domingo, 25 de janeiro de 2026

Os Filmes de Leonardo DiCaprio - Parte 6

Era uma Vez em... Hollywood
Quando eu soube que o novo filme de Quentin Tarantino iria ter como tema o assassinato da atriz Sharon Tate naquele trágico crime envolvendo membros da seita de Charles Manson, fiquei completamente desanimado. Não acredito que coisas assim devem ser resgatados do passado pelo cinema. Algumas histórias são tão horríveis que os mortos devem ser deixados em paz. Porém o que não levei em conta é que Tarantino não deve ser subestimado. Ele realmente nunca faria um filme banal sobre aquilo tudo que aconteceu. Ele encontraria uma maneira original de explorar esse tema tão espinhoso. 

E eis que fui surpreendido completamente por esse filme quando o assisti. De fato é algo muito bem desenvolvido. Em seu roteiro Tarantino misturou pessoas reais, que existiram mesmo, com personagens puramente de ficção. E criativo como ele é, não poderia dar em outra coisa. Os personagens de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt são referências da cultura pop. Uma miscelânea de tipos que eram bem comuns na Hollywood dos anos 60. O ator de seriados de faroeste interpretado por DiCaprio é uma ótima criação. Com ecos de Clint Eastwood e outros atores de segundo escalão da época, ele retrata bem aquele tipo de ator que nunca conseguiu se tornar um astro em Hollywood. Vivendo de seriados popularescos, o que lhe sobra em determinado momento é ir para Roma filmar faroestes do tipo Western Spaghetti. Produções B, bem ruins e mal feitas.

Brad Pitt é o dublê desempregado que mora em um trailer. Para sobreviver ele se torna uma espécie de assistente pessoal e "faz-tudo" para o ator decadente de DiCaprio. As melhores cenas do filme inclusive estão com ele. Na visita ao rancho onde a "família Manson" vivia e no clímax final que é puro nonsense criativo. Margot Robbie está um pouco em segundo plano, apesar de interpretar Sharon Tate. Isso foi consequência do próprio roteiro que vai girando ao largo, na periferia dos acontecimentos. E sua Sharon é bem retratada no roteiro. Uma mocinha bonita, mas meio cabeça de vento, que passava o dia ouvindo música. Não tinha mesmo muita coisa na cabeça. Era uma starlet dos anos 60, nada mais.

Por fim tenho que tecer breves comentários sobre o final do filme, mas isso sem entregar nenhuma surpresa, que afinal de contas é o grande trunfo desse novo Tarantino. Conforme o filme foi se desenvolvendo eu fui gostando de praticamente tudo. Dos personagens, da ambientação anos 60, de tudo. Acontece que na meia hora final chega o momento da verdade. Eu não queria ver de novo a matança de Sharon Tate e seus amigos. Aí Tarantino foi mesmo um mestre. Saiu completamente do lugar comum, criou sua própria realidade paralela. Genial. Não é à toa que o filme é quase uma fábula, um faz de conta. A realidade foi tão trágica... por que não ir por outro caminho? Ao fazer isso Tarantino acabou criando uma pequena obra-prima. Palmas para ele.

Era Uma Vez em... Hollywood (Once Upon a Time... in Hollywood, Estados Unidos, Inglaterra, China, 2019) Direção: Quentin Tarantino / Roteiro: Quentin Tarantino / Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Al Pacino, Dakota Fanning, Timothy Olyphant, Bruce Dern, Luke Perry / Sinopse: Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de segundo escalão em Hollywood. Decadente, ele aceita ir para Roma filmar filmes de western spaghetti. Cliff Booth (Brad Pitt) é um dublê desempregado que trabalha para Dalton como seu assistente pessoal. Eles não sabem, mas vão fazer parte de um dos eventos mais trágicos da história de Hollywood... ou quase isso!

Não Olhe Para Cima
Dois cientistas do campo da astronomia (interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence) descobrem a existência de um novo cometa. No começo ficam felizes com a descoberta, afinal no mundo da astronomia isso é algo importante na vida de qualquer profissional da área. Só que a alegria dura pouco. Eles logo descobrem também que a rota do cometa vem direto em direção ao nosso planeta Terra. E agora, o que fazer? Logo uma questão que deveria ser tratada apenas pela ciência se torna politizada. E aí é o caos... os cientistas querem seguir o que diz a ciência para salvar o planeta, os conservadores liderados por uma presidente idiota (Meryl Streep) adotam uma postura de negacionismo com o slogan "Não Olhe para Cima". Pronto, a humanidade está literalmente com os dias contados. Estamos todos ferrados!

