sábado, 1 de abril de 2000

Cinema Classe A - Sem Destino

Sem Destino
A década de 1960 foi muito efervescente do ponto de vista cultural. O movimento hippie estava no ar e os jovens pensavam que tudo se resolveria através da singela filosofia da “Paz e Amor”. Infelizmente os fatos provaram que não era bem assim. Bom se todos aqueles movimentos se mostraram inócuos na vida real pelo menos na arte os anos 60 legaram para a posteridade ótimos discos, peças de teatro e filmes. Um dos mais celebrados foi justamente esse “Sem Destino”. O projeto nasceu de uma proposta de trabalho de Peter Fonda e Dennis Hopper que procuravam viabilizar a realização de filmes com baixo orçamento mas muitas idéias novas na cabeça. Peter, filho do ícone Henry Fonda, queria se afastar dos grandes estúdios e seus executivos, que não conseguiam mais entender a nova geração que estava aí. Ele racionalizou e entendeu que no máximo precisaria das grandes companhias cinematográficas apenas na fase de distribuição, já que na questão de produção e filmagem poderia bancar tudo praticamente sozinho. Hopper,  um notório “maluco beleza” daqueles anos, entendia que tudo o que precisava para realizar um bom filme era captar os novos tempos que pairavam dentro da sociedade americana naquele momento. Se afastar o máximo possível da mera ficção com o objetivo de retratar a realidade do cotidiano das pessoas ao redor.

E foi com esse espírito independente que nasceu seu maior filme, “Sem Destino”. Peter Fonda se uniu aos amigos Jack Nicholson (antes de virar um grande astro de Hollywood) e Dennis Hopper (símbolo da contracultura e do cinema de vanguarda) para literalmente cair na estrada, sem lenço e nem documento. Juntos a uma pequena equipe de filmagens saíram pelas highways americanas filmando tudo o que de interessante encontravam pela frente. Como a produção deveria ter custo mínimo o roteiro foi sendo escrito no calor dos acontecimentos, conforme as filmagens avançavam. Havia certamente uma linha narrativa muito tênue a seguir escrita pelo roteirista Terry Southern, mas o resto da estória foi sendo criado in loco por Fonda e Hopper durante as gravações. Uma das maiores ironias do elenco era certamente a presença de Jack Nicholson, um notório malucão dos anos 60, aqui interpretando um personagem careta! Assim que chegou nas telas o resultado comercial se revelou espetacular. “Sem Destino” custou a bagatela de meros 400 mil dólares e rendeu mais de 70 milhões de bilheteria, se tornando um dos filmes mais lucrativos da história. Peter Fonda se tornou um homem rico praticamente da noite para o dia, pois havia trocado seu cachê por um percentual nos lucros. “Sem Destino” no final das contas se revelou um ótimo produto do sistema capitalista americano que criticava, quem diria...

Sem Destino (Easy Rider, Estados Unidos, 1969) Direção: Dennis Hopper / Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper, Terry Southern / Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson / Sinopse: Dois motoqueiros vagam pelas estradas americanas em busca de aventuras. Em seu caminho conhecem os mais diferentes tipos de pessoas, desde caretas até hippies tentando viver o sonho da filosofia “Paz e Amor”. Premiado no Festival de Cannes com o prêmio de melhor filme de diretor estreante (Dennis Hopper). Indicado a Palma de Ouro. Indicado aos Oscars de melhor ator coadjuvante (Jack Nicholson) e melhor roteiro original.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Sem Destino
O filme Sem Destino estreou em julho de 1969, dirigido por Dennis Hopper e estrelado por Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson. Produzido em meio ao auge da contracultura americana, o longa acompanhava dois motociclistas que cruzam os Estados Unidos em busca de liberdade, confrontando o conservadorismo, a intolerância e as contradições do sonho americano. Seu lançamento representou uma ruptura com o cinema clássico de Hollywood, tanto na forma quanto no conteúdo, tornando-se um símbolo imediato de uma geração em conflito com valores tradicionais.

Do ponto de vista comercial, Sem Destino foi um fenômeno inesperado de bilheteria. Com um orçamento extremamente baixo — cerca de US$ 400 mil — o filme arrecadou mais de US$ 60 milhões mundialmente, transformando-se em um dos maiores sucessos independentes da história do cinema até então. O desempenho surpreendente mostrou aos estúdios que havia um público jovem interessado em narrativas mais ousadas, ajudando a abrir caminho para a chamada Nova Hollywood dos anos 1970.

