sexta-feira, 1 de dezembro de 2000
Filmes de Terror - Lançamentos de Setembro de 2025
terça-feira, 14 de novembro de 2000
A Antiga Civilização dos Hebreus
A origem histórica dos hebreus é tradicionalmente associada às narrativas patriarcais da Bíblia, mas as descobertas arqueológicas indicam que seu surgimento está ligado aos povos semitas ocidentais que habitavam Canaã no final da Idade do Bronze (c. 1500–1200 a.C.). Evidências linguísticas e culturais mostram que eram parte de um conjunto maior de tribos cananeias, com características semi nômades e organização clânica. Esses grupos se deslocavam amplamente entre as regiões do deserto da Síria, Palestina e norte da Arábia.
Inscrições egípcias, como a famosa Estela de Merneptah (c. 1207 a.C.), constituem a menção extrabíblica mais antiga ao nome "Israel". Nela, o termo aparece associado a um grupo populacional já estabelecido em Canaã, o que sugere que os hebreus passaram gradualmente de uma vida pastoral para uma estrutura tribal sedentária. Isso corrobora a ideia de que a formação do povo hebreu foi um processo progressivo e não um evento único.
A arqueologia da região das montanhas centrais de Canaã revela o surgimento repentino, por volta do século XII a.C., de pequenos povoados agrícolas que muitos estudiosos associam aos primeiros israelitas. Essas aldeias apresentam poucas distinções culturais frente a outras comunidades cananeias, reforçando que os hebreus se formaram a partir de grupos locais que adotaram uma identidade própria ao longo do tempo.
Sociedade e Cultura
A sociedade hebraica inicial era marcada por um forte sistema tribal, organizado em clãs patriarcais. Cada tribo possuía autonomia interna e era governada por anciãos responsáveis por questões jurídicas e administrativas. A coesão entre as tribos se dava principalmente pela religião e por tradições compartilhadas, como a circuncisão e festividades sazonais ligadas à agricultura e ao pastoreio.
Do ponto de vista cultural, os hebreus incorporaram diversos elementos da cultura cananeia e mesopotâmica, como aspectos da língua semítica e práticas cotidianas de agricultura e cerâmica. A escrita emergiu lentamente, influenciada por sistemas alfabéticos que se desenvolveram na região, como o proto-sinaítico e o fenício, que mais tarde dariam origem ao alfabeto hebraico.
A família era o núcleo central da estrutura social, marcada por uma forte autoridade patriarcal. As leis de herança, a organização do trabalho e a preservação da memória ancestral eram controladas dentro desse ambiente familiar. A solidariedade entre os membros do clã ajudava o grupo a sobreviver em tempos de conflito, seca ou escassez, características frequentes na região.
A Religião do Povo Hebreu
As primeiras práticas religiosas dos hebreus eram semelhantes às de outros povos semitas, com culto a divindades ligadas à fertilidade, à guerra e às forças da natureza. No entanto, ao longo do tempo, essas práticas foram sendo substituídas por uma devoção crescente a Yahweh (YHWH), cuja adoração tem paralelos em cultos regionais identificados em inscrições arqueológicas como as encontradas em Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom.
O monoteísmo hebreu, como hoje o entendemos, foi um desenvolvimento progressivo. Durante séculos coexistiram práticas henoteístas — adoração principal de uma divindade sem negar outras — antes de o culto exclusivo a Yahweh se consolidar, especialmente após o período do Exílio Babilônico. As descobertas arqueológicas mostram que muitos lares israelitas possuíam ídolos domésticos, evidenciando a persistência de práticas politeístas populares.
Com o tempo, sacerdotes e escribas passaram a sistematizar a Lei, os rituais e a ética da fé hebraica. Esse processo resultou em uma religião marcada pela ideia de aliança entre Yahweh e o povo, pela observância de mandamentos e pelo desenvolvimento de tradições litúrgicas, como o sábado. Essa evolução seria fundamental para a identidade judaica posterior.
Os Monarcas Antigos do Povo Hebreu
O processo de centralização política dos hebreus culminou na formação da monarquia por volta do século XI a.C. A transição de uma sociedade tribal para um Estado monárquico foi motivada, em parte, pela necessidade de defesa militar contra inimigos como filisteus e ammonitas. Saul é reconhecido como o primeiro rei, embora seu reino tenha sido instável e marcado por conflitos internos.
