sábado, 7 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - From Elvis in Memphis

Elvis Presley - From Elvis in Memphis
O álbum “From Elvis in Memphis” foi lançado em 17 de junho de 1969, pela RCA Victor, marcando um dos momentos mais importantes da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios American Sound, em Memphis, no início de 1969, o disco surgiu após o sucesso do especial televisivo de retorno do cantor em 1968, que havia recolocado Elvis no centro da cultura popular. Diferente de muitos de seus trabalhos anteriores da década, ligados a trilhas sonoras de filmes, este projeto representou um retorno sério à música de estúdio com forte identidade artística. Sob produção de Chips Moman, Elvis gravou com músicos de alto nível, explorando sonoridades que misturavam soul, country, pop e rhythm and blues. O clima das sessões foi de renovação criativa e confiança artística. Esse contexto fez do álbum um verdadeiro renascimento musical. Sua importância reside no fato de consolidar a volta de Elvis como intérprete relevante no cenário contemporâneo. Muitos críticos consideram este o melhor disco de estúdio de toda a sua carreira.

A recepção crítica foi extremamente positiva desde o lançamento. O The New York Times destacou que o álbum mostrava “um Elvis maduro, emocionalmente convincente e artisticamente focado”, ressaltando a profundidade interpretativa inédita em sua discografia recente. Já o Los Angeles Times afirmou que o cantor havia encontrado “o material ideal para sua voz, combinando sofisticação e intensidade emocional”. Críticos observaram que a escolha de repertório era particularmente forte, com composições modernas e arranjos elegantes. A interpretação de Elvis foi vista como sincera e poderosa. Muitos textos ressaltaram que o disco soava contemporâneo, não nostálgico. Isso era crucial para sua reinserção artística. O álbum rapidamente ganhou reputação de obra séria dentro do rock e da música popular. A crítica percebeu que não se tratava apenas de um retorno comercial, mas de um verdadeiro renascimento criativo.

Revistas especializadas como a Rolling Stone elogiaram a coesão sonora do projeto, afirmando que “Elvis nunca soou tão comprometido com a música quanto aqui”. A Billboard destacou o potencial duradouro das canções, especialmente “In the Ghetto”, chamando-a de “uma das interpretações mais socialmente conscientes já gravadas pelo artista”. O The New Yorker observou que havia no disco “uma dignidade emocional rara, que reposiciona Elvis como intérprete adulto”. Mesmo críticas mais cautelosas reconheceram a qualidade excepcional das gravações. Com o tempo, essas avaliações iniciais foram reforçadas. O álbum passou a figurar em listas de melhores discos dos anos 1960. A consistência artística tornou-se consenso. Assim, a recepção crítica consolidou o trabalho como clássico imediato. Poucos discos de retorno foram tão celebrados.

Comercialmente, “From Elvis in Memphis” também obteve grande sucesso. O álbum alcançou o Top 15 da Billboard 200 e teve desempenho expressivo em diversos países. O single “In the Ghetto” tornou-se um grande êxito internacional, entrando no Top 10 dos Estados Unidos e ampliando a relevância cultural do disco. Estima-se que o álbum tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, recebendo certificações de ouro e platina. O público respondeu com entusiasmo ao novo direcionamento musical de Elvis. Muitos fãs consideraram o disco seu melhor trabalho em anos. O sucesso ajudou a sustentar a fase de apresentações ao vivo que viria em seguida. Comercialmente e artisticamente, foi um triunfo. Esse desempenho confirmou a força duradoura do cantor.

O legado de “From Elvis in Memphis” é profundo dentro da história da música popular. Hoje, o álbum é frequentemente citado como o maior disco de estúdio de Elvis Presley e um dos grandes trabalhos do final dos anos 1960. Fãs e críticos o veem como prova definitiva de sua capacidade interpretativa e sensibilidade musical. O disco influenciou gerações de cantores que buscaram unir emoção soul com narrativa country. Também representa um exemplo clássico de reinvenção artística bem-sucedida. Sua sonoridade permanece atual décadas depois. Reedições contínuas mantêm o álbum vivo para novos ouvintes. Poucos retornos na música tiveram impacto comparável. Trata-se de uma obra central no legado de Elvis.

