domingo, 4 de março de 2001

James Dean: Assim Caminha a Humanidade

Giant
Não demorou muito e a Warner escalou James Dean para seu terceiro grande filme em seguida. Ele não sabia, mas também seria seu útlimo! A produção seria a maior que ele iria atuar, uma grande produção da Warner com dois grandes nomes no elenco: Rock Hudson e Elizabeth Taylor. Apesar da boa fase em sua carreira, Dean não tinha nome suficiente em Hollywood para superar seus colegas de elenco. Assim ele foi colocado como terceiro nome no poster oficial do filme. Era algo normal. Em Hollywood primeiro vinha os grandes, depois os promissores. James Dean ainda era considerado um futuro astro, um ator em desenvolvimento, meramente promissor.  Não ficou insatisfeito com isso, pelo contrário, ficou até mesmo animado em participar de um filme tão grande como aquele! 

Assim que começaram as filmagens de Giant (Assim Caminha a Humanidade, no Brasil), James Dean logo viu que teria problemas. O diretor George Stevens pertencia a uma outra escola, muito tradicional, onde não eram aceitas improvisações sobre o que estava no roteiro e no script. Ao contrário dos diretores anteriores, com os quais Dean se deu muito bem por causa do processo criativo, nesse novo filme ele deveria andar na linha, com disciplina sobre o que estava escrito. 

Na primeira semana de gravação Dean reclamou que ficara o tempo todo em sua cadeira, vendo "Rock Hudson se apaixonar por Elizabeth Taylor". Isso aconteceu porque Stevens procurava filmar as cenas em ordem cronológica e em razão disso James Dean não tinha nenhuma tomada programada.

Ele achou tudo um enorme tédio. Enquanto Rock e Liz trabalhavam, Dean ficava em seu acento, fazendo nós em sua corda de vaqueiro. Depois de três dias nisso o jovem ator rebelde chutou o balde e resolveu desaparecer do set. Ao invés de acompanhar a cena de outros atores ele preferiu ficar ao lado dos extras cowboys que faziam parte do elenco de apoio. Nem precisa dizer que isso acabou enfurecendo George Stevens. O veterano cineasta queria que Dean acompanhasse tudo, para assim entrar no clima da história. Dean pensava diferente. Para ele ficar acompanhando as filmagens de outros atores poderia atrapalhar sua performance. Ele queria ser espontâneo e não disciplinado. Além disso não estava disposto a abrir mão da linha de trabalho em que acreditava.

A diferença de visão sobre atuação e o aparente desinteresse de Dean pelo filme acabou criando uma tensão no set. Depois de inúmeras brigas e discussões, onde Dean teria virado as costas para Stevens, a relação entre eles azedou de vez. Mal se dirigiam a palavra uma ao outro. No máximo Stevens dava um bom dia a Dean que mal respondia, vociferando algo que ninguém entendia. Para uma amiga de Nova Iorque James Dean confidenciou em uma carta cheia de sinceridade: "Sinceramente todos me odeiam no set. O diretor não suporta ouvir nem meu nome. Rock é um grandalhão sem expressão. Estou na merda! Gostaria muito de voltar para Nova Iorque, para meus amigos, para o teatro... mas não posso! Esses caras da Warner me processariam e eu ficaria duro!". 

A única pessoa da equipe que parecia se dar bem com James Dean era a estrela Elizabeth Taylor. Liz tinha muita experiência em lidar com jovens atores de formação na costa leste como Dean. Ela já havia se dado muito bem com o problemático Montgomery Clift no passado e sabia que Dean não era muito diferente dele. Em pouco tempo ambos eram grandes amigos. Para Liz, Dean confidenciou: "Você é uma pessoa linda! O meu problema é que também gosto de pessoas más". Quando a situação ficava intolerável o diretor Stevens pedia a Liz que desse alguns conselhos a Dean, que curiosamente parecia seguir as dicas e opiniões da colega.

