A Copa do Mundo de 1982 foi a primeira que acompanhei de verdade. Eu morava em um condomínio no Rio de Janeiro e foi uma festa. Os moradores embelezaram o lugar com verde a amarelo, todos só falavam da Copa e o clima era de euforia. E todo mundo tinha razão de ter esse otimismo. A seleção brasileira era excelente, cheia de craques. Em minha opinião era certamente a melhor seleção de futebol do mundo. Quem poderia discordar? Tirando o goleiro Valdir Peres e o Toninho Cerezo, todos os demais poderiam ser considerados craques ou no mínimo grandes jogadores.
Os craques em minha opinião enchiam os olhos. Era uma seleção do Brasil que tinha Zido, Sócrates, Falcão e Éder Aleixo (que cobrava faltas como quem detona dinamite). Eu gostava muito também do futebol de Júnior (do Flamengo), Oscar e Leandro. O centroavante não ficava à altura do time, apesar de fazer gols o Serginho Chulapa era apenas mediano. De qualquer forma era uma seleção brasileira mravilhosa. Além de todos os nomes tinha o Telê Santana como treinador. Tudo parecia estar nos eixos. Só faltava levantar a taça.
Só que os deuses do futebol também mostram seus caprichos. A seleção de 1982 estava fadada a ser a melhor seleção do mundo que não iria ganhar nada. Foi terrível a eliminação no jogo contra a itália. Nunca mais o povo brasileiro iria se esquecer do nome de Paolo Rossi. Esse jogador italiano que nem era considerado tão bom assim, jogou como nunca na sua carreira! Aliás ele nunca mais iria jogar tanto até o fim de seus dias como jogador de futebol. Foi só naquele dia... para azar do Brasil!
O Brasil fazia um gol, o Rossi fazia outro. Novo gol do Brasil? Novo gol do Rossi. No final os italianos levaram a melhor e o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo. O canarinho não voou como previa a boa música do Júnior (que chegou até a lançar um compacto na época!). No final de tudo a seleção de 82 ficou conhecida como "a seleção que jogava bonito, mas que não ganhava nada!". Injustiça demais. Essa seleção jamais vai ser esquecida, ao contrário das que foram campeãs e jogaram feio. O que importa no futebol é a beleza e a emoção. Nesses quesitos essa seleção deixou saudades.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2002
terça-feira, 1 de janeiro de 2002
Crônicas do Futebol - Edição II
Qual foi a Copa do Mundo mais antiga da sua vida? Qual é a Copa do Mundo mais velha que você consegue lembrar? Que você presenciou e tem lembranças? A minha foi a Copa do Mundo de 1978. Eu era muito jovem, criança mesmo, mas ainda me lembro de imagens e flashes dessa Copa do Mundo da Argentina. Eu me recordo dos estádios super lotados e da quantidade enorme de papel que ficava pelos campos - uma maneira que a torcida dos hermanos fazia para abrilhantar ainda mais o espetáculo do futebol.
Essa Copa do Mundo tem peculiaridades próprias Foi a única até hoje realizada na Argentina que sempre foi um gigante do mundo do futebol. Também foi a primeira Copa do Mundo conquistada pela Argentina, isso em uma era pré-Maradona. A seleção da Argentina era excelente, tinha craques como Passarella, Ardiles, Kempes e Fillol. Futebol no campo não lhe faltava, tinha uma equipe que poderia ser considerada mesmo uma das melhores do mundo.
Só que o título argentino até hoje ficou marcado por causa de um jogo contra o Peru. Para seguir em frente a Argentina precisava vencer por uma diferença de 4 gols. Até aí tudo bem, uma vez que o Peru nunca foi mesmo uma grande seleção. Só que a Argentina venceu por 6 a 0, passando para a outra fase, tirando o Brasil da Copa, mesmo que a Seleção Canarinho não tivesse perdido nenhum jogo. Claro que o cheiro de marmelada surgiu no horizonte e até hoje se fala nisso.
Pois é, meus caros. Essa Copa do Mundo de 1978 é a minha mais antiga lembrança de Copas que tenho. Só que a seguinte seria aquela que eu iria viver realmente. A Copa do Mundo de 1982. E seria também a minha primeira grande decepção em termos de futebol brasileiro. Até hoje lembro a música "voa canarinho, voa"... mas falarei sobre isso em outra crônica. Até lá!
