segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Ben-Hur

Ben-Hur 
Com a morte do chefão Louis B. Mayer em 1957, a toda poderosa MGM (Metro Goldwyn Mayer) encontrava-se com graves problemas financeiros. Depois de uma sucessão de reuniões na tentativa de salvar o famoso estúdio da falência, os executivos, quase em uníssono, decidiram que só havia um caminho para a salvação: a realização de um drama, épico, religioso e grandioso que entrasse para sempre para a história do cinema e de quebra alavancasse financeiramente o famoso estúdio. O nome deste épico: Ben-Hur. Ou seja, a refilmagem do clássico que a própria MGM havia produzido em 1925. Início de 1958. Depois de escolhido o filme, restava ao produtor Sam Zimbalist a escolha da equipe técnica. Para a direção, o alemão William Wyler foi o escolhido, pois, além de já pertencer à MGM, Wyler era amigo pessoal de Zimbalist e dirigiria seu primeiro épico na carreira. Para o papel principal de Judah Ben-Hur, a primeira escolha de Zimbalist recaiu sobre Burt Lancaster, mas o famoso astro recusou o papel por ser ateu e não concordar em divulgar textos sagrados dos quais ele não acreditava. Marlon Brando também o recusou.

Coube então ao diretor WilliamWyler escolher pessoalmente aquele que encarnaria o famoso príncipe judeu; a escolha foi direta no nome de Charlton Heston. Wyler que havia acabado de dirigir Heston no Western, "Da Terra Nascem os Homens", disse ter ficado impressionado, dois anos antes, com a performance do astro no histórico papel de Moisés em Os Dez Mandamentos. Para viver o tribuno romano, Messala, Rock Hudson foi convidado, mas também recusou. O papel então foi parar nas mãos do ator irlandês e de pouca expressão: Stephen Boyd. Para compor toda a trilha sonora, a MGM resolveu utilizar seu próprio compositor que estava sob contrato desde 1948: o húngaro, "oscarizado", Miklos Rozsa, o mesmo que oito anos antes havia composto a trilha sonora para "Quo Vadis". Pouco antes de começar as filmagens e para ganhar inspiração especial, Rozsa ficou em Roma durante trinta dias meditando em meio às ruínas históricas e dentro do Coliseu. O resultado foi arrebatador: Rozsa construiu uma trilha sonora exuberante que vai de acordes celestiais e angelicais, até os retumbantes compassos marciais das Legiões Romanas.

Baseado no livro "Ben-Hur - A Tale Of The Christ" - escrito em 1880 pelo General (ateu) Lew Wallace, o longa foi rodado nos gigantescos Estúdios Cinecittà em Roma, no período de nove meses. A história tem início em 26 do Anno Domini ou Ano do Senhor e conta a saga de Judah Ben-Hur (Charlton Heston) um rico comerciante judeu, chefe da Casa de Hur, que vive uma vida abastada dentro de uma relativa paz, junto de sua mãe e de sua irmã, na região de Jerusalém ocupada há mais de um século pelo Império Romano. O destino de Ben-Hur e sua pequena família começa a mudar quando chega à cidade o novo tribuno romano de nome Messala (Stephen Boyd). Ben-Hur e Messala são velhos amigos de infância e após muitos anos de separação os dois se reencontram. O início do encontro é amigável e cheio de saudosismo. Tanto Ben-Hur quanto Messala se divertem lembrando dos velhos tempos de infância. Mas com o tempo a conversa animada toma outro rumo e as enormes diferenças entre um tribuno romano e um judeu começam a aparecer, colocando cada um em seu devido lugar. Ben-Hur, fiel a seu povo, recusa-se veementemente a entregar para Messala os judeus que conspiram contra as Legiões Romanas. O tribuno, sentindo-se traído e ofendido, declara guerra ao velho amigo e grita a plenos pulmões que agora estão de lados opostos. Algum tempo depois, Jerusalém recebe um novo governador, Gratus. O novo governador é rebido na entrada da cidade por Messala e seus soldados romanos. Com a garantia de Messala, Gratus cavalga lentamente escoltado pela tropa romana de Messala rumo ao palácio. Ao mesmo tempo, Ben-Hur e sua irmã Tirzah (Cathy O’Donnell) se posicionam na cobertura de casa para apreciar melhor a entrada do novo mandatário romano.

