quinta-feira, 3 de abril de 2025

O Nômade

O Nômade
Roteirista inventa cada história! Veja o caso desse filme. Na história um serial killer começa a atacar nas ruas escuras de Nova Iorque. Suas vítimas são sempre as mesmas: Padres! Pois é, os padres são atacados de forma violenta, com um martelo na cabeça! Não é algo bonito de se ver. E um desses assassinatos acaba sendo filmado pela câmera de uma jornalista investigativa! Então você poderia pensar que ela iria imediatamente às autoridades para denunciar o assassino, não é mesmo? Que nada! Ela usa as imagens para chantagear o psicopata! Ela quer que ele mate seu próprio pai, pois no passado ele cometeu abusos contra ela, quando ainda era uma criança!

Que rocambole! E ainda temos que lidar com o fato de que o assassino está matando padres porque... Sim, ele é um padre! Depois que se tornou ateu se revoltou e passou a matar membros do clero da Igreja Católica! Ela agora acha que perdeu sua juventude inteira estudando para ser padre, enquanto poderia estar por aí, namorando belas garotas, curtindo as festas, etc. E agora, sem Deus na sua vida, qual seria o sentido da vida? Assim, revoltado, mata padres com um martelo! Meu Deus! Pois é, eu disse que de cabeça de roteirista pode sair tudo. E olha que eu ainda não disse que o Padre descobriu que Deus não existe em um laboratório de ciências que provou que Deus realmente não existia! Não é piada! Enfim, Chega! Melhor eu parar por aqui... Assista ao filme por sua própria conta e risco... 

O Nômade (The Nomad, Estados Unidos, 2023) Direção: Daniel Diosdado / Roteiro: Daniel Diosdado / Elenco: Lauren Biazzo, Dietrich Teschner, Vanessa Calderón / Sinopse: Assassino em série começa a matar padres nas ruas escuras de Nova Iorque. Descoberto por uma jovem jornalista investigativa, ela decide chantagear o criminoso. Ele deverá matar uma pessoa, em troca ela não o entregará para os policiais que estão em sua procura. 

Pablo Aluísio. 

Lobos

Lobos 
O Homem é o Lobo do próprio Homem, já dizia o pensador Thomas Hobbes. E é mesmo! Não tenha dúvida disso! Se formos pensar bem, de modo reflexivo, apenas o ser humano é capaz de matar por puro prazer, cometendo atrocidades contra outros de sua própria espécie! E psicopatas matam desde cedo, ainda crianças e adolescentes. Seus alvos nessa fase da vida geralmente são pequenos animais. Basta ler a biografia de vários serial killers para entender bem esse aspecto. Na história desse filme temos uma boa amostra disso. Um homem meio estranho, um tanto antissocial e esquisito, levemente desonesto, acaba sendo demitido por roubar pequenas bijuterias de um caminhão baú onde faz mudanças. Seu patrão nem pensa duas vezes e o demite. Sem trabalho, ele acaba se interessando na história de animais que foram mortos nas redondezas onde mora. Então ele começa, por conta própria uma investigação. 

Nem preciso dizer que sua "caçada" ao assassino de animais o levará a bater de frente com um assassino em série muito real! Pois é, meus caros, ele termina na toca do lobo, literalmente. Nesse filme, apesar do título, você não encontrará lobos de verdade, apenas seres humanos que se comportam como as mais famintas e irracionais bestas assassinas das florestas. 

Lobos (Wolves, Canadá, 2022) Direção: Danny Dunlop / Roteiro: Danny Dunlop / Elenco: Mark Nocentl Jake Raymond, Allan Dobrescu / Sinopse: Jovem, sem rumo certo em sua vida, decide investigar, por conta própria, uma série de crimes cometidos contra animais. E acaba cruzando caminho com um perigoso serial killer. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

In Memoriam: Gene Hackman e Val Kilmer

In Memoriam: Gene Hackman e Val Kilmer
O tempo vai passando e as pessoas vão partindo. E isso também se reflete no mundo das artes. Artistas que acompanhamos ao longo de tantos anos se vão. Em termos de cinema tivemos duas perdas significativas nesses últimos tempos. O primeiro foi a despedida do grande Gene Hackman. Ele gostava de se definir como um operário do cinema. E de certa forma fez jus a isso, trabalhando em uma grande quantidade de filmes. Só que Hackman era muito humilde nesse aspecto porque ele foi de fato um grande ator! Basta lembrar de seus grandes momentos no cinema. "Operação França", "A Conversação", "Superman", "Os Imperdoáveis" e tantos outros filmes que ficaríamos aqui por horas relembrando. 