Davi, seu sucessor, conseguiu consolidar o reino, capturar Jerusalém e transformá-la em capital política e religiosa. Descobertas como a Estela de Tel Dan, contendo a expressão “Casa de Davi”, confirmam a existência histórica da dinastia davídica, oferecendo importante apoio arqueológico. Davi expandiu territórios e organizou o aparato estatal, contribuindo para a unificação nacional.
Salomão, filho de Davi, é lembrado por promover um reinado de prosperidade e por construir o Primeiro Templo em Jerusalém, evidência central do culto a Yahweh. Inscrições como o Papiro de Arad, estruturas administrativas e fortificações atribuídas a esse período mostram um Estado mais complexo e centralizado. Porém, os altos impostos e o trabalho compulsório geraram tensões que explodiriam após sua morte.
Os Reinos de Israel e Judá
Com a morte de Salomão, por volta de 930 a.C., o reino se dividiu em duas entidades políticas: o Reino de Israel ao norte e o Reino de Judá ao sul. Israel tornou-se o mais populoso e economicamente forte, com capital em Samaria, enquanto Judá manteve Jerusalém como centro religioso. Essa divisão é comprovada por fontes arqueológicas e extrabíblicas, incluindo inscrições assírias e babilônicas.
O Reino de Israel teve grande contato com culturas estrangeiras, incorporando práticas fenícias e aramaicas. A arqueologia de Samaria revela um reino sofisticado, com palácios, fortificações e inscrições oficiais. No entanto, instabilidade política e mudanças dinásticas enfraqueceram o reino ao longo dos séculos.
Judá, por sua vez, manteve maior continuidade dinástica e uma identidade religiosa mais centralizada em Yahweh. Escavações em Jerusalém, como no Ofel e na Cidade de Davi, revelam construções imponentes e sistemas de defesa que se desenvolveram especialmente sob os reinados de Ezequias e Josias. Apesar de mais fraco militarmente, Judá persistiu por quase 150 anos após a queda de Israel.
O Surgimento da Bíblia
O surgimento da Bíblia Hebraica (Tanakh) é resultado de um longo processo de redação que se estendeu do século X ao II a.C. Textos antigos, como cânticos, leis tribais e histórias dos patriarcas, foram transmitidos oralmente antes de serem compilados. A corte de Davi e Salomão já possuía escribas, e algumas tradições podem ter sido registradas nesse período.
Durante o Exílio Babilônico (século VI a.C.), a necessidade de preservar a identidade cultural e religiosa estimulou a organização dos textos sagrados. Muitos estudiosos consideram essa fase crucial para a redação final da Torá, que passou a refletir reflexões teológicas profundas sobre a relação entre o povo e seu Deus. A redação posterior incluiu livros proféticos, históricos e sapienciais.
Os manuscritos do Mar Morto, descobertos em Qumran no século XX, revelam a diversidade textual existente no período do Segundo Templo. Eles incluem versões múltiplas de textos bíblicos, comentários e escritos litúrgicos, demonstrando que o processo de canonização foi gradual e somente concluído séculos depois.
Apogeu da Civilização do Povo Hebreu
O apogeu político dos hebreus costuma ser associado ao reinado unificado de Davi e Salomão, quando o território, a economia e a organização estatal atingiram maior complexidade. Escavações em Megido, Hazor e Gezer revelam obras atribuídas a essa era, mostrando o vigor do reino e sua influência regional. A expansão comercial também se intensificou, especialmente com povos fenícios.
Além do poder militar e econômico, esse período marcou avanços religiosos significativos. A centralização do culto em Jerusalém fortaleceu a coesão nacional. O Templo tornou-se ponto central da vida espiritual e política, moldando práticas que perdurariam mesmo após sua destruição.
Culturalmente, houve desenvolvimento da escrita, da poesia e das tradições literárias que mais tarde seriam incorporadas à Bíblia. A corte real atraía escribas, historiadores e sacerdotes que começaram a registrar parte da história e da sabedoria do povo hebreu. Essa efervescência literária foi fundamental para a formação da identidade judaica posterior.
Crise e Decadência
Após o auge, os reinos hebreus passaram a enfrentar crises internas e externas. O Reino de Israel sofreu com conflitos dinásticos, assassinatos de reis e pressões militares de potências estrangeiras. A expansão assíria, sob reis como Tiglate-Pileser III, intensificou a instabilidade, levando à perda de autonomia política.
Judá, embora mais estável, também enfrentou períodos de idolatria, disputas internas e dependência de potências maiores. Reformas religiosas, como as de Ezequias e Josias, tentaram restaurar o culto exclusivo a Yahweh, mas não evitaram a deterioração geral. A economia local foi prejudicada por tributos e pela devastação provocada por campanhas estrangeiras.
