quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Priscilla

Título no Brasil: Priscilla
Título Original: Priscilla
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: American Zoetrope
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Cailee Spaeny, Jacob Elordi, Tim Post, Dagmara Dominczyk, Ari Cohen, Dan Beirne

Sinopse:
Uma adolescente americana, vivendo na Alemanha, por ser filha de militar, acaba conhecendo o famoso cantor Elvis Presley. Após um primeiro contato ele pede que ela retorne em sua casa, dando origem a um caso amoroso que iria durar por muitos anos, mudando a vida deles de forma definitiva. Baseado no livro "Elvis e Eu" de Priscilla Presley. 

Comentários:
Eu não gostei desse filme. Penso que é um filme muito seco, frio, sem calor humano. Ora, essa é, queiram ou não, uma história de amor passada nos anos 50. Minha percepção é que as pessoas naqueles tempos eram bem mais românticas. Em especial Elvis, que era um cantor, cuja sensibilidade estava sempre à flor da pele. Mas não se vê isso no filme. O casal tem pouca química, não parecem verdadeiramente apaixonados. Para ser bem sincero, essa história, que já foi filmada antes, pareceu bem melhor naquela série de TV dos anos 80 que inclusive foi baseado no mesmo livro da Priscilla. Aqui a situação romântica simplesmente não flui, não passa para a tela. A frieza que a diretora Sofia Coppola passou para o filme, o estraga. Além disso é inegável também que as passagens históricas da carreira de Elvis vão se atropelando, se mostrando bem superficiais. No final de tudo, nem o fã de Elvis vai gostar, pela superficialidade, e nem os que gostam de filmes românticos vão apreciar, pela frieza. 

Pablo Aluísio.

Um Momento, Uma Vida

Título no Brasil: Um Momento, Uma Vida
Título Original: Bobby Deerfield
Ano de Lançamento: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Sydney Pollack
Roteiro: Erich Maria Remarque, Alvin Sargent
Elenco: Al Pacino, Marthe Keller, Anny Duperey

Sinopse:
Bobby Deerfield (Al Pacino), um famoso piloto americano de corridas, disputa prêmios no circuito europeu de velocidade e acaba se apaixona pela enigmática Lillian Morelli (Marthe Keller). Só que sua felicidade não vai durar muito pois infelizmente ela está com uma doença terminal.

Comentários: 
Um filme esquecido do Al Pacino, lançado logo após o grande sucesso de "Um Dia de Cão". No aspecto puramente esportivo não vá esperando por muita coisa. Embora o filme tenha captado o circo da Fórmula 1 da época, o que sempre é interessante para quem é fã desse esporte, esse aspecto não é o que importa no desenvolvimento da história. Esse é na verdade um drama romântico com pitadas de tragédia. Tudo é muito bonito, lindamente fotografado, com aquelas tomadas muito românticas de pôr do sol europeu, mas nada vai muito além disso. Al Pacino está bem e convence plenamente como um Romeu moderno, muito apaixonado pela mulher que ama, mas sabendo que esse, a longo prazo, será um romance simplesmente impossível de se consolidar. Então ele tenta viver o momento, da melhor forma que seja possível. Enfim, bom filme, merece ser recuperado do esquecimento onde se encontra atualmente. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours
Desde que havia assinado com a Capitol Records, Sinatra vinha com a intenção de investir cada vez mais em discos conceituais. Eram álbuns com uma temática em comum ligando todas as canções. Havia sido em parte assim com os dois primeiros discos do cantor nessa nova gravadora e seguiu ainda mais firme nesse sentido com esse terceiro disco no selo. O tema central aqui é a desilusão amorosa. Todas as letras de todas as faixas possuem esse elo em comum, falando de relacionamentos fracassados, amores dolorosos, solidão, depressão e amargura. Por essa razão é um disco bem melancólico, onde Sinatra no fundo estava falando de si mesmo. Ele havia se separado da esposa Nancy, tinha embargado em um relacionamento conturbado com Ava Gardner, que o traía constantemente, e tudo parecia desmoronar em sua vida amorosa. 

Eu sempre entendi perfeitamente a importância desse álbum na discografia de Sinatra. Sempre foi um dos mais conceituados e elogiados de sua discografia, mas ao mesmo tempo nunca consegui gostar. Acho que é necessário estar em uma certa vibe para curtir esse LP. E esse é o sentimento da dor de cotovelo, não tem como escapar desse aspecto. O ouvinte tem que estar sintonizado com o próprio estado de espírito do cantor na época para criar uma conexão com o sentimento geral que esse trabalho musical passa. Bom, esse tipo de coisa para baixo, caindo no choro por causa do fim de um relacionamento, nunca foi a minha praia. É o disco da fossa do Sinatra. Por isso nunca gostei mesmo. Prefiro outros discos do cantor, mas de qualquer forma fica a dica. É um disco importante na carreira de Sinatra. 

