sexta-feira, 1 de dezembro de 2000

Os 10 Filmes de Terror de Maior Sucesso dos anos 90

 
Os 10 Filmes de Terror de Maior Sucesso dos anos 90

1. O Sexto Sentido / The Sixth Sense (1999)
Sinopse: Um garoto de 9 anos afirma ver pessoas mortas; ele procura ajuda de um psicólogo infantil, e juntos eles descobrem que há muito mais por trás desse dom inquietante. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 672,8 milhões. 

2. Seven / Se7en (1995)
Sinopse: Dois detetives, um novato e um veterano, caçam um serial killer que comete assassinatos baseados nos sete pecados capitais, deixando pistas macabras para que a investigação revele cada parte de seu plano. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 327 milhões. 

3. O Silêncio dos Inocentes / The Silence of the Lambs (1991)
Sinopse: A agente do FBI Clarice Starling busca capturar um serial killer conhecido como “Buffalo Bill”, para isso ela recorre à ajuda (às vezes aterrorizante) do Dr. Hannibal Lecter, preso, porém extremamente perspicaz. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 275,7 milhões. 

4. A Bruxa de Blair / The Blair Witch Project (1999)
Sinopse: Três estudantes vão até uma floresta para documentar a lenda da Bruxa de Blair, mas perdem-se e coisas estranhas começam a acontecer; tudo filmado em estilo “found footage”. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 248,6 milhões. 

5. Entrevista com o Vampiro / Interview with the Vampire (1994)
Sinopse: Um vampiro imortal, Louis, conta sua longa história a um escritor, incluindo sua relação conflitante com o vampiro Lestat e a criança vampira Claudia — vida longa, mas repleta de angústia e isolamento. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 223 milhões. 

6. Drácula de Bram Stoker / Bram Stoker’s Dracula (1992)
Sinopse: Versão do clássico romance de Bram Stoker: o Conde Drácula deixa sua Transilvânia para seduzir e espalhar terror em Londres, enquanto um advogado (Jonathan Harker) descobre as terríveis intenções dele. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 215,9 milhões. 

7. Os Outros / The Others (1999)
Sinopse: Grace vive numa mansão isolada com seus dois filhos que têm sensibilidade à luz; enquanto espera pelo retorno do marido da guerra, eventos sobrenaturais sugerem que não estão sozinhos.
Bilheteria mundial: cerca de US$ 200 milhões. 

8. Pânico / Scream (1996)
Sinopse: Depois de uma série de assassinatos misteriosos inspirados por terror clássico, um grupo de adolescentes descobre que todos estão sendo observados — e que ninguém está seguro. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 173 milhões. 

9. Pânico 2 / Scream 2 (1997)
Sinopse: Dois anos depois dos eventos do primeiro “Scream”, os sobreviventes de Woodsville estão na faculdade, mas o assassino mascarado retorna, adaptando seus métodos e espalhando medo nos novos espaços que os jovens frequentam. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 172,36 milhões. 

10. A Experiência / Species (1995)
Sinopse: Cientistas criam um híbrido humano-alienígena chamado Sil, que consegue escapar do laboratório; agora precisam capturá-la antes que ela se reproduza ou cause mais mortes. 
Bilheteria mundial: cerca de US$ 113,4 milhões. 

Filmes de Terror - Lançamentos de Setembro de 2025

Filmes de Terror - Lançamentos
Aqui vão alguns filmes de terror lançados nos cinemas em setembro de 2025, com pequenas sinopses de cada um:

🎬 Filmes e sinopses

Invocação do Mal 4: O Último Ritual 
The Conjuring: Last Rites
Data de lançamento: 5 de setembro de 2025 
Sinopse: É o nono filme do universo The Conjuring e promete ser o capítulo final com os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren. Baseado em eventos reais (o caso de Smurl), o longa retrata mais uma investigação sobrenatural onde a família Warren enfrenta forças ocultas e fenômenos demoníacos cada vez mais intensos e perigosos. 

A Longa Marcha: Caminhe ou Morra 
The Long Walk
Data de lançamento: 12 de setembro de 2025 
Sinopse: Adaptação de Stephen King (sob pseudônimo Richard Bachman). Cenário distópico: 100 jovens participam de uma competição brutal chamada “The Long Walk”, na qual devem manter um ritmo mínimo de caminhada — se caírem abaixo desse ritmo ou receberem avisos suficientes, são eliminados (literalmente). O filme explora o desespero, resistência física e psicológica, bem como a moralidade e o sacrifício que envolve a sobrevivência. 

