sábado, 8 de setembro de 2007

Rock Hudson / Elizabeth Taylor / Montgomery Clift


Rock Hudson
Foto promocional do ator Rock Hudson publicada em uma revista americana de grande circulação na época. Rock foi formado no departamento de artes da Universal. Esse estúdio providenciava tudo o que um futuro astro precisava aprender para se tornar um sucesso de bilheteria. Aulas de etiqueta social, de arte dramática, figurino e dicção. Rock assim foi formado pela Universal desde cedo para se tornar um astro. Naqueles tempos esse sistema era chamado de Star System e após o sucesso o ator, vinculado por contratos profissionais, se tornava exclusivo do grande estúdio que o formou. Era uma troca lucrativa, a companhia cinematográfica criava o astro e esse em troca se vinculava de forma fiel a ela. Rock cumpriu sua parte e só em fins dos anos 1960 deixou a Universal que tanto o ajudou em sua escalada rumo à fama.


Rock Hudson e a homossexualidade
Rock Hudson posa ao lado de uma jovem modelo em seus anos de glória em Hollywood. Rock era o galã dos sonhos nos anos 1950. Alto, bonitão, forte e muito simpático ele era o sonho de toda mulher americana na época. Só que Rock também guardava um grande segredo: ele era na verdade gay. Seus amigos estavam sempre tentando arrumar uma garota para Rock, mas isso nunca dava certo. Embaixo de uma postura completamente máscula, Rock se encontrava às escondidas com seus amantes masculinos. Para evitar fofocas, ainda mais depois que ficou muito famoso, ele se casou com Phyllis Gates que era secretária de seu agente, Henry Wilson. As coisas porém não deram certo como era de se prever e Rock se separou pouco tempo depois. Ela, por outro lado, pelo menos teve a honra de ter sido casada com o homem mais cobiçado da América.


Rock Hudson e o Cigarro
Rock foi um fumante inveterado durante toda a sua vida. Seu consumo médio era de duas a três carteiras de cigarro por dia. Na época - em plenos anos 1950 - fumar era uma coisa normal, vista até como algo charmoso e elegante. Só anos depois foi que se descobriu que o fumo poderia trazer grande mal para a saúde. Rock pagou o preço por seu vício. Teve problemas de coração que seu médico associou ao fumo exagerado, tendo que realizar uma complicada operação de safena. Mesmo assim não deixou o cigarro de lado. Sobre o fumo certa vez declarou: "Espero que os cientistas logo descubram que o fumo faz muito bem para a saúde, que a fumaça destrói todos os micróbios e germes pois só assim poderei fumar sem culpa". Rock jamais largou o cigarro e fumou até os últimos momentos de sua vida.


Os Olhos de Elizabeth Taylor
Liz tinha uma tonalidade muito rara em seus olhos. Na verdade eles eram da cor azul-turquesa que mesmo entre pessoas de olhos azuis é raríssimo. Em uma época em que a beleza era fator essencial para se construir uma carreira de futuro no cinema americano, Liz se destacou logo entre as candidatas ao estrelato. Na verdade ela foi atriz mirim, começando a trabalhar ainda muito cedo, na infância. Seus pais viam grande potencial no talento de Elizabeth e ela assim foi subindo os degraus da fama. Anos depois ela diria que se identificava de certo modo com a história de seu amigo Michael Jackson, que também trabalhou desde muito jovem, perdendo em parte as experiências da vida típicas da idade. Enquanto as demais crianças brincavam, eles estavam sendo pressionados para dar o melhor de si nos palcos e nas telas.


Elizabeth Taylor e Montgomery Clift  
Liz e Clift curtem uma pausa nas filmagens de "Um Lugar ao Sol". Foi nesse filme que nasceu uma bela amizade entre eles, algo que iria durar até o fim da vida de Clift. Até hoje essa relação é fruto de dúvidas dos autores que escreveram biografias sobre esses astros. Para muitos Monty tinha uma paixão platônica devastadora por Liz - a ponto de ter sido apaixonado em segredo por ela por anos e anos. Para outros o ator era gay e por isso não sentia maior atração pela atriz. Por fim há aquele grupo que defende que Montgomery Clift realmente nutria uma paixão verdadeira por Liz, embora ela fosse impossível por causa da natureza assexuada do ator. Quem tem razão? Não importa, eles sempre serão eternos nos filmes que fizeram juntos. Imortais na tela para sempre.

