terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Rio Lobo

Rio Lobo
Rio Lobo foi lançado em 18 de dezembro de 1970, dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne, ao lado de Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam e Christopher Mitchum. O filme representa a última colaboração entre Hawks e Wayne, dupla fundamental para a consolidação do western clássico americano. Ambientada logo após a Guerra Civil dos Estados Unidos, a história acompanha um oficial da União que decide investigar uma série de injustiças ocorridas em uma pequena cidade dominada por corrupção e abuso de poder. O ponto de partida surge quando ele descobre que antigos inimigos de guerra podem, na verdade, tornar-se aliados diante de um mal maior. A partir dessa premissa, o longa desenvolve um confronto moral entre honra, vingança e reconciliação, mantendo o foco na jornada do protagonista sem antecipar os acontecimentos finais.

No momento de seu lançamento, Rio Lobo recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times observou que o filme possuía “o charme tranquilo dos westerns tradicionais de Hawks”, mas também apontou que a narrativa parecia familiar demais em comparação com obras anteriores do diretor. Já o Los Angeles Times destacou a presença de John Wayne como elemento central de força dramática, elogiando sua autoridade em cena e sua capacidade de sustentar o tom clássico da produção. Ainda assim, parte da crítica considerou que o gênero western já não ocupava o mesmo espaço cultural dominante do passado.

A revista Variety descreveu o longa como “um western sólido, porém convencional”, ressaltando a competência técnica da direção e das sequências de ação, mas sem grandes inovações narrativas. O The New Yorker comentou que o filme parecia uma despedida melancólica de uma era do cinema americano, marcada por heróis estoicos e conflitos morais diretos. Mesmo sem entusiasmo unânime, muitos críticos reconheceram a elegância clássica da encenação de Hawks e o carisma duradouro de Wayne. O consenso geral foi de respeito moderado, vendo o filme mais como um epílogo do western tradicional do que como uma renovação do gênero.

No campo comercial, Rio Lobo apresentou desempenho modesto nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões, o filme arrecadou valores considerados apenas satisfatórios para os padrões da época, especialmente diante da popularidade anterior das colaborações entre Hawks e Wayne. O western, naquele início dos anos 1970, enfrentava concorrência crescente de outros gêneros e mudanças no gosto do público. Ainda assim, o nome de John Wayne garantiu presença significativa nos cinemas e boa circulação internacional, assegurando retorno financeiro razoável e posterior exibição frequente na televisão.

Com o passar das décadas, Rio Lobo passou a ser visto como uma obra de encerramento simbólico do ciclo clássico do western hollywoodiano. Embora não figure entre os títulos mais celebrados de Hawks ou Wayne, o filme é valorizado por estudiosos como parte importante da transição entre o western tradicional e abordagens mais revisionistas que dominariam os anos seguintes. A relação entre antigos inimigos que se tornam aliados também ganhou leitura mais contemporânea, reforçando temas de reconciliação após a guerra. Hoje, o longa mantém respeito histórico e interesse entre admiradores do gênero.

Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Direção: Howard Hawks / Roteiro: Burton Wohl, Leigh Brackett e Larry Cohen / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam, Christopher Mitchum, Victor French / Sinopse: Um ex-oficial da Guerra Civil investiga abusos cometidos em uma cidade dominada pela corrupção, unindo-se a antigos adversários para restaurar a justiça e a honra no Oeste americano.

Erick Steve. 

Fibra de Herói

Tom Buchanan (Randolph Scott) é um cowboy que indo na direção do Texas onde pretende comprar um rancho resolve parar numa pequenina cidade na fronteira entre Estados Unidos e México. Lá acaba involuntariamente se envolvendo numa briga entre um mimado filho do juiz local e um mexicano que está ali para lavar a honra de sua família. Após muitos desentendimentos Juan (Manuel Rojas) finalmente mata seu desafeto em um Saloon. Imediatamente a população resolve levar o criminoso ao linchamento mas Buchanan (Scott) tenta evitar. Má ideia. Logo ele também é acusado de ser cúmplice do assassino mesmo sendo completamente inocente.