Esse é o filme do momento. Todo mundo está falando, debatendo, trocando ideias. Fazia tempo que a Netflix não lançava algo tão polêmico. A boa notícia é que é um bom filme, que faz pensar! É simplesmente impossível não perceber a analogia que esse inteligente roteiro faz com o mundo polarizado e imbecilizado em que vivemos. E aqui sobram críticas e farpas para todos os lados. Enquanto os dois cientistas tentam alertar para o perigo do cometa, os telejornais e o público em geral só se importam com as coisas mais imbecis, como o namorico de uma cantora adolescente pop e um cantor de rap! Você vai dar boas risadas, mas se tiver mais inteligência vai rir mesmo de nervoso, porque embora absurdas as situações, são plenamente condizentes com o momento atual. E você também pode trocar o cometa pela pandemia, aquecimento global ou qualquer outro tema desses e verá que faz o mesmo sentido.
 
E as redes sociais? Se tornam o maior meio de estupidez jamais visto. Enquanto o cometa avança em direção ao planeta Terra, as pessoas só se preocupam com memes, besteiras e imbecilidades. E surgem milhares de teorias da conspiração, uma mais idiota do que a outra! Dá nos nervos! Penso que se uma situação como a mostrada no filme realmente fosse verdade seria exatamente assim que iria acontecer. Vivemos em uma era tão estúpida! É triste, mas é a mais pura verdade! Então o roteiro mira e acerta em muitos alvos e se sai maravilhosamente bem em meu ponto de vista. É um filme que parece simples, mas que nas entrelinhas expressa tantas verdades que você ficará surpreso.

No final tirei duas conclusões importantes. A primeira é que o mundo atual é o horizonte perfeito das idiotices, tanto das pessoas em geral como também dos que foram eleitas por elas. A pior situação para uma nação é ser liderada por uma idiota como a presidente interpretada por Streep. Pessoas vão morrer por esse tipo de escolha errada na hora de votar. E assim surge a segunda grande lição do roteiro. Não votem em imbecis para altos cargos, pois no final quem será mais prejudicado será você mesmo, quem sabe até mesmo perdendo a própria vida. Parece radical? Não, é só uma verdade mesmo.

Não Olhe para Cima (Don't Look Up, Estados Unidos, 2021) Direção: Adam McKay / Roteiro: Adam McKay, David Sirota / Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Cate Blanchett, Jonah Hill, Rob Morgan / Sinopse: Dois cientistas tentam alertar o mundo do perigo que se aproxima na forma de um enorme cometa que está vindo em direção ao nosso planeta. Só que isso vai ser quase impossível em um mundo onde as pessoas só se importam com celebridades vazias e os que detém o poder político são altamente estúpidos.

Assassinos da Lua das Flores
No começo do século XX um bando de caipiras de interior, homens brancos criminosos, começam a se casar com nativas herdeiras de vastas terras com muito petróleo em seu subsolo. Após o casamento eles planejam envenenar suas esposas, tudo com o claro objetivo de se tornarem os únicos donos do rico ouro negro! 

Não me entenda mal, Martin Scorsese continua sendo um mestre do cinema, mas inegavelmente esse seu novo filme apresenta problemas. E é um problema conceitual. Veja, os personagens principais da história são seres asquerosos, repugnantes. Basicamente homens brancos que se aproveitavam de mulheres indígenas para roubar suas terras cheias de petróleo. E como atingiam seus objetivos? Casando com elas e depois as matando envenenadas! Como alguém em sã consciência vai criar um vínculo com esse tipo de pessoa? Não dá! E Scorsese falha miseravelmente ao tentar retratar esses caipiras homicidas com uma lente de leve simpatia e bom humor! Ficou bizarro! 

Eu lamento tudo isso porque o filme é tecnicamente impecável. Apresenta uma ótima produção, roteiro bem escrito e elenco classe A - embora os astros interpretem esses seres humanos de quinta categoria! Outro ponto que acredito que Scorsese errou foi na duração do filme. Mais de três horas de duração em uma história que com uma edição mais equilibrada seria contada no tempo médio dos filmes atuais. Até porque esses jovens atuais não aguentam mesmo ficar 3 horas no cinema assistindo a um filme! Alguém deveria ter alertado Scorsese sobre isso. Enfim, filme muito bem realizado, mas com uma postura equivocada em relação aos principais personagens nessa história de crime que se propõe a contar. 