No entanto, por uma extrema infelicidade, Tirzah apoia-se numa telha solta, fazendo com que a mesma despenque e caia em cima do governador. Messala fica possesso e junto com sua guarda romana invade a casa de Ben-Hur para punir os culpados. Ben-Hur assume toda a culpa, mas afirma que foi apenas um acidente e que não houve a intenção de um atentado contra o governador, mas Messala não quer saber e manda prender Ben-Hur, sua irmã Tirzah e sua mãe Miriam. Finalmente o dia da vingança de Messala havia chegado; mesmo sabendo que Ben-Hur e sua família são inocentes e que o governador está bem. Depois de prender Ben-Hur e sua família, o tribuno romano condena o judeu ao trabalho perpétuo como remador nas galés romanas, além de condenar Miriam e Tirzah às masmorras dos leprosos. Enquanto caminha pelo deserto com outros escravos rumo às Galés, Ben-Hur cai no chão implorando por água, que é negada pelo centurião. Neste momento, Jesus, no primeiro momento de epifania do clássico, aparece diante de Ben-Hur, dá-lhe bastante água, além de lavar o seu rosto. O judeu, quase não acreditando no pequeno milagre, agradece ao mestre e jura nunca mais esquecer aquele gesto. Depois de dois anos sofrendo nas galés romanas, o vento do destino finalmente passa a soprar a favor de Ben-Hur e, por obra de um verdadeiro milagre, o príncipe judeu consegue escapar da escravidão romana nas galés e retornar à sua terra natal para uma vingança espetacular contra o tribuno déspota, Messala.
 
Ben-Hur foi consagrado por público e crítica logo em seu lançamento. Vencedor de onze prêmios da Academia entre eles melhor filme, Direção (William Wyler), Ator (Charlton Heston), Ator Coadjuvante (Hugh Griffith), Fotografia, Efeitos Especiais e Trilha Sonora. Curiosamente não levou o prêmio de melhor roteiro adaptado (a única indicação que não se confirmou em prêmio). Já no Globo de Ouro levou mais três premiações de melhor filme, direção e ator (só que dessa vez o premiado foi Stephen Boyd). O filme é certamente um espetáculo aos olhos, mostrando o melhor do cinema na época, merecendo todos os prêmios recebidos. Algumas de suas seqüências até hoje se mostram marcantes e impecáveis como a corrida de bigas e os conflitos envolvendo as tropas romanas. Como o filme entrou definitivamente na história da arte cinematográfica acabou gerando várias outras versões, que foram realizadas anos após seu arrebatador sucesso. Em 2003 virou animação com participação de Charlton Heston, cuja voz do filme original foi reaproveitada em seu personagem. Em 2010 virou série de TV e agora em 2013 surge na Broadway em peça musical de sucesso. Pelo visto a saga segue em frente, dominando outras mídias e linguagens. Sem dúvida uma prova definitiva da imortalidade dessa estória muito cativante e marcante que até hoje impressiona por sua beleza e grandiosidade. Ben-Hur é definitivamente um marco único na história do cinema mundial. Simplesmente essencial. 

Ben-Hur (Ben-Hur, Estados Unidos, 1959) Direção: William Wyler / Roteiro: Karl Tunberg baseado no romance escrito por Lew Wallace / Elenco: Charlton Heston, Jack Hawkins, Stephen Boyd, Haya Harareet / Sinopse: O filme narra a vida de Judah Ben-Hur (Charlton Heston), judeu que vive os horrores da dominação do Império Romano.

Telmo Vilela Jr e Pablo Aluísio.

domingo, 11 de outubro de 2026

Imperador Romano Marco Aurélio Caro

Imperador Romano Marco Aurélio Caro
Marco Aurélio Caro foi imperador romano entre 282 e 283 d.C., durante uma das fases mais turbulentas da história do Império Romano: a chamada Crise do Século III. Seu governo ocorreu em um período marcado por guerras nas fronteiras, disputas pelo poder, instabilidade política e dificuldades econômicas que ameaçavam a unidade do Estado romano. Caro chegou ao trono após a morte do imperador Probo, que havia tentado restaurar a disciplina militar e fortalecer a autoridade imperial. A ascensão de Caro esteve ligada ao apoio do exército, instituição que, naquela época, desempenhava um papel decisivo na escolha dos governantes. Embora seu reinado tenha sido curto, ele conseguiu organizar campanhas militares importantes e procurou consolidar a posição de Roma diante de seus adversários externos. Diferentemente de alguns imperadores que passaram anos combatendo pretendentes ao trono, Caro conseguiu transferir parte de sua autoridade aos próprios filhos, Carino e Numeriano, estabelecendo uma forma de sucessão dinástica. Essa decisão refletia uma preocupação recorrente entre os governantes do século III: impedir que a morte do imperador provocasse imediatamente uma nova guerra civil. Sua trajetória demonstra como o poder imperial havia se tornado cada vez mais dependente das legiões e da capacidade de comandar pessoalmente as forças militares. A figura de Caro permanece relativamente pouco conhecida quando comparada à de imperadores mais famosos, mas seu governo representa um episódio significativo na tentativa de reorganizar o Império Romano antes das grandes reformas de Diocleciano.