"Homem errado no lugar errado" essa é a premissa desse "Fibra de herói", mais um parceria entre o ator Randolph Scott e o talentoso diretor Budd Boetticher. Juntos fariam alguns dos melhores westerns da década de 50, geralmente com Scott como produtor (ao lado de seu sócio Brown) e Boetticher como diretor. São faroestes eficientes, bem mais centrados em uma boa trama do que em produções de encher os olhos. "Fibra de Herói" tem todas essas características. A pequena cidade onde Scott vai parar e é condenado à forca é totalmente dominada pela mesma família. O corrupto xerife  Lew Agry (Barry Kelley) é irmão do juiz Simon Agry (Tol Avery), que por sua vez também tem laços de sangue com Amos Agry (Peter Whitney) que cuida do único hotel da cidade. Juntos os três brigam entre si por poder, dinheiro e dominação. São víboras de uma mesma ninhada.

Em uma cidade assim, onde a família Agry manda em praticamente tudo o personagem de Randolph Scott certamente se encontra em sérios problemas pois ele é acusado injustamente de matar o fllho do juiz Simon, o desordeiro, bêbado e arruaceiro  Roy Agry (William Leslie). Seria uma ironia sobre a política americana da época, também dominada por famílias poderosas e corruptas? Vindo do diretor  Budd Boetticher tudo é possível. A tônica do filme é parecida com a de um jogo de pôquer do velho oeste onde todos se mostram extremamente gananciosos. A cena final, um grande tiroteio envolvendo a posse de uma mala cheia de dinheiro (50 mil dólares em espécie), mostra bem isso. Com tanta grana em jogo ninguém mais reconhece ninguém, irmão atira em irmão e qualquer laço de parentesco desaparece sob uma chuva de balas.

Embora muito bom, inclusive tecnicamente, "Fibra de Herói" se revela curioso porque o personagem de Randolph Scott apenas tangencia a trama principal. De fato ele fica bastante tempo fora de cena mostrando que é em essência um personagem secundário. Isso pode ter até mesmo aborrecido os fãs do ator cowboy na época. Como o roteiro é baseado em uma novela de Jonas Ward não houve como mudar isso. De qualquer modo temos aqui um faroeste típico de Randolph Scott, mesmo que atuando apenas discretamente em um personagem não tão central como estamos acostumados a ver. Recomendo.

Fibra de Herói (Buchanan Rides Alone, EUA, 1959) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Charles Lang baseado na novela de Jonas Ward / Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley / Sinopse: A caminho do Texas onde pretende comprar um rancho para começar vida nova, um cowboy (Randolph Scott) é injustamente acusado de ser cúmplice na morte do filho do juiz da cidade. Agora ele terá que lutar por sua vida e sua inocência.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Conflitos d'Alma

Título no Brasil: Conflitos d'Alma
Título Original: Conflict
Ano de Produção: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Curtis Bernhardt
Roteiro: Arthur T. Horman, Dwight Taylor
Elenco: Humphrey Bogart, Alexis Smith, Sydney Greenstreet, Rose Hobart, Charles Drake, Grant Mitchell

Sinopse:
Richard Mason (Humphrey Bogart) é um engenheiro bem sucedido, casado há muitos anos, que acaba se apaixonando justamente pela irmã da esposa. Ele então decide matar ela, para assim ter uma nova chance de quem sabe um dia, ter um novo casamento com a irmã mais nova dela.

Comentários:
O ator Humphrey Bogart nunca conseguia fugir de um certo tipo de papel. Durante anos ele interpretou criminosos e gângsters em filmes B da Warner. Aqui ele interpreta um sujeito normal, um engenheiro, mas que na primeira oportunidade cria um plano para matar a própria esposa. Eles cultivam um casamento de fachada. Ele já não gosta dela e ela sabe disso. Mesmo assim força a barra para impor uma situação de pura aparência. Quando estão para sair em um jantar de comemoração de aniversário de seu casamento, ela decide então encarar a situação e pergunta se ele está apaixonado por sua própria irmã. O personagem de Bogart nem hesita e diz que sim. Bem, depois disso não há mais nada a preservar e ele arquiteta um plano de forjar a morte dela, como se fosse um acidente de carro. O roteiro é bem orquestrado. Depois da suposta morte dela, a presença da esposa começa a assombrar o marido. O corpo dela nunca foi encontrado pela polícia.  Afinal ela teria morrido ou não? O roteiro vai desenvolvendo o mistério até um desfecho que me agradou bastante. Há uma figura secundária dentro da trama, um psiquiatra especializado em mentes criminosas, que acaba sendo um elo importante dentro da história. Fique de olho nele. Enfim, bom filme, pouco conhecido, do grande Bogart, aqui como um criminoso de elite. O mais perigoso assassino é aquele que não se parece com um.