Hackman interpretava o homem comum. Curiosamente, pouco antes de sua morte, tive a oportunidade de assistir a um filme dele que havia me passado em branco por anos. Trata-se de "Espantalho", uma produção dos anos 70 em que ele trabalhou ao lado de Al Pacino. Nesse filme Gene interpretou mais um homem comum, só que com um diferencial. Como sua vida real era muito dura, ele se permitia sonhar com grandes projetos. Claro, nunca iria realizar nenhum deles, mas os sonhos o mantinha vivo e feliz. Sem querer e sem saber, esse drama acabou sendo minha despedida do Gene Hackman. Uma despedida em grande estilo. Fiquei feliz nesse aspecto. 

Outra perda recente foi a do ator Val Kilmer. Essa carreira acompanhei muito bem, desde os primeiros filmes. Eu me lembro muito bem de "Academia de Gênios", ainda nos anos 80. Nunca fez sucesso nos cinemas, mas era aquele tipo de filme ideal para as locadoras de vídeo. O mesmo se podia dizer da hilariante e brilhante comédia nonsense "Top Secret!". Depois disso ele foi o Ice Man de "Ases Indomáveis". Fica até complicado lembrar daquele jovem jogando voley na praia e se dar conta que ele morreu, já idoso, com muitos problemas de saúde, aos 65 anos de idade. O tempo passa rápido demais! 

Em minha opinião o filme definitivo de Kilmer, aquele que sempre me fará lembrar dele, é "The Doors" de Oliver Stone. Sua interpretação de Jim Morrison foi praticamente sobrenatural. Dizem inclusive que Kilmer passou por dificuldades depois para se livrar do personagem. Interpretações viscerais como aquela realmente causam problemas aos seus intérpretes. Em suma são muitos filmes, a maioria deles aqui devidamente comentados em nosso blog. Muitos lembraram também de  "Tombstone", "A Sombra e a Escuridão" e de "Batman Eternamente". Sim, bons filmes, estarão sempre nas lembranças de quem os assistiu. Então é isso. Somos todos mortais. Um dia todos partiremos. O legado desses artistas da atuação será sempre seus filmes e sua arte. Legado melhor eu não saberia citar. Descansem em paz! 

Pablo Aluísio. 

Nas Pegadas de Mengele

Título no Brasil: Nas Pegadas de Mengele
Título Original: Tras Las Hules
Ano de Lançamento: 2017
País: Argentina, Brasil
Estúdio: Canal Brasil, AF
Direção: Alejandro Venturini
Roteiro: Tomas de Leone
Elenco: Josef Mengele, Adolf Hitler, Winston Churchill (em imagens de arquivos)

Sinopse:
Documentário sobre as pesquisas e as buscas para identificar uma ossada que seria do carrasco nazista Josef Mengele. Ele foi um médico da SS que decidia quem iria viver e quem iria morrer no campo de Auschwitz. Com o fim da guerra fugiu para a Argentina, depois foi para o Brasil, onde supostamente teria morrido. 