Pablo Aluísio.
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Victor Mature

Victor Mature nunca foi considerado um bom ator. Mesmo assim conseguiu se firmar em Hollywood em uma longa e produtiva carreira, participando de mais de 50 produções, algumas delas grandes clássicos do cinema de todos os tempos! Como conseguiu tal façanha? Simples, Mature além de carismático era o que se pode chamar de um sujeito boa praça. Amigo de todos, não se envolvia em confusões e nem em mexericos. Nunca criou problemas no set e não tinha inimigos no meio cinematográfico.

Era educado, humilde e se dava bem com todo mundo no set, do diretor ao mais simples membro de equipe de filmagem. Tratava a todos de forma igual. Nada mal para um caipira do Kentucky que foi a Hollywood tentar a sorte. De porte físico privilegiado, alto (quase 1.90m de altura) ombros largos e musculosos, Mature foi aos poucos subindo os degraus da fama. Participou de pequenos filmes de faroeste e aos poucos foi se destacando. Sabia que não era um grande ator mas com sua simpatia pessoal foi fazendo amigos e sendo escalado em diversos filmes.

Após ser dirigido por John Ford conseguiu o grande papel de sua vida, o de Sansão no clássico dirigido por Cecil B. DeMille, "Sansão e Dalila". Prestativo caiu nas graças do famoso produtor / diretor que lhe deu o maior papel de sua vida. No set colecionou histórias engraçadas principalmente na cena da luta do leão com Sansão. Apesar de ter sido tranquilizado por DeMille que o leão era manso e domesticado resolveu não fazer a cena, deixando tudo nas mãos de seu dublê! Depois do sucesso desse filme Mature foi escalado sistematicamente para vários épicos do mesmo estilo tais como "O Manto Sagrado", "Demetrius, o Gladiador" e "O Egípcio". De fato se tornou o ator padrão dos chamados épicos bíblicos. Depois de alguns anos realizando produções desse tipo a fórmula se desgastou e Mature se dedicou a produções menores, filmes de orçamentos modestos que serviram para ele continuar trabalhando.

Além de ter feito muitos filmes Mature também teve vários casos amorosos em Hollywood. Só de casamentos foram cinco, fora suas conquistas que incluíram várias atrizes famosas como Lana Turner, Susan Hayward, Rita Hayworth e Esther Williams. No final de sua vida Mature assim como outros astros envelhecidos, como Randolph Scott, por exemplo, se dedicou ao Golf como hobby e passatempo. Seus últimos dias foram passados em seu rancho localizado em Santa Fé. Lá faleceu aos 86 anos cercado de amigos e familiares. Nada mal para um sujeito que nem se considerava um ator de verdade.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Ava Gardner: As Conversas Secretas

No final de sua vida, cheia de dívidas e com receio de perder suas economias e joias valiosas dadas por inúmeros amantes ao longo da vida a estrela Ava Gardner resolveu abrir o jogo. Contratou um ghostwriter e resolveu contar um pouco das histórias picantes de Hollywood que viveu nos chamados "Anos de Ouro" do cinema americano. Ava teve casos amorosos famosos com gente como Frank Sinatra (que era perdidamente apaixonado por ela), Mickey Rooney (seu primeiro marido) e Howard Hughes (o excêntrico bilionário americano).

Em uma primeira versão Ava contava todos os detalhes, inclusive de alcova e não poupava praticamente ninguém. Frank Sinatra, por exemplo, era mostrado como um sujeito inconveniente, maníaco e desagradável, que logo perdeu o respeito de Ava por viver em seu pé, fazendo declarações de amor melosas e crises de choro quando era rejeitado por ela (que parece nunca ter gostado realmente do cantor). Mickey Rooney, o primeiro marido, também não escapa da língua venenosa de Ava. Ele é definido de modo impiedoso por ela como um "anão". Só alivia a barra do baixinho Rooney ao reconhecer que apesar da pouca altura era de fato um bom amante.