Pablo Aluísio.

Anos de Ternura

Título no Brasil: Anos de Ternura
Título Original: The Green Years
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Victor Saville
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Charles Coburn, Tom Drake, Beverly Tyler, Dean Stockwell, Gladys Cooper, Jessica Tandy

Sinopse:
Com roteiro baseado na novela escrita por A.J. Cronin, o filme "Anos de Ternura" conta a história do jovem irlandês Robert Shannon, Quando seus pais morrem, ele é enviado para morar com seus parentes na Escócia. E lá fica muito próximo do avô, Alexander Gow (Charles Coburn), um homem de bom coração, embora fosse dado a contar lorotas e beber em demasia. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Charles Coburn) e melhor fotografia (George J. Folsey).

Comentários:
Que ótimo filme! Adorei! É uma daquelas belas obras cinematográficas que caem injustamente no esquecimento. É um drama que conta a história de um rapaz que passa a ser criado por uma numerosa família escocesa após a morte de seus pais. E cada um dos parentes que passa a conhecer tem sua própria visão de mundo. Seu tio é um sujeito com mania de economizar em tudo, o que é até compreensível pois a família Leckie não é rica e tendo muitos membros precisa contar com cada centavo. A avó é do tipo austera, religiosa ao extremo. E aqui o filme abre um aspecto interessante. O pequeno rapaz por ter sido criado na Irlanda é católico, mas sua nova família é toda protestante, pois eles são escoceses. Porém nada supera o grande talento do ator Charles Coburn. Ele é o avô do menino. Um homem de coração imenso, mas incorrigível na questão da bebida e da mania de contar mentiras, lorotas sobre seu passado. Coburn foi indicado ao Oscar por esse papel e na minha opinião deveria ter vencido. Ele está excepcional no filme. No mais é um belo clássico do cinema que merece ser conhecido pelas novas gerações. Muitos jovens vão se identificar, principalmente na luta do jovem protagonista em estudar para entrar numa boa universidade. Um tipo de batalha pessoal que é realmente atemporal.

Pablo Aluísio.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Roma Antiga: A Escandalosa Vida do Imperador Heliogábalo

Quando o jovem Heliogábalo se tornou imperador do poderoso Império Romano, a elite tradicional ficou bem desconfiada. Embora ele tivesse linhagem para ser o novo imperador, o rapaz era na verdade desconhecido em Roma. Ele havia sido criado em terras estrangeiras e ninguém na cidade eterna o conhecia de verdade. Sua subida ao poder só era explicada por uma intrigada rede em sua árvore genealógica. E como algumas vezes acontecia em monarquias, ele acabou herdando o poder. A desconfiança da classe Patrícia (formada pelas famílias nobres de Roma) logo se revelaria certeira. Heliogábalo era muito desequilibrado! Psicológos modernos estudando suas atitudes acreditam que ele sofria de um transtorno psicológico conhecido pela sigla TOD (Transtorno Opositivo Desafiador). Esse transtorno faz com que a pessoa seja sempre do contra, tentando destruir todas as bases da sociedade. Qualquer conselho sensato era violentamente negado pelo jovem imperador que começou a desafiar abertamente os valores da sociedade romana. 

Ele promoveu orgias em templos religiosos, se vestia como mulher e no ato de supremo desafio contra as elites romanas decidiu que iria se casar com um escravo! Era o fim da picada para os romanos. Imagine presenciar um imperador vestido de mulher, sendo submisso (ou submissa) a um escravo, que estava na base completa da sociedade em Roma, pois o escravo sequer era considerado uma pessoa naqueles tempos antigos, mas sim um bem, um objeto de propriedade de seu senhor. 

Heliogábalo passou a exigir que fosse chamado de senhora, imperatriz e não imperador! E passou até mesmo a apanhar de seu marido (escravo) na frente de todos. Certa vez, seu escravo, em uma cerimônia pública, deu uns tapas no imperador! Depois mandou que Heliogábalo se abaixasse perante ele, em posição de dominação! Todos ficaram chocados com tudo aquilo! 

