Essa foi a primeira adaptação do livro de Stephen King. E não foi para o cinema e sim para a televisão da época. Eu me recordo que chegou no Brasil na forma de um VHS duplo trazendo todos os episódios, como se fosse um filme de longa-metragem. Isso resultou em mais de três horas de duração, algo realmente cansativo para o público brasileiro. Ainda assim vendeu bem e fez sucesso nas locadoras por aqui. Ainda hoje me recordo de ver a fita nas locadoras de vídeo da época. Eu realmente não me lembrava se havia assistido em 1990 ou não. Agora essa primeira versão surgiu em um serviço de streaming e lá fui eu conferir numa revisão tardia. Obviamente está tudo bem datado. Os efeitos especiais da criatura, por exemplo, quando ele toma a forma de uma aranha gigantesca, foi todo feito na base do stop-motion. Isso dá mesmo um estilo nostálgico nessa revisão, mas igualmente mostra como era o mundo do cinema e da TV na era analógica. Algo que nos causa uma certa estranheza nos dias atuais.
O Palhaço Pennywise tem inegavelmente um visual menos elaborado, mas conta com a boa atuação de Tim Curry. Ele sempre foi um bom ator, não importando o papel que representava. O resto do elenco está bem OK, alguns deles são bem conhecidos do público que assistia TV nos anos 80. Eram figurinhas fáceis em programas e telefilmes. No fundo essa adaptação sobrevive graças ao próprio livro que lhe deu origem. Dizem que Stephen King estava bem louco de drogas quando o escreveu, mas ainda assim colocou tantas boas ideias em seu texto que elas sobreviveram bem realmente a tudo, até mesmo ao tempo.
It: Uma Obra Prima do Medo (IT, Estados Unidos, 1990) Direção: Tommy Lee Wallace / Roteiro: Tommy Lee Wallace, baseado na obra de Stephen King / Elenco: Richard Thomas, Tim Reid, Annete O´Toole, Tim Curry / Sinopse: Uma criança desaparece na cidade de Derry. Seus amigos acabam enfrentando uma estranha criatura, um palhaço, que surge nos esgotos da cidade. Depois de vinte anos ele decidem retornar à mesma pequena cidade para destruir aquela coisa de uma vez por todas.
Pablo Aluísio.