A reação da crítica em 1969 foi amplamente positiva, embora nem sempre consensual. O The New York Times descreveu o filme como “um retrato cru e perturbador da América contemporânea”, destacando sua capacidade de captar o espírito de uma juventude desencantada. Já a revista Time afirmou que Sem Destino era “um filme que parece improvisado, mas que atinge em cheio as ansiedades de sua época”, ressaltando seu impacto cultural imediato.

Entre os elogios mais enfáticos estava a atuação de Jack Nicholson, em um papel secundário que se tornaria decisivo para sua carreira. O Los Angeles Times escreveu que Nicholson oferecia “uma performance eletrizante, que rouba o filme e dá voz à paranoia e ao medo latente da América profunda”. Ao mesmo tempo, alguns críticos mais conservadores acusaram o longa de ser “desleixado” ou “antipatriótico”, revelando como o filme dividiu opiniões no clima político tenso do final dos anos 1960.

Com o passar das décadas, Sem Destino consolidou-se como um marco do cinema americano, não apenas por seu sucesso financeiro, mas por sua influência estética e temática. As frases publicadas nos jornais de 1969 já indicavam que o filme não era apenas um sucesso passageiro, mas um retrato incômodo de um país em transformação. Hoje, ele é lembrado como uma obra-chave que redefiniu o que o cinema hollywoodiano poderia ser, dando voz a uma geração e mudando definitivamente a relação entre estúdios, cineastas e público jovem.

segunda-feira, 6 de março de 2000

Quarteto Fantástico (2025)

Informações adicionais / Curiosidades:

O filme é o reboot oficial da franquia Quarteto Fantástico dentro do Marvel Cinematic Universe (MCU) e faz parte da Fase Seis da franquia cinematográfica. A produção estreou nos cinemas em 25 de julho de 2025 nos Estados Unidos e em ias outras regiões no mesmo mês. A obra apresenta um tom nostálgico e emocional, explorando a dinâmica familiar entre os quatro heróis, além de uma estética inspirada na década de 1960.

Ralph Ineson interpreta o poderoso antagonista Galactus, e Julia Garner vive o Surfista Prateado, figuras icônicas da mitologia dos quadrinhos. O filme foi bem recebido comercialmente, alcançando mais de US$ 500 milhões globalmente em sua bilheteria. Após sua exibição nos cinemas, o longa foi disponibilizado em streaming na Disney+ em novembro de 2025. A Marvel também incluiu referências à história dos quadrinhos e a produções anteriores do Quarteto, inclusive com menções a projetos antigos que nunca foram oficialmente lançados.

domingo, 5 de março de 2000

Curiosidades do Filme - Red Rooms

Curiosidades do Filme - Red Rooms
A direção de arte e fotografia do filme optam por um estilo minimalista e frio: iluminação austera, enquadramentos fechados, paleta de cores que enfatiza o isolamento da protagonista — reforçando a atmosfera de tensão psicológica. 

O terror no filme não depende de cenas explícitas de violência: o horror vem pelo incômodo psicológico, pela ambiguidade moral e pelo desconforto causado pela obsessão de Kelly-Anne e a mídia sensacionalista. 

O filme estreou no circuito internacional em 2023 — por exemplo, em festivais — e chegou ao público brasileiro mais tarde (2025). 

A recepção crítica ao filme tem sido bastante positiva: no agregador de críticas, “Tomatometer”, alcança cerca de 96% de aprovação. Rotten Tomatoes

A performance de Juliette Gariépy como Kelly-Anne é frequentemente destacada como “hipnótica” e “perturbadora”, fundamental para o impacto do filme. 

Por outro lado, alguns espectadores criticam o ritmo do filme: para eles, a narrativa se arrasta no início e o final deixa “questões em aberto”, sem resolver completamente a história. 

Curiosidades do Filme - Respire

Curiosidades do Filme - Respire
“Respire” é baseado no roteiro escrito por Doug Simon, e o filme estava na “Black List” de roteiros não produzidos mais bem avaliados em Hollywood antes de ser realizado. 

O elenco reúne nomes conhecidos: Jennifer Hudson com papel central, Milla Jovovich e Quvenzhané Wallis como figuras-chave na trama, além de Sam Worthington e Common. 