Diante de tantas afrontas para a mentalidade de Roma, a elite logo deu autorização para o exército romano dar cabo da vida do imperador. Primeiro foi capturado seu marido, o escravo. Não tardou para que os soldados o colocassem numa cruz romana, para que morresse em agonia e fosse devorado por aves de rapina e cães selvagens, fora dos muros da cidade. Heliogábalo foi caçado por seus próprio legionários, depois de capturado teve a cabeça decepada e no último ato de humilhação seu corpo foi jogado nos esgotos do rio Tibre. Esse tipo de execução era reservada para os piores criminosos. Foi o fim daquele que foi considerado em sua época o pior imperador romano da história. 

Pablo Aluísio. 

Napoleão Bonaparte no Egito

A campanha de Napoleão Bonaparte no Egito teve início em 1798, durante o período do Diretório na França, e fazia parte de uma estratégia ambiciosa para enfraquecer o Império Britânico. Ao ocupar o Egito, Napoleão pretendia interromper as rotas comerciais inglesas com a Índia e, ao mesmo tempo, ampliar a influência francesa no Mediterrâneo oriental. A expedição reuniu não apenas tropas militares, mas também cientistas, engenheiros, artistas e estudiosos, demonstrando o caráter político, científico e cultural do empreendimento. Esse aspecto diferenciou a campanha egípcia de outras operações militares da época, pois combinava conquista territorial com produção de conhecimento. A chegada das forças francesas marcou um choque entre o mundo europeu moderno e a realidade política do Império Otomano, que dominava a região.

Logo após desembarcar em Alexandria, Napoleão conduziu suas tropas rumo ao interior do Egito e enfrentou os mamelucos na célebre Batalha das Pirâmides, em julho de 1798. A vitória francesa foi decisiva e consolidou o controle inicial sobre o território egípcio, graças à superioridade tática e ao uso disciplinado da infantaria em formações de quadrado. Apesar do sucesso em terra, a situação estratégica francesa tornou-se frágil quando a frota britânica, comandada pelo almirante Horatio Nelson, destruiu a esquadra francesa na Batalha do Nilo. Esse evento isolou o exército de Napoleão no Egito, impedindo reforços e dificultando a comunicação com a França. A partir desse momento, a campanha passou a enfrentar sérios desafios logísticos e políticos, além de revoltas locais contra a ocupação estrangeira.

Mesmo em meio às dificuldades militares, a expedição produziu resultados científicos extraordinários. Os estudiosos que acompanharam Napoleão realizaram extensos levantamentos sobre a geografia, a fauna, a flora, a arquitetura e a história do Egito antigo. Um dos acontecimentos mais importantes foi a descoberta da Pedra de Roseta, em 1799, que posteriormente permitiu a decifração dos hieróglifos egípcios por Jean-François Champollion. Esse achado revolucionou a egiptologia e ampliou o conhecimento europeu sobre as civilizações antigas do Nilo. Além disso, os registros reunidos deram origem à monumental obra “Description de l’Égypte”, que influenciou profundamente a ciência, a arqueologia e até o imaginário artístico europeu do século XIX.

Militarmente, porém, a campanha começou a se deteriorar. Napoleão tentou avançar para a Síria em 1799, buscando enfraquecer as forças otomanas e talvez abrir caminho para novos domínios no Oriente. Durante essa ofensiva, enfrentou resistência intensa em cidades como Acre, cuja defesa, apoiada pelos britânicos, impediu o sucesso francês. As tropas sofreram com doenças, escassez de suprimentos e desgaste contínuo, tornando inviável a continuidade da expansão. Diante desse cenário, Napoleão decidiu retornar secretamente à França, deixando o comando do exército para o general Kléber. Pouco tempo depois, a presença francesa no Egito entrou em colapso, culminando na retirada definitiva em 1801.

