domingo, 18 de janeiro de 2026

Os Filmes de Brad Pitt - Parte 5

Sr e Sra Smith
Foi durante as filmagens desse filme que Brad Pitt e Angelina Jolie começaram a se relacionar, bem debaixo do nariz de Jennifer Aniston que só ficou sabendo de tudo pela imprensa, poucas semanas depois. Tirando a fofoquinha de bastidores da lado, o filme é um misto de policial e comédia, com várias cenas bem exageradas, no que parece ser uma tendência de Hollywood no ano em que o filme foi lançado. 

Muita gente achou uma porcaria tremenda! Eu qualifico apenas como uma diversão ligeira e só. Tudo bem, em termos de qualidade cinematográfica o filme pode sim ser considerado um passo atrás na vida profissional de Brad Pitt, já que ele vinha fazendo tantos filmes bons. De qualquer maneira definiria tudo como descartável. O enredo vai a mil, numa velocidade absurda com uma profusão propositada de cenas impossíveis de ação. Para contrabalancear isso, temos o suposto romance entre os personagens que saiu das telas e invadiu a vida privada dos atores. O problema é que ambos eram casados na época. Bom, como estamos falando de Hollywood, isso de fato não foi um grande obstáculo para eles. No geral é uma diversão sem maior importância.

Sr e Sra Smith (Mr. & Mrs. Smith, Estados Unidos, 2005) Estúdio: Regency Enterprises / Direção: Doug Liman / Roteiro: Simon Kinberg / Elenco: Brad Pitt, Angelina Jolie, Adam Brody, Vince Vaughn / Sinopse: John (Brad Pitt) e Jane Smith (Angelina Jolie) são assassinos profissionais mas como era de se esperar escondem sua verdadeira profissão um para o outro. Na vida de casados tudo caminha para a rotina e para a banalidade mas quando estão trabalhando a adrenalina sobe à mil. Por um ironia do destino acabarão descobrindo a vida secreta de cada um, dando origem a muita ação e aventura!

Babel
O roteiro segue o estilo mosaico, ou seja, vários personagens com histórias diferentes e independentes são contadas ao longo do filme, para depois todos se encontrarem numa mesma situação limite, criando assim o clímax do filme. O ator Brad Pitt decidiu apoiar o projeto do diretor Alejandro G. Iñárritu, nesse que pode ser considerado seu primeiro grande filme em Hollywood. O resultado ficou interessante, diria regular, mas não excepcional. Roteiros que seguem essa linha podem deixar o enredo tão fluido que pode despertar a falta de interesse no público. 

O ponto que une todos os personagens é um ônibus cheio de turistas no Marrocos. Um tiro é disparado, pessoas se ferem, o veículo sai da estrada. Dentro há um grupo de pessoas cujas histórias o roteiro vai contar aos poucos. Tive a oportunidade de assistir no cinema e embora seja um bom filme, não me empolgou muito. Concorreu ao Oscar de melhor filme do ano (o que me pareceu um exagero), mas não venceu. Com sete indicações acabou levando uma estatueta por uma categoria dita secundária, melhor trilha sonora incidental, para o maestro Gustavo Santaolalla. Brad Pitt ficou um pouco decepcionado porque foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator. Ele tinha chances de vencer, mas saiu de mãos vazias. De qualquer maneira é um filme que merece ser conhecido e assistido, nem que seja pelo menos uma vez.

Babel (Babel, Estados Unidos, 2006) Estúdio: Paramount Pictures / Direção: Alejandro G. Iñárritu / Roteiro: Guillermo Arriaga / Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Adriana Barraza, Rinko Kikuchi, Gael García Bernal, Peter Wight / Sinopse: Um atentado terrorista atinge a vida de vários turistas estrangeiros no Marrocos, colocando em evidência o caos político e social daquele país. São quatro histórias que se encontram nesse trágico acontecimento. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, roteiro, direção, atriz coadjuvante (Adriana Barraza e  Rinko Kikuchi) e edição.

