mas não tinha o porte físico necessário para fazer parte do elenco de um western.

Alguns diretores de elenco eram rudes com ele e deixavam claro que ele era baixinho demais para os personagens. Lutando muito e persistindo Dean acabou conseguindo fazer algumas figurações em produções como "Baionetas Caladas", um filme de guera. Depois ele conseguiu um pequeno papel em uma comédia estrelada pela dupla Jerry Lewis e Dean Martin,  Nessa produção chamada "O Marujo foi na Onda" Dean interpretou um auxiliar de ringue. Enquanto Jerry Lewis saia no braço com seu adversário, dando margem a todos os tipos de situações divertidas, Dean ficava com uma toalha no corner, decidindo se entrava ou não para interromper a luta. 

Passou longe de ser um papel marcante, mas foi uma primeira chance. Desiludido, certa noite ouviu um conselho muito interessante de um professor de arte dramática. "Dean, deixe isso de lado, vá para Nova Iorque e aprenda a ser um ator de verdade! No cinema você não vai aprender a ser um ator". No outro dia James Dean arrumou as malas, juntou os 300 dólares que tinha (a única grana que possuía naquele momento) e rumou para a big Apple. 

Rumo a Nova Iorque
Nessa mesma época James Dean resolveu largar a universidade. Foi uma decisão um tanto impulsiva, mas Dean parecia muito seguro de sua decisão. Ele estava decidido. Não haveria volta, Claro que o pai de Dean não gostou nada da ideia. Era absurda sob o seu ponto de vista. Além do mais como Dean iria viver dali para frente? Ele não tinha emprego, nem onde viver. O relacionamento com o pai já estava ruim há tempos. Com a decisão de James Dean a coisa toda só piorou. Como Dean já era maior de idade, seu pai resolveu deixar para lá. Cada um é dono de seu próprio destino e cada um tem seu caminho. Agora Dean teria que se virar, procurar por seu próprio sustento. 

Uma solução seria arranjar um emprego e um lugar para morar. Ele conseguiu as duas coisas com um amigo que também estava deixando a universidade. Eles alugaram um pequeno apartamento em e depois Dean conseguiu um emprego no estacionamento de um dos estúdios de TV. o canal CBS. Foi a primeira aproximação com a indústria cultural. Claro, não era bem o que ele esperava, mas já era um começo, humilde começo, mas um começo.

Os dias de Dean como trabalhador no estacionamento não duraram muito. Ele se mostrou um funcionário indisciplinado, que passava o tempo todo ridicularizando seu próprio uniforme. Seu chefe não gostou nada das piadinhas e assim Dean foi logo demitido. "Aquele seu amigo, vou te contar!" - teria dito o chefe do estacionamento para o amigo de Dean. 

Sem grana e sem perspectiva ele procurou por alguma solução. Não demorou muito e logo Dean se viu sem ter nem o que almoçar, já que as prateleiras do pequeno apê estavam vazias. Até a luz do lugar acabou sendo cortada. Dean começou então a chamar amigos para irem até lá, para um jantar "a luz de velas" - como se fosse algo glamoroso e não falta de pagamento da conta de luz! No fundo a tática de Dean era que seus amigos trouxessem alguma comida para a noite - para assim ele também ter o que comer! A coisa toda acabou funcionando. Todas as noites James Dean tinha pelo menos comida para passar mais alguns dias.

Logo chegou uma ordem de despejo por falta de pagamento do aluguel. O que salvou Dean de virar um esfomeado morador de rua foi uma agente que conheceu nessa mesma semana. Ela acreditou em Dean e o contratou. Agora a agência de atores, modelos e atrizes iria se esforçar para arranjar algum papel para seu novo contratado. Não seria fácil, mas Dean tinha confiança. Se sua nova agente pudesse arranjar algum trabalho, mesmo que no teatro ou em comerciais de TV, já estaria de bom tamanho. 

E a sorte acabou batendo na porta de Dean. A Pepsi-Cola estava contratando jovens para aparecer em um de seus comerciais televisivos. Os candidatos teriam que dançar e depois tomar uma Pepsi na frente de um jukebox! Dean passou no teste e assim conseguiu seu primeiro pagamento, seu primeiro cachê! A primeira coisa que fez foi ir ao mercado para comprar comida! Passar fome não fazia bem parte de seus sonhos de um dia virar ator...

James Dean: Anos Iniciais

Nascimento e Infância
James Dean nasceu em 8 de fevereiro de 1931, na cidade de Marion, no estado de Indiana, Estados Unidos. Filho único de Winton Dean, técnico em odontologia, e Mildred Marie Wilson, dona de casa, James teve uma infância marcada por mudanças e contrastes. Pouco depois de seu nascimento, a família se mudou para Santa Monica, Califórnia, em busca de melhores oportunidades, o que colocou o menino em contato com um ambiente urbano e culturalmente mais ativo desde cedo.