Pablo Aluísio.
Essa Copa do Mundo tem peculiaridades próprias Foi a única até hoje realizada na Argentina que sempre foi um gigante do mundo do futebol. Também foi a primeira Copa do Mundo conquistada pela Argentina, isso em uma era pré-Maradona. A seleção da Argentina era excelente, tinha craques como Passarella, Ardiles, Kempes e Fillol. Futebol no campo não lhe faltava, tinha uma equipe que poderia ser considerada mesmo uma das melhores do mundo.
Só que o título argentino até hoje ficou marcado por causa de um jogo contra o Peru. Para seguir em frente a Argentina precisava vencer por uma diferença de 4 gols. Até aí tudo bem, uma vez que o Peru nunca foi mesmo uma grande seleção. Só que a Argentina venceu por 6 a 0, passando para a outra fase, tirando o Brasil da Copa, mesmo que a Seleção Canarinho não tivesse perdido nenhum jogo. Claro que o cheiro de marmelada surgiu no horizonte e até hoje se fala nisso.
Pois é, meus caros. Essa Copa do Mundo de 1978 é a minha mais antiga lembrança de Copas que tenho. Só que a seguinte seria aquela que eu iria viver realmente. A Copa do Mundo de 1982. E seria também a minha primeira grande decepção em termos de futebol brasileiro. Até hoje lembro a música "voa canarinho, voa"... mas falarei sobre isso em outra crônica. Até lá!
Pablo Aluísio.
Crônicas do Futebol - Edição I
Olhando para o passado, em minhas lembranças, o primeiro campeonato que eu comemorei foi o estadual de 1988. Eu estava na adolescência e quando se é jovem, já sabe, o futebol ganha grande importância. Pois realmente foi a partir desse ano que comecei a acompanhar o time com especial atenção. A equipe de 1988, apesar de ser campeã, era mesmo mediana. Em minha opinião não havia nenhum craque no timão.
E falo isso não para desmerecer o Corinthians de 88, mas sim para relatar um fato. Só para ter uma ideia o jogador mais destacado daquele ano foi o novato Viola que se notabilizou por ter feito o gol na final contra o Guarani. Mas quem diabos era Viola? Ninguém sabia quem era Viola naquela época! Muito menos esse que está escrevendo esse texto. Por aqueles anos o Corinthians vivia de alguns craques do passado, entre eles Cláudia Adão, em fim de carreira. Não era um time cheio de craques, temos que falar a verdade. Tinha muito jogador batalhador, guerreiro, todos puxados pela mesma torcida apaixonada de sempre, mas craque... definitivamente não havia!
Se não era um time de craques, pelo menos era um time regular. O Corinthians de 88 jogou um futebol feijão com arroz, mas que foi suficiente para levar o time para a final. E contra o Guarani de Campinas, o Corinthians, mesmo mediano, era o favorito. O último estadual havia sido conquistado em 1983, então já era hora de ganhar mais um Paulista, para deixar a torcida tranquila.
Para relembrar o time foi treinado pelo Jair Pereira. Na final o Corinthians jogou com o seguinte time: Ronaldo, Édson, Marcelo Djian, Denílson e Dida; Biro-Biro, Márcio, Edmundo (Viola); Wilson Mano, Éverton e João Paulo. Alguns desses seguiriam no time até 1990, ano que o timão venceu pela primeira vez o campeonato brasileiro (que irei falar em breve por aqui). O mais veterano era mesmo o Biro-Biro, que já estava prestes a se aposentar, afinal ele foi jogador do Corinthians por muitos anos e da velha guarda apenas ele continuava jogando. Era chegada a hora de pendurar as chuteiras.
Pablo Aluísio.
E falo isso não para desmerecer o Corinthians de 88, mas sim para relatar um fato. Só para ter uma ideia o jogador mais destacado daquele ano foi o novato Viola que se notabilizou por ter feito o gol na final contra o Guarani. Mas quem diabos era Viola? Ninguém sabia quem era Viola naquela época! Muito menos esse que está escrevendo esse texto. Por aqueles anos o Corinthians vivia de alguns craques do passado, entre eles Cláudia Adão, em fim de carreira. Não era um time cheio de craques, temos que falar a verdade. Tinha muito jogador batalhador, guerreiro, todos puxados pela mesma torcida apaixonada de sempre, mas craque... definitivamente não havia!
