sábado, 12 de abril de 2025

The Beatles - Rubber Soul - Parte 2

Rubber Soul - Parte 2
A música "In My Life" é certamente um dos maiores clássicos dos Beatles nesse álbum. Uma letra nostálgica em que John Lennon procurava relembrar as amizades e amores do passado. Uma letra autoral que de certa forma antecipava o que os Beatles iriam escrever em músicas como "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane", onde o passado surgia como tema principal. Nessa canção o produtor George Martin também colaborou bastante, ajudando ativamente nos belos arranjos finais que ouvimos na gravação oficial que saiu no mercado e que em pouco tempo virou um grande hit nas rádios. 

Se John Lennon apostava na nostalgia, Paul se apoiava em sua própria imaginação. Ele era mestre em criar personagens para suas músicas. Assim para esse disco Paul McCartney criou "Michelle". A música foi composta por Paul quando ele estava em Paris. Inspirado pelas belas melodias francesas que ouviu, ele decidiu seguir naquela mesma linha. Também decidiu incluir na letra alguns versos em francês. Como não sabia falar a língua dos franceses pediu uma ajudinha a um amigo, que lhe trouxe esses pequenos versos. Acho uma balada maravilhosa, simples, mas bem linda. E olha que Rubber Soul foi um disco dos Beatles em que só havia grandes baladas! 

Pouca gente sabia, mas "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)" era sobre um caso de infidelidade de John Lennon com uma garota escandinava que ele conheceu. O detalhe é que o Beatle já era casado na época, então teve que usar aquele tipo de letra enigmática, que poucos entenderiam, mas que ele saberia muito bem do que se tratava. Anos depois, John Lennon confidenciaria tudo numa entrevista. Era mesmo sobre essa noite em que ele pulou a cerca com essa loira, enquanto sua esposa Cynthia cuidava do filho Julian. Não era algo para se orgulhar, mas John falou que a mulher era mesmo um monumento, uma loira de parar o trânsito. Quem poderia julgar o Beatle por esse fugaz caso de infidelidade conjugal?

Se as duas músicas anteriores foram clássicos de John Lennon, músicas para se orgulhar até o fim de sua vida, a faixa "Run for Your Life" foi rejeitada por ele alguns anos depois. John chegou até mesmo a dizer que "sempre a detestou" e que a havia criado às pressas, para completar o disco. A letra hoje em dia seria considerada abominável, pois basicamente afirmava, sem nenhuma classe, para uma garota, que ela deveria correr por sua vida... O que sugeria? Que iria bater nela ou até mesmo matá-la? E isso composto por John Lennon, que iria virar um símbolo da paz e amor dos anos que viriam? Realmente não é complicado entender porque John a renegou completamente alguns anos depois. Era uma letra embaraçosa para ele, de puro machismo sem noção.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Indústria Americana

Indústria Americana
Documentário extremamente relevante para os nossos dias. Mostra a implantação de uma fábrica chinesa na cidade de Dayton, nos Estados Unidos. Ela foi levantada no mesmo lugar onde no passado funcionou uma fábrica de automóveis da GM na cidade. Muitos dos empregados já tinham trabalhado na GM, mas agora esses trabalhadores americanos iriam ter que lidar com uma nova realidade. Seus chefes seriam todos chineses. A fábrica funcionaria a partir de agora de acordo com a cultura do grande país asiático. Então, como era de se esperar, se opera um grande choque cultural entre um empregador chinês tentando colocar ordem numa fábrica onde a maioria dos empregados era formada por americanos. Os chineses e os americanos logo entram em choque e tudo é capturado pelo documentário. 

Os chineses acabam achando que os americanos são gordos demais, preguiçosos e sem nenhuma disciplina para o trabalho duro. Na visão da diretoria chinesa a mão de obra americana era pouco produtiva! Os americanos, por sua vez, começam a achar os chineses bem esquisitos, com sua cultura de quase escravidão ao trabalho obsessivo, trabalhando em longas jornadas, sem feriados, sem fins de semana. Quase uma escravidão moderna! O documentário mostra acima de tudo que há uma grande ilusão nessa expectativa toda de estrangeiros se instalando dentro da América, de que alguma fábrica asiática vai dar inteiramente certa se instalada dentro do território dos Estados Unidos. As diferenças culturais entre nações tão diferentes logo se faz sentir, desde os primeiros dias. É algo inclusive que o atual presidente americano tem planejado fazer. É melhor ele rever seus conceitos! 