Apesar do fracasso militar, a campanha egípcia teve enorme impacto político e cultural. O retorno de Napoleão à França contribuiu para sua ascensão ao poder no golpe do 18 de Brumário, que o transformou em primeiro-cônsul e, posteriormente, imperador. No campo intelectual, a expedição despertou grande fascínio europeu pelo Egito antigo, influenciando a arte, a arquitetura e a ciência. Também evidenciou os limites do expansionismo francês diante do poder naval britânico, elemento central das guerras napoleônicas. Assim, a experiência no Egito representou ao mesmo tempo derrota estratégica e triunfo simbólico, consolidando a imagem de Napoleão como líder militar audacioso e figura decisiva da história moderna.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - From Elvis in Memphis

Elvis Presley - From Elvis in Memphis
O álbum “From Elvis in Memphis” foi lançado em 17 de junho de 1969, pela RCA Victor, marcando um dos momentos mais importantes da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios American Sound, em Memphis, no início de 1969, o disco surgiu após o sucesso do especial televisivo de retorno do cantor em 1968, que havia recolocado Elvis no centro da cultura popular. Diferente de muitos de seus trabalhos anteriores da década, ligados a trilhas sonoras de filmes, este projeto representou um retorno sério à música de estúdio com forte identidade artística. Sob produção de Chips Moman, Elvis gravou com músicos de alto nível, explorando sonoridades que misturavam soul, country, pop e rhythm and blues. O clima das sessões foi de renovação criativa e confiança artística. Esse contexto fez do álbum um verdadeiro renascimento musical. Sua importância reside no fato de consolidar a volta de Elvis como intérprete relevante no cenário contemporâneo. Muitos críticos consideram este o melhor disco de estúdio de toda a sua carreira.

A recepção crítica foi extremamente positiva desde o lançamento. O The New York Times destacou que o álbum mostrava “um Elvis maduro, emocionalmente convincente e artisticamente focado”, ressaltando a profundidade interpretativa inédita em sua discografia recente. Já o Los Angeles Times afirmou que o cantor havia encontrado “o material ideal para sua voz, combinando sofisticação e intensidade emocional”. Críticos observaram que a escolha de repertório era particularmente forte, com composições modernas e arranjos elegantes. A interpretação de Elvis foi vista como sincera e poderosa. Muitos textos ressaltaram que o disco soava contemporâneo, não nostálgico. Isso era crucial para sua reinserção artística. O álbum rapidamente ganhou reputação de obra séria dentro do rock e da música popular. A crítica percebeu que não se tratava apenas de um retorno comercial, mas de um verdadeiro renascimento criativo.

Revistas especializadas como a Rolling Stone elogiaram a coesão sonora do projeto, afirmando que “Elvis nunca soou tão comprometido com a música quanto aqui”. A Billboard destacou o potencial duradouro das canções, especialmente “In the Ghetto”, chamando-a de “uma das interpretações mais socialmente conscientes já gravadas pelo artista”. O The New Yorker observou que havia no disco “uma dignidade emocional rara, que reposiciona Elvis como intérprete adulto”. Mesmo críticas mais cautelosas reconheceram a qualidade excepcional das gravações. Com o tempo, essas avaliações iniciais foram reforçadas. O álbum passou a figurar em listas de melhores discos dos anos 1960. A consistência artística tornou-se consenso. Assim, a recepção crítica consolidou o trabalho como clássico imediato. Poucos discos de retorno foram tão celebrados.

Comercialmente, “From Elvis in Memphis” também obteve grande sucesso. O álbum alcançou o Top 15 da Billboard 200 e teve desempenho expressivo em diversos países. O single “In the Ghetto” tornou-se um grande êxito internacional, entrando no Top 10 dos Estados Unidos e ampliando a relevância cultural do disco. Estima-se que o álbum tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, recebendo certificações de ouro e platina. O público respondeu com entusiasmo ao novo direcionamento musical de Elvis. Muitos fãs consideraram o disco seu melhor trabalho em anos. O sucesso ajudou a sustentar a fase de apresentações ao vivo que viria em seguida. Comercialmente e artisticamente, foi um triunfo. Esse desempenho confirmou a força duradoura do cantor.

O legado de “From Elvis in Memphis” é profundo dentro da história da música popular. Hoje, o álbum é frequentemente citado como o maior disco de estúdio de Elvis Presley e um dos grandes trabalhos do final dos anos 1960. Fãs e críticos o veem como prova definitiva de sua capacidade interpretativa e sensibilidade musical. O disco influenciou gerações de cantores que buscaram unir emoção soul com narrativa country. Também representa um exemplo clássico de reinvenção artística bem-sucedida. Sua sonoridade permanece atual décadas depois. Reedições contínuas mantêm o álbum vivo para novos ouvintes. Poucos retornos na música tiveram impacto comparável. Trata-se de uma obra central no legado de Elvis.