O pior sobra para Howard Hughes. Todos sabem que o famoso milionário tinha problemas mentais que ao longo dos anos o deixaram completamente louco e isolado em um quarto de hotel em Las Vegas. Quando se relacionou com Ava, Hughes ainda gostava de desfilar com beldades de cinema pelos salões mais exclusivos de Hollywood. No começo Ava se encantou com o novo namorado mas logo percebeu seus problemas de comportamento. Segundo suas memórias "Hughes era meio surdo e não falava muito e quando o fazia dava opiniões ofensivas, racistas e muitas vezes insuportáveis". Depois de uma briga violenta Ava jogou um pesado cinzeiro de metal na cara de Hughes que se não tivesse se abaixado a tempo teria sido atingido em cheio. Foi o fim do romance entre a estrela e o milionário. Já em relação a outros colegas Ava também não perdoa. Humphrey Bogart em sua opinião era um velho invejoso. Sempre preocupado com números teria ido à loucura ao saber que Ava ganharia 200 mil dólares para estrelar "A Condessa Descalça". Já sobre Liz Taylor, Ava é mais simpática. Chama a atriz de "a mais bonita de Hollywood". Mesmo assim não deixa de soltar algumas farpas ao dizer que "Liz passava mais tempo brigando com os donos de estúdio do que trabalhando".

O livro de memórias de Ava foi várias vezes arquivado. De tempos em tempos ela retomava o livro mas depois desistia e colocava na gaveta novamente. Depois da tantas idas e vindas até mesmo seu ghostwriter morreu. Ava então resolveu guardar todos os textos que ficaram inéditos até sua morte em 1990. Finalmente os responsáveis de seu espólio resolveram publicar todas as suas memórias que são de fato um dos mais ricos materiais escritos sobre os anos dourados de Hollywood. Afinal de contas o show não pode parar.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Hedy Lamarr

Quem disse que uma linda atriz de cinema também não poderia ser extremamente inteligente? A história de Hedy Lamarr provou justamente que beleza e inteligência podem sim conviver perfeitamente. A vida da atriz não foi fácil e tampouco pode ser considerada banal. Ela nasceu na maravilhosa e sofisticada Viena, na Áustria, em 9 de novembro de 1914. Se estivesse viva estaria completando 101 anos de idade, algo que o Google fez questão de recordar a colocando como destaque de seu mecanismo de buscas (assista abaixo). Hedy era de um tempo em que as mulheres só poderiam almejar um bom casamento, filhos e nada muito além disso. Sua personalidade porém rejeitava modelos de comportamento. Desde cedo sua veia artística despontou e ela começou a atuar em pequenas peças amadoras de teatro. Também amava música e tocava piano desde os 10 anos de idade.

Mais além de tudo ela se encantava com o cinema, não apenas com os filmes em si, mas o próprio invento a fascinava. Ela tinha uma curiosidade natural que a tornaria uma pessoa estudiosa e dedicada a inventar coisas - algo que lhe tornaria célebre no futuro. Pois bem, no começo da carreira, embora fosse uma linda mulher, os convites eram raros. Além disso na região da Europa onde vivia não havia uma indústria de cinema. Assim ela acabou aceitando participar de uma produção chamada "Êxtase", toda filmada em Praga. O mais notório desse filme é que havia cenas de nudez. Lamarr era uma mulher bem à frente dos padrões da época e aceitou realizar a tão polêmica cena onde ela caminhava nua no meio de uma floresta. Claro que para a década de 1930 aquilo era um escândalo completo. O que hoje seria visto como algo até bucólico, naqueles tempos foi encarado como uma afronta à moralidade.

Como a carreira de atriz não decolava ela acabou arranjando um bom partido, um industrial fabricante de armas chamado Friedrich Mandl. Ele era bem mais velho do que ela, tinha uma personalidade controladora e moralista e queria que a esposa se tornasse uma dona de casa padrão. Algo que Lamarr definitivamente não desejava para si. Dessa maneira o casamento logo chegou ao fim. Sempre seguindo o sonho de ser uma atriz de sucesso ela entendeu que só realizaria esse desejo se fosse para os Estados Unidos. E assim no verão de 1937 ela pegou um navio rumo à América. Seu primeiro filme americano foi "Argélia" de 1938. Era um romance à moda antiga onde contracenava com o galã francês Charles Boyer. A química deu tão certo que a produção logo se tornou um grande sucesso de bilheteria.