Indústria Americana (American Factory, Estados Unidos, 2019) Direção: Steven Bognar, Julia Reichert / Roteiro: Steven Bognar, Julia Reichert / Elenco: Junming 'Jimmy' Wang, Sherrod Brown / Sinopse: Documentário da Netflix que mostra a instalação de uma fábrica chinesa nos Estados Unidos. Logo surge um grande choque cultural entre a direção e os empregados, além de problemas financeiros e sociais dentro da indústria. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Galactica: Astronave de Combate

Galactica: Astronave de Combate
Eu realmente não me lembrava mais se tinha assistido esse filme no passado. Claro, conhecia muito de nome, mas reconheço que não me lembrava se havia assistido ou não. Pois bem, em tempos de streaming finalmente fui conferir nessa semana. Gente, que filme ruim! É uma imitação muito barata de "Guerra nas Estrelas" de 1977. Lançado um ano depois do grande sucesso de George Lucas, o filme cheira a picaretagem do começo ao fim. Chega a ser constrangedor de tanto que tenta copiar o filme original. Tudo é ruim, o elenco não convence em nada e a direção é pífia. O enredo não vai para lugar nenhum. Os elementos básicos são todos copiados de Star Wars, sem tirar nem colocar muita coisa de diferente. Chega a aborrecer do tamanho da cara de pau de seus realizadores! 

Basicamente temos apenas um grupo de naves, com seres humanos, que é atacada por uma raça de robôs chamada Cyclons (ou qualquer coisa parecida a isso). Esses "centuriões" robôticos me fez lembrar do filme em certos momentos. São aquelas latas de sardinha que possuem uma luzinha vermelha no visor.  A luz vermelha vai de um lado pro outro do capacete! Nada muito interessante, mas a criançada da época curtiu pelo que me recordo. Pensou que parava por aí a tosqueira? Que nada, tem também um cachorrinho robótico muito mal feito que faz o filme ficar ainda mais ridículo do que já é. Um bichinho muito feio que não servia nem pra vender brinquedos! Enfim, apesar da fama, pois o filme certamente é conhecido por quem gosta de cinema, o fato é que "Galactica - Astronave do Combate" é uma das maiores porcarias já produzidas no universo! 

Galactica: Astronave de Combate (Battlestar Galactica, Estados Unidos, 1978) Direção: Richard A. Colla, Alan J. Levi / Roteiro: Glen A. Larson / Elenco: Richard Hatch, Dirk Benedict, Lorne Greene / Sinopse: Uma caravana de espaçonaves com objetivos de diplomacia é atacada. Estavam em missão de paz. Apenas uma espaçonave escapa da destruição, Galactica. Agora seus tripulantes precisam encontrar um planeta amigo, enquanto tentam descobrir o rumo em direção ao Planeta Terra. 

Pablo Aluísio. 

Deathstalker - O Guerreiro Invencível

Título no Brasil: Deathstalker - O Guerreiro Invencível
Título Original: Deathstalker
Ano de Lançamento: 1983
País: Estados Unidos, Argentina
Estúdio: Palo Alto
Direção: James Sbardellati
Roteiro: Howard R. Cohen
Elenco: Rick Hill, Barbi Benton, Richard Brooker

Sinopse:
O guerreiro Deathstalker é enviado por uma bruxa em uma busca para encontrar um cálice, um amuleto e uma espada, dois dos quais estão nas mãos do feiticeiro malvado Munkar.

Comentários:
Nem preciso dizer que atualmente esse filme ficou mais do que datado. Algumas vezes as pessoas assistem a um filme na infância, acham muito legal, mas com os anos, depois que voltam a ver aquele mesmo filme, descobrem que ele não passa de uma bomba! É o caso aqui. O filme é todo mal feito, rodado na Argentina, com um protagonista interpretado por um péssimo ator. Em meu caso sempre achei essa produção uma cópia mal feita e cara de pau de Conan. Mas é a tal coisa, como teve gente que assistiu quando era moleque ainda vai defender. Freud explica! De resto, posso dizer, pouca coisa se salva além da lembrança afetiva. O filme é ruim demais mesmo. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

O Intermediário do Diabo

O Intermediário do Diabo 
O ator George C. Scott teve uma ótima carreira no cinema. Os cinéfilos mais superficiais lembram dele por causa de Patton, mas essa é uma visão bem rasa. Ele fez muitos filmes bons, alguns clássicos absolutos da história do cinema. Só que o tempo passou, o ator ficou com mais idade, então chegou o momento de aceitar o que estava sendo oferecido. Não digo isso como reprovação, nada disso, apenas como constatação. Assim, já idoso, o bom e velho Scott enveredou pela linha dos filmes de terror. Digo que gosto de praticamente todos os filmes que ele fez nesse gênero, com destaque para o muito bom "O Exorcista III", um terror psicológico muito acima da média. 