Elvis Presley – From Elvis in Memphis (1969)
Wearin’ That Loved On Look
Only the Strong Survive
I’ll Hold You in My Heart (Till I Can Hold You in My Arms)
Long Black Limousine
It Keeps Right On A-Hurtin’
I’m Movin’ On
Power of My Love
Gentle on My Mind
After Loving You
True Love Travels on a Gravel Road
Any Day Now
In the Ghetto

Erick Steve. 

The Beatles - The White Album

The Beatles - The White Album
O álbum “The Beatles”, mundialmente conhecido como “The White Album”, foi lançado em 22 de novembro de 1968 nos Estados Unidos (e em 22 de novembro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de intensas transformações internas na banda. Gravado principalmente entre maio e outubro de 1968, logo após a viagem do grupo à Índia para estudar meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi, o disco reflete um momento de fragmentação criativa entre John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Diferente da unidade estética de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o White Album apresenta uma coleção ampla e diversa de estilos, do rock cru ao folk, do blues ao experimentalismo sonoro. As tensões pessoais dentro do estúdio influenciaram diretamente o resultado artístico, com vários membros gravando faixas praticamente de forma solo. Ainda assim, o projeto revelou uma liberdade criativa sem precedentes. Sua importância na carreira dos Beatles reside justamente nessa pluralidade e no retrato honesto de uma banda em transformação.

A recepção crítica inicial foi dividida, mas profundamente atenta ao impacto cultural do lançamento. O The New York Times observou que o álbum era “uma obra vasta e irregular, mas impossível de ignorar”, destacando sua ambição artística. Já o Los Angeles Times descreveu o disco como “um mosaico de ideias que expande os limites do que um álbum pop pode conter”. Muitos críticos ficaram impressionados com a variedade de gêneros e abordagens, embora alguns tenham considerado o conjunto excessivamente longo. Revistas musicais reconheceram que, mesmo com inconsistências, o álbum continha algumas das composições mais fortes do grupo. A diversidade sonora foi vista tanto como virtude quanto como desafio para o público. Ainda assim, a magnitude do lançamento dominou o debate cultural daquele ano. O White Album rapidamente se tornou um evento artístico.

Publicações como a Rolling Stone exaltaram a ousadia do projeto, afirmando que “os Beatles demonstram que não há limites para sua imaginação musical”. A Billboard destacou o potencial comercial do disco duplo, chamando-o de “uma vitrine impressionante da versatilidade do grupo”. O The New Yorker adotou um tom mais analítico, sugerindo que o álbum refletia “quatro trajetórias criativas distintas coexistindo sob o mesmo nome”. Mesmo críticas mais céticas reconheciam a relevância histórica do trabalho. Com o passar do tempo, muitas avaliações iniciais foram revistas de forma mais positiva. O álbum passou a ser entendido como um retrato complexo do fim da década de 1960. Hoje, essas leituras críticas ajudam a contextualizar sua grandeza. O consenso posterior consolidou o White Album como uma obra essencial do rock.

Comercialmente, “The White Album” foi um enorme sucesso mundial. Nos Estados Unidos, alcançou o 1º lugar na Billboard 200, permanecendo por várias semanas no topo, enquanto no Reino Unido também liderou as paradas. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 20 milhões de cópias apenas nos EUA e dezenas de milhões globalmente, tornando-se um dos discos mais vendidos da história. O formato duplo não impediu sua popularidade; pelo contrário, ampliou a percepção de grandiosidade. O público respondeu com entusiasmo, impulsionando singles e faixas que se tornaram clássicos. Mesmo canções menos convencionais ganharam status cult ao longo do tempo. O sucesso confirmou a permanência dos Beatles como força dominante na indústria musical. Foi um triunfo tanto artístico quanto comercial.

O legado do White Album é profundo e duradouro. Frequentemente listado entre os maiores álbuns de todos os tempos, ele é visto como símbolo máximo da liberdade criativa no rock. Fãs e críticos valorizam sua diversidade, que permite múltiplas interpretações e descobertas contínuas. O disco influenciou gerações de músicos a experimentar estilos variados dentro de um mesmo projeto. Também representa um documento histórico do momento em que a unidade dos Beatles começava a se desfazer. Sua capa minimalista, totalmente branca, tornou-se um ícone do design gráfico musical. Décadas após o lançamento, continua sendo objeto de estudo, reedições e debates. Poucos álbuns possuem impacto cultural comparável.