As origens de Marco Aurélio Caro não são inteiramente claras, e os relatos antigos apresentam informações divergentes sobre seu nascimento e sua carreira inicial. É geralmente associado à região da Gália, embora os detalhes exatos de sua origem sejam discutidos pelos historiadores. Antes de se tornar imperador, Caro ocupou posições importantes na administração e no exército, chegando ao cargo de prefeito do pretório, uma função de grande influência que envolvia responsabilidades militares, administrativas e políticas. Essa experiência contribuiu para sua ascensão em um momento no qual os imperadores precisavam demonstrar competência militar e conquistar a confiança das tropas. Em 282, quando Probo foi morto durante uma revolta de soldados, Caro foi proclamado imperador. As circunstâncias exatas de sua participação na conspiração não são completamente conhecidas, e as fontes antigas nem sempre permitem estabelecer com segurança o grau de envolvimento que teve na queda do antecessor. Depois de assumir o poder, Caro reconheceu a importância de seus filhos na estrutura governamental: Carino recebeu responsabilidades no Ocidente, enquanto Numeriano acompanhou o pai nas operações militares orientais. Essa divisão permitia que o imperador atuasse em regiões distantes sem abandonar inteiramente a administração das províncias ocidentais. O sistema também procurava preparar os herdeiros para a sucessão, embora não eliminasse as rivalidades que caracterizavam a política romana. A posição de Caro, portanto, dependia tanto de sua autoridade pessoal quanto da capacidade de manter a lealdade dos comandantes e das legiões.

Uma das principais realizações militares de Caro foi a campanha contra o Império Sassânida, a potência persa que disputava com Roma o controle de territórios estratégicos no Oriente. As relações entre os dois impérios eram marcadas por confrontos recorrentes, especialmente pela importância da Mesopotâmia, da Armênia e das rotas comerciais que ligavam o Mediterrâneo à Ásia. Aproveitando as circunstâncias políticas favoráveis, Caro organizou uma expedição oriental acompanhado por Numeriano. A campanha obteve resultados expressivos para os romanos: suas tropas avançaram pela Mesopotâmia e chegaram a ocupar Ctesifonte, uma das principais cidades sassânidas e importante centro político do reino persa. A conquista representou um êxito militar considerável, sobretudo porque a região havia sido palco de campanhas difíceis para imperadores anteriores. A tradição histórica também associa Caro à tomada de Seleucia, cidade situada nas proximidades de Ctesifonte, embora os relatos sobre os acontecimentos não ofereçam todos os detalhes necessários para reconstruir cada etapa da operação. A ofensiva demonstrou que o exército romano ainda possuía capacidade para realizar campanhas de grande alcance, mesmo após décadas de instabilidade. Entretanto, a vitória não significou uma solução definitiva para a rivalidade entre Roma e os sassânidas. A manutenção de territórios tão distantes exigia recursos, abastecimento e presença militar constante, enquanto a ausência do imperador no Ocidente criava riscos políticos. A campanha oriental tornou-se o acontecimento mais marcante de seu breve reinado, mas também colocou Caro diante de desafios logísticos e estratégicos que não poderiam ser resolvidos apenas por meio de conquistas militares.

A morte de Marco Aurélio Caro permanece envolta em incertezas. O imperador faleceu em 283 d.C., durante a campanha no Oriente, quando as forças romanas se encontravam na região da Mesopotâmia. Uma tradição antiga afirma que ele morreu após ser atingido por um raio durante uma tempestade, possivelmente em seu acampamento próximo ao território de Ctesifonte. Essa narrativa foi transmitida por autores antigos, mas não pode ser confirmada com segurança, e existem dúvidas sobre as circunstâncias reais de sua morte. A associação do acontecimento a um fenômeno natural extraordinário também pode ter sido influenciada pela tendência dos historiadores da Antiguidade de interpretar mortes imperiais por meio de sinais divinos ou presságios. Após o falecimento de Caro, seu filho Numeriano assumiu a continuidade da campanha e iniciou a retirada das tropas romanas do Oriente. Carino, que permanecera responsável pelos territórios ocidentais, também conservou o título imperial, de modo que os dois irmãos passaram a compartilhar formalmente o poder. A sucessão, porém, não garantiu estabilidade. Numeriano morreu no ano seguinte, em circunstâncias suspeitas durante o retorno do exército, e Diocleciano foi proclamado imperador pelas tropas. Carino acabou enfrentando Diocleciano em uma guerra civil e morreu em 285 d.C., consolidando a ascensão do novo governante. A sequência de acontecimentos demonstra a fragilidade do projeto dinástico iniciado por Caro: embora tivesse conseguido transmitir o poder aos filhos, não criou instituições suficientemente fortes para assegurar a continuidade de sua família no trono.