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours (1955)
In the Wee Small Hours of the Morning
Mood Indigo
Glad to Be Unhappy
I Get Along Without You Very Well
Deep in a Dream
I See Your Face Before Me
Can't We Be Friends?
When Your Lover Has Gone
What Is This Thing Called Love?
Last Night When We Were Young
I'll Be Around
Ill Wind
1It Never Entered My Mind
Dancing on the Ceiling
I'll Never Be the Same
This Love of Mine

Pablo Aluísio. 

Dean Martin - Dream with Dean: The Intimate Dean Martin

Dean Martin - Dream with Dean: The Intimate Dean Martin
Dean Martin tinha uma voz maravilhosa. Aqui o cantor resolveu apostar em algo bem intimista. Ele gravou o álbum com apenas quatro  músicos ao seu lado, Ken Lane ao piano, Irv Cottler na bateria, Red Mitchell no baixo e Barney Kessel na guitarra (Kessel chegou a trabalhar com outros grandes nomes como Elvis Presley na década de 1960). Nada de orquestras e nada de arranjos mais sofisticados como era praxe em seus discos anteriores, já que Martin sempre seguiu os passos de Sinatra nesse aspecto. A ideia era mesmo mudar um pouco, produzindo algo bem intimista (o que fica bem claro na própria capa do álbum, com Martin ao lado da lareira com um cigarro em mãos, fazendo todo o charme possível, bem de acordo com sua imagem de Mr. Cool). Para produzir o disco na Capitol, Martin trouxe o produtor Jimmy Bowen, praticamente uma lenda do meio musical americano, tendo trabalhado com dezenas de cantores ao longo da carreira, entre eles o próprio Frank Sinatra, além de produzir grandes sucessos para Sammy Davis, Jr., Kenny Rogers, Hank Williams, Jr., The Oak Ridge Boys, Reba McEntire e George Strait. Era tão competente que Frank Sinatra o escalou para produzir os primeiros discos de sua filha, Nancy.

Esse álbum traz aquele que talvez seja o maior sucesso de toda a carreira de Dean Martin, a faixa "Everybody Loves Somebody". A história dessa canção é bem interessante pois quebrou a supremacia que os Beatles tinham nas paradas de sucesso da época. Foi uma das poucas canções americanas a tirarem do número 1 da Billboard gravações do grupo inglês que naquela época vivia a febre da Beatlemania. Reza a lenda que o próprio Dean Martin teria ligado para Elvis e dito em tom de piada que aquele era o jeito certo de enfrentar a invasão britânica nas rádios e paradas de sucesso. Tirando esses aspectos comerciais de lado, o que podemos dizer é que esse é certamente um disco maravilhoso, sob qualquer ângulo que se analise. A sonoridade em geral é de uma beleza ímpar, muito suave e delicada. O que sempre se sobressai é a excelente vocalização de Martin, com intervenções sutis da guitarra de Kessel, acompanhada da melodia do piano de Ken Lane, tudo intercalado por um baixo quase inaudível do talentoso Mitchell (que vinha do jazz). Nos Estados Unidos o álbum ganhou uma recente edição de luxo, simplesmente excepcional.

Dean Martin - Dream with Dean: The Intimate Dean Martin
1. I'm Confessin' (That I Love You) 
2. Fools Rush In 
3. I'll Buy That Dream 
4. If You Were The Only Girl 
5. Blue Moon 
6. Everybody Love Somebody 
7. I Don't Know Why (I Just Do) 
8. "Gimmie" A Little Kiss 
9. Hands Across The Table 
10. Smile 
11. My Melancholy Baby 
12. Baby Won't You Please Come Home.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A Verdadeira Glória

Título no Brasil: A Verdadeira Glória
Título Original: The Real Glory
Ano de Lançamento: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Jo Swerling, Robert Presnell Sr
Elenco: Gary Cooper, David Niven, Andrea Leeds

Sinopse:
Uma aventura nas selvas das Filipinas após a Guerra Hispano-Americana. Cooper lidera um pequeno grupo de soldados americanos e pessoal médico que é enviado para uma região distante. Sua principal missão é treinar os moradores locais para lutarem contra os cruéis piratas que aterrorizam e atacam aquela região distante. 

Comentários:
Esse clássico filme é na realidade uma espécie de continuação de "Lanceiros da Índia", um dos grandes filmes da carreira de Gary Cooper. Muitos nem o consideram um faroeste de verdade pois a história se passa em grande parte nas Filipinas. Eu não penso dessa maneira. Os personagens são do velho oeste, muitos deles são membros da cavalaria dos Estados Unidos. A mudança de cenário não altera a essência dessa produção. Assim considero um legítimo western da era de ouro de Hollywood. Um pouco diferente, devo admitir, mas ainda assim um faroeste. No mais o espectador não vai se decepcionar com as cenas de ação e o bom roteiro. Sem dúvida um dos melhores filmes da filmografia de Cooper. 

Pablo Aluísio.