A decadência atingiu seu ápice com as invasões assírias (que destruíram Israel) e babilônicas (que conquistaram Judá). Essas crises resultaram em perda territorial, deportações em massa, destruição de cidades e desestruturação do aparato estatal. O colapso dos reinos marcou o fim da independência política por séculos.
Invasão de seu Território
O Reino de Israel foi invadido pelos assírios em 722 a.C., sob Sargão II. As evidências arqueológicas de Samaria mostram destruição e reocupação assíria, além de registros em palácios de Nínive que descrevem o evento. Parte da população foi deportada, dando origem ao conceito das “dez tribos perdidas”.
Judá enfrentou invasões assírias, como a campanha de Senaquerib (701 a.C.), registrada tanto na Bíblia quanto no prisma de Senaquerib, que confirma a presença militar assíria e o cerco a Jerusalém. Embora a cidade não tenha caído nessa ocasião, outras foram destruídas, como Laquis, cujos murais no palácio de Nínive revelam detalhes visuais da conquista.
A segunda grande invasão ocorreu pelos babilônios, que, sob Nabucodonosor II, cercaram Jerusalém e destruíram o Primeiro Templo em 587/586 a.C. Essa destruição é amplamente corroborada por evidências arqueológicas, como camadas de cinzas e restos de cerâmica queimadas encontradas na capital.
Dominação Romana
Após o retorno do exílio babilônico e a reconstrução do Templo no período persa, a Judéia passou pelos domínios grego e selêucida antes de ser absorvida por Roma em 63 a.C. com a entrada do general Pompeu em Jerusalém. A presença romana trouxe tensões políticas, fiscais e religiosas significativas.
A dinastia herodiana, instalada pelos romanos, governou com relativa autonomia. Herodes, o Grande, empreendeu grandes obras, como a expansão monumental do Segundo Templo, comprovada por vastas escavações no Monte do Templo e arredores. Apesar disso, a resistência popular cresceu, culminando em revoltas violentas.
A Primeira Revolta Judaica (66–70 d.C.) resultou na destruição do Templo pelos romanos sob Tito. A Segunda Revolta (132–135 d.C.), liderada por Bar Kokhba, terminou com a devastação da Judéia e a dispersão de grande parte da população. A dominação romana marcou profundamente a identidade judaica e contribuiu para o desenvolvimento do judaísmo rabínico.
Bibliografia
Obras gerais e arqueológicas:
– Finkelstein, Israel & Silberman, Neil. A Bíblia Não Tinha Razão?
– Dever, William. What Did the Biblical Writers Know and When Did They Know It?
– Mazar, Amihai. Archaeology of the Land of the Bible.
– Bright, John. A History of Israel.
Fontes e estudos específicos:
– Millard, Alan. Discoveries from the Time of the Bible.
– Grabbe, Lester. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It?
– Kitchen, Kenneth A. On the Reliability of the Old Testament.
– Hershel Shanks (ed.). The Dead Sea Scrolls After Fifty Years.
segunda-feira, 13 de novembro de 2000
A Civilização Antiga da Pérsia
A Antiga Civilização da Fenícia
domingo, 12 de novembro de 2000
Hâmurabi I
sábado, 11 de novembro de 2000
Hâmurabi II
Faraó Menes
sexta-feira, 10 de novembro de 2000
A Civilização Antiga da Babilônia
BABILÔNIA
1. Primórdios dessa civilização antiga
A Babilônia foi uma das mais importantes cidades da Mesopotâmia, localizada entre os rios Tigre e Eufrates, na região que hoje corresponde ao Iraque. Sua origem remonta ao final do III milênio a.C., quando pequenas aldeias começaram a se desenvolver na planície fértil da região. Inicialmente, era apenas uma cidade entre muitas da Suméria e da Acádia, mas aos poucos ganhou destaque político e econômico.
2. Formação
A ascensão da Babilônia ocorreu por volta de 1894 a.C., quando a cidade foi unificada e transformada em capital de um pequeno reino sob o comando da dinastia amorita. O rei Sumu-abum é considerado o fundador da dinastia, mas foi seu sucessor, Hamurábi, quem consolidou o poder babilônico e transformou a cidade no centro de um vasto império.
3. Sociedade e cultura
A sociedade babilônica era hierarquizada. No topo estavam o rei e a nobreza; abaixo, sacerdotes, escribas e comerciantes; em seguida, camponeses e artesãos; e, por fim, escravos, geralmente prisioneiros de guerra.