Assassinos da Lua das Flores (Killers of the Flower Moon, Estados Unidos, 2023) Estúdio: Apple Studios / Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Eric Roth, Martin Scorsese / Elenco: Leonardo DiCaprio, Robert De Niro, Lily Gladstone, John Lithgow, Brendan Fraser / Sinopse: Uma história de traição, mesquinhez e traições, com o objeivo final de ter riquezas e dinheiro, mesmo enganado o próximo. Filme indicado ao Oscar em dez categorias. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Disco de Vinil: Elvis Now

Disco de Vinil: Elvis Now
Elvis Now, lançado em 20 de fevereiro de 1972, representa um momento curioso e relativamente subestimado da discografia de Elvis Presley. Diferente dos grandes álbuns conceituais ou dos discos ligados a filmes, este trabalho reuniu gravações feitas entre 1969 e 1971, período em que Elvis vivia uma forte retomada artística após o especial televisivo de 1968. O repertório mistura baladas introspectivas, country sofisticado e pop adulto, revelando um Elvis mais contido, maduro e emocionalmente direto.

Comercialmente, Elvis Now teve um desempenho sólido, embora discreto se comparado aos grandes sucessos do cantor na década de 1950 ou mesmo aos álbuns de retorno do final dos anos 1960. O disco alcançou posições respeitáveis na Billboard 200, beneficiando-se da enorme base de fãs que Elvis ainda mantinha no início dos anos 1970. As vendas foram consistentes, confirmando que, mesmo sem um single explosivo, Presley continuava sendo uma presença dominante no mercado fonográfico americano.

A reação da crítica na época foi moderadamente positiva, com destaque para a qualidade vocal do artista. O jornal The New York Times comentou que Elvis demonstrava “uma maturidade interpretativa rara, cantando menos para impressionar e mais para comunicar sentimento”. Já a revista Billboard descreveu o álbum como “um retrato honesto de um cantor que domina plenamente sua voz e seu estilo”, elogiando especialmente as faixas de clima introspectivo.

Alguns críticos, no entanto, apontaram a falta de unidade do álbum, resultado direto de sua natureza compilatória. O Rolling Stone, em resenha publicada em 1972, observou que o disco “carece de um conceito claro, mas compensa com interpretações vocais de alto nível”. Ainda assim, a imprensa reconheceu que Elvis soava mais confortável e confiante do que em muitos de seus trabalhos da fase final dos anos 1960.

Com o passar do tempo, Elvis Now passou a ser visto como um registro importante da fase adulta de Elvis Presley. O álbum revela um artista menos preocupado com tendências e mais focado na expressividade vocal e emocional. Embora não figure entre seus discos mais celebrados, permanece como um testemunho valioso de um Elvis experiente, tecnicamente refinado e ainda profundamente conectado à música que interpretava.

Erick Steve. 

Disco de Vinil: Magical Mystery Tour

Magical Mystery Tour, lançado em 8 de dezembro de 1967 no Reino Unido (como EP duplo) e em 27 de novembro de 1967 nos Estados Unidos (em formato de LP), marcou uma fase singular na trajetória dos Beatles. O projeto nasceu como trilha sonora do filme homônimo exibido pela BBC no Natal daquele ano e refletiu o espírito psicodélico e experimental que a banda vinha explorando desde Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Musicalmente, o disco mesclava canções lúdicas, surrealistas e tecnicamente sofisticadas, ampliando ainda mais os limites do pop tradicional.

Do ponto de vista comercial, o impacto foi expressivo, especialmente nos Estados Unidos. A versão em LP de Magical Mystery Tour alcançou o 1º lugar da Billboard 200 em janeiro de 1968 e permaneceu várias semanas no topo. Rapidamente, o álbum ultrapassou a marca de milhões de cópias vendidas, impulsionado por faixas que se tornaram clássicos imediatos, como “All You Need Is Love”, “Hello, Goodbye” e “Strawberry Fields Forever”. Com o tempo, a versão americana acabou sendo adotada oficialmente no catálogo mundial da banda.