Resgate de Honra

Título no Brasil: Resgate de Honra
Título Original: Return of the Frontiersman
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Richard L. Bare
Roteiro: Edna Anhalt
Elenco: Gordon MacRae, Julie London, Rory Calhoun

Sinopse:
O xerife Sam Barrett (Jack Holt) é considerado um homem íntegro e honesto, a tal ponto que leva para a prisão seu próprio filho, Logan Barrett (Gordon MacRae), acusado de um assassinato na região. Sam está determinado a encarcerar o jovem até o dia de seu julgamento mas antes disso ele consegue escapar com a ajuda de seu amigo, Larrabee (Rory Calhoun), que é na verdade o verdadeiro assassino do crime pelo qual Logan está sendo injustamente acusado.

Comentários:
Western dos bons, produzido pelo sempre competente estúdio Warner Bros. Aqui o mais interessante é o roteiro que lida muito bem com a situação central, onde um dos personagens, o filho do xerife, é acusado de matar um cowboy nas redondezas, só que na verdade o real assassino é aquele que ele considera ser o seu melhor amigo. Um dos grandes trunfos também vem do papel interpretado por Rory Calhoun. Ela dá vida a Larrabee, o amigo. Durante praticamente todo o tempo o espectador fica numa grande dúvida se ele é de fato uma amizade sincera ou apenas um escroque sem escrúpulos. Embora não caiba aqui revelar o final devo antecipar que o achei muito bem bolado e até mesmo inesperado. Também contribui muito o fato de gostar bastante dos faroestes dirigidos por Richard Leland Bare que era muito eficaz nesse tipo de fita, basta lembrar dos também ótimos "Cheyenne" (1955) e um dos meus preferidos de sua safra, "No Rastro dos Bandoleiros" (1957). Ainda falaremos muito de sua obra por aqui, por enquanto fica a recomendação desse "Return of the Frontiersman" que merece fazer parte de sua coleção.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Brutalidade Mortal

Título no Brasil: Brutalidade Mortal
Título Original: Brute Force
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jules Dassin
Roteiro: Richard Brooks, Robert Patterson
Elenco: Burt Lancaster, Hume Cronyn, Yvonne De Carlo, Charles Bickford, Ella Raines, Sam Levene

Sinopse:
Na superlotada Penitenciária de Westgate, onde a violência e o medo são normas e o diretor tem menos poder do que os guardas e os principais prisioneiros, a violência explode a todo momento. O condenado violento, durão e obstinado Joe Collins (Lancaster) quer revanche contra o chefe da guarda, Capitão Munsey, um pequeno ditador que se orgulha do poder absoluto. Depois de muitas infrações, Joe e seus companheiros de cela são colocados no temido cano de esgoto; provocando um esquema de fuga que tem todas as chances de se transformar em um banho de sangue.

Comentários:
Esse segundo filme da carreira do ator Burt Lancaster foi considerado muito visceral e brutal, fazendo jus ao seu título. A história se passa dentro de uma prisão onde os condenados vivem praticamente como bestas, como animais enjaulados. Para Lancaster o filme foi muito adequado. Jovem, atlético e musculoso, mas ainda não muito experiente como ator, ele conseguiu se sobressair nas cenas de lutas e pancadaria. Só com o tempo é que esse ex-trapezista de circo iria finalmente se desenvolver como bom intérprete de papéis dramáticos, afinal tudo tem seu tempo e momento de acontecer. De uma forma ou outra uma coisa não se pode negar, até hoje impressiona pela força de suas imagens. E pensar que um filme com uma história tão atroz assim foi lançado nos anos 1940. Pois é, o cinema americano já estava em seu auge por essa época. Obs: Esse filme também é conhecido no Brasil apenas como "Brutalidade", pois foi exibido com esse nome em algumas reprises na madrugadas televisivas dos canais abertos nacionais. 

Pablo Aluísio.

Contrabando no Cairo

Título no Brasil: Contrabando no Cairo
Título Original: Tip on a Dead Jockey
Ano de Lançamento: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Charles Lederer, Irwin Shaw
Elenco: Robert Taylor, Dorothy Malone, Gia Scala

Sinopse:
Durante a década de 1950, em Madrid, um piloto veterano americano com problemas de vício e dívidas de apostas em corridas de cavalos é forçado por criminosos europeus a aceitar um perigoso trabalho de contrabando bem remunerado. Ele precisa levar uma carga para o Cairo, no Egito e não ser pego pelos policiais de fronteira. 

Comentários:
Dando um tempo em seus filmes de dramas românticos, o Robert Taylor fez esse filme que tinha um pouco mais de dose de adrenalina, quase um filme de ação, com a história girando em torno de contrabando através de antigos aviões bimotores de cargas. Só que como ele era um dos galãs mais famosos e populares daquela época não houve como ignorar isso. Então o roteiro também abriu espaço para mais uma daquelas novelizações exageradas, o que de certa maneira destoava do restante do filme. Se tivessem se concentrado apenas na tensão das cenas de contrabando pela aviação clandestina o filme teria sido melhor, tenho certeza disso. De qualquer forma o filme é bom. E a beleza da Dorothy Malone faz tudo parecer melhor do que realmente era. Essa atriz foi uma beldade e tanto dos anos 50. 

Pablo Aluísio.