A cultura babilônica herdou e aperfeiçoou tradições sumérias, destacando-se na arquitetura, na literatura e na astronomia. O idioma principal era o acádio, escrito em cunha (escrita cuneiforme). A cidade era famosa por sua beleza, templos e jardins — entre eles, os lendários Jardins Suspensos da Babilônia, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
4. Religião
A religião babilônica era politeísta, com uma rica mitologia. O deus Marduque era o principal, considerado o protetor da cidade e senhor do universo. Os templos, chamados zigurates, eram centros religiosos e também de observação astronômica. O “Enuma Elish”, poema da criação babilônico, relata o triunfo de Marduque sobre as forças do caos e a criação do mundo a partir do corpo da deusa Tiamat.
5. Auge da civilização
O auge da Babilônia ocorreu em dois grandes períodos:
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Primeiro Império Babilônico (século XVIII a.C.), sob Hamurábi, que unificou a Mesopotâmia e elaborou o famoso Código de Hamurábi, uma das primeiras coleções de leis escritas da humanidade.
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Segundo Império Babilônico (século VII–VI a.C.), conhecido como o Império Neobabilônico, sob Nabopolassar e Nabucodonosor II, quando a cidade atingiu seu esplendor arquitetônico e cultural.
6. Conquista de outros povos
Hamurábi conquistou várias cidades-estado rivais, como Mari, Assur e Eshnunna, unificando grande parte da Mesopotâmia sob o domínio babilônico. Séculos depois, Nabucodonosor II expandiu novamente o império, dominando regiões da Síria, da Palestina e até Jerusalém, cujo povo (os hebreus) foi levado em cativeiro — o chamado Cativeiro Babilônico.
7. Principais monarcas da era de ouro
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Hamurábi (1792–1750 a.C.) – Criador do Código de Hamurábi e unificador da Mesopotâmia.
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Nabopolassar (625–605 a.C.) – Fundador do Império Neobabilônico, libertou a Babilônia do domínio assírio.
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Nabucodonosor II (605–562 a.C.) – Maior rei babilônico, responsável pela reconstrução monumental da cidade, incluindo os Jardins Suspensos e o Portão de Ishtar.
8. Decadência e declínio
Após a morte de Nabucodonosor II, o império entrou em declínio devido a crises internas, disputas pelo trono e pressões externas. O último rei importante, Nabonido, enfraqueceu o poder central ao tentar impor o culto ao deus Sin, o que gerou insatisfação entre os sacerdotes de Marduque e a população.
9. Destruição da Babilônia
Em 539 a.C., o rei persa Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia praticamente sem resistência. A cidade foi incorporada ao Império Persa e, embora tenha continuado habitada, nunca mais recuperou seu esplendor. Mais tarde, Alexandre, o Grande, tentou transformá-la em capital de seu império, mas sua morte interrompeu o projeto. Com o tempo, Babilônia foi abandonada e coberta pelas areias do deserto.
10. A Babilônia na Bíblia
Na Bíblia, a Babilônia simboliza o orgulho humano, a opressão e a idolatria. É citada em várias passagens, desde a Torre de Babel (Gênesis 11) até o Livro do Apocalipse, onde é descrita como a “Grande Babilônia, mãe das prostituições e abominações da Terra”, símbolo do mal e da decadência espiritual. O Cativeiro Babilônico dos hebreus (586–538 a.C.) também é um evento central da história bíblica.
11. Descobertas arqueológicas
As ruínas da Babilônia foram redescobertas no século XIX. Escavações realizadas por arqueólogos alemães, como Robert Koldewey, revelaram a grandiosidade da cidade: muralhas monumentais, o Portão de Ishtar, a Via Processional, templos e palácios. Muitas dessas peças estão hoje no Museu de Pérgamo, em Berlim.
12. Importância histórica
A Babilônia teve papel fundamental no desenvolvimento da civilização humana. Foi um centro de administração, direito, ciência e religião. Os babilônios desenvolveram conhecimentos avançados em matemática (uso do sistema sexagesimal, base 60), astronomia e engenharia. Sua organização jurídica e urbanística influenciou sociedades posteriores.
13. Legado
O legado babilônico atravessou milênios.
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Jurídico: o Código de Hamurábi influenciou o pensamento legal ocidental.
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Científico: o estudo dos astros deu origem à astronomia e ao calendário.
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Cultural: sua mitologia inspirou textos bíblicos e obras literárias modernas.
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Arquitetônico: suas construções monumentais se tornaram símbolo de poder e sofisticação no mundo antigo.