Se não era um time de craques, pelo menos era um time regular. O Corinthians de 88 jogou um futebol feijão com arroz, mas que foi suficiente para levar o time para a final. E contra o Guarani de Campinas, o Corinthians, mesmo mediano, era o favorito. O último estadual havia sido conquistado em 1983, então já era hora de ganhar mais um Paulista, para deixar a torcida tranquila.
Para relembrar o time foi treinado pelo Jair Pereira. Na final o Corinthians jogou com o seguinte time: Ronaldo, Édson, Marcelo Djian, Denílson e Dida; Biro-Biro, Márcio, Edmundo (Viola); Wilson Mano, Éverton e João Paulo. Alguns desses seguiriam no time até 1990, ano que o timão venceu pela primeira vez o campeonato brasileiro (que irei falar em breve por aqui). O mais veterano era mesmo o Biro-Biro, que já estava prestes a se aposentar, afinal ele foi jogador do Corinthians por muitos anos e da velha guarda apenas ele continuava jogando. Era chegada a hora de pendurar as chuteiras.
Pablo Aluísio.
sábado, 4 de agosto de 2001
Elvis Presley - Girl Happy
Artista: Elvis Presley
Álbum: Girl Happy
Selo: RCA Victor
Produtor: George Stoll
Músicos: Elvis Presley (vocais); Scotty Moore (guitarra); Charlie McCoy (guitarra, baixo e harmônica); Bob Moore (baixo); D. J. Fontana (bateria); Hal Blaine (bateria e percussão); Larry Muhoberac (piano); Floyd Cramer (piano); Boots Randolph (saxofone); The Jordanaires (vocais de apoio)
Data de gravação: 10 de junho de 1964
Data de Lançamento: 1º de março de 1965
Comentários:
“Girl Happy” foi gravada por Elvis Presley em 1964 para o filme homônimo produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer, período em que a carreira do cantor estava fortemente vinculada ao cinema. A música foi composta por Bill Giant, Bernie Baum e Florence Kaye, a equipe de compositores responsável por diversas canções da fase cinematográfica de Elvis. Diferentemente de grandes clássicos do início de sua carreira, a composição foi concebida especificamente para o universo descontraído e juvenil de Girl Happy, uma comédia musical ambientada em Fort Lauderdale, na Flórida. A letra apresenta Elvis interpretando um personagem preocupado em manter o relacionamento amoroso enquanto tenta lidar com as tentações e situações típicas da narrativa do filme. Musicalmente, a faixa combina elementos do rock and roll com o pop produzido para trilhas sonoras de Hollywood, apresentando uma interpretação bastante energética e acessível. A voz de Elvis demonstra ainda grande segurança, embora a música esteja distante da intensidade artística encontrada em suas gravações mais importantes dos anos 1950. O arranjo utiliza uma instrumentação relativamente rica, com guitarra, piano, seção rítmica, saxofone e vocais de apoio, criando uma atmosfera ensolarada e divertida. A gravação também mostra como Elvis continuava sendo capaz de imprimir personalidade a materiais compostos sob encomenda para seus filmes.
Dentro da carreira de Elvis, “Girl Happy” representa claramente a fase em que o cinema ocupava uma posição central em sua produção artística. Em 1964, Elvis já havia conquistado uma posição histórica como um dos maiores nomes da música popular, mas seus lançamentos musicais começavam a ser cada vez mais determinados pelas exigências de seus filmes e trilhas sonoras. A música foi bem recebida dentro desse contexto, embora não tenha alcançado o mesmo status crítico ou cultural de seus grandes sucessos dos anos 1950 e início dos anos 1960. O álbum Girl Happy chegou ao mercado em 1965 e obteve desempenho comercial razoável, acompanhando o sucesso do filme entre o público jovem. A faixa se destaca principalmente pelo caráter alegre, pela interpretação descontraída de Elvis e pela eficiente combinação entre rock, pop e elementos de música de entretenimento. Apesar de não ser considerada uma das obras fundamentais de sua discografia, “Girl Happy” possui importância documental para compreender uma etapa específica de sua carreira. Ela representa o Elvis de Hollywood, ainda extremamente popular, mas submetido a um modelo industrial que privilegiava a quantidade de trilhas sonoras em detrimento de projetos musicais mais ambiciosos. Seu legado está justamente em preservar o retrato de uma época em que Elvis era simultaneamente astro do cinema e fenômeno musical mundial. Para os admiradores do cantor, a gravação permanece como um exemplo característico de sua produção cinematográfica dos anos 1960 e ajuda a compreender a trajetória que posteriormente levaria Elvis à renovação artística do final daquela década.