Com longos cabelos negros e uma beleza natural ela logo começou a ser considerada uma das mais promissoras atrizes jovens de Hollywood. Os estúdios queriam lucrar com ela e em pouco tempo Lamarr estava colecionando sucessos. Em "Flor dos Trópicos" fez outra parceria de grande êxito comercial ao lado do galã Robert Taylor. Atuou ao lado de Spencer Tracy em "A Mulher Que eu Quero" e Clark Gable em "Fruto Proibido". Em menos de um ano ela já era a estrela preferida dos principais galãs de Hollywood.

Curiosamente ao lado do mundo glamoroso da capital do cinema ela também desenvolveu um incrível talento como cientista. Durante a II Guerra Mundial ela criou um sistema pioneiro que tinha como objetivo atrapalhar as comunicações das forças nazistas. Era algo tão inovador e raro que mal foi compreendido na época. Esse sistema seria a base do telefone celular que só viraria realidade muitos anos após sua invenção. De fato ela foi a criadora de um dos mais revolucionários aparelhos da modernidade, embora nem mesmo ela soubesse a real extensão de sua criação naqueles distantes anos da década de 1940.

Nessa década aliás a atriz colecionou uma série de sucessos de bilheteria. Filmes românticos que exploravam basicamente sua beleza fascinante. Mesmo sendo muito talentosa jamais conseguiu ser reconhecida como uma grande atriz. Havia um certo preconceito contra mulheres bonitas demais pela crítica, agravado ainda mais pelo fato dela ser estrangeira. Assim jamais chegou a ser indicada a um Oscar, apesar dos inúmeros filmes que fez. Sua fase de maior sucesso encontrou seu auge com a super produção "Sansão e Dalila" de 1949, onde ela interpretou a famosa personagem bíblica. Victor Mature interpretou Sansão e ela a linda e perigosa Dalila, que iria conquistar o coração do forte, mas frágil emocionalmente, guerreiro.

Como nunca foi reconhecida além de sua beleza nas telas a carreira de Lamarr começou a entrar em declínio na década seguinte. Novas beldades chegaram em Hollywood, bem mais jovens e assim os convites para novos filmes foram ficando mais raros. A vida pessoal e romântica também foi turbulenta. Hedy Lamarr se casou sete vezes e em todos os enlaces matrimoniais teve que enfrentar problemas e mais problemas conjugais. Seu último casamento foi com o advogado Lewis Boles, já nos anos 60. Infelizmente foi outra união infeliz que durou muito pouco, menos de três anos. Seu último filme foi "Naufrágio de uma Ilusão" de 1958 onde interpretava uma personagem chamada Vanessa Windsor, ironicamente uma estrela decadente de cinema que disputava o amor de um homem mais jovem com sua própria filha (Jane Powell). Com problemas de saúde ela aos poucos foi se afastando da carreira. Embora muitos pensassem que ela não viveria muito por causa disso a atriz conseguiu se superar tendo uma vida longa, só vindo a falecer em 2000 com 85 anos de idade. Seu último desejo foi que suas cinzas fossem espalhadas na bela floresta de Wienerwald, na sua Áustria natal, um lugar que ela adorava e que gostava de passear em sua infância. Foi justamente lá que seu filho realizou esse último pedido de sua querida mãe.

Pablo Aluísio.

domingo, 2 de setembro de 2007

Laurence Olivier & William Shakespeare

Um dos sonhos de vida do ator Laurence Olivier era levar a obra de William Shakespeare para as grandes massas. De formação Shakesperiana ele começou a tentar colocar sua ideia em prática no teatro londrino. O ator abriu mão de faturar mais alto nas bilheterias para que escolas e colégios de Londres levassem seus alunos para apresentações vespertinas de Olivier e sua companhia. Aos poucos ele foi percebendo que seria mais complicado do que pensava. O texto, extremamente rico e rebuscado de Shakespeare, soava de complicado entendimento para o público mais jovem. Não era de se admirar. Shakespeare escreveu para as pessoas de sua época, em uma linguagem tão rica que muitos historiadores ainda hoje cultivam uma certa dúvida se todas as peças atribuídas a Shakespeare teriam sido escritas por ele realmente, uma vez que era difícil aceitar que tanta riqueza cultural teria vindo de apenas uma pessoa!