Treze Homens e um Novo Segredo
Esse foi o terceiro filme de uma franquia que havia começado lá atrás, com um remake de um antigo filme de Frank Sinatra. Os dois filmes anteriores renderem bem e por essa razão decidiram então levar esse enredo até o fim. Já estava tudo um tanto saturado, vamos convir. Olhando-se com maior atenção chega-se facilmente na conclusão que todos os roteiros são iguais, com pequenas e pontuais derivações, que não chegam a ser originais. Eu assisti esse filme no cinema, mas sem empolgação. Sabia de antemão que seria tudo do mesmo. George Clooney continuaria brincando com sua conhecida canastrice, haveria um roubo como pano de fundo e várias reviravoltas. Os roteiros já não conseguiam surpreender ninguém. 

Nem ao menos a presença de um elenco coadjuvante de luxo - com direito a Al Pacino - parecia empolgar ninguém. E de fato o filme comercialmente ficou pelo meio do caminho. Pena que um elenco tão bom e com tantos nomes famosos não tivessem um bom roteiro por trás para trabalhar. O ponto de vista que prevaleceu aqui foi o comercial, não o artístico. Não deu muito certo pensar assim. No final das contas o filme teve uma bilheteria fraca e acabou com a brincadeira. De bom mesmo apenas um ou outra cena mais bem editada. De resto era apenas uma tentativa de faturar mais uma vez com uma velha, antiga e desgastada fórmula de fazer cinema. Nada muito além disso.
 
Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, Estados Unidos, 2007) Estúdio: Warner Bros / Direção: Steven Soderbergh / Roteiro: Brian Koppelman, David Levien / Elenco: George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Al Pacino, Andy Garcia, Casey Affleck / Sinopse: O criminoso e ladrão sofisticado Danny Ocean (George Clooney) decide reunir seu velho bando para mais um roubo ousado e perigoso. O alvo agora é um novo e luxuoso Cassino. O plano é modificar o resultado das apostas, para que todos ganhem e levem à falência o novo empreendimento de jogos.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
Olhando para trás descobrimos que na realidade existiram dois Jesse James. O primeiro é fruto da imaginação de dezenas de escritores do século XIX que escrevendo pequenos livros de bolso criaram todo um mito em torno de seu nome. Esse é o Jesse James do imaginário popular, das aventuras mirabolantes e dos feitos épicos. É um personagem de literatura barata. O outro Jesse James é o real, da história. Esse era basicamente um pistoleiro, ladrão de bancos e assaltante de trens. Um sujeito frio, paranoico e martirizado pela constante perseguição que lhe era feita pelos homens da lei na época. Em sua longa trajetória nas telas de cinema, os dois lados de Jesse James raramente se encontraram. Ou ele era retratado de acordo com o personagem de literatura, de ficção, ou ele surgia em filmes numa visão mais realista. 

O grande mérito dessa produção enfocando Jesse James é que pela primeira vez tomamos consciência dessa dualidade envolvendo seu nome. Isso é bem claro na caracterização de Robert Ford. No começo da história ele é apenas um garoto deslumbrado em fazer parte do bando de Jesse James (naquele momento uma sombra do que era antes, pois todos os membros originais de sua gangue ou estavam mortos ou presos). Bob Ford espera encontrar o Jesse James que lia em seus livros de bolso (aos quais colecionava e adorava). O que encontra porém é apenas um homem frio, bipolar, cismado, que não confia em absolutamente ninguém.

Não tenho receio de afirmar que esse é o filme mais fiel aos acontecimentos históricos já feito sobre Jesse James. Mostrando os últimos momentos do criminoso, vamos acompanhando o caos em que se transformou sua vida. Com a cabeça a prêmio, procurado em vários Estados, mudando de cidade constantemente com sua família, James é apenas um pedaço do que um dia foi. Para piorar, ao seu lado agora, não estão mais seus antigos homens de confiança, mas sim garotos novatos como Bob Ford, pessoas aos quais ele não consegue confiar. 