Comentários:
Eu me recordo muito bem. Foi frenesi nos jornais televisivos da época. Todos queriam saber se uma ossada encontrada no interior de São Paulo era mesma de Josef Mengele, o terrível criminoso de guerra que teria fugido para o Brasil. Adotando o nome de "Seu Pedro" ele passou a viver numa casinha humilde de uma pequena e pacata cidade do interior. Tudo para despistar aqueles que queriam pegar esse infame nazista. Na época a PF brasileira havia determinado que sim, os ossos encontrados pertenciam a Mengele. Só que a tecnologia da época não era tão avançada. Por isso a dúvida durou anos e anos. Só mais recentemente, e isso é mostrado nesse documentário, se fez um teste definitivo de DNA na ossada. E o resultado deu positivo. Sim, Mengele morreu no Brasil e infelizmente nunca pagou por seus crimes, morrendo afogado numa praia de São Paulo após sofrer um AVC. Nesse caso seus crimes de fato ficaram impunes, para tristeza de todas as suas vítimas ainda sobreviventes. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 1 de abril de 2025

O Estado Elétrico

O Estado Elétrico 
Os irmãos Russo nem queriam fazer esse filme. Existe um certo preconceito que separa cineastas que fazem filmes para serem exibidos no cinema e diretores de filmes para streaming. Para os Russo seria descer um degrau no status profissional fazer um filme para a Netflix. Até mesmo porque um filme feito para streaming não deixa de ser um telefilme! E isso remonta a muitos anos antes, onde esse tipo de mentalidade sempre existiu na classe dos diretores. Diretores que faziam telefilmes estavam abaixo de diretores de filmes para o cinema. Só que a Netflix hoje em dia é uma potência financeira e econômica nessa indústria. Diante da relutância dos irmãos Russo os executivos da empresa colocaram um caminhão de dinheiro na frente deles. E todo mundo tem seu preço. Assim os irmãos Russo deram o braço a torcer e acabaram aceitando fazer um filme para a Netflix. Justamente esse aqui. 

É uma ficção juvenil, mostrando um mundo distópico (pero no mucho) em que robôs e seres humanos tentam recomeçar após uma guerra mundial entre eles. Os robôs queriam seus direitos. Não queriam mais ser vistos como meros objetos, mas seres pensantes e tudo mais. Uma luta pela dignidade dos robóticos. A história se repete! Até aí tudo bem, nada que não tenhamos visto em dezenas de outros filmes. A novidade desse roteiro vem da existência de uma consciência humana que é transportada para um dos robôs. É a mente de um garoto que presumia sua irmã estar morto. Só que ele vive, de alguma forma, naquela máquina. Então ela sairá numa jornada do herói (ou heroína) para tentar trazer ele de volta à vida. 

Como se vê, muita coisa requentada, com uma pequena pitada de novidade. Eu até apreciei o filme. Ele não foi produzido para pessoas da minha idade. É um filme realmente direcionado para o público juvenil. O design dos robôs, a maioria deles bem na linha fofinhos, entrega isso. A despeito desse fato, é inegável que os irmãos Russo fizeram um bom filme, dentro de seus objetivos mais limitados. Claro que eles não se empenharam tanto quanto em seus filmes produzidos para o cinema, mas sem dúvida entregaram um produto redondinho, até bem realizado. A Netflix certamente não teve do que reclamar, assim como o espectador médio de sua plataforma de streaming. 

O Estado Elétrico (The Electric State, Estados Unidos, 2025) Direção: Anthony Russo, Joe Russo / Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely, Simon Stålenhag / Elenco: Chris Pratt, Millie Bobby Brown, Stanley Tucci, Woody Harrelson / Sinopse: Jovem garota, que acreditava que seu irmão estava morto, descobre que sua consciência vive em um robô antigo, baseado em uma velha série de TV. Agora ela vai precisar encontrar onde se encontra o rapaz, para tentar trazê-lo de volta à vida de seu coma induzido por uma poderosa indústria de inteligência artificial. 

Pablo Aluísio. 

O Conde de Monte Cristo

O Conde de Monte Cristo 
Dessa clássica história do livro de Dumas eu já assisti diversas versões cinematográficas. E nenhuma delas foi medíocre. Essa nova versão do cinema francês também não decepciona e de certa maneira traz um dos roteiros mais completos em termos de adaptação que já tive acesso, se dando ao luxo de desenvolver melhor os personagens, mostrando detalhes do enredo, do contexto político e tudo mais. A produção também é luxuosa, com figurinos perfeitos e reconstituição de época acima de críticas. 