O legado de Marco Aurélio Caro está relacionado principalmente à recuperação temporária da iniciativa militar romana e à transição entre os imperadores da Crise do Século III e a reorganização promovida por Diocleciano. Seu governo durou pouco mais de um ano, o que limitou a possibilidade de realizar reformas administrativas profundas ou estabelecer uma nova ordem política duradoura. Ainda assim, a campanha contra os sassânidas demonstrou a capacidade ofensiva do exército romano e produziu uma das vitórias orientais mais notáveis daquele período. Caro também procurou fortalecer a sucessão imperial ao conceder posições de destaque aos filhos, seguindo uma prática que vários governantes haviam utilizado para tentar reduzir o risco de disputas após a morte do soberano. O fracasso posterior de Carino e Numeriano revela, contudo, que o parentesco com o imperador não era suficiente para garantir o apoio das legiões, dos comandantes e das elites políticas. Naquele momento, a autoridade imperial continuava profundamente vinculada à força militar e à capacidade de responder rapidamente às ameaças externas e internas. A ascensão de Diocleciano, pouco depois, abriria caminho para mudanças mais amplas na organização do governo, na administração provincial e na defesa das fronteiras. Caro não foi responsável por essa transformação, mas pertence à geração de imperadores que tentou preservar a unidade romana em meio a crises sucessivas. Sua memória histórica é menos conhecida do que a de outros soberanos, em parte devido à brevidade de seu reinado e à escassez de fontes detalhadas. Mesmo assim, sua campanha oriental e a tentativa de estabelecer uma sucessão familiar fazem de Marco Aurélio Caro uma figura importante para compreender os últimos anos da crise imperial do século III.

Papa Clemente IX

Papa Clemente IX
Giulio Rospigliosi, conhecido como Papa Clemente IX, foi o 238.º papa da Igreja Católica, exercendo seu pontificado entre 20 de junho de 1667 e 9 de dezembro de 1669. Nascido em 28 de janeiro de 1600, em Pistoia, na região da Toscana, Itália, pertencia a uma família nobre e recebeu uma formação intelectual sólida, estudando literatura, filosofia e teologia. Desde jovem, demonstrou talento para as letras e para a diplomacia, habilidades que seriam fundamentais em sua carreira eclesiástica. Antes de chegar ao papado, Rospigliosi atuou como diplomata da Santa Sé, desempenhando missões importantes em diferentes cortes europeias. Também trabalhou na administração pontifícia e serviu ao papa Alexandre VII, que o nomeou cardeal em 1657. Sua experiência política e diplomática tornou-o um candidato respeitado quando os cardeais se reuniram para eleger o sucessor de Alexandre VII, falecido em maio de 1667. O conclave terminou com sua eleição, e ele escolheu o nome Clemente IX. Seu pontificado ocorreu durante o período barroco, quando a Igreja Católica continuava exercendo enorme influência religiosa e cultural na Europa, mas enfrentava disputas políticas com as monarquias e conflitos internos relacionados à interpretação da doutrina. Clemente IX ficou conhecido por seu temperamento conciliador, sua generosidade e seu interesse pelas artes. Diferentemente de alguns pontífices envolvidos em confrontos prolongados com governantes europeus, procurou utilizar a diplomacia para reduzir tensões e preservar a autoridade espiritual da Santa Sé. Seu governo foi curto, durando pouco mais de dois anos, mas deixou uma reputação de moderação e preocupação com a paz.