A relação de Robert Ford e Jesse James aliás é uma das melhores coisas de todo o filme. Acompanhamos a decepção de Ford, na realidade um fã, com seu ídolo Jesse James. O que começa com desapontamento e decepção, acaba indo para algo bem mais complexo o que culminará nos acontecimentos trágicos que já conhecemos da história do famoso pistoleiro. Os trinta minutos finais do filme são vitais para quem gosta de história do velho oeste pois reconstituem com riqueza de detalhes a morte de Jesse James. Um primor de reconstituição histórica.

A produção aliás é toda do mais alto nível, o uso de bonita fotografia traz muito valor para o resultado final, usando da natureza para criar um clima de fina melancolia e falta de esperança. A produção concorreu aos Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Ator Coadjuvante (Casey Affleck). Para ser sincero deveria ter vencido ambos, pois tanto a atuação de Casey quanto a linda fotografia são realmente impecáveis. Em poucas palavras, “O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford” é uma aula de história que não se aprende na escola. Simplesmente obrigatório para fãs de western.

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, Estados Unidos, 2007) Direção: Andrew Dominik / Roteiro: Andrew Dominik / Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Zooey Deschanel, Sam Shepard, Sam Rockwell / Sinopse: Após uma vida de crimes, os irmãos Jesse e Frank James desistem de continuar com seus assaltos a trem e a bancos. Frank se retira e vai morar em outra cidade. Jesse James (Brad Pitt) porém decide executar um último grande assalto ao lado de um grupo de jovens e novatos, entre eles os irmãos Ford. O mais jovem deles, Bob Ford (Casey Affleck) é um fã confesso do famoso pistoleiro. Mal sabiam o que o destino lhes reservavam.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - Texto II
Essa produção parte de uma nova safra de filmes de western que procuram pela objetividade da verdade histórica. Os roteiros são de certa maneira despidos do romantismo que imperou no gênero durante os anos 50 e 60 e parte para uma abordagem mais fiel aos fatos históricos. É aquele tipo de filme que conta inclusive com uma equipe de historiadores e especialistas para que nada do que se vê na tela esteja em desacordo com o que de fato aconteceu no passado. Por isso nem sempre será uma unanimidade entre os fãs de faroeste, principalmente os que preferem os filmes mais antigos que abraçavam a mitologia do velho oeste de uma forma mais romanceada. 

De minha parte gostei muito dessa nova visão. O Jesse James já foi tema de dezenas e dezenas de filmes antes, porém nunca havia se debruçado sobre sua história com tanta fidelidade. Há um clima de melancolia e falta de esperança no ar, porém tudo resultando em um belo espetáculo cinematográfico. Gosto muito do produto final. É bem realizado e muito honesto em suas propostas. Tem uma excelente reconstituição de época e um roteiro que investe bastante nas nuances psicológicas entre Jesse James e Robert Ford, o homem que iria passar para a história como o assassino de James. Curiosamente ele foi saudado como um valente, um herói, mas depois com o passar dos anos ficou evidenciado que ele agiu mesmo como um covarde. Assista ao filme e entenda os motivos.

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, Estados Unidos, 2007) Direção: Andrew Dominik / Roteiro: Andrew Dominik / Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Zooey Deschanel, Sam Shepard, Sam Rockwell / Sinopse: Após uma vida dedicada ao crime, roubando bancos e ferrovias, o pistoleiro Jesse James (Brad Pitt) procura por algum tipo de redenção, mesmo sabendo que poderá ser morto a qualquer momento, uma vez que sua cabeça se encontra à prêmio por todo o Oeste. O que ele nem desconfia é que seu assassino pode estar mais próximo do que ele poderia imaginar. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Casey Affleck) e Melhor Fotografia (Roger Deakins).