Elvis Presley – From Elvis in Memphis (1969)
Wearin’ That Loved On Look
Only the Strong Survive
I’ll Hold You in My Heart (Till I Can Hold You in My Arms)
Long Black Limousine
It Keeps Right On A-Hurtin’
I’m Movin’ On
Power of My Love
Gentle on My Mind
After Loving You
True Love Travels on a Gravel Road
Any Day Now
In the Ghetto

Erick Steve. 

The Beatles - The White Album

The Beatles - The White Album
O álbum “The Beatles”, mundialmente conhecido como “The White Album”, foi lançado em 22 de novembro de 1968 nos Estados Unidos (e em 22 de novembro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de intensas transformações internas na banda. Gravado principalmente entre maio e outubro de 1968, logo após a viagem do grupo à Índia para estudar meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi, o disco reflete um momento de fragmentação criativa entre John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Diferente da unidade estética de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o White Album apresenta uma coleção ampla e diversa de estilos, do rock cru ao folk, do blues ao experimentalismo sonoro. As tensões pessoais dentro do estúdio influenciaram diretamente o resultado artístico, com vários membros gravando faixas praticamente de forma solo. Ainda assim, o projeto revelou uma liberdade criativa sem precedentes. Sua importância na carreira dos Beatles reside justamente nessa pluralidade e no retrato honesto de uma banda em transformação.

A recepção crítica inicial foi dividida, mas profundamente atenta ao impacto cultural do lançamento. O The New York Times observou que o álbum era “uma obra vasta e irregular, mas impossível de ignorar”, destacando sua ambição artística. Já o Los Angeles Times descreveu o disco como “um mosaico de ideias que expande os limites do que um álbum pop pode conter”. Muitos críticos ficaram impressionados com a variedade de gêneros e abordagens, embora alguns tenham considerado o conjunto excessivamente longo. Revistas musicais reconheceram que, mesmo com inconsistências, o álbum continha algumas das composições mais fortes do grupo. A diversidade sonora foi vista tanto como virtude quanto como desafio para o público. Ainda assim, a magnitude do lançamento dominou o debate cultural daquele ano. O White Album rapidamente se tornou um evento artístico.

Publicações como a Rolling Stone exaltaram a ousadia do projeto, afirmando que “os Beatles demonstram que não há limites para sua imaginação musical”. A Billboard destacou o potencial comercial do disco duplo, chamando-o de “uma vitrine impressionante da versatilidade do grupo”. O The New Yorker adotou um tom mais analítico, sugerindo que o álbum refletia “quatro trajetórias criativas distintas coexistindo sob o mesmo nome”. Mesmo críticas mais céticas reconheciam a relevância histórica do trabalho. Com o passar do tempo, muitas avaliações iniciais foram revistas de forma mais positiva. O álbum passou a ser entendido como um retrato complexo do fim da década de 1960. Hoje, essas leituras críticas ajudam a contextualizar sua grandeza. O consenso posterior consolidou o White Album como uma obra essencial do rock.

Comercialmente, “The White Album” foi um enorme sucesso mundial. Nos Estados Unidos, alcançou o 1º lugar na Billboard 200, permanecendo por várias semanas no topo, enquanto no Reino Unido também liderou as paradas. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 20 milhões de cópias apenas nos EUA e dezenas de milhões globalmente, tornando-se um dos discos mais vendidos da história. O formato duplo não impediu sua popularidade; pelo contrário, ampliou a percepção de grandiosidade. O público respondeu com entusiasmo, impulsionando singles e faixas que se tornaram clássicos. Mesmo canções menos convencionais ganharam status cult ao longo do tempo. O sucesso confirmou a permanência dos Beatles como força dominante na indústria musical. Foi um triunfo tanto artístico quanto comercial.