"O Intermediário do Diabo" (também conhecido como "A Troca") foi outro filme de terror da carreira de Scott. Deixa eu falar algo com sinceridade: esse é um filme muito bom de casas assombradas! Filme com estilo, com elegância, nada das porcarias que vemos hoje em dia. Na história Scott interpreta um compositor de música clássica. Quando sua esposa e filha morrem em um acidente na estrada, ele decide mudar de cidade, tentar uma nova vida em Seattle. Vai trabalhar na grande cidade da costa oeste, onde pretende progredir como compositor. É também uma tentativa meio desesperada de superar a depressão pela morte de sua família. 

Para isso aluga uma velha casa que estava sob os cuidados do patrimônio histórico da cidade. Uma casa muito bonita, grande, mas meio mal tratada pelo tempo que ficou abandonada. No passado havia pertencido a uma médico com uma história familiar trágica! Uma vez lá, ele começa a perceber estranhos fenômenos, incluindo a manifestação espiritual de um garotinho que morreu na casa no começo do século XX. Falar mais, tecendo maiores comentários, seria estragar as surpresas do roteiro. O que tenho a dizer é que o filme é realmente muito bom. Eu gostei das atuações, da ambientação sombria (essencial para esse tipo de filme) e até mesmo do desfecho da história. Um bom filme de terror com George C. Scott. Realmente não teria do que reclamar. 

O Intermediário do Diabo (The Changeling, Estados Unidos, 1980) Direção: Peter Medak / Roteiro: Russell Hunter, William Gray, Diana Maddox / Elenco: George C. Scott, Trish Van Devere, Melvyn Douglas / Sinopse: Após a morte da esposa e filha, veterano compositor de música clássica aluga uma velha mansão para compor novas músicas e acaba descobrindo que há várias manifestações sobrenaturais naquele lugar. 

Pablo Aluísio. 

Grito de Horror III

Título no Brasil: Grito de Horror III
Título Original: Howling III
Ano de Lançamento: 1987
País: Austrália
Estúdio: Bacanora Entertainment
Direção: Philippe Mora
Roteiro: Gary Brandner, Philippe Mora
Elenco: Barry Otto, Max Fairchild, Imogen Annesley

Sinopse:
Uma jovem tenta uma carreira como atriz em filmes B de terror. O que ninguém desconfia é que ela é na verdade uma ancestral de uma tribo de seres mutantes, metade homens, metade lobos! E ela está prestes a dar a luz pois ficou grávida de um ser humano normal, seu colega no elenco desse filme trash!

Comentários:
Esse deve ser o pior filme de lobisomem já feito na história! Que filme péssimo! Nada funciona, tudo é ruim demais! O elenco é formado por atores e atrizes sem o menor talento. A maquiagem dos monstros é de fazer rir qualquer um! O roteiro é uma desgraça, envolvendo lobisomens que são mutações de marsupiais (que porcaria de ideia tosca foi essa minha gente?). Esse diretor só podia estar de sacanagem quando rodou essa bomba H cinematográfica! O filme é tão ruim, mas tão ruim, que eu não consegui chegar ao seu final! E olha que sou um daqueles cinéfilos guerreiros, que vão até o fim quase sempre! Só quando a ruindade é insuportável é que fico no meio do caminho. Foi justamente o caso dessa produção Z! Enfim, um horror, no mal sentido, claro! Fuja para as montanhas sem pensar duas vezes! 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Homens que são Feras

Título no Brasil: Homens que são Feras 
Título Original: Rage at Dawn
Ano de Lançamento: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Tim Whelan
Roteiro: Horace McCoy, Frank Gruber
Elenco: Randolph Scott, Forrest Tucker, Mala Powers, J. Carrol Naish, Edgar Buchanan, Howard Petrie

Sinopse:
Uma quadrilha formada por irmãos, os Reno, espalha terror pelo velho oeste, assaltando bancos, trens e praticando todos os tipos de crimes. Associados a um xerife corrupto e a um prefeito de índole criminosa, nada parece deter os bandidos. Até que uma agência de detetives de Chicago decide organizar um plano para finalmente colocar esses criminosos atrás das grades. 