A recepção crítica na época, contudo, foi ambígua, sobretudo por causa do filme. O The Daily Express descreveu a produção televisiva como “confusa e indulgente, um experimento que parece esquecer o público”. Já o The Guardian comentou que, apesar das imagens desconcertantes, “a música dos Beatles continua sendo o verdadeiro coração do projeto, cheia de invenção e charme”.

Nos Estados Unidos, a crítica musical mostrou-se mais receptiva ao álbum como obra sonora. A revista Time escreveu em 1967 que Magical Mystery Tour era “um caleidoscópio sonoro que confirma os Beatles como os principais arquitetos do pop moderno”. O New York Times observou que, mesmo quando o conceito visual falhava, “as canções demonstram uma imaginação musical que poucas bandas conseguem alcançar”.

Com o passar dos anos, Magical Mystery Tour foi amplamente reavaliado de forma positiva. Hoje, é visto como um elo essencial entre Sgt. Pepper’s e The White Album, reunindo algumas das gravações mais ousadas e duradouras dos Beatles. Embora seu lançamento tenha dividido opiniões em 1967, o álbum consolidou a reputação do grupo como inovador incansável e figura central na transformação artística da música popular do século XX.

Erick Steve. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Agente Secreto e a Valorização do Cinema Brasileiro

O Agente Secreto e a Valorização do Cinema Brasileiro
Eu acompanho cinema há muitas décadas e afirmo sem pensar duas vezes: nunca vi o cinema brasileiro tão em alta como agora! A série de indicações e premiações no Oscar vem para confirmar essa nova realidade! E isso é muito interessante porque durante anos e anos, sempre se falava em "O Pagador de Promessas" para demonstrar que um dia o cinema brasileiro havia sido valorizado lá fora.

Só que agora, com as inúmeras indicações e vitórias em vários festivais e prêmios internacionais de grande prestígio, sendo o Oscar o apogeu dessa realidade, nos deparamos com essa nova realidade. Ontem ao passar por diversos órgãos de imprensa internacionais, especializados em cinema, vi uma série infindável de notícias, artigos e reportagens sobre o cinema brasileiro! Eu nunca tinha visto nada igual em minha vida! É realmente de surpreender. O Brasil é a nova febre cinematográfica do momento, quem diria...

Para bem entender essa nova onda de valorização internacional de cinema nacional é necessário entender bem o que está acontecendo. Em minha opinião a política atual dos Estados Unidos tem tudo a ver com isso. Aquele país passa por um momento delicado, com um presidente muito autoritário e sem noção que anda passando por cima das leis internacionais e até mesmo da longa tradição de direitos civis e respeito aos direitos fundamentais do povo americano. 

Então os americanos (pelo menos os que possuem o mínimo de bom senso) passam por um stress político como nunca se viu. De repente a chamada "Terra da Liberdade" e o "Exemplo de Democracia para o Mundo" está se transformando. Ao inves de liberdade, brutalidade. E a democracia americana, tão louvada por mais de 200 anos, parece estar indo pelo ralo.

Dessa maneira filmes como "O Agente Secreto" que fala sobre o passado da ditadura militar no Brasil, se tornaram espelhos para o povo americano! Eles temem entrar numa situação política parecida. Em minha opinião falta pouco para isso efetivamente acontecer de fato! Enfim, vivi para ver o povo americano se espelhando no povo brasileiro e torcendo para que os Estados Unidos aprendam com o passado do Brasil! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Casa de Dinamite

Título no Brasil: Casa de Dinamite
Título Original: A House of Dynamite
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Noah Oppenheim
Elenco: Idris Elba, Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jared Harris, Tracy Letts, Anthony Ramos

Sinopse:
Após o lançamento de um míssil nuclear não identificado em direção aos Estados Unidos, uma corrida contra o tempo se inicia para descobrir quem está por trás do ataque e decidir como o país deve reagir. A história acompanha diferentes membros do governo, militares e civis enquanto enfrentam decisões de alto risco que podem determinar o destino de milhões de vidas, com foco nas tensões políticas, dilemas éticos e a frenética busca por respostas num cenário de ameaça nuclear iminente.