A Babilônia permanece, até hoje, como um dos maiores ícones da Antiguidade — símbolo da glória, da sabedoria e também da fragilidade dos impérios humanos.
Aqui está uma bibliografia completa e confiável sobre a Babilônia, incluindo livros acadêmicos, artigos históricos e fontes clássicas, tanto em português quanto em outras línguas (para consulta mais ampla).
BIBLIOGRAFIA SOBRE A BABILÔNIA
1. Obras Gerais sobre a Mesopotâmia e a Babilônia
-
KRAMER, Samuel Noah. A História Começa na Suméria. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
→ Um clássico sobre a civilização mesopotâmica, com informações detalhadas sobre as origens culturais que influenciaram a Babilônia. -
BOTTÉRO, Jean. A Babilônia: Esplendor e Decadência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.
→ Um dos estudos mais respeitados sobre a civilização babilônica, com foco em religião, sociedade e política. -
ROUX, Georges. A Mesopotâmia: História, Civilização e Legado. Lisboa: Editorial Presença, 1995.
→ Obra fundamental que abrange desde o período sumério até o declínio babilônico. -
KRAMER, Samuel Noah. A História da Babilônia e da Assíria. São Paulo: Hemus, 1986.
→ Apresenta o desenvolvimento político e cultural da Babilônia em paralelo à Assíria.
2. Religião, Cultura e Sociedade
-
BOTTÉRO, Jean. A Religião na Babilônia Antiga. Lisboa: Edições 70, 1987.
→ Estudo aprofundado sobre os mitos, rituais e deuses babilônicos, como Marduque e Ishtar. -
DALLEY, Stephanie. Myths from Mesopotamia: Creation, the Flood, Gilgamesh, and Others. Oxford: Oxford University Press, 2008.
→ Reúne traduções de textos mitológicos babilônicos, incluindo o Enuma Elish e o Poema de Gilgamesh. -
BLACK, Jeremy & GREEN, Anthony. Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia. Austin: University of Texas Press, 1992.
→ Um guia ilustrado sobre a simbologia e as crenças religiosas babilônicas.
3. Política, Império e Economia
-
OATES, Joan. Babylon. London: Thames and Hudson, 1986.
→ Um estudo sobre a formação urbana, arquitetura e poder político da cidade. -
LEICK, Gwendolyn. Mesopotamia: The Invention of the City. London: Penguin Books, 2002.
→ Explora o papel da Babilônia como centro urbano e cultural do Oriente Antigo. -
SNELL, Daniel C. Life in the Ancient Near East, 3100–332 BCE. New Haven: Yale University Press, 1997.
→ Descreve a estrutura social, o cotidiano e a economia babilônica.
4. O Código de Hamurábi e o Direito Babilônico
-
ROTH, Martha T. (org.). Law Collections from Mesopotamia and the Ancient Near East. Atlanta: Scholars Press, 1997.
→ Reúne traduções e análises do Código de Hamurábi e outros textos legais mesopotâmicos. -
HAMURÁBI. O Código de Hamurábi. Tradução de L. W. King. São Paulo: Martin Claret, 2004.
→ Edição comentada do texto jurídico mais famoso da Antiguidade.
5. Arqueologia e Descobertas
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KOLDEWEY, Robert. The Excavations at Babylon. London: Macmillan, 1914.
→ Relato original do arqueólogo alemão que escavou as ruínas da Babilônia no século XIX. -
CURTIS, John E. (org.). New Light on Nimrud: Proceedings of the Nimrud Conference, 2002. London: British Museum Press, 2008.
→ Reúne estudos arqueológicos modernos sobre cidades mesopotâmicas, incluindo Babilônia. -
BRITISH MUSEUM. Babylon: Myth and Reality. London: British Museum Press, 2008.
→ Catálogo da exposição que mostrou achados arqueológicos e artefatos babilônicos originais.
6. A Babilônia e a Bíblia
-
BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulus, 2004.
→ Contextualiza a Babilônia nas narrativas bíblicas e no cativeiro hebreu. -
FINKELSTEIN, Israel & SILBERMAN, Neil Asher. A Bíblia Desenterrada. São Paulo: A Girafa, 2003.
→ Apresenta as descobertas arqueológicas relacionadas à Babilônia e ao exílio dos hebreus. -
WALTON, John H. Ancient Near Eastern Thought and the Old Testament. Grand Rapids: Baker Academic, 2006.
→ Estudo comparativo entre a cosmovisão babilônica e as tradições bíblicas.