Assim Olivier se debruçou sobre "Hamlet" e escreveu uma nova versão, procurando usar uma linguagem mais moderna, que soasse mais compreensível para aqueles alunos. Sua real intenção era apresentar Shakespeare aos mais jovens para que eles criassem curiosidade sobre o famoso escritor, indo assim atrás de suas peças no original. Como a experiência deu certo e deu ótimos frutos Laurence procurou ir além. Ele quis levar para o cinema seu texto adaptado. Afinal de contas uma coisa era se apresentar para um determinado grupo de estudantes ingleses, em número limitado, outra completamente diferente seria levar isso para o mundo inteiro através do grande meio que estava à sua disposição: o cinema!

Sobre essa atitude corajosa de Laurence Olivier o grande ator Marlon Brando comentaria: "Certa vez encontrei Laurence e ele me disse que eu deveria me dedicar a Shakespeare já que tinha talento para tanto! Fiquei lisonjeado com sua opinião e de certo modo ele tinha razão em me falar aquilo. Eu só seria um grande ator se me dedicasse a interpretar Shakespeare no teatro. O problema é que eu tinha que viver, tinha contas a pagar, pois qualquer ator americano que se dedicasse completamente aos textos de Shakespeare ficaria extremamente pobre. Os americanos não possuem esse tipo de cultura. Na verdade os britânicos são os únicos a cultivarem a riqueza da língua inglesa justamente por causa de Shakespeare. A cultura americana é a da TV e a do cinema. Não temos cacife cultural para tornar Shakespeare popular em nossa sociedade".

Brando tinha razão. O americano médio é de certo modo um simplório que mal conhece o nome de outros países. Ele não tem a sutileza e a sofisticação cultural para tornar uma obra desse nível popular. Mesmo com tantas coisas contras Laurence foi em frente. Conseguiu financiamento e em 1948 lançou sua versão cinematográfica de "Hamlet". Ele ficou tão obcecado com sua atuação que resolveu também dirigir o filme. Era sua obra mais cativante e ele certamente não estava disposto a dividir isso com absolutamente ninguém. Para sua alegria e realização o filme se tornou um sucesso e acabou sendo consagrado no Oscar um ano após quando foi premiado com os prêmios de Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e os dois mais importantes Oscars da noite: Melhor Filme e Melhor Ator (onde o grande premiado seria ele mesmo, Laurence Olivier). Não haveria maior consagração para ele do que esse reconhecimento histórico. O Bardo certamente teria ficado orgulhoso de Laurence.

Pablo Aluísio. 

sábado, 1 de setembro de 2007

O Romance de Elizabeth Taylor

O Romance de Elizabeth Taylor
Na Hollywood dos anos 60, o jovem George Hamilton estava no lugar certo na hora certa. "Os executivos do estúdio me disseram: Se encontre com todas as atrizes que você puder, mas certifique-se que elas estejam sob contrato conosco!". Era uma tática de promover atrizes e atores, para que seus encontros saíssem em jornais e revistas da moda. Dessa maneira os artistas ganhavam publicidade praticamente grátis. Assim relembra George Hamilton sobre seu primeiro encontro com Liz Taylor.

"Elizabeth Taylor fazia parte do elenco contratado da Fox, então pensei, por que não ir lá pedir um encontro com ela? O máximo que poderia acontecer de ruim era levar um fora!" - Era uma ousadia e tanto mas Hamilton arriscou. "Ela gostou da minha ousadia ao chamá-la para jantar fora. Assim que a conheci entendi que era um ser humano único! Ela era muito divertida, podia ficar acordada a noite toda jogando cartas se isso o fizesse feliz. Depois pela manhã decidia que queria viajar, pegávamos o primeiro avião e íamos para a Europa. Ela era maior que a vida!".