Queime Depois de Ler
Filme que foi bem elogiado pela crítica americana, mas que sinceramente não me agradou muito. Na verdade não é aquele tipo de filme que chega ao ponto de lhe aborrecer, porém a sensação de decepção fica bem clara no final da exibição. De repente você olha para o lado e pergunta a si mesmo: "Era isso!? Só isso!?". A questão que ninguém fala é que de tempos em tempos a crítica americana elege seus "queridinhos" e então todo e qualquer filme lançado por esse seleto grupo de diretores cai nas graças deles e em consequência pelo resto do mundo - até porque o que é elogiado dentro dos Estados Unidos tem a tendência de ser elogiado também no mercado internacional, a reboque. 

Ethan Coen e Joel Coen são a bola da vez. Não nego o talento dos irmãos siameses, longe disso, mas o fato é que esse é o pior filme da dupla, beirando as raias da imbecilidade completa. Curioso notar também o elenco de primeiro escalão que eles conseguiram reunir. É como eu disse, quando um cineasta cai nas graças dos críticos americanos quaisquer projetos dirigidos por eles logo viram verdadeiros chamarizes de estrelas, muitas delas em busca de resenhas positivas a qualquer custo. No geral "Burn After Reading" é uma tremenda bobagem, com cenas engraçadinhas que não vão para lugar nenhum. A única coisa que realmente vai levá-lo até o fim é o elenco estelar. Muitos deles pagando mico mesmo. George Clooney hoje em dia é uma celebridade, mais do que um ator, então não importa muito. O que me surpreende mesmo é ver gente do quilate de John Malkovich embarcando nessa barca furada. Se não conhece deixe para lá, e se já viu esqueça, é o melhor a fazer.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading, Estados Unidos, 2008) Estúdio: Focus Features, StudioCanal, Relativity Media / Direção: Ethan Coen, Joel Coen / Roteiro: Ethan Coen, Joel Coen / Elenco: Brad Pitt, Frances McDormand, George Clooney, John Malkovich / Sinopse: Osbourne Cox (John Malkovich) é um ex-agente da CIA que resolve escrever suas memórias como retaliação de sua injusta demissão, porém parte de seus maiores segredos vão parar nas mãos de uma dupla de idiotas que pretendem ganhar dinheiro com o material. Para piorar sua esposa também está pensando em pedir o divórcio, transformando a vida de Cox em um verdadeiro caos pessoal e profissional. Filme indicado a duas categorias no Globo de Ouro. 

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de janeiro de 2026

The New Yorker - 100 Anos de História

Título no Brasil: The New Yorker - 100 Anos de História
Título Original: The New Yorker at 100 
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO Documentary Films
Direção: Marshall Curry
Roteiro: Marshall Curry
Elenco: David Remnick, Tina Brown, Adam Gopnik, Fran Lebowitz, Malcolm Gladwell, Art Spiegelman

Sinopse:
O documentário celebra o centenário da revista The New Yorker, explorando sua trajetória desde a fundação em 1925 até sua consolidação como uma das publicações mais influentes do mundo. Por meio de entrevistas, imagens de arquivo e capas icônicas, o filme examina como a revista moldou o jornalismo literário, o humor, a crítica cultural e o pensamento político ao longo de um século de história americana e mundial.

Comentários: 
A revista The New Yorker é uma das poucas sobreviventes depois que a Internet destruiu a imensa maioria das publicações de papel! E isso é algo que lamento demais. O que mais gostava de fazer era ir em uma banca para comprar revistas, jornais, etc. Isso não existe mais na maioria dos lugares ao redor do mundo. Só que algumas publicações lutam bravamente para sobreviver e entre elas essa é uma das mais celebradas. Ainda é muito influente no meio cultural e intelectual dos Estados Unidos. Nesse documentário acompanhamos não apenas a rotina da revista, onde jornalistas dão seus depoimentos, como também a própria história da publicação que começou, há 100 anos, quase como uma revista de humor! Ao longo das décadas foi se adaptando e evoluindo, publicando crônicas e contos de grandes escritores da literatura. É sem dúvida algo a se celebrar. Espero que a The New Yorker dure muito mais que cem anos à frente! O mundo precisa cada vez mais de revistas como essa. 