Durante os primeiros anos na Califórnia, James manteve uma relação muito próxima com a mãe. Mildred era uma mulher sensível, interessada em artes, música e teatro, e foi ela quem incentivou o filho a desenvolver sua criatividade. Ainda criança, James demonstrava curiosidade intelectual, gosto por leitura e interesse por atividades artísticas, traços que mais tarde se tornariam fundamentais em sua carreira como ator.

A infância de James Dean sofreu uma ruptura profunda em 1940, quando sua mãe faleceu vítima de câncer, aos 29 anos. James tinha apenas nove anos de idade na época. A morte de Mildred foi um trauma decisivo em sua vida, deixando marcas emocionais profundas. Muitos biógrafos apontam que a sensação de perda, solidão e incompreensão vivida nesse período influenciou fortemente a intensidade emocional que ele demonstraria mais tarde em seus papéis no cinema.

Após a morte da mãe, o pai de James, que tinha dificuldades em criar o filho sozinho, decidiu que não poderia cuidar dele adequadamente. Assim, James foi enviado de volta para Indiana para morar com parentes. Essa decisão representou uma mudança radical: ele deixou a Califórnia e retornou ao meio rural do interior americano, distante do ambiente que havia conhecido na infância.

James passou então a viver em Fairmount, Indiana, na fazenda de seus tios Marcus e Ortense Winslow, que se tornaram figuras centrais em sua formação. Embora fossem parentes afetuosos e disciplinados, o jovem James teve dificuldades iniciais de adaptação. A vida no campo, mais rígida e conservadora, contrastava com sua personalidade sensível e introspectiva, o que contribuiu para seu sentimento de isolamento.

Apesar das dificuldades, esse período com os tios também foi importante para o desenvolvimento de James Dean. Ele frequentou a escola local, destacou-se em atividades acadêmicas e esportivas e começou a demonstrar, de forma mais clara, seu interesse por artes dramáticas. A combinação entre a perda precoce da mãe e a experiência de viver longe do pai ajudou a moldar o caráter intenso, inquieto e emocional que mais tarde faria de James Dean um dos maiores ícones da história do cinema.

Os Anos Escolares
Durante seus anos na escola em Fairmount, Indiana, James Dean viveu um período decisivo de formação pessoal e artística. Matriculado na Fairmount High School, ele era um aluno inteligente, embora introspectivo, e muitas vezes se sentia deslocado entre os colegas. Apesar disso, destacava-se por sua curiosidade intelectual e por uma sensibilidade incomum, que o diferenciava dos demais estudantes.

Foi na escola que James Dean teve seu primeiro contato significativo com o teatro. Incentivado pela professora de artes dramáticas e oratória Adeline Nall, ele passou a participar de peças escolares e atividades ligadas à expressão verbal. A professora teve papel fundamental ao reconhecer seu talento e encorajá-lo a explorar a atuação como forma de canalizar suas emoções. No palco, James encontrou um espaço onde podia se expressar com liberdade e intensidade, algo que raramente conseguia em sua vida cotidiana.

Ao mesmo tempo, James Dean também demonstrava grande interesse por esportes, especialmente aqueles que exigiam esforço físico e competitividade. Ele participou ativamente de equipes escolares de basquete, beisebol e atletismo, mostrando disciplina e determinação. O esporte funcionava como um contraponto ao teatro: enquanto a atuação permitia o contato com suas emoções mais profundas, a prática esportiva ajudava a aliviar tensões e a fortalecer sua autoconfiança.

Essa combinação entre arte e esporte foi essencial para moldar sua personalidade. James não se encaixava perfeitamente no estereótipo do atleta nem no do artista, transitando entre os dois mundos. Essa dualidade contribuiu para sua imagem futura de jovem rebelde, sensível e ao mesmo tempo fisicamente intenso, características que marcariam sua presença no cinema.

Ao concluir o ensino médio, James Dean já demonstrava claramente que seu caminho estava ligado às artes cênicas. A experiência escolar, especialmente no teatro, despertou nele o desejo de seguir carreira como ator. Os anos na escola não apenas revelaram seu talento, mas também ajudaram a formar o estilo emocional, autêntico e visceral que faria de James Dean uma figura única e inesquecível na história do cinema.

Uma Adolescância Complicada
Após a morte de sua mãe, James Dean passou a viver na fazenda de seus tios Marcus e Ortense Winslow, em Fairmount, Indiana, um ambiente rural que contrastava fortemente com a vida que havia conhecido na Califórnia. A rotina era simples, marcada por trabalho no campo, disciplina e valores tradicionais. Embora os tios fossem cuidadosos e responsáveis, James sentia-se emocionalmente distante e frequentemente solitário, o que reforçou seu caráter introspectivo e independente.