Comentários:
Nessa altura de minha vida de cinéfilo posso dizer sem receios que qualquer faroeste com Randolph Scott vale a pena! Esse filme dos anos 50 não é dos mais conhecidos da carreira do ator, mas vale muito a pena assistir. Esses irmãos Reno, que aparecem na história como vilões, realmente existiram. E também houve uma agência de detetives que foi atrás deles. Agora, fora isso, realmente não espere por nada muito fiel aos acontecimentos históricos. Não é bem assim que esses roteiros eram escritos naquela época. Sabemos que havia muita romantização nesse tipo de filme de western. Um exemplo acontece quando o agente disfarçado interpretado por Scott passa a cortejar a irmã mais jovem dos irmãos criminosos. Ele a seduz, obviamente com o objetivo de entrar naquela família, para assim pegar os criminosos em flagrante delito. Agora, complicado para o Randolph Scott foi mesmo fazer as cenas em que ele, disfarçado de bandido, rouba um banco. Como ele mesmo gostava de dizer, não queria interpretar vilões. Nem que fossem disfarçados como nesse filme. Não combinava bem com sua personalidade cinematográfica! 

Pablo Aluísio.

Gatilhos da Violência

Título no Brasil: Gatilhos da Violência
Título Original: A Time for Dying
Ano de Produção: 1969
País: Estados Unidos
Estúdio: Corinth Films
Direção: Budd Boetticher
Roteiro: Budd Boetticher
Elenco: Richard Lapp, Anne Randall, Audie Murphy

Sinopse:
Cass Bunning (Richard Lapp) é um cowboy bom de mira e rápido no gatilho que chega na pequena cidade de Silver City. Assim que coloca os pés por lá, resolve salvar uma jovem chamada Nellie Winters (Anne Randall) de se tornar a nova prostituta do bordel local. Depois se casa com ela em uma cerimônia presidida pelo famoso juiz Roy Bean (Victor Jory). Agora, com as novas responsabilidades de um homem casado resolve se tornar caçador de recompensas, o que lhe fará encontrar com bandidos famosos e perigosos como Jesse James (Audie Murphy).

Comentários:
Último filme da carreira de Audie Murphy (aqui atuando ainda como produtor) e também último western assinado pelo cineasta Budd Boetticher. Só esses fatos já levariam o filme a ser considerado essencial pelos fãs de faroestes. O problema é que apesar de ser o adeus de dois grandes nomes do gênero, "Gatilhos da Violência" não consegue impressionar, muito pelo contrário, pois logo se torna uma decepção completa. O roteiro é completamente sem foco, disperso e mal escrito. Há uma tentativa de inserir humor em certos momentos, mas o tiro sai pela culatra pois todas as cenas cômicas são constrangedores de tão sem graça. Audie Murphy surge tão rapidamente como desaparece. Ele só tem uma cena no filme inteiro quando encontra o tal caçador de recompensas no meio do deserto. Fala duas linhas de diálogo e some, dando adeus ao cinema para sempre. Melhor se sai o ator Victor Jory que interpreta o juiz Roy Bean (aquele mesmo do filme com Paul Newman). Atuando muito bem, salva o filme de ser uma bomba completa. Já Richard Lapp que interpreta o cowboy protagonista é um desastre completo. Canastrão, não consegue convencer. Provavelmente só foi escolhido por ter uma semelhança incrível com Audie Murphy quando ele era bem mais jovem. No geral, infelizmente, é isso, não há outra conclusão, o filme é bem ruim mesmo. Uma despedida melancólica de Murphy e Boetticher do velho oeste.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Ruptura das Linhas Inimigas

Título no Brasil: Ruptura das Linhas Inimigas
Título Original: Das Eiserne Kreuz, 2. Teil
Ano de Lançamento: 1979
País: Alemanha, Estados Unidos
Estúdio: Constantin Films
Direção: Andrew V. McLaglen
Roteiro: Peter Berneis, Tony Williamson
Elenco: Richard Burton, Robert Mitchum, Rod Steiger, Helmut Griem, Michael Parks, Helmut Griem

Sinopse
Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, um esquadrão de tanques do exército americano se prepara para invadir uma pequena cidade do interior da França. A operação, realizada poucos dias depois do Dia D, precisa destruir um foco de ocupação do exército alemão que ainda se encontra naquela região. E os militares alemães estão dispostos a resistir de qualquer maneira, usando como escudo humano inclusive os próprios moradores franceses que ali se encontram. 