Pablo Aluísio. 

Matthew Perry - Uma Tragédia em Hollywood

Título no Brasil: Matthew Perry - Uma Tragédia em Hollywood 
Título Original: Matthew Perry: A Hollywood Tragedy
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Peacock Originals
Direção: Robert Palumbo
Roteiro: Robert Palumbo
Elenco: Matthew Perry, Morgan Fairchild (depoimentos), especialistas em entretenimento e autoridades legais (entrevistas). 

Sinopse:
Este documentário investiga a vida e os últimos dias de Matthew Perry — ator consagrado por seu papel como Chandler Bing em Friends — incluindo sua longa batalha contra o vício e as circunstâncias trágicas que cercaram sua morte em outubro de 2023. A narrativa combina entrevistas com colegas, atores que trabalharam com ele, profissionais de Hollywood e autoridades legais, além de relatar o processo criminal envolvendo várias pessoas acusadas de fornecer ao ator a ketamina que foi encontrada em seu organismo.

Comentários:
Mais uma história triste envolvendo um artista americano que se afundou no mundo das drogas e das bebidas. E tudo foi bem trágico porque ele tinha consciência de seus problemas e lutou contra todos os vícios, chegando a escrever um livro para ajudar outras pessoas a se reerguerem na vida. Nesse processo venceu muitas batalhas, mas infelizmente perdeu a guerra! Foi uma vida de altos e baixos. No auge do sucesso da série Friends, só para citar um exemplo, ele chegou a ganhar um milhão de dólares por episódio! E tudo isso foi se perdendo porque ele tinha muitos demônios interiores. Acabou sendo encontrando morto na banheira de sua mansão. Na realidade ele não sofreu tecnicamente uma overdose de drogas, mas simplesmente apagou por estar chapado demais e como estava sozinho em casa acabou morrendo afogado na própria banheira! Uma dessas mortes inacreditáveis e banais que acontecem com bastante frequência envolvendo  esse tipo de usuário de drogas pesadas. E assim só podemos lamentar. Mais uma vida que se vai por todos os motivos errados. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sangre del Toro

Título no Brasil: Sangre del Toro
Título Original: Sangre del Toro
Ano de Lançamento: 2025
País: França / Reino Unido
Estúdio: Kador, Brillant Pictures
Direção: Yves Montmayeur
Roteiro: Yves Montmayeur
Elenco: Guillermo del Toro, Eugenio Caballero, Junji Ito, David Cronenberg 

Sinopse:
Este documentário cinematográfico explora a carreira, identidade criativa e influências do cineasta Guillermo del Toro, traçando um percurso desde suas memórias de infância, mitos culturais e imagens de monstros até a forma como esses elementos moldaram seus filmes visionários. A obra combina entrevistas, reflexões e material visual que revelam o processo criativo do diretor mexicano mostrando como suas raízes culturais e experiências pessoais informaram obras que misturam fantasia, horror e imaginação.

Comentários:
Outra boa dica para quem gosta de cinema, ou melhor dizendo, dos bastidores da sétima arte. Aqui o foco vai para o talentoso cineasta Guillermo del Toro. Em minha opinião ele faz parte de uma linhagem de diretores de cinema atualmente em extinção, a dos cineastas autorais, que realmente deixam sua digital em cada um de seus filmes. E o sujeito parece ser muito boa praça, uma dessas pessoas bem cultas em cultura pop, daqueles que eu gostaria de sentar numa praça para conversar por horas e horas a fio com ele! E seu conhecimento sobre o universo do terror, seja de quadrinhos ou filmes, é algo de se admirar. Agora, de todas as revelações que faz ao longo desse filme, a mais inteligente e pertinente é quando Guillermo del Toro confessa a enorme influência que o simbolismo católico exerceu sobre sua filmografia. É uma observação precisa, que revela muito dele mesmo. E realmente vamos admitir, ele é um diretor de cinema acima da média, realmente único!