A vida na fazenda exigia esforço físico e responsabilidade desde cedo. James ajudava nas tarefas diárias, lidava com animais e participava ativamente da rotina agrícola. Esse contato com o trabalho duro contribuiu para sua resistência física e para um senso de autossuficiência, mas não eliminava o sentimento de deslocamento. Mesmo cercado por familiares, ele carregava uma sensação constante de ausência, causada principalmente pela perda da mãe.

Foi nesse período que James Dean começou a desenvolver um forte interesse por motores e velocidade, especialmente por motocicletas. As motos representavam para ele mais do que um simples hobby: eram uma forma de liberdade, controle e escape emocional. Pilotar lhe dava uma sensação de autonomia e intensidade, algo que o ajudava a lidar com conflitos internos e emoções difíceis. Esse amor precoce pelas motos se tornaria uma característica marcante de sua personalidade ao longo da vida.

A morte de sua mãe, Mildred Dean, continuou a exercer profunda influência sobre James durante os anos na fazenda. Ele raramente falava abertamente sobre o assunto, preferindo lidar com a dor de maneira silenciosa. A ausência materna gerou nele um sentimento duradouro de insegurança emocional e uma busca constante por afeto e compreensão, aspectos que mais tarde se refletiriam na profundidade emocional de suas atuações.

James Dean encontrou formas próprias de processar essa perda, principalmente por meio da introspecção, da arte e da ação física. Seja trabalhando na fazenda, pilotando motos ou se dedicando à leitura e ao teatro, ele buscava maneiras de transformar sua dor em movimento e expressão. Essa combinação de silêncio, intensidade e sensibilidade moldou o jovem que, anos depois, se tornaria um ícone do cinema, conhecido justamente por transmitir emoções profundas e autênticas na tela.

James Dean e o Reverendo
James Dean teve, de fato, uma relação de amizade e mentoria muito intensa com um reverendo durante sua juventude e início da carreira, e esse vínculo costuma aparecer com destaque em biografias sérias sobre o ator. O reverendo em questão era James DeWeerd, um pastor metodista que Dean conheceu quando se mudou para a Califórnia, no começo dos anos 1950, enquanto estudava teatro e tentava se firmar como ator.

DeWeerd não foi apenas um conselheiro religioso. Segundo diversos livros, ele ofereceu a James Dean algo que lhe faltava desde a infância: estabilidade emocional, escuta atenta e uma figura adulta constante. Dean havia perdido a mãe muito cedo e tivera uma relação distante com o pai, o que o tornava especialmente carente de afeto e orientação. O reverendo tornou-se alguém com quem Dean podia conversar longamente sobre arte, fé, culpa, ambições e seus conflitos internos.

As biografias descrevem a amizade como profunda e intensa, marcada por convivência frequente. Dean chegou a morar por um período na casa de DeWeerd, algo que, à época, não era tão incomum entre jovens estudantes e figuras de apoio espiritual. Os autores costumam destacar que o reverendo incentivava o interesse de Dean pelo teatro, pela literatura e pela reflexão interior, funcionando quase como um mentor intelectual e emocional.

Quanto à natureza real do relacionamento, os livros deixam claro que há interpretações diferentes. Biógrafos como Val Holley e Donald Spoto reconhecem que a proximidade entre os dois gerou especulações ao longo dos anos, principalmente porque Dean tinha uma personalidade afetiva intensa e pouco convencional para os padrões da época. No entanto, esses mesmos autores ressaltam que não existem provas concretas de que o relacionamento tenha sido sexual ou romântico.

A maior parte da literatura especializada trata a ligação entre Dean e DeWeerd como uma relação de dependência emocional e busca por orientação, mais do que qualquer outra coisa. Muitos estudiosos apontam que Dean tendia a se apegar fortemente a figuras que lhe ofereciam segurança e aceitação — algo que também ocorreu em outras amizades ao longo de sua curta vida. Assim, o consenso entre os biógrafos mais respeitados é que o vínculo foi complexo, íntimo e emocionalmente carregado, mas não comprovadamente sexual.

Em resumo, os livros retratam a amizade entre James Dean e o reverendo James DeWeerd como um capítulo importante para entender a fragilidade emocional, a solidão e a busca por pertencimento do ator. Mais do que um escândalo oculto, esse relacionamento costuma ser visto como um reflexo das feridas emocionais de Dean e de sua necessidade profunda de acolhimento e orientação em um momento decisivo de sua formação pessoal e artística.