O legado do White Album é profundo e duradouro. Frequentemente listado entre os maiores álbuns de todos os tempos, ele é visto como símbolo máximo da liberdade criativa no rock. Fãs e críticos valorizam sua diversidade, que permite múltiplas interpretações e descobertas contínuas. O disco influenciou gerações de músicos a experimentar estilos variados dentro de um mesmo projeto. Também representa um documento histórico do momento em que a unidade dos Beatles começava a se desfazer. Sua capa minimalista, totalmente branca, tornou-se um ícone do design gráfico musical. Décadas após o lançamento, continua sendo objeto de estudo, reedições e debates. Poucos álbuns possuem impacto cultural comparável.

The Beatles – The Beatles (The White Album) (1968)
Back in the U.S.S.R.
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Wild Honey Pie
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness Is a Warm Gun
Martha My Dear
I’m So Tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Don’t Pass Me By
Why Don’t We Do It in the Road?
I Will
Julia

Birthday
Yer Blues
Mother Nature’s Son
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Helter Skelter
Long, Long, Long
Revolution 1
Honey Pie
Savoy Truffle
Cry Baby Cry
Revolution 9
Good Night

Erick Steve. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Feliz Ano Velho

Título no Brasil: Feliz Ano Velho
Título Original: Feliz Ano Velho
Ano de Lançamento: 1987
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Roberto Gervitz
Roteiro: Roberto Gervitz, Marcelo Rubens Paiva
Elenco: Marcos Breda, Malu Mader, Betty Gofman, Paulo Betti, Denise Del Vecchio, Chico Díaz

Sinopse:
Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, o filme acompanha a vida de um jovem estudante que sofre um grave acidente ao mergulhar em um lago, ficando tetraplégico. A partir desse momento, ele precisa enfrentar não apenas as limitações físicas, mas também conflitos familiares, angústias existenciais e a necessidade de reconstruir sua identidade. Entre lembranças do passado, reflexões sobre juventude e o contexto político do Brasil, a história revela um processo doloroso, porém sensível, de amadurecimento e esperança.

Comentários:
É, acima de tudo, uma história real bem triste, mas que se abraça na esperança de um futuro melhor! Um jovem que na flor da idade, nos anos universitários (os melhores da vida de muitas pessoas), acaba perdendo o movimento das mãos e pernas após um acidente banal, mas que mudou sua vida para sempre. Ao mergulhar numa cachoeira, cuja base de água era muito rasa, ele acabou batendo a cabeça numa pedra. E depois disso nunca mais andou! Eu me recordo que esse livro foi bem popular nos anos 80. Sempre tinha algum estudante lendo ele pelos corredores das escolas e colégios. A linha narrativa do filme, para minha surpresa, não é convencional e nem linear. É mais sensorial. Os eventos e acontecimentos na vida do protagonista vão se sucedendo, mas não em ordem cronológica. Como algúem se lembrando de fatos do passado, a maioria deles dolorosos. Eu gostei bastante do que assisti. É, sem dúvida, um filme muito humano. E se você assistiu "Ainda Estou Aqui" e gostou, serve como um complemento a toda essa história.

Pablo Aluísio. 

Perdoa-me Por Me Traíres

Título no Brasil: Perdoa-me Por Me Traíres
Título Original: Perdoa-me Por Me Traíres
Ano de Lançamento: 1983
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Braz Chediak
Roteiro: Braz Chediak, Nelson Rodrigues
Elenco: Vera Fischer, Tarcísio Meira, Cláudio Marzo, Ítala Nandi, Carlos Alberto Riccelli, Lídia Brondi

Sinopse:
Ambientado no universo moralmente sufocante da classe média carioca, o filme acompanha Glorinha, uma jovem criada sob rígidos valores familiares, cuja vida é marcada por repressão, culpa e desejo. Após um trauma devastador, segredos vêm à tona e revelam uma rede de hipocrisia, violência emocional e sexualidade reprimida. A narrativa expõe a corrosão das relações familiares e o peso destrutivo do moralismo extremo.