7. Fontes Primárias Traduzidas
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Enuma Elish: The Babylonian Epic of Creation. Tradução de L. W. King. London: Oxford University Press, 1902.
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The Epic of Gilgamesh. Tradução de Andrew George. London: Penguin Classics, 1999.
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The Babylonian Chronicles. Tradução de A. K. Grayson. Toronto: University of Toronto Press, 1975.
8. Recursos Online e Museus
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The British Museum – Babylon Collection
https://www.britishmuseum.org
→ Exibe artefatos originais, como o Portão de Ishtar e inscrições cuneiformes. -
Louvre Museum – Department of Near Eastern Antiquities
https://www.louvre.fr
→ Possui objetos e tabletes da Babilônia. -
The Cuneiform Digital Library Initiative (CDLI)
https://cdli.ucla.edu
→ Banco de dados com milhares de textos cuneiformes traduzidos.
quinta-feira, 9 de novembro de 2000
A Civilização Antiga dos Sumérios
Civilização Suméria – A Primeira Civilização da Humanidade
Localização e Contexto Histórico
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Local: Sul da Mesopotâmia (atual Iraque), entre os rios Tigre e Eufrates.
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Período: Cerca de 4.000 a.C. – 2.000 a.C.
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É considerada a primeira civilização urbana da história, surgida na chamada “Crescente Fértil”, uma região de solos férteis devido às cheias dos rios.
Organização Política
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Os sumérios viviam em cidades-Estado independentes, como Ur, Uruk, Lagash, Eridu e Nippur.
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Cada cidade possuía:
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Governo próprio, chefiado por um patesi ou ensi (sacerdote-rei).
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Um templo principal, o zigurate, centro religioso e econômico.
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Não havia um império unificado — as cidades frequentemente guerreavam entre si por controle de terras e canais de irrigação.
Economia
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Baseada na agricultura irrigada, principalmente de cevada, trigo e tâmaras.
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Também praticavam pecuária, artesanato e comércio com povos vizinhos (como os acádios e os elamitas).
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Desenvolveram sistemas de irrigação complexos e armazéns coletivos administrados pelos templos.
Sociedade
Estratificada, com forte ligação entre religião e poder político:
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Sacerdotes e governantes (patesis) – topo da hierarquia, controlavam terras e templos.
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Escribas e artesãos qualificados – responsáveis pela escrita e pelos produtos especializados.
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Camponeses e trabalhadores – base da sociedade, produziam alimentos.
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Escravos – geralmente prisioneiros de guerra ou endividados.
Religião
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Politeísta – acreditavam em vários deuses ligados à natureza e às forças cósmicas.
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Ex.: Anu (céu), Enlil (vento), Enki (água e sabedoria), Inanna/Ishtar (amor e fertilidade).
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Construíram zigurates, templos monumentais em forma de pirâmide escalonada, como o famoso Zigurate de Ur.
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Acreditavam na vida após a morte como um submundo sombrio e sem recompensas.
Cultura e Contribuições
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Invenção da escrita cuneiforme (por volta de 3.200 a.C.), feita com estiletes de junco sobre tábuas de argila.
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Criaram as primeiras leis escritas, administração pública e registros contábeis.
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Avanços em:
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Matemática e astronomia (base sexagesimal → sistema de 60 minutos/hora, 360 graus do círculo).
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Arquitetura (uso do tijolo cozido).
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Literatura: Epopeia de Gilgamesh, uma das primeiras obras literárias conhecidas.
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Declínio
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Por volta de 2.000 a.C., os sumérios foram dominados pelos acádios (sob Sargão I) e depois pelos babilônios.
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Apesar da conquista, sua cultura e escrita influenciaram profundamente todos os povos da Mesopotâmia posterior.
Importância Histórica
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Considerada o berço da civilização:
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Primeiras cidades planejadas.
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Primeira escrita.
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Primeiras leis e registros históricos.
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Base da cultura mesopotâmica, que influenciou o desenvolvimento de Babilônia, Assíria e Pérsia.
Civilização Suméria – Detalhamento Histórico e Cultural
A Escrita Suméria
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A escrita cuneiforme foi a primeira forma de escrita da história humana, criada pelos sumérios por volta de 3.200 a.C..
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O nome “cuneiforme” vem do latim cuneus (cunha), por causa do formato das marcas feitas em tábuas de argila úmida com estiletes de junco.
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Inicialmente, era pictográfica (desenhos representando objetos). Com o tempo, evoluiu para símbolos fonéticos e ideogramas, tornando-se mais abstrata e eficiente.