Já com Rock Hudson as coisas não fluíram bem. Eles se deram mal desde o começo. Na verdade James Dean tinha pouco respeito com galãs ao estilo de Rock, que no fundo era apenas um tipo bonitão que não tinha muita formação dramática. Rock havia sido criado pela fábrica de astros da Universal e nunca tinha pisado em um palco de teatro na vida. Esse histórico fazia com que Dean não o levasse muito à sério. Além disso a diferença de altura entre eles começou a incomodar Dean que se referia a ele como um "poste", uma piada que tinha dois sentidos, uma em relação ao 1.90m que Rock ostentava e outra em direção a pouca expressividade de Hudson. Dean que era considerado um baixinho ficou bem desconfortável ao ter que contracenar com alguém tão alto como Rock. Para piorar o próprio Rock começou a também ironizar James Dean e seu método de trabalho. Ele chegou a afirmar: "James Dean era do tipo miúdo! Antes de entrar em cena ele dava pulos, corria e fazia todo tipo de exercício que tinham lhe ensinado em Nova Iorque! Eu achava aquilo tudo bem estranho e para falar a verdade tudo me parecia um circo, uma palhaçada".

Filmando no Texas
As filmagens de Giant (Assim Caminha a Humanidade) foram longas e cansativas. Para piorar elas foram realizadas em pleno verão, no escaldante sol do Texas. O diretor George Stevens tinha um jeito próprio de filmar. Ele colocava várias câmeras filmando ao mesmo tempo para depois escolher apenas os melhores ângulos que entrariam no corte final. Isso se tornava um inferno nas mãos dos editores já que a edição ficava triplamente complicada. 

Por essa razão James Dean jamais teria a oportunidade de assistir ao seu último filme. Após o fim das filmagens o material ficou por mais de um ano e meio na sala de edição da Warner Bros e nesse meio tempo Dean sofreria o acidente fatal que o vitimou com apenas 24 anos de idade. Curiosamente a última cena rodada pelo ator era uma em que ele aparecia usando forte maquiagem, aparentando ser um homem bem mais velho, angustiado e corroído pelo fato de nunca ter conquistado a mulher de seus sonhos (que era interpretada por Elizabeth Taylor). Uma ironia do destino pois na vida real James Dean jamais teria a oportunidade de envelhecer, viver muitos anos!

Outro aspecto interessante aconteceu porque pela primeira vez em sua carreira no cinema ele teria que interpretar um homem embriagado. Diante do diretor assistente o ator disse que a única forma de interpretar alguém bêbado de forma convincente era tomar um porre. Após tomar meio litro de whisky, Dean surgiu no set, totalmente alto! A cena se revelaria grandiosa na tela, mas na realidade foi um tormento e um desastre para ficar pronta. Dean, completamente de fogo, esqueceu a maioria das falas e quase não conseguiu terminar a sequência. Stevens não se importou, mandou as câmeras filmarem sem interrupção e no final, na sala de edição, conseguiu dar um jeito para que todas as partes apresentassem uma lógica narrativa.

Livre do filme, mas ainda precisando retornar ao estúdio para dublar determinadas falas que não ficaram bem, por motivos técnicos (algo que só seria realizado pelo amigo Nick Adams após a morte de Dean), o ator resolveu se dedicar ao que mais gostava: correr e participar de corridas amadoras pela região. O último encontro com o diretor George Stevens foi cordial, apesar de tudo. James Dean passou o tempo todo brigando com ele por causa da diferença de visão que ambos tinham sobre a melhor atuação possível. Stevens determinava o que queria, mas Dean, muito intuitivo, acaba fazendo o que ele bem entendia. Desse choque de visão acabou surgindo uma das melhores atuações da década, o que valeria a Dean a indicação póstuma ao Oscar. Ao veterano cineasta Dean se despediu dizendo: "Agora podemos dar as mãos, eu não preciso mais de você e nem você de mim. Espero que as pessoas gostem do filme" ao que Stevens respondeu secamente: "Sim, eles gostarão". Depois disso o ator subiu em seu Porsche e pegou estrada. No caminho conversando com seu mecânico particular confessou: "Não sei o que esperar desse meu último filme".