Pablo Aluísio. 

Eu, Eddie

Título no Brasil: Eu, Eddie
Título Original: Being Eddie
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Angus Wall
Roteiro: Angus Wall
Elenco: Eddie Murphy, Kevin Hart, Jamie Foxx, Pete Davidson, Chris Rock, Jerry Seinfeld, Dave Chappelle, Tracee Ellis Ross e outros em depoimentos sobre a carreira de Murphy

Sinopse:
O documentário revisita a extraordinária trajetória de Eddie Murphy, desde seus primeiros passos como comediante adolescente nos clubes de Nova York até se tornar uma lenda do cinema e da comédia. Através de imagens de arquivo e depoimentos de colegas, amigos e admiradores, Murphy reflete sobre seus sucessos, desafios, influências e a transformação que provocou na cultura pop e no entretenimento mundial ao longo de mais de quatro décadas.

Comentários:
Assisti porque gosto do Eddie Murphy e gosto, acima de tudo, de cinema. E gostem dele ou não, o fato é que Eddie é um ator e comediante marcante dentro da história do cinema americano desde que surgiu, lá pelo começo dos anos 80. Ultimamente sua carreira tem oscilado muito, com filmes interessantes, alguns bons e outros completamente péssimos. Ele nunca foi muito bom em escolher os roteiros que iria atuar, essa é uma verdade não dita. O documentário tenta resgatar parte da história de sua filmografia, mas como é chapa branca, esconde vários tropeços dele nesses últimos anos. Era esperado. De qualquer forma vale ao menos como curiosidade. Por exemplo, eu não sabia que ele tinha tantos filhos! E de todas as idades! Pelo visto o Eddie quer repovoar o mundo com seus descendentes! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Cães de Guerra

Título no Brasil: Cães de Guerra
Título Original: Hounds of War
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Opulence Pictures, XYZ Films
Direção: Isaac Florentine
Roteiro: Jean-Pierre Magro
Elenco: Frank Grillo, Robert Patrick, Rhona Mitra, Leeshon Alexander, Urs Rechn, Matthew Marsh

Sinopse:
Após uma missão militar clandestina na Líbia dar terrivelmente errado, deixando quase todos de sua equipe mortos, o mercenário Ryder se vê sozinho e traído. Decidido a vingar a morte de seus companheiros - incluindo seu irmão e sua cunhada grávida - ele embarca em uma perigosa jornada de vingança contra seu antigo chefe e contra aqueles que o colocaram naquela situação mortal.

Comentários:
Mais um filme bem genérico nesse mundinho dos canais de streaming. Eu realmente não entendo porque não produzem algo melhor. Afinal esses filmes já são produzidos com um público certo, cativo, das plataformas digitais. Deveriam fazer algo mais bem realizado. No elenco temos esse Frank Grillo que nunca me convenceu. Ele está, atualmente, no terceiro escalão de atores especializados em filmes de ação. Sou mais o velho Chuck Norris. De qualquer forma temos ainda um já idoso Robert Patrick (o T-1000 de O Exterminador do Futuro 2) no elenco. Seu personagem é o único com mais camadas de personalidade. O resto é raso, vazio. Filmado em Malta, o filme consegue desperdiçar até mesmo esse lindo cenário natural. Assim não tem quem salve um filme como esse. Se gosta de filmes de ação, arrisque, mas não espere por nada muito bom. 

Pablo Aluísio. 