Pablo Aluísio e Erick Steve.
The Beach Boys - Don't Worry Baby
Artista: The Beach Boys
Álbum: Shut Down Volume 2
Selo: Capitol Records
Produtor: Brian Wilson
Músicos: Brian Wilson (vocais principais, vocais de apoio, piano); Mike Love (vocais de apoio); Carl Wilson (guitarra elétrica, vocais de apoio); Al Jardine (baixo elétrico, vocais de apoio); Dennis Wilson (bateria, vocais de apoio)
Data de gravação: 7 de janeiro de 1964; overdubs de vocais e guitarra em 8 ou 9 de janeiro de 1964
Data de Lançamento: 2 de março de 1964, no álbum Shut Down Volume 2; 11 de maio de 1964, como lado B de “I Get Around”
Comentários:
“Don't Worry Baby” foi composta por Brian Wilson e Roger Christian e nasceu de uma combinação entre experiência pessoal, inspiração romântica e a profunda admiração de Wilson pelo trabalho de Phil Spector e das Ronettes. A principal referência musical foi “Be My Baby”, grande sucesso das Ronettes produzido por Spector em 1963, que Wilson considerava uma das gravações mais perfeitas já realizadas. A intenção não era simplesmente copiar a canção, mas tentar reproduzir a emoção que ela provocava, adaptando aquela linguagem ao universo dos Beach Boys. Wilson desenvolveu a música a partir da letra de Christian e construiu uma melodia extremamente delicada, com uma interpretação vocal em falsete que se tornou uma de suas marcas mais conhecidas. A letra apresenta um homem inseguro diante de um desafio e uma mulher que procura tranquilizá-lo, criando uma atmosfera de vulnerabilidade bastante diferente das tradicionais canções de surf e automóveis dos Beach Boys. Essa dimensão emocional ajudou a ampliar consideravelmente o universo temático da banda. Musicalmente, a canção apresenta uma estrutura sofisticada, com mudanças harmônicas e uma modulação que produz uma sensação de elevação antes do refrão. A combinação entre os vocais em várias camadas, a guitarra, o piano, o baixo e a bateria criou uma sonoridade extremamente rica, embora sem reproduzir diretamente o famoso “Wall of Sound” de Spector.
A gravação aconteceu no início de 1964, quando os Beach Boys estavam rapidamente deixando de ser apenas um fenômeno ligado à música de surf para se transformar em uma das bandas mais criativamente ambiciosas da música popular americana. Registrada nos estúdios United Western Recorders, em Hollywood, durante duas sessões de oito horas, a música contou com todos os integrantes tocando seus próprios instrumentos, com os vocais e algumas partes instrumentais sendo posteriormente acrescentados em overdubs. Embora inicialmente tenha sido lançada no álbum Shut Down Volume 2, “Don't Worry Baby” ganhou enorme importância quando foi escolhida como lado B de “I Get Around”, primeiro single dos Beach Boys a chegar ao número 1 nos Estados Unidos. Mesmo sendo o lado B, a canção recebeu intensa execução radiofônica e chegou ao número 24 da Billboard Hot 100, resultado extraordinário para uma faixa que não era o lado principal do single. Com o passar dos anos, sua reputação crítica cresceu ainda mais, e a composição passou a ser considerada uma das grandes obras de Brian Wilson e dos Beach Boys, aparecendo inclusive em importantes listas históricas de grandes canções do rock. A gravação é especialmente admirada pela delicadeza do vocal de Wilson, pela riqueza das harmonias e pela maneira como transforma ansiedade e insegurança em uma experiência musical reconfortante. Seu legado é enorme: “Don't Worry Baby” ajudou a demonstrar que o universo dos Beach Boys podia ir muito além do surf e das praias da Califórnia, antecipando a extraordinária evolução artística que Brian Wilson conduziria nos anos seguintes. É uma das gravações que melhor representam a passagem do grupo de uma banda adolescente de sucesso para uma força criativa fundamental da música popular dos anos 1960.