Comentários:
Um filme já bem temporão, quando as luzes já estavam sendo apagadas para essas produções clássicas da Segunda Guerra. O elenco só traz medalhão do passado, veteranos que um dia foram astros em Hollywood como Richard Burton, Rod Steiger e Robert Mitchum. Apesar disso o filme não consegue ser muito bom. Fiquei com a clara impressão que o estúdio aqui se meteu no corte final do filme. A edição original tinha mais de 2 horas e meia de duração. Tempo suficiente para desenvolver melhor os personagens e a história. Só que o estúdio achou longo demais e promoveu essa edição porca que vemos aqui, com um filme durando mais ou menos 80 minutos! Claro que ficou tudo truncado, mal desenvolvido. Lamento pelos nomes envolvidos no elenco, pois sempre fui fã de todos eles. Só que esse filme tardio de guerra mostrou a importância de uma edição bem realizada. Se mal feita, pode estragar todo um filme que tinha muito potencial para ser excelente. Infelizmente isso aconteceu por aqui. Lamento muito! 

Pablo Aluísio.

A Raposa do Mar

Após enfrentar uma batalha sangrenta o Capitão Murrell (Robert Mitchum) é enviado para um novo posto. Ela passa a ser o comandante de um destróier americano no Atlântico Sul durante o auge da II Guerra Mundial. Inicialmente a tripulação recebe seu novo comandante com certa desconfiança. Ele pouco interage com os marinheiros sob seu comando, preferindo passar seus dias trancado em sua cabine privada. Na verdade ele ainda tenta se recuperar dos vários ferimentos sofridos em seu último confronto. As coisas mudam quando subitamente o radar do navio localiza um ponto em alto mar que ao que tudo indica talvez seja um submarino alemão. Chamado à sala de controle o comandante então tem sua confirmação – é realmente o que se pensava ser. Em poucos minutos ele coloca o navio de combate no encalço do submarino do Terceiro Reich, o que dará origem a uma verdadeira caçada em alto-mar com consequências terríveis para todos os envolvidos.

Muitos filmes foram realizados sobre os combates travados durante a II Guerra Mundial mas poucos foram tão bem realizados como esse. “A Raposa do Mar” tem ótimos diálogos, um roteiro muito inteligente e um aspecto mais do que bem-vindo: ao contrário de outros filmes de guerra que retratavam os alemães como monstros, esse aqui se propõe a mostrar todos os conflitos e ansiedades vivenciadas pelos marinheiros do Reich dentro do submarino durante a batalha. Isso humaniza bastante esses militares, somando ainda mais ao filme, o transformando em uma pequena obra prima do gênero. 

O roteiro foi adaptado de um livro escrito por um almirante da marinha americana, D.A. Rayner, o que explica seu argumento tecnicamente muito fiel à realidade dos fatos. O capitão do submarino, Von Stolberg (interpretado com grande inspiração pelo ator alemão Curd Jürgens), é um homem que já lutou em várias guerras e sabe que os alemães dessa vez lutam em vão. A estrutura dramática do filme se apóia justamente em cima desse duelo entre o comandante americano Murrell e o capitão Von Stolberg, que lutam bravamente entre si para vencer essa marcante batalha naval. “A Raposa do Mar” é sem dúvida um grande filme de guerra, um dos melhores já feitos sobre a luta nos oceanos.

    
A Raposa do Mar (The Enemy Below, Estados Unidos, 1957) Direção: Dick Powell / Roteiro: Wendell Mayes, baseado no livro escrito pelo almirante D.A. Rayner / Elenco: Robert Mitchum, Curd Jürgens, David Hedison / Sinopse: Um comandante americano e um capitão de submarino alemão duelam no Atlântico sul durante a II Guerra Mundial. Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Também indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Curd Jürgens).

Pablo Aluísio.