Os Estranhos: Capítulo 2 
The Strangers: Chapter 2
Data de lançamento: 26 de setembro de 2025 
Sinopse: Continuação da saga de The Strangers. Maya, que sobreviveu ao ataque brutal no primeiro capítulo, tenta se recuperar; porém, os mascarados descobriram que ela está viva e retornam para terminar o trabalho. Perseguida novamente, sem lugar seguro, Maya enfrenta medo, trauma e violência enquanto luta pela sobrevivência.

Him
Data de lançamento: 19 de setembro de 2025 
Sinopse: Mistura de terror psicológico com crítica sobre fama e sacrifício. Conta a história de Cameron “Cam” Cade, um jovem talento no futebol americano que sofre um trauma cerebral grave após um ataque de fã, bem quando se preparava para um evento decisivo. Ele recebe uma oportunidade de recuperação sob a tutela de Isaiah White, um lendário quarterback em fim de carreira, que o convida para treinar em um complexo isolado. A residência se torna um ambiente carregado de pressão, segredos e tensão mental. 

sábado, 18 de novembro de 2000

O Surgimento da República Romana


O período da República Romana teve início tradicionalmente em 509 a.C., após a expulsão do último rei, Tarquínio, o Soberbo. Esse novo regime marcou uma ruptura simbólica com a monarquia e foi fundamentado na rejeição ao poder vitalício e hereditário. A República se baseava na ideia de que o governo deveria ser exercido por magistrados eleitos, com mandatos limitados e responsabilidade coletiva, ainda que restrita à elite aristocrática.

Segundo as fontes antigas, como Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso, a República surgiu de uma revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto, que teria proclamado o fim da realeza e instituído o consulado. Os primeiros cônsules assumiram funções antes concentradas no rei, mas agora divididas e controladas mutuamente. Esse sistema visava impedir o retorno da tirania e garantir maior equilíbrio político.

Do ponto de vista institucional, a República não foi uma democracia plena, mas um regime oligárquico. O Senado, composto por membros das famílias patrícias, tornou-se o principal órgão de orientação política. Assembleias populares existiam, mas sua influência era limitada e desigual. Ao longo do tempo, conflitos entre patrícios e plebeus levariam à criação de novas magistraturas, como o Tribunato da Plebe, ampliando gradualmente a participação política.

A arqueologia contribui para uma compreensão mais realista desse processo. Evidências indicam que a transição entre monarquia e república foi gradual, e não uma ruptura súbita. O final do século VI e o início do V a.C. mostram continuidade nas práticas urbanas, religiosas e administrativas. Estruturas como o Fórum Romano continuaram a ser utilizadas e adaptadas, sugerindo que as mesmas elites permaneceram no poder sob novas formas institucionais.

Assim, o surgimento da República deve ser entendido tanto como uma mudança política quanto como uma construção ideológica. A rejeição aos reis tornou-se um elemento central da identidade romana, usada para legitimar o novo regime. A combinação entre tradição literária e evidências arqueológicas revela que a República nasceu de um processo complexo, marcado por disputas internas, adaptação institucional e pela redefinição do poder em Roma.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga.

  • FLOWER, Harriet. Roman Republics. Princeton University Press.

Os Reis Lendários


A Roma Antiga, segundo a tradição, foi governada por sete reis durante o período monárquico, que teria durado de 753 a 509 a.C.. Essa fase inicial da história romana combina elementos lendários e históricos, transmitidos principalmente por autores como Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso. Os reis não formavam uma dinastia contínua, mas eram escolhidos entre a elite, exercendo funções políticas, militares, religiosas e judiciais. A monarquia romana lançou as bases institucionais, sociais e urbanas da futura República.

O primeiro rei, Rômulo, é uma figura mítica associada à fundação de Roma, à criação do Senado e à organização inicial da sociedade. Após ele, Numa Pompílio teria dado à cidade suas principais instituições religiosas, calendários e ritos, representando um reinado pacífico e devoto. Tulo Hostílio e Anco Márcio simbolizam a expansão militar e territorial, com guerras contra cidades vizinhas e o fortalecimento das defesas de Roma. Esses quatro primeiros reis são geralmente vistos como figuras semi-lendárias, difíceis de confirmar historicamente.