Comentários:
Nelson Rodrigues capturou, como ninguém, a alma podre de certos setores do povo brasileiro. Queira você goste dele ou não, essa é a verdade! E aqui temos um de seus textos mais consagrados. O filme é uma adaptação da peça homônima de Nelson Rodrigues, um dos textos mais polêmicos do autor. Dirigido por Braz Chediak, cineasta conhecido por levar obras rodrigueanas ao cinema com fidelidade temática. Vera Fischer tem uma atuação marcante, explorando fragilidade psicológica e intensidade dramática. A obra mantém os temas centrais de Nelson Rodrigues: hipocrisia social, repressão sexual, culpa e tragédia familiar. À época do lançamento, o filme gerou debates por seu conteúdo forte e abordagem direta de tabus. É considerado um dos exemplos mais representativos das adaptações cinematográficas do teatro rodrigueano nos anos 1980.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Steven Spielberg e o Dia D


O Resgate do Soldado Ryan
O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) foi lançado em 24 de julho de 1998 e dirigido por Steven Spielberg, reunindo um elenco liderado por Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns e Barry Pepper. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, o filme se inicia no contexto da invasão aliada à Normandia, colocando o espectador diante da brutalidade do conflito desde seus primeiros minutos. A história acompanha um grupo de soldados americanos encarregados de atravessar território inimigo para localizar um paraquedista cuja família já sofreu perdas irreparáveis na guerra. A missão, aparentemente simples no papel, rapidamente se revela moralmente complexa e emocionalmente extenuante, colocando os personagens diante de dilemas éticos profundos. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma reflexão intensa sobre sacrifício, dever, liderança e o valor da vida humana em meio ao caos da guerra, sem jamais antecipar o desfecho da jornada.

No momento de seu lançamento, O Resgate do Soldado Ryan foi recebido com entusiasmo imediato pela crítica americana, sendo rapidamente reconhecido como um marco do cinema de guerra. O The New York Times descreveu o filme como “assustadoramente realista e emocionalmente devastador”, destacando a maneira como Spielberg recriou o campo de batalha com um grau de autenticidade raramente visto até então. O jornal ressaltou ainda a atuação de Tom Hanks, elogiando sua interpretação como “contida, humana e profundamente comovente”. Já o Los Angeles Times afirmou que o filme redefinia o gênero ao abandonar o heroísmo estilizado e apresentar a guerra como uma experiência caótica, confusa e aterradora.

A revista Variety classificou o longa como “um feito técnico e narrativo extraordinário”, elogiando especialmente a sequência inicial do desembarque na Normandia, considerada instantaneamente histórica. O The New Yorker observou que o filme possuía “uma honestidade brutal”, recusando qualquer romantização do combate e obrigando o espectador a encarar o custo humano da guerra. Embora alguns críticos tenham apontado o sentimentalismo presente em certos momentos, o consenso geral foi amplamente positivo, com a maioria reconhecendo o filme como uma obra-prima contemporânea. A recepção crítica consolidou rapidamente o longa como referência definitiva do gênero bélico moderno.

No aspecto comercial, O Resgate do Soldado Ryan foi um enorme sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 70 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 216 milhões apenas nos Estados Unidos. No mercado internacional, o desempenho foi igualmente expressivo, elevando a arrecadação mundial para cerca de US$ 482 milhões. Esses números colocaram o filme entre os maiores sucessos comerciais de 1998 e demonstraram que um drama de guerra intenso, adulto e sem concessões poderia alcançar grande público. O sucesso financeiro foi reforçado por sua forte presença em premiações e por uma longa permanência em cartaz.