Comentários:
Eu gostei desse filme. Não tem sido bem recebido em todos os lugares porque criou-se uma expectativa exagerada por ser o novo filme da Kathryn Bigelow, após anos sem ela lançar nada de novo no mercado cinematográfico. Eu mantive minhas expectativas bem realistas, por essa razão gostei do filme. Seu roteiro é tecnicamente perfeito, mostrando a mesma situação em relação a três pontos de vista, com diferentes protagonistas em cada uma dessas situações. Alguns espectadores afirmaram que esse estilo narrativo torna o filme meio cansativo e repetitivo. Não vejo por esse lado. Todo modo mais fora dos padrões de se contar uma história se torna algo interessante de se ver. E para essas mesmas pessoas que criticaram, o final em aberto, sem conclusão definitiva, tornou o filme ainda mais complicado de se digerir. Discordo novamente. Finais em aberto podem ser interpretados como covardia por parte dos roteiristas e até mesmo do diretor, mas vamos convir que não se trata disso. O que realmente importa é que a inteligência do espectador nunca é desrespeitada. E é justamente com o senso crítico e a inteligência de quem vai assistir ao filme que um roteiro desse tipo conta, no final de tudo. Assim indico o filme, mesmo que ele tenha todos esses aspectos bem fora do padrão cnvencional. Pensando bem, isso é o que diferencia e qualifica essa obra singular.

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: Casa de Dinamite

Em Cartaz: Casa de Dinamite
O thriller político Casa de Dinamite (A House of Dynamite) estreou em 2025, dirigido pela vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror, Zero Dark Thirty) e escrito por Noah Oppenheim. O filme acompanha uma crise global após um míssil intercontinental não identificado ser lançado em direção aos Estados Unidos, desencadeando uma corrida contra o tempo para descobrir quem é o responsável e como responder a essa ameaça iminente. Idris Elba lidera o elenco como presidente americano, com Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jared Harris e outros no elenco principal. O longa foi exibido em Venice International Film Festival de 2025, onde foi recebido com aplausos e entrou na disputa pelo León de Oro, sinalizando a importância artística da produção.

O filme teve um lançamento escalonado em outubro de 2025: começou em circuitos seletos de cinemas, incluindo o Brasil, em 9 de outubro, antes de chegar ao catálogo global da Netflix em 24 de outubro. A estratégia híbrida reflete a atual tendência do cinema contemporâneo, mesclando exibição tradicional e streaming para alcançar tanto público de sala quanto espectadores em casa.

A reação inicial da crítica especializada foi mista, com elogios à ambição temática e à direção técnica, mas também críticas à execução narrativa. Críticos presentes no Festival de Veneza e lançamentos internacionais realçaram a tentativa de Bigelow de abordar o dilema moral e psicológico de líderes diante de um ataque nuclear, destacando a forma como o roteiro explora decisões humanas sob extrema pressão. Alguns textos apontaram que a abordagem multifocal — mostrando diferentes perspectivas em minutos críticos — agrega tensão estrutural.

No entanto, alguns comentaristas ficaram frustrados com a narrativa repetitiva e a falta de resolução tradicional. Em resenha publicada pelo The Guardian, por exemplo, o filme foi descrito como uma “fantasia política que começa forte, mas se arrasta em repetição e falha ao desenvolver personagens e profundidade dramática além do choque inicial”. Comentários semelhantes surgiram em outros veículos, criticando a estrutura fragmentada e a ausência de conclusões claras sobre o desfecho do ataque e das decisões finais dos líderes.

Com o passar dos meses, Casa de Dinamite consolidou-se como um dos lançamentos mais comentados da Netflix em 2025, impulsionado tanto pelo retorno de Kathryn Bigelow ao cinema após vários anos quanto pela temática nuclear de grande urgência na cultura contemporânea. Embora a recepção crítica tenha sido polarizada, o filme atraiu grande atenção pública — incluindo debates sobre sua representação da doutrina de defesa e reações governamentais reais — e figurou entre os títulos de maior visibilidade de sua temporada. Assim, Casa de Dinamite é lembrado como um trabalho que provocou discussões sobre cinema e geopolítica, mais do que unânime consenso crítico.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Lançamento de Novo Livro sobre Cinema Clássico: James Dean!

James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária para aqueles tempos de grandiosidade cinematográfica. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano. 