O Ferro-Velho

Título no Brasil: O Ferro-Velho
Título Original: El desarmadero
Ano de Lançamento: 2021 
País: Argentina
Estúdio: Arg Films
Direção: Eduardo Pinto
Roteiro: Eduardo Pinto
Elenco: Luciano Cáceres, Pablo Pinto, Clara Kovacic, Malena Sánchez, Diego Cremonesi, Fernando Pérez, Amelia Cáceres

Sinopse:
Após a perda traumática de sua família, um artista aceita um emprego como vigia de um ferro-velho. Enquanto tenta lidar com sua dor e seguir em frente, ele começa a enfrentar fenômenos estranhos: tanto pessoas que vagam pelo ferro-velho em busca de sucata quanto fantasmas de seu próprio passado, que parecem não querer deixá-lo em paz. Conforme a noite avança, memórias, arrependimentos e terrores se misturam num ambiente cada vez mais surreal e ameaçador.

Comentários:
Mais um filme de terror argentino que assisto. Esse aqui até que tem um roteiro bem realizado, apostando muito mais na doença mental do protagonista do que em qualquer outra coisa. Ele ficou anos internado em uma instituição psiquiátrica. Quando sai de lá, precisa arranjar um emprego. Um amigo lhe arruma trabalho, como vigia de um velho Ferro-Velho. Para sua total surpresa descobre que o carro onde sua família morreu está lá, entre tantos outros. Isso vira um gatilho mental terrível pois ele começa a ver seus parentes mortos vagando por aquele lugar, nas madrugadas escuras. E o fato do velho Ferro-Velho ser constantemente alvo de pequenos ladrões de peças de carros não melhora em nada essa situação. Um filme que mostra muito bem a qualidade do cinema argentino. Mesmo com pouco dinheiro e apoio, eles conseguem fazer filmes bem dignos e decentes. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out

Título no Brasil: Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out 
Título Original: Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Josh O’Connor, Glenn Close, Josh Brolin, Mila Kunis, Cailee Spaeny

Sinopse:
O excêntrico detetive Benoit Blanc é chamado para investigar um novo e intricado crime, cercado por personagens enigmáticos, segredos profundos e reviravoltas inesperadas. Ambientado em um contexto mais sombrio do que os filmes anteriores da série, o caso desafia não apenas a lógica de Blanc, mas também suas convicções morais, conduzindo a investigação por caminhos cada vez mais perigosos até uma revelação final surpreendente.

Comentários:
Gostei apenas em termos. O filme começa bem, a trama e o mistério parecem ser, à primeira vista, muito bem orquestrados e bem bolados. Só que acontece uma coisa chata, que de vez em quando acontece nesse tipo de filme de mistérios a solucionar. Quando tudo é esclarecido, ficamos com um monte de explicações mixurucas, que não convencem ninguém. Para piorar o roteiro tenta brincar, vamos colocar nesses termos, com certos dogmas do cristianismo. Até aí tudo bem, mas a questão da ressurreição do padre fica muito, mas muito mal explicada. Quando tudo foi revelado tirei duas conclusões: a primeira é que tudo soa forçado e falso. A segunda é que os roteiristas se perderam e ficaram presos na própria teia do mistério que construíram. Então na hora de revelar tudo tiveram que apelar demais para explicações pra lá de mequetrefes! Enfim, um filme que começa bem, se desenvolve bem, mas que no final pisa o pé na jaca! É uma verdadeira lambança! 

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out

O thriller Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery estreou em 2025 como mais um longa da popular franquia de mistério criada pelo cineasta Rian Johnson e protagonizada pelo detetive particular Benoit Blanc, interpretado por Daniel Craig. O filme foi apresentado inicialmente no Festival Internacional de Cinema de Toronto em setembro de 2025 e, posteriormente, teve lançamento em salas de cinema selecionadas em 26 de novembro de 2025, antes de chegar globalmente ao serviço de streaming Netflix em 12 de dezembro de 2025.

Com um orçamento estimado em cerca de US$ 151,7 milhões, Wake Up Dead Man representou uma das maiores produções de mistério já feitas para a plataforma, reunindo um elenco estelar que inclui, além de Craig, Josh O’Connor, Glenn Close, Josh Brolin, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott e outros nomes de destaque. A Netflix também destacou o título como um lançamento importante para a temporada de fim de ano, com uma combinação de estratégia de lançamento nos cinemas e streaming projetada para capturar tanto público cinéfilo quanto assinantes regulares.