Claro que ao se optar por trazer muito mais do que as demais versões, isso iria resultar numa maior metragem do filme. Prepare-se pois são quase 3 horas de duração! Só que isso seria cansativo apenas numa sala de cinema. Em tempos de streaming o próprio espectador pode decidir ver tudo como se fosse uma minissérie, resultando em 3 episódios de 1 hora cada um. Assim o filme se torna muito mais palatável e interessante. Por fim, como referencial, eu nem pensaria duas vezes em dizer que essa foi uma das melhores versões que assisti do livro do Dumas. Está tudo aqui. Realmente não falta nada nesse roteiro muito bem escrito! Por isso se quiser mesmo conhecer esse romance e está com falta de tempo para ler o livro, nenhum outro filme seria mais indicado. Assista sem maiores receios. 

O Conde de Monte Cristo (Le Comte de Monte-Cristo, França, 2024) Direção: Alexandre de La Patellière, Matthieu Delaporte / Roteiro: Alexandre de La Patellière, Matthieu Delaporte, baseados na obra de Alexandre Dumas / Elenco: Pierre Niney, Bastien Bouillon, Anaïs Demoustier / Sinopse: Um Jovem, de origem humilde, começa a subir na vida, se tornando capitão de um navio comercial. Só que seus planos de ascensão social são brutalmente interrompidos quando passa a ser acusado de fazer parte de um complô para trazer Napoleão Bonaparte de volta ao poder. Preso por anos, ele consegue fugir, jurando se vingar de todos os responsáveis por todos os males que aconteceram em sua vida. Usando o título de Conde de Monte Cristo ele está pronto para a vingança final! 

Pablo Aluísio. 

domingo, 30 de março de 2025

As Guerras Púnicas

As Guerras Púnicas
Nos dias atuais uma guerra como a da Rússia contra a Ucrânia choca a maioria da população mundial. Pelo menos a parte civilizada da humanidade. Só que se formos olhar para o passado veremos que a própria história humana está cheia de casos semelhantes a esse, que os historiadores chamam de guerras de conquista. E esse termo conquista deve ser usado da forma mais ampla possível pois se trata de conquista territorial, cultural, humana, religiosa, absolutamente tudo que envolva duas grandes nações em choque. 

Um dos casos mais clássicos de conquista aconteceu nas chamadas Guerras Púnicas. Esse pode ser considerado até mesmo um termo genérico, pois esse conflito entre Roma e Cartago durou quase mais de um século, de  264 a.C. a 146 a.C. Não foi um evento ou uma operação militar isolada, mas sim batalhas sangrentas que aconteceram em momentos históricos até distantes entre si. 

De um lado estava Roma, em pleno momento de expansão e conquistas. A outrora pequena Cidade-Estado já havia dominando toda a península itálica e vários territórios ao norte da Europa. E então voltou seus olhos para essa que era a outra grande cidade daquele período clássico, a bela e próspera Cartago. 

Cartago era localizada no norte da África. Tinha um dos portos mais ricos da bacia do Mediterrãnea e dominava toda a região ao redor, além da costa costeira onde estava situada. Roma queria colocar as mãos em toda aquela riqueza. Sob o nosso ponto de vista atual não podemos ter outra visão: era uma guerra de conquista mesmo. Os romanos agiam como ladrões e saqueadores, tal como aconteceria com os Vikings alguns séculos depois. 

Cartago, como a potência que era, resistiu muito bem por muitas décadas, mas os romanos eram muito persistentes e de certa forma pacientes. Eles implantaram um bloqueio comercial severo, adotaram até mesmo táticas de guerrilha náutica para ir destruindo a frota naval da cidade inimiga. Com o esgotamento do comércio e o constante assédio militar finalmente Cartago caiu em mãos romanas. O Mar Mediterrâneo caiu inteiramente em mãos romanas, o que os levou a chamá-lo em latim de Mare Nostrum (Nosso Mar). 