Por essa época todos em Hollywood já sabiam que James Dean era o grande nome do momento. Em pouco tempo ele certamente se tornaria um astro. Havia um certo protocolo, como fazer capas de revistas e dar entrevistas para os jornalistas especializados em cinema, mas Dean ignorou tudo isso. Em um sinal de boa vontade resolveu participar brevemente de um programa de TV, dando uma pequena, mas importante entrevista. Antes de ir embora o entrevistador perguntou a Dean se as pessoas precisavam tomar mais cuidado ao dirigir em alta velocidade. Com seu jeito peculiar de ser Dean disse: "É isso aí, tenham cuidado ao volante, assim vocês poderão salvar vidas... inclusive, quem sabe, talvez até a minha!".

Elizabeth Taylor e James Dean
É curioso que ambos tenham se dado tão bem pessoalmente. Dean era a anti-estrela por definição, odiava todo o sistema mais comercial do cinema americano e não gostava de fazer concessões, como dar entrevistas e promover nem seus próprios filmes. Andava mal vestido e era considerado um ator rude com jornalistas em geral. 

Já Liz Taylor era ao lado de Marilyn Monroe o exemplo máximo de uma estrela de sucesso em Hollywood. Sempre aparecendo nas mais prestigiadas capas de revistas, lançando moda, dando entrevistas e fazendo tudo o que se esperava de uma atriz como ela. Era naquele momento a queridinha dos estúdios por onde trabalhava. De qualquer maneira, apesar de serem artistas tão diferentes, Dean viu em Taylor uma amizade sincera. Ele certamente não se deu bem com Rock Hudson no set de filmagens mas com Liz criou um vínculo genuíno de amizade e aproximação. Foram amigos até o fim da breve vida de Dean, que morreria não muito tempo depois, de um terrível acidente de carro na estrada de Salinas.

 Assim Caminha a Humanidade 
"Giant" entrou para a história do cinema por vários motivos. O mais lembrado deles é o fato de ter sido o último filme de James Dean. Poucos dias após o fim das filmagens o ator resolveu participar de uma corrida e na viagem até lá morreu em um trágico acidente com apenas 24 anos. Outro ponto a se destacar é que esse é considerado até hoje o melhor filme de George Stevens. Diretor habilidoso, conseguia ótimos resultados por causa de um método inovador de trabalho. Ele utilizava várias câmeras, todas em ângulos diferentes e depois passava meses trancado no estúdio assistindo a cada registro, a cada tomada de cena. Só depois de montar o filme em sua própria mente é que ele finalmente dava o corte final em suas obras. Por essa razão "Assim Caminha a Humanidade" é uma verdadeira obra prima, uma ode ao Texas que até hoje impressiona por sua força e atemporalidade. Por fim, e não menos relevante, "Giant" é sempre lembrado pelas ótimas atuações do casal Rock Hudson e Elizabeth Taylor. Rock aliás considerado até aquele momento um mero galã de Hollywood conseguiu sua primeira e única indicação ao Oscar. O reconhecimento da Academia foi mais do que merecido pois o trabalho de Rock é realmente primoroso, onde ele interpreta um personagem em vários momentos de sua vida, desde a juventude até sua velhice. Permeando tudo temos os vastos campos do Texas. A própria imagem da casa de fazenda ao longe, sem nada por perto reflete bem a grandeza daquela região, onde grandes fortunas foram feitas praticamente da noite para o dia. O Ouro negro, como era chamado o Petróleo, fez a riqueza de muitas famílias texanas. E é justamente sobre isso que seu enredo enfoca.