Em termos de reação pública por streaming, o filme estreou na liderança da plataforma, registrando mais de 20 milhões de visualizações nos primeiros três dias de exibição, consolidando-se como um dos títulos em inglês mais assistidos da semana na Netflix após sua chegada ao serviço. Isso demonstra que, mesmo sem um lançamento tradicional amplo, o título encontrou um público amplo e engajado — especialmente entre fãs de suspense e famílias que acompanham a franquia.

A recepção da crítica especializada também foi muito positiva. No agregador Rotten Tomatoes, o filme alcançou 92 % de críticas favoráveis, com consenso geral afirmando que “com Benoit Blanc em ação, o filme oferece um mistério digno, com sua genuína e comovente fixação na fé e uma atuação memorável de Josh O’Connor”. A crítica elogiou a forma como Rian Johnson manteve a tradição dos mistérios “whodunit” ao mesmo tempo em que incorporou temas mais introspectivos e — em alguns trechos — filosóficos à narrativa.

Entre os pontos mais comentados pelos críticos e jornalistas está justamente a combinação de tom sombrio e humor perspicaz, além da energia de seu elenco coral. A imprensa destacou que, mesmo sendo o terceiro filme da série, Wake Up Dead Man inova ao colocar Blanc diante de uma trama que envolve religião, impossibilidades investigativas e conflitos humanos profundos, diferenciando-o de seus antecessores e mantendo o frescor do gênero de mistério.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O Ano do Dragão

Título no Brasil: O Ano do Dragão
Título Original: Year of the Dragon
Ano de Lançamento: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: De Laurentiis Entertainment Group
Direção: Michael Cimino
Roteiro: Oliver Stone, Michael Cimino
Elenco: Mickey Rourke, John Lone, Ariane Koizumi, Leonard Termo, Raymond J. Barry, Victor Wong

Sinopse:
O experiente e controverso capitão da polícia Stanley White (Mickey Rourke) é designado para combater o crime organizado chinês em Chinatown, Nova York. Obcecado em destruir a violenta Tríade conhecida como White Tigers, White entra em uma guerra pessoal contra o jovem e ambicioso líder mafioso Joey Tai. À medida que a violência cresce, o confronto se torna cada vez mais intenso, expondo preconceitos, conflitos culturais e os limites morais da lei.

Comentários: 
Entrei nessa jornada de rever antigos filmes dos anos 80 e 90. Estou confrontando a minha memória cinéfila do passado com uma avaliação atual, baseada no que vejo nos dias atuais. Dessa vez foi a hora de rever "O Ano do Dragão". Assisti  pela primeira vez lá mesmo, nos anos 80, e apesar de gostar, nunca foi dos meus preferidos. Agora, nessa revisão, o filme me pareceu bem melhor! É uma obra cinematográfica que resistiu muito bem ao tempo, fruto do talento de Michael Cimino, que sempre foi um grande diretor de cinema, com uma atuação visceral de Mickey Rourke (em seu auge!). Concordo que o filme tem um subtexto complicado, mostrando esse policial que deseja limpar Chinatown, mesmo que para isso seja preciso passar por cima da lei. É interessante ver como o personagem, que é um veterano da guerra do Vietnã, não consegue aguentar toda a politicagem que existe dentro da polícia e da prefeitura de Nova Iorque, como se os figurões não quisessem mudar nada naquele bairro dominado pelo crime! E tudo isso acontece no meio de uma guerra de criminosos, com os bandidos mais jovens tentando ocupar o espaço ainda ocupado pelos velhos dinossauros. Um filme muito bem fotografado, até bonito de se ver, mas com uma beleza diferente. É a beleza de Chinatown, um lugar cheio de história, mas também com o crime organizado enraizado em suas ruas e vielas. 

Pablo Aluísio.