Os três últimos reis — Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo — são associados à influência etrusca em Roma. A tradição atribui a eles grandes obras públicas, reformas sociais e administrativas, como a organização censitária e a divisão da população em classes. Sérvio Túlio, em especial, é lembrado por ampliar a participação política e reorganizar o exército, enquanto Tarquínio, o Soberbo, teria governado de forma autoritária, ignorando o Senado.

Do ponto de vista arqueológico, embora não seja possível confirmar a existência individual de todos os reis, há fortes evidências de que Roma passou por um grande processo de urbanização entre os séculos VII e VI a.C. Escavações revelam obras monumentais como a Cloaca Máxima, a pavimentação do Fórum Romano e o início do Templo de Júpiter Ótimo Máximo, compatíveis com a ideia de um poder central forte, provavelmente sob influência etrusca. Esses achados corroboram, em parte, as tradições sobre os últimos reis.

A imagem negativa da monarquia, especialmente associada a Tarquínio, o Soberbo, foi amplificada durante a República, que se definiu ideologicamente como oposta à tirania. Assim, os reis de Roma devem ser compreendidos como figuras situadas entre mito, memória coletiva e realidade histórica. A arqueologia confirma a existência de uma Roma governada por chefes poderosos, enquanto a historiografia antiga moldou essas figuras para explicar e legitimar a transição para o regime republicano.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • GRANT, Michael. História de Roma.

  • BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga.

O Fim da Monarquia Romana


O fim da monarquia romana é tradicionalmente datado de 509 a.C., marcando a transição para a República. Segundo a tradição, Roma havia sido governada por sete reis desde sua fundação, mas o último deles, Tarquínio, o Soberbo, teria levado o sistema ao colapso por meio de um governo autoritário, violento e centralizador. Esse momento é apresentado pelas fontes antigas como um ponto de ruptura decisivo, no qual os romanos rejeitaram definitivamente o poder vitalício concentrado em um único indivíduo.

As narrativas históricas, especialmente as de Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso, atribuem a queda da monarquia a uma crise moral e política. O episódio mais famoso é o estupro de Lucrécia por Sexto Tarquínio, filho do rei, que teria provocado uma revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto. A indignação coletiva resultou na expulsão dos Tarquínios e no juramento de que Roma jamais voltaria a ser governada por reis. Embora dramaticamente construída, essa narrativa serviu para legitimar o novo regime republicano.

Do ponto de vista político, o fim da monarquia não significou o fim das elites no poder, mas sim uma reorganização institucional. As funções do rei foram distribuídas entre magistrados anuais, como os cônsules, e reforçadas por órgãos coletivos, como o Senado. Essa mudança reduziu o risco da tirania individual e criou mecanismos de controle e alternância no poder, ainda que restritos à aristocracia patrícia.

A arqueologia oferece uma leitura mais cautelosa e menos moralizante do processo. Escavações indicam que, no final do século VI a.C., Roma passou por intensas transformações urbanas e sociais, com forte influência etrusca. Obras como a Cloaca Máxima, o Templo de Júpiter Ótimo Máximo e a reorganização do Fórum sugerem um poder central forte, cuja queda pode ter sido menos abrupta do que descrevem as fontes, talvez resultado de disputas internas entre elites.

Assim, a imagem do fim da monarquia como uma revolução popular imediata é hoje vista como parcialmente simbólica. A historiografia moderna entende esse período como uma transição gradual, marcada por conflitos políticos, redefinições institucionais e pela construção de uma memória republicana antimonárquica. A monarquia romana, mais do que simplesmente derrubada, foi reinterpretada como um passado a ser rejeitado, servindo de fundamento ideológico para a nova República.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga.

  • FLOWER, Harriet. Roman Republics. Princeton University Press.ue eu crie?

sexta-feira, 17 de novembro de 2000

Tarquínio, o Soberbo

Tarquínio, o Soberbo ( Lucius Tarquinius Superbus ), foi o sétimo e último rei de Roma, governando tradicionalmente entre 535 e 509 a.C.. Segundo a tradição romana, ele chegou ao poder de forma violenta, assassinando seu sogro, o rei Sérvio Túlio, e governou como um tirano, sem consultar o Senado. Seu reinado marca o fim da Monarquia Romana e o início da República, sendo lembrado principalmente pelo autoritarismo, pela centralização do poder e pelo desprezo às instituições tradicionais.