A obra mistura ficção científica com thriller distópico, trazendo uma premissa sombria — escassez de ar e tensão social — que evoca reflexões sobre dependência de recursos naturais e desespero humano. A produção foi rodada (parte) em 2022 — conforme o cronograma inicial. 

No Brasil, “Respire” aparece em catálogos de streaming: há registros de disponibilidade para aluguel/compra digital em serviços como Apple TV e canal Telecine. 

sábado, 4 de março de 2000

Oscar 1987


Oscar 1987
A cerimônia do Oscar de 1987 (59ª edição), realizada em 30 de março de 1987, premiou os filmes lançados em 1986. Aqui está a lista dos principais vencedores, já com os títulos no Brasil:

Oscar 1987 – Principais Vencedores

Melhor Filme
Platoon → Platoon

Melhor Diretor
Oliver Stone – Platoon (Platoon)

Melhor Ator
Paul Newman – The Color of Money → A Cor do Dinheiro

Melhor Atriz
Marlee Matlin – Children of a Lesser God → Filhos do Silêncio

Melhor Ator Coadjuvante
Michael Caine – Hannah and Her Sisters → Hannah e Suas Irmãs

Melhor Atriz Coadjuvante
Dianne Wiest – Hannah and Her Sisters → Hannah e Suas Irmãs

Melhor Roteiro Original
Woody Allen – Hannah and Her Sisters → Hannah e Suas Irmãs

Melhor Roteiro Adaptado
Ruth Prawer Jhabvala – A Room with a View → Uma Janela para o Amor

Melhor Filme Estrangeiro
The Assault (Holanda) → O Ataque

Melhor Direção de Arte
A Room with a View → Uma Janela para o Amor

Melhor Fotografia
The Mission → A Missão

Melhor Figurino
A Room with a View → Uma Janela para o Amor

Melhor Montagem
Platoon → Platoon

Melhor Trilha Sonora Original
Herbie Hancock – Round Midnight → Por Volta da Meia-Noite

Melhor Canção Original
“Take My Breath Away” – Top Gun → Top Gun – Ases Indomáveis

Melhor Som
Platoon → Platoon

Melhores Efeitos Visuais
Aliens → Aliens – O Resgate

Melhor Maquiagem
The Fly → A Mosca

Melhor Documentário (longa-metragem)
Artie Shaw: Time Is All You've Got → Artie Shaw: O Tempo é Tudo que Você Tem

Melhor Documentário (curta-metragem)
Women – for America, for the World → Mulheres – Pela América, Pelo Mundo

Melhor Curta-Metragem (live action)
Precious Images → Imagens Preciosas

Melhor Curta-Metragem de Animação
A Greek Tragedy → Uma Tragédia Grega

Renée Zellweger - Jerry Maguire


Renée Zellweger - Jerry Maguire: A Grande Virada
Foi a primeira vez que coloquei os olhos na atriz Renée Zellweger no cinema. Ela fazia a partner romântica do Tom Cruise nesse filme que fez bastante sucesso de público e crítica. Essa texana era tão bonita, com um jeito tão carismático que virei fã na hora que a vi. Depois disso fui atrás de seus filmes nas locadoras ou onde fosse possível encontrar. Gamei nessa garota, essa é a verdade! Ah que saudades dos anos 90...

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 3 de março de 2000

Vencedores do Oscar - Platoon


Vencedores do Oscar - Platoon
Charlie Sheen em cena do filme "Platoon" de Oliver Stone. Passado durante a Guerra do Vietnã, o filme mostra a história de um jovem soldado levado ao campo de batalha no sudeste asiático. Parcialmente inspirado na vida do próprio diretor, o filme foi o grande vencedor do Oscar de melhor filme no ano de 1987.

Pablo Aluísio. 