Com o passar dos anos, O Resgate do Soldado Ryan consolidou-se como um dos filmes mais respeitados da história recente do cinema. Atualmente, é amplamente considerado um dos maiores filmes de guerra já realizados, sendo citado como referência tanto por críticos quanto por cineastas. A influência do filme é visível em produções posteriores que buscaram maior realismo na representação do combate. A obra venceu cinco Oscars, incluindo Melhor Diretor para Steven Spielberg, e segue sendo elogiada por veteranos de guerra e historiadores por sua representação crua e impactante do conflito. Hoje, o filme é visto como um clássico moderno e um marco definitivo na filmografia de Spielberg.

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, Estados Unidos, 1998) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Robert Rodat / Elenco: Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper, Giovanni Ribisi / Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados atravessa território inimigo em uma missão arriscada que coloca em questão o valor da vida, do dever e do sacrifício em meio ao horror da guerra.

Erick Steve. 

O Conan de Arnold Schwarzenegger


Conan, O Bárbaro
Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian) foi lançado em 14 de maio de 1982 e marcou a estreia de John Milius na direção de um épico de fantasia sombria que se tornaria referência no gênero. O filme revelou Arnold Schwarzenegger como protagonista absoluto, ao lado de James Earl Jones, Sandahl Bergman e Gerry Lopez. Ambientado em um mundo fictício inspirado na Era Hiboriana criada por Robert E. Howard, o filme acompanha Conan desde a infância marcada por tragédia até sua transformação em um guerreiro moldado pela dor, pela escravidão e pelo desejo de vingança. A narrativa se inicia com a destruição de sua aldeia por um culto misterioso liderado por um líder carismático e cruel, evento que define toda a trajetória do personagem. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma jornada brutal e mitológica sobre força, destino, liberdade e sobrevivência, sem jamais antecipar o desfecho da saga.

Quando lançado, Conan, o Bárbaro provocou uma reação crítica mista, dividindo a imprensa americana. O The New York Times descreveu o filme como “excessivamente violento e narrativamente primitivo”, embora tenha reconhecido a força visual e a trilha sonora marcante de Basil Poledouris. Já o Los Angeles Times foi mais receptivo, elogiando a ambição épica do projeto e afirmando que o filme possuía “uma energia mitológica rara no cinema comercial da época”. A atuação física de Schwarzenegger foi vista com ceticismo por alguns críticos, mas também reconhecida como adequada à natureza quase arquetípica do personagem.

A revista Variety destacou o filme como “um espetáculo visual poderoso”, apontando que sua força residia menos nos diálogos e mais na construção imagética e simbólica. O The New Yorker, por sua vez, observou que o filme parecia “mais interessado em criar um mundo e uma atmosfera do que em contar uma história convencional”, o que afastou parte da crítica tradicional. Ainda assim, muitos analistas reconheceram que havia algo singular na abordagem de John Milius, que tratava a fantasia com seriedade operística e um tom quase filosófico. Na época, o consenso crítico foi dividido, com elogios ao visual e à trilha sonora, mas reservas quanto ao roteiro e à brutalidade explícita.

No campo comercial, Conan, o Bárbaro foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 20 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 68 milhões mundialmente. Nos Estados Unidos, o desempenho foi especialmente forte, consolidando o filme como um dos maiores sucessos de fantasia do início dos anos 1980. O retorno financeiro expressivo garantiu não apenas a continuação direta, mas também transformou Arnold Schwarzenegger em uma estrela internacional, abrindo caminho para sua carreira dominante no cinema de ação da década seguinte.

Com o passar dos anos, Conan, o Bárbaro passou por uma reavaliação crítica altamente positiva. Atualmente, o filme é visto como um clássico cult e um dos exemplos mais influentes da fantasia adulta no cinema. Críticos contemporâneos destacam a trilha sonora monumental, a direção visual rigorosa e o tom sério com que o filme trata seus temas. A obra é frequentemente elogiada por não suavizar seu universo e por abraçar uma estética brutal e mitológica, diferenciando-se das fantasias mais leves que viriam depois. Hoje, é considerado o capítulo definitivo do personagem no cinema e um marco cultural dos anos 1980.

Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian, Estados Unidos, 1982) Direção: John Milius / Roteiro: John Milius e Oliver Stone (baseado nos personagens criados por Robert E. Howard) / Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Sandahl Bergman, Gerry Lopez, Max von Sydow, Mako / Sinopse: Um guerreiro moldado pela tragédia e pela escravidão parte em uma jornada de sobrevivência e vingança em um mundo brutal, onde força, destino e liberdade se confrontam constantemente.

Erick Steve. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Morte de um Unicórnio

Título no Brasil: A Morte de um Unicórnio
Título Original: Death of a Unicorn
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: A24
Direção: Alex Scharfman
Roteiro: Alex Scharfman
Elenco: Jenna Ortega, Paul Rudd, Will Poulter, Téa Leoni, Richard E. Grant, Anthony Carrigan

Sinopse:
Durante uma viagem de carro, um pai e sua filha atropelam acidentalmente um unicórnio, criatura que acreditavam ser apenas um mito. O evento absurdo e inesperado desencadeia uma série de consequências sombrias quando uma poderosa família farmacêutica descobre que o animal possui propriedades milagrosas. À medida que a ganância humana entra em cena, a história se transforma em uma sátira de humor negro sobre exploração, ética e os limites da ciência.

Comentários:
Quando eu decidi ver esse filme pensei que iria encontrar um drama existencial ou algo nessa linha. Afinal o filme era produzido pela prestigiada companhia A24. Pensei inicialmente que não havia a menor possibilidade do filme ser realmente sobre a morte de um unicórnio! Seria estúpido demais... Como eu estava enganado! O filme é sobre a morte de um unicórnio mesmo! O título é literal e no alvo do que vamos assistir! Caramba! E eu por aqui pensando metaforicamente, em grandes dilemas da alma humana! Como fui bobinho! O filme é praticamente uma fábula onde unicórnios existem de fato! Mas não consegui comprar a ideia. Não tem fadas, nem mundo da fantasia. Apenas uns personagens bem antipáticos que precisam lidar com unicórnios que são, no roteiro, criaturas bem violentas e aterrorizantes! Na boa, não passe esse filme se fosse tiver um filho ainda na infância. Vai destruir toda a imaginação lúdica do pequenino. Os unicórnios desse filme matam, possuem dentes de tubarão e são seres que não deveriam fazer parte de nenhum conto de fadas! São monstros em essência! E eu, definitivamente, não aceitei essa desconstrução de seres tão poéticos do nosso imaginário infantil. 

Pablo Aluísio. 

O Necrotério

Título no Brasil: Mortuária ou O Necrotério
Título Original: Mortuary
Ano de Lançamento: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Tobe Hooper Productions
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Jace Anderson
Elenco: Denise Crosby, Dan Byrd, Angela Paton, David Wallace, Bill Moseley, Micah Gallo

Sinopse:
Após a morte misteriosa do patriarca da família, uma viúva e seus dois filhos se mudam para uma pequena cidade onde passam a viver ao lado de um antigo cemitério. Logo, acontecimentos perturbadores começam a se manifestar, revelando a suposta existência de forças sobrenaturais ligadas ao local. À medida que segredos macabros vêm à tona, a família descobre que os mortos podem não estar tão descansados quanto aparentam.

Comentários:
Eu fiquei bem surpreso em ver o diretor Tobe Hooper envolvido nesse filme. Ele sempre foi um dos cineastas mais celebrados do gênero terror. Infelizmente seu currículo não salvou essa fitinha bem morna, para não dizer fraca mesmo. E isso é de se lamentar porque o filme começa bem. Há essa família que se muda para uma casa que na verdade vai funcionar como uma mortuária. A mãe fez um daqueles cursos que ensinam a maquiar defuntos e embalsamentos mais básicos, para que eles fiquem bem em seus funerais. Só que as coisas logo começam a dar errado. Do lado da casa existe um cemitério daqueles bem decrépitos. Os filhos dela começam a visitar aquele lugar (não me perguntem a razão!) e mexem em coisas que deveriam ficar enterradas. Só que não espere no final por algo sobrenatural. Tem mais a ver com um fungo de enorme expansão e contaminação. Aqui o filme se perde. Queria um terrorzão, não uma aula de ciência sobre fungos! Assim não iria dar certo mesmo. Lamento Mr. Hooper. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Os Imperdoáveis