As fontes literárias antigas, sobretudo Tito Lívio, Dionísio de Halicarnasso e Cícero, descrevem Tarquínio como um governante cruel e arrogante, símbolo da tirania que Roma jamais deveria tolerar novamente. A narrativa mais famosa ligada à sua queda envolve o estupro de Lucrécia por seu filho, Sexto Tarquínio, episódio que teria provocado uma revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto, culminando na expulsão da família real e na abolição da monarquia em 509 a.C.

Do ponto de vista arqueológico, embora não seja possível confirmar os episódios pessoais narrados pelas fontes, há evidências de intensa atividade construtiva em Roma no final do século VI a.C., período associado a Tarquínio, o Soberbo. Obras monumentais como o Templo de Júpiter Ótimo Máximo, no Capitólio, e o desenvolvimento da Cloaca Máxima indicam um poder central forte, com influência etrusca, o que coincide com a tradição de que os últimos reis romanos tinham origem ou forte ligação etrusca.

A arqueologia, portanto, não confirma a imagem puramente negativa transmitida pela tradição literária, sugerindo que Tarquínio pode ter sido um governante eficiente do ponto de vista administrativo e urbano. A figura do “tirano” teria sido, ao menos em parte, uma construção ideológica da República nascente, interessada em justificar a rejeição definitiva à monarquia. Assim, Tarquínio, o Soberbo, permanece como uma figura histórica situada entre o fato, o mito e a propaganda política.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • GRANT, Michael. História de Roma. Civilização Brasileira.

  • WALLACE-HADRILL, Andrew. Rome’s Cultural Revolution. Cambridge University Press.


A Era dos Reis de Roma

Roma Antiga: A Era dos Reis de Roma
A monarquia na Roma Antiga foi o primeiro período da história romana e teria se estendido, segundo a tradição, de 753 a.C., data da fundação de Roma, até 509 a.C., quando o regime foi substituído pela República. Esse período é marcado pela forte presença de elementos lendários, especialmente nas narrativas sobre a origem da cidade e seus primeiros governantes. A monarquia romana foi influenciada por povos vizinhos, como os latinos, os sabinos e, mais tarde, os etruscos, que contribuíram para a formação política, cultural e religiosa de Roma.

O rei (rex) era a principal autoridade do Estado romano, acumulando funções políticas, militares, judiciais e religiosas. Ele comandava o exército, presidia os tribunais, aplicava as leis e atuava como sumo sacerdote, garantindo a relação adequada entre a cidade e os deuses. Apesar de seu grande poder, o rei não governava sozinho: ele era assessorado pelo Senado, composto pelos chefes das famílias patrícias, que exercia influência significativa nas decisões mais importantes.

O Senado, durante a monarquia, tinha caráter consultivo, mas sua autoridade moral era elevada. Além de aconselhar o rei, cabia-lhe indicar um interrex nos períodos de transição entre reinados, responsável por organizar a escolha do novo monarca. O rei não herdava automaticamente o poder; sua nomeação envolvia a aprovação do Senado e a ratificação da Assembleia Curiata, formada pelos cidadãos organizados em cúrias, o que conferia certa legitimidade política ao regime.

A sociedade romana desse período era fortemente hierarquizada. No topo estavam os patrícios, descendentes das famílias fundadoras e detentores dos principais direitos políticos e religiosos. Abaixo deles encontravam-se os plebeus, que incluíam pequenos proprietários, comerciantes e artesãos, com direitos limitados. Havia ainda os clientes, ligados aos patrícios por relações de dependência e proteção, e os escravizados, que não possuíam direitos civis.

Tradicionalmente, Roma teria sido governada por sete reis, desde Rômulo, o fundador lendário da cidade, até Tarquínio, o Soberbo, último monarca. O fim da monarquia ocorreu devido ao caráter cada vez mais autoritário do poder real, especialmente sob os reis ettruscos, o que gerou descontentamento entre a aristocracia patrícia. A expulsão de Tarquínio, em 509 a.C., levou à instauração da República, um novo sistema político que buscava limitar o poder individual e ampliar a participação da elite romana no governo.