E depois de vencer, Roma foi especialmente impiedosa com os Cartaginenses. Praticamente escravizou todo o seu povo, pois em Roma imperava o modo de produção escravo, onde era imperioso sempre suprir o mercado da escravidão na cidade das sete colinas. Milhares daquele povo foram levados em correntes para o coração de Roma onde foram vendidos como escravos para a elite da cidade romana. Eles foram proibidos de falar sua língua nativa e passaram a cultuar a religião romana, sob ameaça de castigos físicos severos. 

A bela cidade de Cartago estava destruída após décadas de guerra. O que sobrou foi colocado abaixo pelo exército romano. E suas riquezas foram saqueadas, sendo levadas de barco para Roma. Dizem inclusive que os romanos espalharam toneladas de sal onde antes havia existido Cartago, para que assim nunca mais nada viesse a nascer ali. Um exemplo claro da maldade do ser humano, já em enorme evidência naqueles tempos antigos. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 29 de março de 2025

Elvis Presley - A Date With Elvis - Parte 1

Esse álbum "A Date With Elvis" seguia basicamente a mesma fórmula do "For LP Fans Only". São duas faces da mesma moeda, ou melhor dizendo, discos que se espelham um no outro. O mesmo tipo de conteúdo, a mesma "filosofia" na escolha das canções. Basicamente aqui os executivos da RCA Victor pincelaram músicas avulsas gravadas por Elvis, desde os tempos em que o cantor gravava na Sun Records, para a composição de uma coletânea de, vamos colocar nesses termos, músicas "Lado B". Boas músicas, algumas excelentes faixas, mas que até aquele momento não tinham chamado maior atenção dos fãs (estou em referindo ao final dos anos 1950).

Uma das belas canções que foram usadas nesse álbum foi a bonita balada "Is It So Strange". Aqui eu costumo dizer que temos um arranjo bem simbólico daquela primeira fase do rock americano. Percebam bem o estilo de tocar guitarra de Scotty Moore. Esse tipo de arranjo era algo muito característico nas músicas românticas dessa época. Como diria George Harrison anos depois a guitarra"chorava" em cada nota produzida pelo músico. Algo muito bonito, bem nostálgico daqueles tempos mais românticos e mais sentimentais. Gravada em 19 de janeiro de 1957, composta por Faron Young, essa linda música nunca ganhou o espaço merecido dentro da discografia de Elvis Presley.

Arthur Neal Gunter foi um músico negro americano que desde os primeiros passos na carreira no estado da Georgia onde nasceu, tentou fazer sucesso com sua música. Porém nunca alcançou os picos da glória. Ele circulou por uma série de pequenas gravadoras do sul dos Estados Unidos até ir parar em Nashville. Só que Gunter não era um artista country, mas sim de blues e gospel. Ele inclusive vinha de um grupo vocal chamado Gunter Brothers Quartet, onde ao lado de seus irmãos e primos tentava chamar alguma atenção das gravadoras da época.

Em novembro de 1954 ele assinou com o selo fonográfico Excello para a gravação de um pequeno compacto (single). No lado A desse disquinho gravou a sua música "Baby Let's Play House". O sucesso foi mediano, mas satisfatório, chegando até mesmo a se destacar dentro da parada Billboard. E não demorou muito a chamar a atenção de um jovem chamado Elvis Presley que decidiu gravar sua versão da música. Claro, Elvis erotizou bastante a letra e o jeito de interpretar a canção, ao ponto inclusive de ser taxado de perversão pelos reacionários de plantão. Não importa, na voz de Elvis essa música realmente se tornou imortal. Curiosamente alguns meses antes de morrer em 1976 Arthur Gunter disse em uma entrevista para uma revista americana de música que "nunca teve a oportunidade de conhecer Elvis pessoalmente, nem de apertar sua mão". Infelizmente eles nunca se conheceram pessoalmente. Teria sido um encontro muito interessante, sem dúvida.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Caos: Os Crimes de Manson