Como se sabe Liz Taylor colecionou relacionamento em Hollywood mas George Hamilton se destacou em sua lista de namorados por causa de suas opiniões firmes. "Era um relacionamento típico, onde um queria se impor ao outro, uma luta de poder! Mas eu não estava disposto a mudar minha atitude e isso a intrigava. Eu dizia a ela que não iria aceitar tão facilmente as suas decisões e ela me perguntava se eu a estava ameaçando, eu dizia que não, estava apenas fazendo uma promessa a ela!"

Para George Hamilton um homem jamais deve deixar uma mulher assumir o controle total em uma relação. "Não importa se é Elizabeth Taylor ou uma mulher comum, não famosa. A verdade é que as mulheres sempre vão testar você. Se você se deixar dominar será o fim. As mulheres de uma maneira em geral não gostam de ser submissas mas também não querem um sujeito fraco ao lado delas".

As coisas iam bem entre eles mas para a infelicidade de Hamilton, Liz Taylor acabaria se apaixonando perdidamente pelo ator Richard Burton com quem se casaria, se divorciaria e depois se casaria novamente. Com isso George Hamilton resolveu encerrar o relacionamento amoroso com ela, mas a amizade se firmou e durou até a morte de Liz. "De certa forma o fim do namoro significou o começo de uma grande amizade. Fui seu amigo até seus últimos dias. Tenho ótimas memórias pessoais ao seu lado. Um ano ao lado de Elizabeth Taylor poderia encher toda uma vida de grandes lembranças" - finalizou o ator.

Pablo Aluísio.

domingo, 19 de agosto de 2007

Cinema Clássico - Sophia Loren

Sophia Loren é uma das maiores estrelas da história do cinema mundial e um dos maiores símbolos da elegância e do talento artístico da Itália. Nascida Sofia Villani Scicolone em 20 de setembro de 1934, na cidade de Roma, cresceu em condições bastante humildes durante os difíceis anos da Segunda Guerra Mundial. Sua infância foi marcada pelas dificuldades econômicas e pelos efeitos do conflito que devastou grande parte da Europa. Ainda adolescente, começou a participar de concursos de beleza, chamando atenção por sua extraordinária beleza e presença marcante. Esses concursos abriram as portas para o cinema italiano, onde iniciou sua trajetória artística em pequenos papéis. Pouco a pouco, Sophia construiu uma carreira sólida que a transformaria em uma das atrizes mais respeitadas e admiradas do mundo.

Durante a década de 1950, Sophia Loren tornou-se uma das principais estrelas do cinema italiano. Sua parceria com o produtor Carlo Ponti foi decisiva para o desenvolvimento de sua carreira. Ponti acreditou em seu potencial desde o início e ajudou a impulsionar sua ascensão internacional. Ao mesmo tempo, Sophia desenvolveu uma parceria artística memorável com Marcello Mastroianni. Juntos, participaram de diversos sucessos que se tornaram clássicos do cinema europeu. A química entre os dois era tão forte que o público passou a considerá-los uma das duplas mais famosas da história do cinema italiano. Seu talento, aliado ao carisma e à beleza, rapidamente ultrapassou as fronteiras da Itália.

O reconhecimento mundial veio com filmes que demonstravam não apenas sua beleza, mas também suas extraordinárias capacidades dramáticas. Em 1960, estrelou Two Women, dirigido por Vittorio De Sica. Sua interpretação de uma mãe tentando proteger a filha durante a guerra foi amplamente elogiada pela crítica. Pelo papel, tornou-se a primeira atriz a vencer o Oscar de Melhor Atriz por uma atuação em língua estrangeira. A conquista representou um marco histórico para o cinema internacional e consolidou sua posição entre as maiores atrizes de sua geração. Ao longo das décadas seguintes, recebeu inúmeros prêmios e homenagens em reconhecimento à sua contribuição para a arte cinematográfica.

Além do cinema italiano, Sophia Loren construiu uma carreira bem-sucedida em Hollywood. Atuou ao lado de alguns dos maiores astros da época, incluindo Cary Grant, Frank Sinatra, Clark Gable, John Wayne e Gregory Peck. Entre seus filmes mais famosos estão Houseboat, El Cid, Marriage Italian Style e Arabesque. Mesmo em Hollywood, preservou sua identidade italiana e sua personalidade única, recusando-se a se encaixar completamente nos padrões tradicionais dos estúdios americanos. Essa autenticidade contribuiu para seu enorme prestígio internacional.