Pablo Aluísio e Erick Steve.
sexta-feira, 3 de agosto de 2001
The Beatles - Let It Be
Música: Let It Be
Artista: The Beatles
Álbum: Let It Be
Selo: Apple Records
Produtor: George Martin (gravação original); Phil Spector (versão do álbum de 1970)
Músicos: Paul McCartney (vocais, piano, baixo); John Lennon (guitarra, vocais de apoio); George Harrison (guitarra solo, vocais de apoio); Ringo Starr (bateria); Billy Preston (órgão Hammond); Linda McCartney (vocais de apoio, na versão do álbum)
Data de gravação: 31 de janeiro de 1969; overdubs em 30 de abril de 1969 e 4 de janeiro de 1970
Data de Lançamento: 6 de março de 1970, como single; 8 de maio de 1970, no álbum Let It Be
Comentários:
“Let It Be” foi composta principalmente por Paul McCartney durante um dos períodos mais turbulentos da história dos Beatles. A inspiração veio de um sonho que McCartney teve com sua mãe, Mary McCartney, falecida quando ele ainda era adolescente, e a figura de “Mother Mary” presente na letra nasceu dessa experiência pessoal. Em meio às tensões que marcavam o relacionamento entre os quatro Beatles durante as sessões do projeto que originalmente se chamaria Get Back, McCartney encontrou na canção uma mensagem de serenidade, aceitação e esperança. A composição apresenta uma estrutura extremamente acessível, baseada em uma melodia ampla e memorável, com forte influência do gospel e da tradição das grandes baladas populares. A expressão “let it be”, repetida como uma espécie de conselho ou mantra, deu à música uma dimensão universal que ultrapassou o contexto particular em que foi escrita. A gravação foi realizada no Apple Studio, em Londres, durante as sessões de janeiro de 1969, quando os Beatles tentavam recuperar a espontaneidade de seus primeiros anos e voltar a tocar de maneira mais direta. Billy Preston participou das sessões ao piano e órgão, contribuindo para a sonoridade da gravação.
“Let It Be” adquiriu uma importância ainda maior porque acabou sendo lançada quando a história dos Beatles estava chegando ao fim. O single chegou ao mercado em 6 de março de 1970, pouco antes de Paul McCartney anunciar publicamente sua saída do grupo, enquanto o álbum Let It Be seria lançado em maio daquele ano, tornando-se o último álbum dos Beatles a ser lançado. A produção do single e a do álbum também apresentam diferenças: a versão do single foi produzida por George Martin, enquanto Phil Spector posteriormente trabalhou nas fitas para a edição do álbum, produzindo uma versão diferente. Comercialmente, a música foi um enorme sucesso e tornou-se uma das gravações mais reconhecidas do repertório dos Beatles. Sua força está na combinação entre a simplicidade da composição, a interpretação vocal emotiva de McCartney, o piano, o órgão de Billy Preston e o crescendo instrumental que conduz a música ao seu encerramento. Com o passar das décadas, “Let It Be” deixou de ser apenas uma canção associada ao fim dos Beatles e passou a representar uma mensagem universal de esperança diante das dificuldades. Sua presença constante em coletâneas, programas de rádio, apresentações e versões de outros artistas consolidou seu lugar entre as grandes canções da música popular do século XX. Seu legado permanece justamente porque, mesmo nascida em um momento de crise e separação, conseguiu transformar uma experiência pessoal de perda e um período de instabilidade em uma mensagem musical de conforto que continua reconhecida mundialmente.