Abaixo os links onde o interessado pode comprar o novo livro:

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Céu Amarelo

Céu Amarelo
Baseado num conto de W.R Burnett, o western, "Céu Amarelo" (Yellow Sky,1948) conta a história de James Stretch Dawson (Gregory Peck) e seu bando de assaltantes. A quadrilha, após assaltar o banco da pequena cidade de Rameyville, foge, tendo em seu encalço vários soldados da união. Para fugir do pequeno exército, Stretch e seus capangas desviam a rota e resolvem atravessar a imensidão do deserto na região do Vale da Morte. Depois de vários dias de travessia pelo deserto com sol abrasador, o bando está em frangalhos. O calor inclemente, além da sede e da fome, devastam pouco a pouco Stretch, seus comparsas e os cavalos. Quando ninguém mais acreditava, a quadrilha trôpega e moribunda, chega a uma cidade fantasma chamada Yellow Sky. Na busca desesperada por água o bando encontra uma mulher que os recebem armada com um rifle. Seu nome: Mike (Anne Baxter). Mike mora na pequena cidade com seu avô (James Barton) e juntos guardam um segredo a sete chaves: uma mina de ouro. A beleza e o charme de Mike passam a chamar a atenção do bando, mas especialmente de dois deles: Stretch (Gregory Peck) e Dude (Richard Widmark). Passado alguns dias o bando descobre que Mike e seu avô escondem uma mina de ouro e passam a pressioná-los para que indiquem a posição. O velho, já doente, informa ao bando que na mina existem 50.000 dólares em ouro e que topa fazer a divisão entre todos.

O maior problema é que Stretch está cada dia mais apaixonado por Mike, fazendo brotar em Dude sentimentos de ciúme, ódio e vingança. Dude então reúne o bando para juntos roubarem a mina, traindo não só Stretch mas também Mike e seu avô. Quando descobre a traição do resto do bando, Stretch se une a Mike e seu avô e juntos irão enfrentar o resto do bando pela posse de todo o ouro. Entrincheirados na casa de Mike para se protegerem dos bandidos que agora tem Dude como líder, a batalha pelo ouro e também pelo coração de Mike, inicia-se com uma ferrenha troca de tiros que culminará num final sensacional, inesperado e digno dos grandes clássicos.

Céu Amarelo é um dos maiores western feitos até hoje. Seu revestimento estético projeta na tela uma aura e um charme que só os eternos clássicos do western possuem. Além disso, o longa é ancorado por excelentes performances de Gregory Peck, Richard Widmarck e Anne Baxter. A fotografia em preto e branco de Joseph MacDonald é um espetáculo à parte, principalmente na cena da travessia do deserto onde ele explora as tomadas com um excesso quase letal de claridade. Palmas também para mais um show de direção do grande William A.Wellman que também já havia dirigido o inesquecível "Beau Geste" em 1939.

Céu Amarelo (Yellow Sky, Estados Unidos, 1948) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Lamar Trotti, W.R. Burnett / Elenco: Gregory Peck, Anne Baxter, Richard Widmark / Sinopse: Grupo de assaltantes chegam numa pequena cidade perdida do velho oeste e descobrem que no local há uma rica mina de ouro. Agora terão que lutar para colocar as mãos na fortuna do local.

Telmo Vilela Jr.

Em Cartaz: Céu Amarelo
O faroeste Céu Amarelo estreou nos cinemas em dezembro de 1948, dirigido por William A. Wellman e estrelado por Gregory Peck, Anne Baxter e Richard Widmark. Ambientado em uma cidade fantasma no deserto, o filme acompanha um grupo de fora da lei que, após um assalto, encontra apenas uma jovem e seu avô vivendo entre ruínas, dando início a um confronto moral entre ganância, sobrevivência e redenção. Desde o lançamento, a obra se destacou por seu tom sombrio e psicológico, distanciando-se do faroeste clássico mais aventureiro.

Em termos de bilheteria, Céu Amarelo obteve um desempenho sólido, embora não tenha sido um dos maiores sucessos comerciais do gênero naquele ano. Produzido pela 20th Century Fox, o filme atraiu público suficiente para justificar seu investimento, beneficiando-se da popularidade crescente de Gregory Peck e do interesse do público por westerns com maior densidade dramática e visual mais estilizado.

A reação da crítica em 1948 foi majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste tenso e inteligentemente construído”, elogiando sua atmosfera opressiva e o uso expressivo da paisagem desértica. A revista Time comentou que a produção era “mais dura e mais adulta do que a maioria dos westerns de estúdio”, destacando o equilíbrio entre ação e conflito psicológico.