A vida pessoal de Sophia Loren também despertou grande interesse público. Seu casamento com Carlo Ponti foi cercado por controvérsias devido a questões legais envolvendo o divórcio anterior do produtor. Apesar das dificuldades, os dois permaneceram juntos por mais de quarenta anos, até a morte de Ponti em 2007. O casal teve dois filhos e construiu uma das relações mais duradouras do mundo artístico. Diferentemente de muitas celebridades de sua época, Sophia conseguiu manter uma vida familiar relativamente estável, preservando sua privacidade mesmo durante os períodos de maior fama. Sua elegância, discrição e profissionalismo contribuíram para sua imagem pública extremamente positiva.

Mesmo após mais de sete décadas de carreira, Sophia Loren continua sendo uma lenda viva do cinema. Sua influência ultrapassa gerações, inspirando atores, diretores e admiradores em todo o mundo. Em 1991, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra, reconhecimento reservado a artistas de contribuição excepcional para a história do cinema. Seus filmes continuam sendo exibidos e estudados, enquanto sua imagem permanece associada ao glamour da era clássica de Hollywood e ao melhor do cinema italiano. Sophia Loren representa a combinação rara de talento, beleza, inteligência e longevidade artística, ocupando um lugar permanente entre os maiores ícones da história do entretenimento mundial.

Cinema Clássico - Sandra Dee

Sandra Dee foi uma das atrizes mais populares de Hollywood durante as décadas de 1950 e 1960, tornando-se símbolo da juventude e da inocência em uma época de grandes transformações culturais nos Estados Unidos. Nascida Alexandra Zuck em 23 de abril de 1942, em Bayonne, Nova Jersey, iniciou a carreira artística ainda criança como modelo. Sua beleza fotogênica e seu carisma chamaram a atenção da indústria do entretenimento, abrindo caminho para uma rápida ascensão no cinema. Sandra Dee estreou em Hollywood no final dos anos 1950 e rapidamente conquistou o público com papéis de jovens românticas e sonhadoras. Entre seus filmes mais conhecidos estão Gidget, A Summer Place e Tammy Tell Me True. Seu sucesso foi tão grande que ela se tornou uma das atrizes mais lucrativas de Hollywood, aparecendo frequentemente nas capas de revistas e nas listas das maiores estrelas do cinema americano.

Um dos capítulos mais conhecidos de sua vida pessoal foi seu relacionamento com o cantor e ator Bobby Darin. Os dois se conheceram durante as filmagens de Come September e se casaram pouco tempo depois. O casal tornou-se um dos mais famosos do entretenimento norte-americano dos anos 1960. Em 1961 nasceu seu único filho, Dodd Darin. Apesar do enorme sucesso profissional, Sandra Dee enfrentou dificuldades pessoais ao longo da vida. A pressão de Hollywood, problemas familiares e questões relacionadas à autoimagem afetaram profundamente sua saúde emocional. Com o passar dos anos, sua carreira perdeu força à medida que os gostos do público mudavam e surgiam novos tipos de protagonistas femininas no cinema.

Na década de 1970, seu casamento com Bobby Darin terminou em divórcio. A morte prematura de Darin, em 1973, aos 37 anos, teve grande impacto emocional sobre ela. Nos anos seguintes, Sandra viveu longe dos holofotes, fazendo poucas aparições públicas e participando apenas ocasionalmente de produções para cinema e televisão.

Sandra Dee faleceu em 20 de fevereiro de 2005, aos 62 anos, em Thousand Oaks, Califórnia. Embora tenha se afastado da fama por muitos anos, continua sendo lembrada como um dos rostos mais emblemáticos da Hollywood clássica. Seus filmes permanecem populares entre os admiradores do cinema dos anos 1950 e 1960, e sua trajetória representa tanto o brilho quanto os desafios enfrentados pelas jovens estrelas da Era de Ouro de Hollywood.

sábado, 18 de agosto de 2007

Cinema Clássico - Elizabeth Taylor

5 Curiosidades sobre o filme Cleopatra
1. Foi o filme mais caro já produzido até então
Quando chegou aos cinemas em 1963, Cleopatra tornou-se a produção mais cara da história do cinema. Os custos aumentaram devido a atrasos, mudanças de locação, reconstrução de cenários e problemas de saúde da estrela principal. O orçamento final foi tão elevado que quase levou a 20th Century Fox a uma grave crise financeira.