Em sua autobiografia Rock Hudson relembra como foi tratado por George Stevens. O diretor lhe colocou a par de todos os aspectos da produção e chegou a dizer a ele que escolhesse a cor da casa de seu personagem no filme. Nunca um diretor havia feito algo assim com ele. Isso demonstrava o modo de trabalhar de Stevens, ele queria que todos se sentissem parte do processo de realização do filme. Hudson afirmou em seu livro que nunca vira nada igual antes. Se o diretor queria aproximação completa entre ele e o elenco o mesmo não se podia dizer dos dois atores principais. Desde o começo Rock Hudson e James Dean não se deram bem. Dean vinha de Nova Iorque e procurava ir fundo em suas interpretações. Hudson foi formado na Universal, dentro do Star System, e estava pouco preocupado com maneirismos do Actors Studio. Assim travou-se uma verdadeira batalha nas cenas, dois atores com formação completamente diferente que não se gostavam muito pessoalmente. Dean achava Rock um mero galã e um "poste" - apelido que usou por causa da grande altura do ator. Como ele era baixinho, Dean acabou sentindo-se intimidado por Rock. Já Hudson achava Dean esquisito, complicado de se lidar. Curiosamente apesar de ambos não se darem bem, os dois se tornaram grandes amigos da estrela Elizabeth Taylor. Para Dean, Liz era como uma irmã que nunca teve. Amorosa e simpática procurava entender o rebelde ator mesmo quando ele nitidamente se comportava mal com os outros. Já em relação a Rock ela se comportava como uma amiga de farras. Ambos tomaram grandes porres juntos e inventaram o Martini de chocolate, uma combinação explosiva que exigia um intestino de aço de quem ousasse beber aquela mistureba toda. Elizabeth Taylor virou amiga até os últimos dias de vida de Rock Hudson e quando esse morreu de AIDS em 1985 ela fundou uma instituição de apoio a pesquisas para combater a doença.

A edição do filme foi complicada e demorada. Havia muito material gravado, por diversas câmeras e assim George Stevens passou longos meses montando tudo aquilo. Quando o filme finalmente ficou pronto e foi lançado James Dean já havia morrido há mais de um ano. Como tinha se tornado um mito eterno da sétima arte com sua morte suas jovens fãs correram para os cinemas para conferir o último trabalho do encucado ator. O que viram foi uma produção completamente diferente de "Juventude Transviada". Enquanto aquele era uma crônica sobre a juventude e seus problemas, "Giant" era monumental, de enorme duração e com ares de cinema épico. A crítica se dividiu mas de forma em geral todos concordaram que estavam na presença de um dos maiores filmes já feitos por Hollywood. Um dos pontos mais criticados foi justamente a maquiagem realizada nos atores nas cenas em que eles surgem envelhecidos. Para Rock Hudson e Elizabeth Taylor as perucas grisalhas realmente não caíram bem. De fato apenas James Dean surge bem nessas cenas, o que não deixa de ser uma grande ironia pois ele nunca teria a chance de envelhecer como seu personagem, que aparece bêbado e caindo em um vexame público. Aliás muitas das falas de Dean ficaram ruins nesse momento final e o diretor George Stevens, sem opção, teve que contratar o ator Nick Adams para dublar certas partes do texto do ator falecido. Assim em conclusão podemos dizer que "Assim Caminha a Humanidade" não é apenas uma obra de cinema fenomenal mas também um marco histórico do cinema americano. Um filme tão grande quanto o Texas. Um momento maravilhoso do cinema americano que todos os cinéfilos devem assistir. 

Assim Caminha a Humanidade (Giant, Estados Unidos, 1956) Direção: George Stevens / Roteiro: Fred Guiol, Ivan Moffat baseados na obra de Edna Ferber / Elenco: Elizabeth Taylor, Rock Hudson, James Dean, Carroll Baker, Mercedes McCambridge, Jane Withers, Chill Wills, Sal Mineo, Dennis Hopper / Sinopse: "Assim Caminha a Humanidade" conta a estória do rico fazendeiro Bick Benedict (Rock Hudson) . Após cortejar e se casar com a mimada Leslie (Elizabeth Taylor) ele retorna para sua imensa casa de fazenda bem no meio do grandioso estado americano do Texas. Lá tem que lidar com todos os problemas de sua propriedade, inclusive seus empregados. Entre eles se destaca o estranho e taciturno Jett Rink (James Dean) que parece nutrir uma indisfarçável paixão pela esposa de seu patrão.

Pablo Aluísio.

Assim Caminha a Humanidade
Esse filme é uma epopeia sobre a fundação do Texas, seus valores primordiais e as famílias que fundaram esse estado norte-americano. Também apresenta, para surpresa de muitos, uma clara declaração progressista, ao mostrar a evolução pela qual passa o personagem interpretado por Rock Hudson. No começo ele surge como um tipo turrão, mais rude e até mesmo com preconceito racial e social, principalmente quando se depara com imigrantes mexicanos. Depois ele aprende com a vida e no final dá um exemplo de sua evolução como homem e como pessoa. Esses são, em essência, os pontos centrais nessa história.