Bibliografia – Monarquia na Roma Antiga

BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma Antiga. São Paulo: Planeta, 2016.

CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars (c. 1000–264 BC). Londres: Routledge, 1995.

GRIMAL, Pierre. A civilização romana. Lisboa: Edições 70, 2009.

LIVIO, Tito. História de Roma: Livros I–V. Tradução de Paulo Matos Peixoto. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

MOMMSEN, Theodor. História de Roma. Rio de Janeiro: Contraponto, 2010.

SCULLARD, H. H. From the Gracchi to Nero: A History of Rome from 133 BC to AD 68. Londres: Routledge, 2001.

quinta-feira, 16 de novembro de 2000

As Guerras Médicas


Grécia Antiga: As Guerras Médicas
As Guerras Médicas foram uma série de conflitos travados entre os gregos e o Império Persa no início do século V a.C., aproximadamente entre 499 e 449 a.C.. O nome “médicas” vem dos medos, povo integrante do império persa, e era a forma como os gregos se referiam genericamente aos persas. Esses conflitos tiveram grande importância histórica, pois colocaram em choque um vasto império centralizado e diversas cidades-estado gregas politicamente independentes.

A origem das Guerras Médicas está ligada à Revolta da Jônia (499–493 a.C.), quando as cidades gregas da Ásia Menor, dominadas pelos persas, rebelaram-se com o apoio de Atenas e Eretria. Embora a revolta tenha sido sufocada, o imperador persa Dario I decidiu punir as pólis gregas que haviam ajudado os rebeldes. Esse desejo de vingança levou à Primeira Guerra Médica, marcada pela invasão persa da Grécia continental.

A Primeira Guerra Médica culminou na Batalha de Maratona (490 a.C.), na qual os atenienses, auxiliados pelos plateus, derrotaram o exército persa apesar da inferioridade numérica. Essa vitória demonstrou que os persas não eram invencíveis e fortaleceu a confiança dos gregos. Após a derrota, os persas recuaram temporariamente, mas a ameaça permaneceu, sendo retomada anos depois pelo sucessor de Dario, Xerxes I.

A Segunda Guerra Médica ocorreu entre 480 e 479 a.C. e envolveu uma grande invasão persa. Destacam-se episódios como a Batalha das Termópilas, onde o rei espartano Leônidas e seus soldados resistiram heroicamente; a Batalha Naval de Salamina, em que a frota ateniense derrotou decisivamente os persas; e, por fim, a Batalha de Plateia, que consolidou a vitória grega em terra. Essas batalhas marcaram a virada definitiva a favor das cidades gregas.

As Guerras Médicas tiveram consequências profundas para o mundo grego. Atenas emergiu como grande potência naval e líder da Liga de Delos, enquanto Esparta manteve seu prestígio militar terrestre. O sentimento de identidade grega foi fortalecido, mas a rivalidade entre as pólis também aumentou, contribuindo mais tarde para a Guerra do Peloponeso. Assim, embora tenham garantido a independência grega frente aos persas, as Guerras Médicas também prepararam o terreno para novos conflitos internos.

Corinto


Grécia Antiga: Corinto
Corinto foi uma importante cidade-estado da Grécia Antiga, situada no istmo de Corinto, uma posição estratégica que ligava o Peloponeso à Grécia continental. Essa localização privilegiada permitiu à cidade controlar rotas terrestres e marítimas entre o mar Egeu e o mar Jônico, tornando-a um dos maiores centros comerciais do mundo grego. Desde o período arcaico, Corinto destacou-se pela riqueza, pelo dinamismo econômico e pela influência cultural que exerceu sobre outras pólis.

A economia coríntia baseava-se principalmente no comércio marítimo, na navegação e no artesanato. A cidade possuía dois portos importantes: **Lequeu**, voltado para o mar Jônico, e **Cêncreas**, ligado ao mar Egeu. Para facilitar o transporte de mercadorias e navios, os coríntios construíram o **diolkos**, uma via pavimentada que permitia arrastar embarcações por terra através do istmo. Além disso, Corinto ficou famosa pela produção de cerâmica refinada, muito exportada entre os séculos VII e VI a.C., influenciando o estilo artístico de outras regiões gregas.