Os Imperdoáveis
Os Imperdoáveis (Unforgiven) foi lançado em 7 de agosto de 1992 e marcou um dos pontos mais altos da carreira de Clint Eastwood, que atuou como diretor e protagonista. O elenco principal reúne ainda Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris, formando um conjunto de interpretações hoje consideradas antológicas. Ambientado nos últimos anos do Velho Oeste, o filme acompanha William Munny, um ex-pistoleiro envelhecido que tenta viver de forma honesta após um passado marcado pela violência. A trama se inicia quando uma recompensa é oferecida pela morte de dois homens acusados de mutilar uma prostituta, levando Munny a aceitar um último trabalho. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma reflexão profunda sobre justiça, vingança, culpa e o preço moral da violência, desconstruindo deliberadamente o mito romântico do faroeste clássico. 

No momento de seu lançamento, Os Imperdoáveis foi recebido com entusiasmo quase unânime pela crítica americana. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste maduro, melancólico e profundamente humano”, elogiando a maneira como Eastwood revisita e subverte os arquétipos que ele próprio ajudou a consagrar décadas antes. O Los Angeles Times destacou a direção contida e elegante, afirmando que o filme “transforma o silêncio e o peso do passado em elementos dramáticos tão importantes quanto os tiros”. Já a Variety ressaltou o equilíbrio entre espetáculo e introspecção, apontando que o longa era “tão brutal quanto necessário e tão reflexivo quanto raro dentro do gênero”.

No terceiro momento da recepção crítica, revistas como The New Yorker e Time enfatizaram o caráter quase crepuscular do filme. A Time escreveu que Os Imperdoáveis era “um epitáfio para o western tradicional”, enquanto o The New Yorker elogiou especialmente o roteiro de David Webb Peoples, afirmando que o texto recusava qualquer glamourização da violência. A atuação de Gene Hackman como o xerife Little Bill foi amplamente celebrada, sendo descrita como “terrivelmente carismática e moralmente perturbadora”. O consenso crítico à época foi amplamente positivo, com muitos analistas já apontando o filme como uma obra-prima instantânea e um divisor de águas dentro do gênero.

Do ponto de vista comercial, Os Imperdoáveis também obteve um desempenho notável. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 14 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 101 milhões em bilheteria mundial. Somente nos Estados Unidos, o longa ultrapassou a marca de US$ 80 milhões, resultado expressivo para um western adulto, sem apelo juvenil e de ritmo deliberadamente lento. O sucesso financeiro foi potencializado pela forte presença do filme na temporada de premiações, o que ampliou sua longevidade nos cinemas e consolidou seu status como um raro exemplo de prestígio crítico aliado a retorno comercial sólido.

Com o passar dos anos, Os Imperdoáveis se firmou como um dos filmes mais respeitados da história do cinema americano. Atualmente, é frequentemente citado em listas de “melhores westerns de todos os tempos” e também entre os grandes filmes da década de 1990. A obra é estudada por sua abordagem ética da violência, pela desconstrução do heroísmo e pela maneira como trata a memória e a culpa. O filme venceu quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e hoje é visto não apenas como o auge do western moderno, mas também como uma síntese madura da carreira de Clint Eastwood diante e atrás das câmeras.

Os Imperdoáveis (Unforgiven, Estados Unidos, 1992) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: David Webb Peoples / Elenco: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Saul Rubinek / Sinopse: Um ex-pistoleiro tenta escapar de seu passado violento, mas acaba envolvido em uma caçada motivada por vingança, confrontando antigas escolhas, códigos morais frágeis e as duras consequências da violência no Velho Oeste.