As atuações também receberam atenção especial da imprensa. Gregory Peck foi elogiado por interpretar um fora da lei dividido entre cinismo e consciência moral, com críticos afirmando que sua atuação era “contida e progressivamente humana”. Richard Widmark, conhecido por papéis intensos, foi apontado como o elemento mais imprevisível do elenco, descrito em jornais como “ameaçador e eletricamente instável”. Anne Baxter foi valorizada por trazer força e ambiguidade a uma personagem feminina rara para o gênero na época.

Com o passar do tempo, Céu Amarelo passou a ser visto como um western precursor de abordagens mais modernas, antecipando temas e atmosferas que se tornariam comuns no gênero nas décadas seguintes. Já em 1948, alguns críticos observavam que o filme possuía uma seriedade incomum para o faroeste tradicional. Hoje, a obra é considerada um clássico subestimado, lembrado por sua fotografia marcante, por seu clima moralmente ambíguo e por representar uma fase mais sombria e madura do cinema western americano.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O Grande Roubo de St. Louis

Título no Brasil: O Grande Roubo de St. Louis
Título Original: The Great St. Louis Bank Robbery
Ano de Lançamento: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Charles Guggenheim, John Stix
Roteiro: Richard Collins, Charles Guggenheim
Elenco: Steve McQueen, Robert Duvall, E. G. Marshall, Jay C. Flippen, David Clarke, Crahan Denton

Sinopse:
Baseado em fatos reais, o filme reconstrói um ousado assalto a banco ocorrido em St. Louis no início dos anos 1950. A narrativa acompanha o planejamento meticuloso do crime, a execução do roubo e a rápida reação das autoridades, alternando o ponto de vista dos criminosos e da polícia. O resultado é um retrato tenso e quase documental sobre ambição, erro humano e as consequências inevitáveis do crime.

Curiosidades: 
Um filme que, para a época em que foi produzido, surpreende. Tem um estilo cru, violento, diria até mesmo sujo, o que combinou perfeitamente com sua fotografia preto e branco. O crime real aconteceu em 1950 e chocou a comunidade onde ele foi realizado. O filme, com esse estilo mais realista e barra pesada combinou muito bem com a história. Parece até um documentário True Crime e isso se explica pelo fato do diretor do filme ter sido um especialista em documentários. Hoje em dia "O Grande Roubo de St. Louis" tem relevância e chama a atenção dos cinéfilos porque apresenta no elenco um jovem Steve McQueen, bem no comecinho de sua carreira. Seu personagem é bem interessante. Apesar de ser muito jovem no meio de ladrões veteranos, é justamente ele que funciona como um motor moral para toda aquela quadrilha de criminosos. Enfim, filme muito bom. Gostei realmente. 

Pablo Aluísio. 

Quando 8 Sinos Tocam

Título no Brasil: Quando 8 Sinos Tocam
Título Original: When Eight Bells Toll
Ano de Lançamento: 1971
País: Reino Unido
Estúdio: United Artists
Direção: Étienne Périer
Roteiro: Jack Davies, Alistair MacLean
Elenco: Anthony Hopkins, Robert Morley, Jack Hawkins, Nathalie Delon, Anthony Dawson, Desmond Llewelyn

Sinopse:
O agente britânico Philip Calvert (Hopkins) é enviado para investigar o misterioso desaparecimento de navios cargueiros no litoral da Escócia. As investigações revelam um sofisticado esquema de pirataria moderna envolvendo sequestros, traições e uma organização criminosa altamente organizada. Em meio a perseguições marítimas e confrontos perigosos, Calvert precisa agir rapidamente para impedir novos crimes e desmantelar a quadrilha.

Comentários:
Eu sou um fã de carteirinha do grande ator Anthony Hopkins, mas apesar disso não gostei nada desse filme. É uma espécie de "James Bond genérico" onde tentam imitar em tudo a famosa franquia do cinema. Até a música tema do filme é praticamente igual! Algo impressionante! Só que falharam em tudo por aqui. A trama é um tanto sem graça e o roteiro vai numa sucessão de cenas que tentam impactar, mas que ficam pelo meio do caminho. É algo banal e pra falar a verdade, bem chato! Agora, nada supera o grotesco título nacional. Não se trata de oitos sinos tocando, mas sim de oito badaladas do sino! Basta assistir ao filme para entender isso. Só que, ao que tudo indica, o tradutor nacional não sabia nada de língua inglesa, por mais absurdo que isso possa parecer. Vergonha alheia total! 

Pablo Aluísio.