The Beatles – The Beatles (The White Album) (1968)
Back in the U.S.S.R.
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Wild Honey Pie
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness Is a Warm Gun
Martha My Dear
I’m So Tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Don’t Pass Me By
Why Don’t We Do It in the Road?
I Will
Julia

Birthday
Yer Blues
Mother Nature’s Son
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Helter Skelter
Long, Long, Long
Revolution 1
Honey Pie
Savoy Truffle
Cry Baby Cry
Revolution 9
Good Night

Erick Steve. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Feliz Ano Velho

Título no Brasil: Feliz Ano Velho
Título Original: Feliz Ano Velho
Ano de Lançamento: 1987
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Roberto Gervitz
Roteiro: Roberto Gervitz, Marcelo Rubens Paiva
Elenco: Marcos Breda, Malu Mader, Betty Gofman, Paulo Betti, Denise Del Vecchio, Chico Díaz

Sinopse:
Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, o filme acompanha a vida de um jovem estudante que sofre um grave acidente ao mergulhar em um lago, ficando tetraplégico. A partir desse momento, ele precisa enfrentar não apenas as limitações físicas, mas também conflitos familiares, angústias existenciais e a necessidade de reconstruir sua identidade. Entre lembranças do passado, reflexões sobre juventude e o contexto político do Brasil, a história revela um processo doloroso, porém sensível, de amadurecimento e esperança.

Comentários:
É, acima de tudo, uma história real bem triste, mas que se abraça na esperança de um futuro melhor! Um jovem que na flor da idade, nos anos universitários (os melhores da vida de muitas pessoas), acaba perdendo o movimento das mãos e pernas após um acidente banal, mas que mudou sua vida para sempre. Ao mergulhar numa cachoeira, cuja base de água era muito rasa, ele acabou batendo a cabeça numa pedra. E depois disso nunca mais andou! Eu me recordo que esse livro foi bem popular nos anos 80. Sempre tinha algum estudante lendo ele pelos corredores das escolas e colégios. A linha narrativa do filme, para minha surpresa, não é convencional e nem linear. É mais sensorial. Os eventos e acontecimentos na vida do protagonista vão se sucedendo, mas não em ordem cronológica. Como algúem se lembrando de fatos do passado, a maioria deles dolorosos. Eu gostei bastante do que assisti. É, sem dúvida, um filme muito humano. E se você assistiu "Ainda Estou Aqui" e gostou, serve como um complemento a toda essa história.

Pablo Aluísio. 

Perdoa-me Por Me Traíres

Título no Brasil: Perdoa-me Por Me Traíres
Título Original: Perdoa-me Por Me Traíres
Ano de Lançamento: 1983
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Braz Chediak
Roteiro: Braz Chediak, Nelson Rodrigues
Elenco: Vera Fischer, Tarcísio Meira, Cláudio Marzo, Ítala Nandi, Carlos Alberto Riccelli, Lídia Brondi

Sinopse:
Ambientado no universo moralmente sufocante da classe média carioca, o filme acompanha Glorinha, uma jovem criada sob rígidos valores familiares, cuja vida é marcada por repressão, culpa e desejo. Após um trauma devastador, segredos vêm à tona e revelam uma rede de hipocrisia, violência emocional e sexualidade reprimida. A narrativa expõe a corrosão das relações familiares e o peso destrutivo do moralismo extremo.

Comentários:
Nelson Rodrigues capturou, como ninguém, a alma podre de certos setores do povo brasileiro. Queira você goste dele ou não, essa é a verdade! E aqui temos um de seus textos mais consagrados. O filme é uma adaptação da peça homônima de Nelson Rodrigues, um dos textos mais polêmicos do autor. Dirigido por Braz Chediak, cineasta conhecido por levar obras rodrigueanas ao cinema com fidelidade temática. Vera Fischer tem uma atuação marcante, explorando fragilidade psicológica e intensidade dramática. A obra mantém os temas centrais de Nelson Rodrigues: hipocrisia social, repressão sexual, culpa e tragédia familiar. À época do lançamento, o filme gerou debates por seu conteúdo forte e abordagem direta de tabus. É considerado um dos exemplos mais representativos das adaptações cinematográficas do teatro rodrigueano nos anos 1980.

Pablo Aluísio.