Erick Steve. 

Pacto de Justiça

Pacto de Justiça
Pacto de Justiça (Open Range) foi lançado em 15 de agosto de 2003 e é dirigido por Kevin Costner, que também protagoniza o filme ao lado de Robert Duvall, Annette Bening e Michael Gambon. Ambientado no final do século XIX, o longa retorna ao western clássico, mas com uma abordagem madura e contemplativa. A história acompanha dois vaqueiros que conduzem gado livremente pelas grandes planícies do Oeste americano, vivendo à margem das cidades e das leis impostas por grandes proprietários de terra. Esse modo de vida entra em choque quando eles cruzam o caminho de uma cidade dominada por um fazendeiro autoritário, que controla a região por meio da violência e da intimidação. A partir desse conflito inicial, o filme constrói uma narrativa sobre liberdade, justiça, amizade e a difícil transição entre o Velho Oeste selvagem e uma sociedade cada vez mais regulada.

Na época de seu lançamento, Pacto de Justiça foi recebido de forma majoritariamente positiva pela crítica americana, especialmente entre os defensores do western clássico. O The New York Times elogiou o tom humanista do filme, afirmando que Costner “resgata a dignidade moral do gênero sem cair na nostalgia vazia”. O jornal destacou ainda a relação entre os personagens vividos por Costner e Duvall, descrevendo-a como “silenciosa, profunda e construída com rara sensibilidade”. Já o Los Angeles Times ressaltou a fotografia e o ritmo deliberado da narrativa, apontando que o filme “prefere a construção lenta de tensão ao espetáculo imediato”.

No Variety, a crítica reconheceu que o filme não reinventava o western, mas fazia isso com extrema competência, chamando-o de “um retorno sólido e elegante às raízes do gênero”. A revista também elogiou o vilão interpretado por Michael Gambon, descrito como “frio, calculista e assustadoramente realista”. O The New Yorker destacou o cuidado de Costner com os detalhes históricos e com o silêncio, observando que grande parte da força dramática do filme reside nos gestos contidos e nas pausas. De forma geral, o consenso crítico apontou Pacto de Justiça como um western clássico moderno, respeitoso à tradição e consciente de seu tempo, com elogios recorrentes à direção e às atuações centrais.

No aspecto comercial, Pacto de Justiça teve um desempenho moderado, porém respeitável. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 26 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 68 milhões em bilheteria mundial. Nos Estados Unidos, o longa somou pouco mais de US$ 58 milhões, enquanto o mercado internacional contribuiu de forma mais modesta para o total. Embora não tenha sido um blockbuster, o filme garantiu retorno financeiro satisfatório, especialmente considerando seu gênero clássico e seu ritmo mais lento, distante das tendências comerciais dominantes do início dos anos 2000.

Com o passar do tempo, Pacto de Justiça passou por uma reavaliação crítica positiva. Hoje, o filme é frequentemente citado como um dos westerns mais subestimados das últimas décadas. Muitos críticos contemporâneos destacam a famosa sequência final como uma das mais realistas e tensas já filmadas no gênero, além da maturidade com que o filme aborda temas como justiça privada, violência e moralidade. A parceria entre Kevin Costner e Robert Duvall é constantemente lembrada como um dos grandes pontos fortes do longa, e o filme conquistou um público fiel que o considera um herdeiro direto dos grandes westerns clássicos de John Ford e Howard Hawks.

Pacto de Justiça (Open Range, Estados Unidos, 2003) Direção: Kevin Costner / Roteiro: Craig Storper (baseado no romance The Open Range Men, de Lauran Paine) / Elenco: Kevin Costner, Robert Duvall, Annette Bening, Michael Gambon, Diego Luna, Abraham Benrubi / Sinopse: Dois vaqueiros que vivem à margem da lei entram em conflito com um poderoso fazendeiro ao desafiar o controle violento imposto sobre uma pequena cidade do Velho Oeste.

Erick Steve.