No ano de 1951 o ator John Wayne resolveu diversificar um pouco seu repertório de roteiros que iria escolher para seus próximos filmes. Embora seus filmes de western rendessem ótimas bilheterias nos cinemas, ele queria experimentar novos gêneros cinematográficos. Ele não queria ficar sempre estigmatizado como o ator que só interpretava cowboys durões do velho oeste. Queria ampliar seus horizontes, viver outras histórias, ampliar o leque de opções em Hollywood.
Estava especialmente interessado em fazer filmes de guerra. Assim escolheu atuar na produção "Águas Traiçoeiras" (Operation Pacific, 1951). Era a história de um submarino americano durante a II Guerra Mundial. Durante uma missão na região do oceano Pacífico Sul, problemas técnicos deixavam essa arma de guerra incapaz de ir para o front de guerra. Equipe e tripulação acabavam ganhando alguns dias de folga, já que não podiam mais partir para o cenário de guerra. Enquanto o submarino ia para conserto o personagem de Wayne tentava consertar também sua vida pessoal, tentando reconquistar a mulher de sua vida. Era a busca por personagens mais profundos que levou John Wayne a fazer esse filme. Não ter apenas cenas heróicas, mas também mostrar o lado humano dos militares. O filme assim tinha dois lados, as cenas de batalha para o público masculino e o lado da vida pessoal do protagonista, um clima de romantismo no ar, feito especialmente para o público feminino.
O caminho seguiu nessa mesma linha, com John Wayne estrelando outro filme ambientado na segunda guerra mundial. A diferença era que dessa vez seu personagem não seria da marinha, mas da força aérea dos Estados Unidos. No Brasil esse filme recebeu o título de "Horizonte de Glórias" (Flying Leathernecks, 1951). Na história John Wayne interpretava um corajoso major, piloto líder de uma esquadrilha de caças de guerra conhecida como "The Wildcats" (os gatos selvagens). O enredo era parcialmente baseado em fatos históricos reais. Esse grupo de aviadores corajosos participaram de fato da histórica batalha de Guadalcanal, enfrentando esquadrilhas de caças Zero do Japão.
O diretor foi escolhido pelo próprio John Wayne. Era Nicholas Ray, um cineasta conhecido por tirar as melhores interpretações de seu elenco. É interessante ver essa tentativa de John Wayne em associar sua imagem a de militares americanos na guerra. Ela havia ficado muito ofendido com certos jornalistas que o criticaram durante a guerra, justamente por não ter ido lutar o maior conflito do século XX. Assim, atuando em filmes como esse, John Wayne, de certa forma, compensava esse lado ruim, essa mancha, que havia ficado em seu perfil. Já que não houve como ser herói no mundo real, ele compensava isso interpretando heróis americanos na tela. Era, segundo suas palavras, uma forma de homenagear todos esses heróis da segunda guerra mundial.
Pablo Aluísio.

Hollywood Boulevard
ResponderExcluirJohn Wayne - Parte 19
O.John Wayne era ator pra qualquer papel, mas igual ao papel de cowboy, jamais.
ResponderExcluirEu concordo e sempre gostei dos filmes em que ele procurou inovar, seja em filmes de guerra e até mesmo como velho detetive no final de sua carreira.
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