Erick Steve.
quinta-feira, 2 de agosto de 2001
The Beatles - We Can Work It Out
Música: We Can Work It Out
Artista: The Beatles
Álbum: Não lançada originalmente em álbum — primeiro lançamento no single We Can Work It Out / Day Tripper
Selo: Parlophone (Reino Unido); Capitol (Estados Unidos)
Produtor: George Martin
Músicos: Paul McCartney (vocais, baixo); John Lennon (vocais, guitarra acústica, harmônio); George Harrison (pandeiro); Ringo Starr (bateria)
Data de gravação: 20 de outubro de 1965; overdubs e finalização em 29 de outubro de 1965
Data de Lançamento: 3 de dezembro de 1965, Reino Unido; 6 de dezembro de 1965, Estados Unidos
Comentários:
“We Can Work It Out” surgiu em um momento particularmente fértil da carreira dos Beatles, durante as sessões que dariam origem a Rubber Soul. A composição foi desenvolvida principalmente por Paul McCartney, que levou a ideia a John Lennon para que os dois trabalhassem juntos na conclusão da canção. McCartney escreveu essencialmente as estrofes, construídas em torno de um apelo à conciliação, enquanto Lennon contribuiu decisivamente para a seção “Life is very short”, que introduz uma mudança de atmosfera e de andamento. George Harrison também teve participação importante no desenvolvimento do arranjo, sugerindo que essa passagem fosse executada em compasso ternário, criando o característico efeito de valsa. A letra apresenta uma discussão amorosa sob a perspectiva de duas pessoas que enxergam uma situação de maneiras diferentes, mas ainda acreditam ser possível salvar o relacionamento. Embora frequentemente relacionada à vida pessoal de McCartney, especialmente ao seu relacionamento com Jane Asher, a canção funciona também como uma reflexão universal sobre conflitos afetivos, comunicação e compromisso. Musicalmente, a combinação entre o pop melódico de McCartney e a intervenção mais impaciente de Lennon é uma das suas grandes virtudes. O harmônio tocado por Lennon acrescenta uma sonoridade incomum ao repertório dos Beatles, enquanto a mudança para o ritmo de valsa dá à composição uma dimensão dramática e sofisticada. O resultado demonstra como o grupo estava rapidamente ampliando os limites da canção pop convencional.
A gravação também revela o crescente interesse dos Beatles em utilizar o estúdio como parte fundamental do processo criativo. Em 20 de outubro de 1965, o grupo registrou a faixa básica e trabalhou durante quase onze horas na música, naquele momento o período mais longo que havia dedicado a uma única canção. Os trabalhos continuaram em 29 de outubro, com overdubs e mixagem. O resultado foi lançado como lado A de um dos primeiros grandes singles em que duas músicas receberam tratamento de dupla face A, ao lado de “Day Tripper”. A recepção comercial foi extraordinária: o single chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e também alcançou o topo das paradas norte-americanas, tornando-se o sexto single consecutivo dos Beatles a atingir o número um nos Estados Unidos. Mais importante ainda, “We Can Work It Out” consolidou a capacidade do grupo de transformar experiências pessoais e conflitos cotidianos em canções acessíveis a milhões de pessoas. A alternância entre a seção pop de McCartney e o trecho em três tempos associado a Lennon tornou-se uma de suas características mais reconhecíveis. A canção permanece como um excelente exemplo da complementaridade existente entre os dois principais compositores dos Beatles, mostrando como suas personalidades musicais diferentes podiam produzir algo maior quando combinadas. Seu legado está justamente nessa capacidade de unir melodia, experimentação e uma mensagem extremamente simples sobre diálogo e compreensão, características que ajudaram a fazer de “We Can Work It Out” uma das composições mais duradouras da fase clássica dos Beatles.
Erick Steve.
quarta-feira, 1 de agosto de 2001
The Beatles - Eleanor Rigby
Música: Eleanor Rigby
Artista: The Beatles
Álbum: Revolver
Selo: Parlophone
Produtor: George Martin
Músicos: Paul McCartney (voz principal e vocais de apoio); John Lennon (vocais de harmonia); George Harrison (vocais de harmonia); Tony Gilbert (violino); Sidney Sax (violino); John Sharpe (violino); Juergen Hess (violino); Stephen Shingles (viola); John Underwood (viola); Derek Simpson (violoncelo); Norman Jones (violoncelo); George Martin (arranjo de cordas e regência).
Data de gravação: 28 e 29 de abril e 6 de junho de 1966, nos estúdios EMI, Abbey Road, Londres.
Data de Lançamento: 5 de agosto de 1966, no Reino Unido.