2. Elizabeth Taylor recebeu um salário histórico
A atriz Elizabeth Taylor foi a primeira estrela de Hollywood a receber um contrato superior a um milhão de dólares para atuar em um filme. Além do valor inicial, ela negociou participações nos lucros, estabelecendo um precedente importante para futuras estrelas do cinema.

3. O romance entre Elizabeth Taylor e Richard Burton começou durante as filmagens
Um dos acontecimentos mais famosos ligados ao filme foi o relacionamento entre Elizabeth Taylor e Richard Burton, que interpretou Marco Antônio. O romance ganhou manchetes no mundo inteiro e provocou enorme controvérsia na época, já que ambos eram casados com outras pessoas quando se conheceram.

4. A produção teve dois diretores diferentes
As filmagens começaram sob a direção de Rouben Mamoulian, mas os constantes problemas de produção levaram à sua substituição por Joseph L. Mankiewicz. Grande parte do filme precisou ser refeita, contribuindo para o aumento dos custos e do tempo de produção.

5. Os figurinos de Elizabeth Taylor entraram para a história
A atriz usou dezenas de trajes diferentes ao longo do filme, muitos deles inspirados na arte do Egito Antigo. As roupas, joias e perucas ajudaram a criar uma das representações mais luxuosas da rainha Cleópatra já vistas no cinema e continuam sendo referência para produções históricas até hoje.

Mesmo décadas após seu lançamento, Cleopatra permanece como uma das produções mais grandiosas da história de Hollywood. Com cenários monumentais, figurinos espetaculares e interpretações marcantes de Elizabeth Taylor, Richard Burton e Rex Harrison, o filme consolidou seu lugar entre os maiores épicos cinematográficos de todos os tempos.

Cinema Clássico - Casablanca

5 Curiosidades sobre o filme Casablanca
1. O roteiro foi sendo escrito durante as filmagens
Uma das curiosidades mais surpreendentes sobre Casablanca é que os roteiristas continuaram fazendo alterações na história enquanto o filme estava sendo gravado. Em vários momentos, nem mesmo os atores sabiam exatamente como a trama terminaria, o que contribuiu para a naturalidade de algumas cenas.

2. Humphrey Bogart não foi a primeira escolha para o papel principal
Hoje é difícil imaginar outro ator interpretando Rick Blaine, mas o estúdio considerou diversos nomes antes de escolher Humphrey Bogart. O sucesso do filme consolidou Bogart como uma das maiores estrelas de Hollywood e transformou Rick em um dos personagens mais icônicos da história do cinema.

3. Muitos atores eram refugiados reais da Europa
Diversos integrantes do elenco haviam fugido da Europa durante a ascensão do nazismo e a Segunda Guerra Mundial. Isso deu uma carga emocional especial às cenas envolvendo refugiados que tentavam escapar para a liberdade, tornando o filme ainda mais autêntico e comovente.

4. A famosa frase “Play it again, Sam” nunca é dita no filme
Uma das citações mais famosas associadas a Casablanca jamais foi pronunciada exatamente dessa forma. A personagem Ilsa, interpretada por Ingrid Bergman, diz apenas “Play it, Sam”, enquanto Rick utiliza outra formulação em uma cena posterior. A frase popularizada acabou surgindo da memória coletiva do público.

5. O filme venceu três Oscars importantes
Na cerimônia do Academy Awards de 1944, Casablanca conquistou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor para Michael Curtiz e Melhor Roteiro Adaptado. A vitória confirmou o status da produção como uma das obras-primas da Era de Ouro de Hollywood.

Mais de oitenta anos após sua estreia, Casablanca continua sendo considerado um dos maiores clássicos do cinema mundial. Sua combinação de romance, drama, patriotismo e diálogos memoráveis transformou a história de Rick e Ilsa em uma referência permanente da sétima arte, influenciando gerações de cineastas e espectadores ao redor do mundo.