Entretanto o filme se notabilizou mesmo dentro da história do cinema por ter sido o último da carreira de James Dean. Ele terminou sua participação e antes que o filme fosse editado e concluído, ele se espatifou com seu carro em uma estrada de Salinas. O jovem ator era apaixonado por carros velozes e participava ativamente de corridas que eram realizadas na Califórnia. Com sua morte o público ficou muito ansioso para ver o filme. Quando chegou nas telas "Giant" causou sensação, principalmente pelo fato de que era um filme bem longo, centrado, sério, sem pressa de contar sua história, que havia sido baseada no best-seller escrito por Edna Ferber. Sem dúvida um tipo de cinema grandioso que já não se faz mais nos dias atuais.

Assim Caminha a Humanidade (Giant, Estados Unidos, 1955) Direção: George Stevens / Roteiro: Fred Guiol, Ivan Moffat, baseados no romance escrito por Edna Ferber / Elenco: Elizabeth Taylor, Rock Hudson, James Dean / Sinopse: O filme conta a história de um casal, dono de vastas terras no Texas. E quando um de seus empregados encontra petróleo em seu pequeno rancho, as camadas sociais mudam de posição, onde um antigo empregado se torna mais rico que seu patrão, criando uma certa tensão entre todos os personagens. Filme vencedor do Oscar na categoria de melhor direção (George Stevens).

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: Assim Caminha a Humanidade
O épico Assim Caminha a Humanidade estreou nos cinemas em outubro de 1956, dirigido por George Stevens e baseado no romance de Edna Ferber. Estrelado por Elizabeth Taylor, Rock Hudson e James Dean, o filme acompanha várias décadas da história de uma poderosa família texana, abordando temas como conflitos de classe, preconceito racial, mudanças sociais e o impacto da riqueza do petróleo. Desde seu lançamento, a produção foi anunciada como um grande acontecimento cinematográfico, tanto por sua escala monumental quanto por reunir três dos maiores nomes de Hollywood da época.

Em termos de bilheteria, o filme foi um enorme sucesso comercial. Com um orçamento elevado para os padrões da década, Assim Caminha a Humanidade arrecadou cerca de US$ 14 milhões em exibições iniciais nos Estados Unidos, tornando-se um dos maiores sucessos de 1956. O desempenho internacional ampliou ainda mais seus lucros, confirmando o interesse do público por dramas épicos de longa duração e temática social ambiciosa. A presença de James Dean — falecido meses antes da estreia — contribuiu para a enorme curiosidade do público.

A reação da crítica em 1956 foi amplamente favorável, embora reconhecesse o caráter grandioso e, por vezes, excessivo da obra. O The New York Times descreveu o filme como “uma narrativa vasta e poderosa sobre a transformação da sociedade americana”, elogiando especialmente a direção cuidadosa de George Stevens. A revista Time afirmou que o longa era “imponente, sério e profundamente americano em seu espírito”, destacando sua relevância social em um período de rápidas mudanças no país.

As atuações receberam atenção especial da imprensa. Elizabeth Taylor foi elogiada por sua evolução dramática ao longo das décadas retratadas, enquanto Rock Hudson surpreendeu críticos que até então o viam apenas como um galã. James Dean, em seu último papel no cinema, foi descrito pela Variety como “intenso, inquieto e eletrizante”, com muitos críticos observando que sua interpretação do rebelde Jett Rink roubava a cena e simbolizava a transição entre a velha e a nova América.

Com o passar dos anos, Assim Caminha a Humanidade consolidou-se como um dos grandes épicos do cinema clássico hollywoodiano. As críticas publicadas em 1956 já indicavam que o filme ultrapassava o melodrama tradicional, oferecendo um retrato amplo das tensões sociais e econômicas dos Estados Unidos do século XX. Hoje, a obra é lembrada tanto por sua importância histórica quanto por marcar definitivamente o legado de James Dean, permanecendo como um símbolo do cinema grandioso e ambicioso de sua época.

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