Comentários:
“Eleanor Rigby” foi composta principalmente por Paul McCartney durante o período de criação que daria origem a Revolver, sendo creditada oficialmente à tradicional parceria Lennon-McCartney. A composição nasceu de uma ideia musical que McCartney desenvolveu ao piano e que inicialmente apresentava a personagem com o nome de “Daisy Hawkins”. A temática surgiu de suas lembranças de pessoas solitárias e idosas que conhecera durante a juventude, especialmente mulheres com quem teve contato em Liverpool. A própria experiência de conversar com pessoas mais velhas e perceber suas vidas discretas ajudou a formar a atmosfera humana da canção. O nome Eleanor surgiu posteriormente, associado à atriz Eleanor Bron, enquanto “Rigby” foi encontrado por McCartney em um estabelecimento comercial em Bristol. A narrativa de Eleanor, uma mulher invisível que recolhe arroz depois de casamentos, e do solitário padre McKenzie transformou a música em uma reflexão sobre isolamento, envelhecimento, anonimato e falta de conexão humana. Musicalmente, a gravação representou uma ruptura extraordinária com o modelo tradicional de uma canção pop dos Beatles: nenhum dos integrantes tocou instrumento no arranjo final, que foi construído sobre um octeto de cordas formado por quatro violinos, duas violas e dois violoncelos. George Martin criou o arranjo e utilizou uma escrita de cordas marcada por ataques secos e intensos, evitando deliberadamente um acompanhamento excessivamente sentimental. A abordagem recebeu influência da música cinematográfica de Bernard Herrmann, particularmente de suas partituras para filmes de Alfred Hitchcock.
A gravação ocorreu num momento decisivo da trajetória dos Beatles, quando o grupo estava abandonando progressivamente a imagem de uma banda essencialmente voltada para apresentações ao vivo e começava a explorar o estúdio como instrumento de criação artística. A sessão de 28 de abril registrou o acompanhamento das cordas, enquanto no dia seguinte Paul acrescentou sua voz principal e John Lennon e George Harrison participaram dos vocais de harmonia; um novo overdub vocal de McCartney foi realizado em 6 de junho. O engenheiro Geoff Emerick contribuiu para o caráter incomum da gravação ao posicionar os microfones muito próximos dos instrumentos de cordas, produzindo um som mais agressivo, definido e presente. Lançada simultaneamente em Revolver e como lado A duplo com “Yellow Submarine”, a música foi imediatamente reconhecida como uma das experiências mais ousadas do grupo naquele período. O single alcançou o primeiro lugar no Reino Unido, permanecendo no topo durante quatro semanas, enquanto nos Estados Unidos “Eleanor Rigby” chegou ao 11º lugar da Billboard Hot 100. Sua importância, porém, ultrapassa largamente seu desempenho comercial: a canção demonstrou que uma composição pop de pouco mais de dois minutos poderia possuir densidade literária, sofisticação harmônica e uma instrumentação próxima da música de câmara. Ao longo das décadas, tornou-se uma das obras mais celebradas do repertório dos Beatles, recebeu inúmeras versões de outros artistas e ajudou a abrir caminho para uma aproximação cada vez maior entre rock, música erudita e composição de caráter autoral. Seu legado permanece particularmente forte porque “Eleanor Rigby” transformou a solidão cotidiana em matéria-prima para uma das mais universais e duradouras canções da história da música popular.
Erick Steve.
terça-feira, 3 de julho de 2001
Cine Western - Gloriosa Vingança
Título no Brasil: Gloriosa Vingança
Título Original: Texas
Ano de Produção: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Horace McCoy, Lewis Meltzer
Elenco: William Holden, Glenn Ford, Claire Trevor, George Bancroft, Edgar Buchanan, Don Beddoe
Sinopse:
Dois homens do leste, Dan Thomas (William Holden) e Tod Ramsey (Glenn Ford), resolvem ir até o velho oeste, no norte do Texas, para tentar a sorte. Eles querem ganhar a vida jogando cartas e ocasionalmente trabalhando como cowboys. Ao chegarem numa pequena cidade percebem que nem tudo será como eles haviam inicialmente planejado.