Caos: Os Crimes de Manson 
Mais um documentário sobre o Charles Manson, um dos mais infames criminosos da história dos Estados Unidos. Após passar praticamente toda a adolescência e juventude na prisão ele finalmente foi solto nos anos 60. Acabou parando nas ruas de San Francisco, em pleno auge do movimento hippie. Encontrou alguns jovens perdidos na vida e criou uma seita! Foram todos morar em um velho rancho que era usado para filmar antigos filmes de faroeste. Ele queria ser alguém no mundo da música, mas fracassou. Irado, mandou seus seguidores fanáticos matarem quem encontrasse no endereço de um produtor musical que o rejeitou. Para azar da atriz Sharon Tate e seus amigos, que tinham alugado aquela mesma casa. Foram vítimas de um crime que não era direcionado a eles. Morreram de graça em uma orgia de sangue sem sentido! 

O tema, como se pode perceber, é por demais interessante. Não apenas na questão criminológica, mas também social, pois é até hoje tudo é um mistério, ninguém entendeu como aqueles jovens seguiam cegamente as ordens de um demente homicida como Manson. Talvez fossem as drogas que tomavam, talvez fosse por problemas mentais, carência afetiva ou qualquer outra coisa, mas o que resultou disso tudo ainda choca a muitos, mesmo após a morte do próprio Charles Manson e de alguns de seus seguidores (a jovem assassina Susan Atkins, por exemplo, também já morreu na prisão tal como seu mestre). Um bom documentário, mas que peca por tentar levantar a bola de uma daquelas teorias da conspiração sem pé e nem cabeça que os americanos adoram. Meu conselho é ignorar essa bobagem e absorver apenas os dados históricos do crime. Aí sim o documentário vai funcionar direito. 

Caos: Os Crimes de Manson (Chaos: The Manson Murders, Estados Unidos, 2025) Direção: Errol Morris / Roteiro: Tom O'Neill, Dan Piepenbring / Elenco: Charles Manson, Sharon Tate, Roman Polansky (em imagens de arquivos) / Sinopse: Documentário da Netflix que resgata os terríveis crimes cometidos pela "família Manson", um grupo de hippies drogados liderados por um psicótico chamado Charles Manson. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 27 de março de 2025

Adolescência

Título no Brasil: Adolescência
Título Original: Adolescence
Ano de Lançamento: 2025
País: Reino Unido
Estúdio: Netflix
Direção: Philip Barantini
Roteiro: Stephen Graham
Elenco: Stephen Graham, Owen Cooper, Christine Tremarco, Amelie Pease, Ashley Walters, Faye Marsay

Sinopse:
Um aluno é acusado de ter matado a própria colega de sua escola em um ataque de faca. O problema é que se trata de um garoto, com apenas 13 anos de idade. No começo seu pai é cético sobre sua autoria, mas os policiais possuem provas definitivas, inclusive um vídeo do momento do crime. E a partir daí sua família vai tentar lidar com essa situação simplesmente devastadora! 

Comentários:
Já fazia um certo tempo que a Netflix não emplacava uma série de sucesso como essa, do tipo em que as pessoas conversam sobre ela, em que vira tema quente em fóruns sobre séries e filmes, etc. Até artigos em grandes jornais estão sendo escritos. Uma série relevante, tal como havia sido "Bebê Rena". São apenas 4 episódios, formados por longos planos filmados em sequência, sem cortes, com duração de mais ou menos 1 hora! Imagine o trabalho que deu filmando essas cenas. Algumas delas tiveram que ser feitas novamente por mais de 14 vezes! Pois bem, o resultado realmente é muito bom! Eu gostei dos roteiros e das atuações, principalmente da atriz que interpreta a psicológa e do pai do garoto. Dito isso, a tão falada discussão em torno da questão Red Pill não é tão discutida na série como se pode pensar de suas análises feitas posteriormente. Em meu ponto de vista esse não foi o foco da história, mas sim a destruição de toda uma família por causa do Bullying cruel que acontece na maioria das escolas. Infelizmente o ser humano é isso mesmo, pode explodir quando colocado em situações de enorme pressão. E a sociedade que tente reerguer novamente os pedaços depois que uma tragédia como essa acontece. 

Pablo Aluísio.