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Funções principais da escrita:
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Registros econômicos e administrativos (comércio, impostos, colheitas, armazéns);
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Textos religiosos e literários, como hinos e mitos;
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Leis e tratados políticos.
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O primeiro texto literário conhecido do mundo é sumério: a Epopeia de Gilgamesh, uma narrativa mitológica sobre o rei de Uruk e sua busca pela imortalidade.
A Religião Suméria
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Os sumérios eram profundamente religiosos e politeístas, acreditando que os deuses controlavam todas as forças da natureza.
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Cada cidade-Estado tinha um deus protetor e um zigurate (templo em forma de pirâmide escalonada), que funcionava como centro religioso, econômico e político.
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Principais divindades:
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Anu – deus do céu, pai dos deuses;
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Enlil – deus do vento e senhor dos destinos;
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Enki (Ea) – deus da água, sabedoria e criação;
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Inanna (Ishtar) – deusa do amor, fertilidade e guerra;
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Nanna (Sin) – deus da lua.
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A religião suméria não tinha noção de “salvação”: acreditavam que, após a morte, todos iriam para um submundo sombrio, uma espécie de “vida vazia”, sem castigo ou recompensa.
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Rituais e oferendas eram constantes, pois se acreditava que o bem-estar da cidade dependia da boa vontade dos deuses.
A Sociedade Suméria
A sociedade era altamente hierarquizada, com base na religião, na posse de terras e na função pública:
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Sacerdotes e governantes (patesis) – chefes religiosos e políticos; controlavam templos e sistemas de irrigação.
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Escribas e oficiais – administravam o Estado, registravam transações e leis.
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Comerciantes e artesãos – produziam e trocavam bens, formando uma classe média urbana.
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Camponeses – a maioria da população; cultivavam terras do templo e do Estado.
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Escravos – geralmente prisioneiros de guerra ou devedores, empregados em obras públicas e templos.
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A mulher tinha certa autonomia em comparação a outras civilizações antigas: podia ter propriedades e participar de rituais religiosos, embora o poder político fosse masculino.
Achados Arqueológicos Importantes
A arqueologia moderna revelou muito sobre os sumérios. Principais descobertas:
Uruk e Ur
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Escavações mostraram as primeiras cidades planejadas, com muralhas, palácios e templos monumentais.
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O Zigurate de Ur, dedicado ao deus Nanna, é uma das construções mais bem preservadas da Mesopotâmia (data de cerca de 2100 a.C.).
Tábuas de Argila
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Milhares de tábuas com escrita cuneiforme foram encontradas em Ur, Uruk e Nippur.
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Elas registram desde transações comerciais até mitos religiosos e leis — fundamentais para entender o pensamento sumério.
Tumbas Reais de Ur
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Descobertas por Sir Leonard Woolley (1920–1930), revelaram riqueza material e rituais fúnebres complexos.
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Foram encontrados joias, instrumentos musicais, carros, armas e corpos de servos, indicando crença na continuidade da vida no além.
Artefatos e Tecnologias
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Ferramentas de bronze, cerâmicas finas, selos cilíndricos usados como “assinaturas” e evidências de sistemas de irrigação complexos mostram alto nível técnico.
Importância Histórica e Legado dos Sumérios
Os sumérios deixaram um dos legados mais duradouros da história humana:
Legado Cultural e Tecnológico
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Primeira escrita da história → base para todas as outras escritas mesopotâmicas (acádica, babilônica, assíria).
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Criação da cidade-Estado → modelo político que influenciou a Grécia e outras civilizações.
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Código de leis e administração pública → inspirou sistemas jurídicos posteriores, como o Código de Hamurábi.
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Avanços em matemática e astronomia → criaram o sistema sexagesimal (base 60), usado até hoje no tempo (60 segundos, 60 minutos) e no círculo (360°).
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Mitologia e literatura → a Epopeia de Gilgamesh influenciou tradições bíblicas e narrativas de dilúvio.
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Arquitetura monumental → zigurates serviram de modelo para as pirâmides mesopotâmicas posteriores.
Bibliografia e Fontes de Estudo
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KRAMER, Samuel Noah. A História Começa na Suméria. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
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BOTTÉRO, Jean. A Mesopotâmia: História, Civilização e Cultura. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
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LEICK, Gwendolyn. Mesopotamia: The Invention of the City. London: Penguin Books, 2002.
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WOOLEY, Leonard. Ur of the Chaldees: A Record of Seven Years of Excavations. London: Ernest Benn, 1929.
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PINSKY, Jaime. Oriente Próximo: a Origem das Cidades-Estado. São Paulo: Contexto, 2018.