Comentários:
Em 1941 o diretor George Marshall, cumprindo seu contrato com a Columbia Pictures, resolveu rodar um faroeste mais diferenciado. Com toques de bom humor e contando com uma dupla que nunca havia trabalhado antes, ele conseguiu um bom resultado nesse western de contrastes chamado "Texas". A ideia do roteiro era realmente explorar o choque cultural entre dois cavaleiros que saíam do leste industrializado e desenvolvido para os rincões do solo texano, com seus cowboys durões, bons de briga e muitos tiroteios. Nesse aspecto quem funcionou melhor no filme foi o ator William Holden que era mesmo um tipo bem cosmopolita, da cidade grande. Já Glenn Ford já era muito mais associado ao gênero western, não ficando estranho com roupas de cowboy, atravessando as planícies texanos em cima de seu cavalo. No geral é um bom faroeste, valorizado não apenas pela boa direção de Marshall, um craque nesse tipo de filme, mas também pelo bom roteiro e a presença sempre marcante de Ford e Holden, dois astros populares da época.
Pablo Aluísio.
Título Original: Texas
Ano de Produção: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Horace McCoy, Lewis Meltzer
Elenco: William Holden, Glenn Ford, Claire Trevor, George Bancroft, Edgar Buchanan, Don Beddoe
Sinopse:
Dois homens do leste, Dan Thomas (William Holden) e Tod Ramsey (Glenn Ford), resolvem ir até o velho oeste, no norte do Texas, para tentar a sorte. Eles querem ganhar a vida jogando cartas e ocasionalmente trabalhando como cowboys. Ao chegarem numa pequena cidade percebem que nem tudo será como eles haviam inicialmente planejado.
Comentários:
Em 1941 o diretor George Marshall, cumprindo seu contrato com a Columbia Pictures, resolveu rodar um faroeste mais diferenciado. Com toques de bom humor e contando com uma dupla que nunca havia trabalhado antes, ele conseguiu um bom resultado nesse western de contrastes chamado "Texas". A ideia do roteiro era realmente explorar o choque cultural entre dois cavaleiros que saíam do leste industrializado e desenvolvido para os rincões do solo texano, com seus cowboys durões, bons de briga e muitos tiroteios. Nesse aspecto quem funcionou melhor no filme foi o ator William Holden que era mesmo um tipo bem cosmopolita, da cidade grande. Já Glenn Ford já era muito mais associado ao gênero western, não ficando estranho com roupas de cowboy, atravessando as planícies texanos em cima de seu cavalo. No geral é um bom faroeste, valorizado não apenas pela boa direção de Marshall, um craque nesse tipo de filme, mas também pelo bom roteiro e a presença sempre marcante de Ford e Holden, dois astros populares da época.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 2 de julho de 2001
Cine Western - Randolph Scott - Filmografia
Filmografia Randolph Scott
Década de 1920:
Rumo ao Amor (1928)
O Lobo da Bolsa (1929)
Regeneração (1929)
Ver Para Crer (1929)
A Voz da Terra Mater (1929)
A Guarda Negra (1929)
Amores de Folga (1929)
Ilusão (1929)
Agora ou Nunca (1929)
Dinamite (1929)
Década de 1930:
Galanteador Audaz (1930)
Esposas Alegres (1931)
A Noiva do Céu (1932)
Manias de Gente Rica (1932)
A Herança do Deserto (1932)
Sábado Alegre (1932)
Audácia entre Adversários (1932)
Hellim Everybody! (1932)
Maldade (1932)
Vingança Diabólica (1932)
Anjo e Demônio (1932)
Na Pista do Criminoso (1932)
A Hota do Coquetel (1932)
O Homem da Floresta (1932)
Rixa Antiga (1932)
Sonhos Desfeitos (1932)
O Último Assalto (1934)
Amor em Trânsito (1934)
Perigo á Frente (1935)
O Inválido Poderoso (1935)
Roberta (1935)
Noivado na Guerra (1935)
Escândalo na Aldeia (1935)
Ella - A Feiticeira (1935)
Pirate Party on Catalina Island (1935)
Nas Águas da Esquadra (1936)
Perigo à Frente (1936)
O Último dos Moicanos (1936)
Amores de uma Diva (1936)
Alegre e Feliz (1938)
Sonho de Moça (1938)
A Heroína do Texas (1938)
Almas Sem Rumo (1938)
Jesse James (1939)
Suzana (1939)
A Lei da Fronteira (1939)
Vigilantes do Mar (1939)
Vinte Mil Homens por Ano (1939)
Obs: Filmes em negrito são aqueles que já tiveram seus reviews publicados em nosso blog.
Continua...
Pesquisa: Pablo Aluísio.
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