Oscar 1988


Oscar 1988
Aqui está a lista dos vencedores do Oscar de 1988 (cerimônia referente aos filmes lançados em 1987). Coloquei os títulos em português, conforme foram lançados no Brasil:

Principais Categorias

Melhor Filme: O Último Imperador (The Last Emperor)

Melhor Diretor: Bernardo Bertolucci – O Último Imperador

Melhor Ator: Michael Douglas – Wall Street – Poder e Cobiça (Wall Street)

Melhor Atriz: Cher – Feitiço da Lua (Moonstruck)

Melhor Ator Coadjuvante: Sean Connery – Os Intocáveis (The Untouchables)

Melhor Atriz Coadjuvante: Olympia Dukakis – Feitiço da Lua (Moonstruck)

Melhor Roteiro Original: Feitiço da Lua – John Patrick Shanley

Melhor Roteiro Adaptado: O Último Imperador – Bernardo Bertolucci, Mark Peploe

Categorias Técnicas e Outras

Melhor Fotografia: O Último Imperador – Vittorio Storaro

Melhor Direção de Arte: O Último Imperador

Melhor Figurino: O Último Imperador

Melhor Montagem: O Último Imperador

Melhor Trilha Sonora Original: O Último Imperador – Ryuichi Sakamoto, David Byrne e Cong Su

Melhor Canção Original: “(I’ve Had) The Time of My Life” – Dirty Dancing – Ritmo Quente (Dirty Dancing)

Melhor Som: O Último Imperador

Melhor Edição de Som: RoboCop – O Policial do Futuro (RoboCop)

Melhores Efeitos Visuais: O Segredo do Abismo (Innerspace)

Melhor Maquiagem: Harry e Hendersons (Harry and the Hendersons)

Melhor Documentário (longa): The Ten-Year Lunch: The Wit and Legend of the Algonquin Round Table

Melhor Documentário (curta): Young at Heart

Melhor Curta de Animação: The Man Who Planted Trees

Melhor Curta-Metragem (live action): Ray’s Male Heterosexual Dance Hall

👉 O grande destaque foi “O Último Imperador”, que venceu 9 Oscars, incluindo Filme, Diretor e Roteiro Adaptado.

quinta-feira, 2 de março de 2000

Curiosidades Cinematográficas - Parte 2

Na Terra de Santos e Pecadores
O longa marca mais uma colaboração de Liam Neeson com o diretor Robert Lorenz, após The Marksman. As filmagens ocorreram em locações reais na Irlanda, reforçando a atmosfera melancólica e rural da história. O filme mistura drama criminal, suspense e temática de redenção, comuns na fase recente da carreira de Neeson. Jack Gleeson, conhecido por Game of Thrones, retorna ao cinema em papel de destaque. A narrativa se passa durante o período dos Troubles, conflito político-religioso na Irlanda do Norte. Recebeu elogios pela fotografia sombria e pela atuação contida de Neeson como um homem marcado pelo passado.

Dinheiro Suspeito
O filme é um thriller policial de ação inspirado em uma história real envolvendo uma enorme apreensão de dinheiro encontrada por agentes do Miami-Dade Police Department. Matt Damon e Ben Affleck, além de estrelarem, também são produtores do projeto por meio da Artists Equity. Foi lançado em 16 de janeiro de 2026 exclusivamente na Netflix, onde rapidamente alcançou grande audiência global. A narrativa lida com temas de lealdade, ganância, moralidade e confiança entre colegas de trabalho sob intensa pressão. O filme combina elementos de drama policial e ação tensa, com foco nas relações humanas sob condições extremas. A química de longa data entre Damon e Affleck, parceiros desde a juventude e coautores de Gênio Indomável, é um dos destaques citados por críticos e público.

Curiosidades Cinematográficas - Parte I

A Morte de um Unicórnio
O filme mistura terror, fantasia sombria e comédia satírica, marca frequente das produções da A24. Alex Scharfman faz sua estreia na direção de longas-metragens com este projeto. Jenna Ortega reforça sua presença no cinema de terror contemporâneo após sucessos recentes no gênero. A trama usa o elemento fantástico do unicórnio como metáfora para exploração capitalista e moralidade científica. Estreou no circuito de festivais antes do lançamento comercial, gerando curiosidade pelo tom inusitado. É frequentemente descrito como um filme que combina humor ácido com violência gráfica inesperada.

O Necrotério
O filme foi dirigido por Tobe Hooper, criador do clássico O Massacre da Serra Elétrica. Mistura elementos de terror sobrenatural com horror psicológico e atmosfera gótica. Bill Moseley, colaborador frequente de Hooper e Rob Zombie, aparece em papel coadjuvante. A produção teve orçamento modesto e foi lançada diretamente para vídeo e TV a cabo em alguns mercados. O clima sombrio e o uso do necrotério como espaço central remetem ao terror clássico dos anos 1970. Apesar da recepção crítica negativa, o filme ganhou status cult entre fãs do terror por ser um trabalho tardio de Hooper.