Politicamente, Corinto passou por diferentes formas de governo ao longo de sua história. Inicialmente dominada por uma aristocracia, a cidade foi governada pela poderosa família dos **Bacchiadas**. No século VII a.C., esse regime foi derrubado pelo tirano **Cipselo**, seguido por seu filho **Periandro**, cujo governo fortaleceu ainda mais o comércio e as obras públicas. Apesar do caráter autoritário, a tirania em Corinto trouxe estabilidade e prosperidade econômica, antes de a cidade retornar a formas oligárquicas de governo.

A sociedade coríntia refletia sua vocação comercial. Comerciantes, marinheiros e artesãos tinham grande importância, diferentemente de cidades como Esparta, onde o ideal militar predominava. Corinto também era conhecida por sua intensa vida urbana e religiosa, com destaque para o culto a **Afrodite**, cujo templo ficava na Acrópole, o **Acrocorinto**. A cidade ganhou fama na Antiguidade por seus costumes considerados luxuosos e pela vida cosmopolita, atraindo pessoas de diversas regiões do Mediterrâneo.

No plano militar e político, Corinto teve papel relevante em conflitos importantes da Grécia Antiga. A cidade participou das **Guerras Médicas** contra os persas e, posteriormente, da **Guerra do Peloponeso**, aliando-se a Esparta contra Atenas. Apesar de sua força econômica, Corinto enfrentou rivalidades constantes e, no período helenístico, perdeu parte de sua autonomia. Em 146 a.C., foi destruída pelos romanos, sendo posteriormente reconstruída como colônia romana, mantendo sua importância como centro comercial e cultural.

Bibliografia

* FINLEY, M. I. *Os Gregos Antigos*. Lisboa: Edições 70, 1988.
* GLOTZ, Gustave. *A Cidade Grega*. Rio de Janeiro: Difel, 1980.
* CARTLEDGE, Paul. *Ancient Greece: A History in Eleven Cities*. Oxford: Oxford University Press, 2009.
* POMEROY, Sarah et al. *Ancient Greece: A Political, Social, and Cultural History*. Oxford: Oxford University Press, 2017.

quarta-feira, 15 de novembro de 2000

Atenas


Grécia Antiga: Atenas
Atenas foi a Cidade-Estado mais importante da Grécia Antiga. Para muitos estudiosos e historiadores foi essa comunidade o berço definitivo do mundo ocidental. E uma das razões para essa afirmação se baseia na Democracia, um sistema político baseado na opinião da maioria da população. Obviamente a Democracia de Atenas em nada se parecia com a Democracia das grandes Repúblicas ocidentais atuais, mas o conceito básico se manteve através dos séculos. 

Na antiguidade a população de Atenas era bem menor do que qualquer outra cidade do mundo moderno, assim uma Democracia onde todos os cidadãos se reuniam numa praça para discutir os rumos políticos daquela comunidade era algo bem natural de acontecer e possível de se realizar. A Democracia em Atenas era um sistema político direto, sem representantes. Os próprios cidadãos escolhiam os rumos que a cidade iria tomar. 

E nesse conceito de cidadão não entrava grande parte da população que vivia em Atenas. Cidadão era apenas o homem ateniense livre, branco, maior de idade que havia nascido de pai e mãe ateniense. Era o patriarca, dono dos meios de produção, das fazendas, etc. Ficava de fora da categoria de cidadão as mulheres, os estrangeiros e os escravos. Assim a verdadeira Democracia em Atenas era para poucos escolhidos. 

A sociedade em Atenas era bem estratificada, com pouca oportunidade de escalada social. Geralmente a pessoa que nascia dentro de uma classe social morria nela, sem chance de subir na vida. No topo dessa escala social estava o Cidadão ateniense, dono de todos os direitos e meios de produção. Podia votar e ser votado e era ouvido nas tomadas de decisões políticas da cidade. Abaixo estava as mulheres atenienses, que não possuíam direitos políticos, mas eram as matriarcas das famílias tradicionais de Atenas. 

Abaixo das mulheres de Atenas vinha os Metecos, estrangeiros residentes em Atenas. Geralmente eram comerciantes e artesões. Por fim, na base da pirâmide social vinha os Escravos, que representava a mão de obra que realmente trabalhava em Atenas. Trabalhavam nas grandes obras da cidade, na Agricultura e nos serviços domésticos. Para o cidadão de Atenas o trabalho era visto como coisa de escravo. Era uma desonra trabalhar. 

Pablo Aluísio.