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Matriz de Referência do ENEM – Ciências Humanas. INEP/MEC, disponível em: https://download.inep.gov.br/download/enem/matriz_referencia.pdf
Egito Antigo: Primórdios da Civilização
Egito Antigo – Primórdios da Civilização
1. Primeiros Povoados
O Egito Antigo desenvolveu-se no nordeste da África, às margens do rio Nilo. Por volta de 5.000 a.C., grupos nômades começaram a se fixar nas proximidades do rio, formando pequenos povoados agrícolas. Essas comunidades surgiram graças à fertilidade das terras aluviais deixadas pelas cheias anuais do Nilo, que permitiam o cultivo de cereais como o trigo e a cevada.
2. A Importância do Rio Nilo
O Nilo foi o principal responsável pelo florescimento da civilização egípcia. Suas inundações regulares tornavam o solo fértil, garantindo abundância de alimentos. Além disso, o rio servia como rota de transporte, comunicação e comércio. Os egípcios chamavam seu país de “Kemet”, que significa “Terra Negra”, em referência à cor escura do solo fértil das margens do rio.
3. Organização Social do Egito Antigo
A sociedade egípcia era altamente hierarquizada. No topo estava o faraó, considerado um deus vivo e detentor do poder absoluto. Abaixo dele vinham os sacerdotes (responsáveis pelos templos e rituais religiosos), os escribas (que dominavam a escrita e a administração), os soldados, os artesãos, os camponeses e, por fim, os escravos.
A mobilidade social era muito restrita, e a maior parte da população vivia da agricultura.
4. O Alto e o Baixo Egito
O território egípcio era dividido em duas grandes regiões:
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Alto Egito, localizado ao sul, onde nascia o Nilo, numa área mais montanhosa;
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Baixo Egito, situado ao norte, na região do delta do Nilo, próxima ao Mar Mediterrâneo.
Cada uma dessas regiões possuía um governante próprio e características culturais específicas.
5. A Unificação dos Reinos do Alto e Baixo Egito
Por volta de 3.100 a.C., o rei Menés (ou Narmer), do Alto Egito, conquistou o Baixo Egito e unificou as duas regiões, tornando-se o primeiro faraó do Egito unificado. Essa unificação marcou o início do Período Arcaico e da Primeira Dinastia, com capital em Mênfis.
6. Centralização Política e os Primeiros Faraós
A unificação consolidou um governo teocrático, no qual o faraó acumulava funções políticas, militares e religiosas. Ele era visto como o filho de Rá, o deus do Sol, e responsável por manter a maat — a harmonia e a ordem do universo.
Entre os primeiros faraós notáveis destacam-se Djoser, responsável por iniciar grandes obras arquitetônicas, e Snefru, que expandiu o território e construiu pirâmides em Dahshur.
7. Cultura e Religião
A religião egípcia era politeísta, com deuses ligados à natureza e à vida após a morte, como Rá (deus do Sol), Ísis, Osíris, Anúbis e Hórus. A crença na imortalidade da alma levou à prática da mumificação, que visava preservar o corpo para a vida eterna.
A escrita hieroglífica, os avanços na matemática, medicina e arquitetura também marcaram profundamente a cultura egípcia.
8. A Construção das Primeiras Pirâmides, Templos e Monumentos
Durante o Antigo Império (c. 2.700–2.200 a.C.), o Egito viveu uma era de prosperidade e estabilidade política. Nesse período foram construídas as primeiras pirâmides, como a Pirâmide de Djoser, em Saqqara, projetada pelo arquiteto Imhotep.
Mais tarde surgiram as Pirâmides de Gizé, construídas para os faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, que se tornaram símbolos eternos do poder e da grandiosidade egípcia.
9. Importância Histórica e Legado
O Egito Antigo é uma das civilizações mais antigas e influentes da humanidade. Seu legado inclui contribuições na arquitetura monumental, na escrita, na organização política, na arte funerária e nas ciências naturais.
Até hoje, as pirâmides, templos e múmias despertam fascínio e são fontes valiosas para o estudo da história e da cultura humanas.
Bibliografia
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BAINES, John; MÁLEK, Jaromír. O Egito Antigo: A Civilização dos Faraós. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
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SHAW, Ian (Org.). O Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
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ASSMANN, Jan. A Mente Egípcia: História e Memória no Antigo Egito. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
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LOPES, Fábio. Egito Antigo: A Vida Cotidiana dos Faraós. São Paulo: Contexto, 2012.