Uma das principais questões enfrentadas por Clemente IX foi o conflito entre a Igreja Católica e o jansenismo, movimento teológico que provocava intensas controvérsias na França e em outras regiões da Europa. O jansenismo, associado aos escritos do bispo Cornélio Jansênio, enfatizava determinados aspectos da doutrina da graça divina, do pecado original e da capacidade humana de alcançar a salvação. Suas posições foram consideradas incompatíveis com ensinamentos defendidos por setores importantes da hierarquia católica, provocando condenações e disputas que envolviam teólogos, bispos, religiosos e autoridades políticas. A França de Luís XIV era um dos principais centros dessa controvérsia, pois o governo francês desejava preservar a unidade religiosa do reino e limitar movimentos considerados ameaçadores à autoridade eclesiástica e política. Clemente IX procurou encontrar uma solução que evitasse uma ruptura ainda maior entre Roma e setores da Igreja francesa. Em 1668, foi alcançado um entendimento que ficou conhecido como Paz Clementina. O acordo envolveu a aceitação formal das determinações pontifícias por importantes representantes do clero francês, acompanhada de uma postura que permitia reduzir a confrontação pública e as medidas disciplinares imediatas contra determinados religiosos. A solução não eliminou o jansenismo nem encerrou definitivamente as divergências doutrinárias, mas diminuiu temporariamente as tensões. O episódio demonstrou a disposição de Clemente IX para combinar a defesa da autoridade papal com a busca de uma acomodação diplomática. Sua atuação também revelou as dificuldades enfrentadas pelo papado em uma época na qual os reis europeus exerciam crescente influência sobre as igrejas de seus territórios.

No campo das relações internacionais, Clemente IX procurou promover a cooperação entre os governantes católicos e defender os interesses da cristandade diante da expansão do Império Otomano. Durante o século XVII, os Estados europeus estavam frequentemente envolvidos em guerras territoriais, disputas dinásticas e rivalidades religiosas, circunstâncias que dificultavam a formação de alianças duradouras. O pontífice buscou incentivar a união entre as potências católicas, embora dispusesse de recursos limitados para obrigar os soberanos a seguir suas orientações. A diplomacia papal tinha uma importância particular porque Roma continuava sendo um centro de negociações e de influência moral, mesmo quando as monarquias absolutistas procuravam agir de maneira cada vez mais independente. Clemente IX também acompanhou os acontecimentos relacionados às guerras envolvendo a República de Veneza e os otomanos, especialmente a luta pelo controle de Creta, onde a cidade de Cândia resistia a um prolongado cerco otomano. A guerra de Creta fazia parte de uma disputa mais ampla pelo domínio do Mediterrâneo oriental e mobilizava recursos militares e financeiros de diferentes Estados. O papa procurou apoiar os esforços cristãos, mas não conseguiu impedir a queda de Cândia em 1669, durante os últimos meses de seu pontificado. A conquista otomana encerrou uma longa resistência veneziana na ilha e representou uma importante transformação no equilíbrio regional. Apesar dos limites de sua influência, Clemente IX demonstrou preocupação constante com a situação das comunidades cristãs e com a preservação dos interesses da Santa Sé. Sua política externa refletiu as dificuldades de um papado que buscava manter relevância diplomática em uma Europa cada vez mais dominada por Estados centralizados e por interesses nacionais.

Clemente IX também se destacou por seu interesse pela cultura, pela literatura, pela música e pelas artes visuais. Antes de sua eleição, já havia demonstrado inclinação para a poesia e para a produção literária, características incomuns entre alguns dos governantes eclesiásticos de sua época. Durante seu pontificado, apoiou artistas e músicos e procurou manter Roma como um dos grandes centros culturais do barroco europeu. A cidade possuía igrejas monumentais, palácios, praças e coleções artísticas que expressavam a riqueza da tradição católica e a influência do mecenato pontifício. A arte barroca, caracterizada pelo movimento, pela dramaticidade e pela riqueza decorativa, desempenhava uma função religiosa e política, transmitindo mensagens de fé e autoridade. Clemente IX valorizava esse ambiente cultural e demonstrava interesse por espetáculos teatrais e musicais. Também é tradicionalmente associado ao desenvolvimento e à reorganização de espaços urbanos e religiosos de Roma. Sua atitude pessoal era frequentemente descrita como simples e generosa, e relatos históricos destacam sua preocupação com os pobres e com pessoas necessitadas. O papa procurava exercer a caridade como parte de suas responsabilidades religiosas, distribuindo auxílio e demonstrando atenção aos problemas sociais da população romana. Embora não tenha tido tempo para desenvolver um programa de reformas abrangente, sua reputação de homem culto e conciliador contribuiu para que fosse lembrado de maneira favorável por muitos contemporâneos. Seu pontificado demonstrou que a liderança papal não se limitava às questões doutrinárias e diplomáticas: envolvia também o patrocínio cultural, a administração de Roma e a representação pública da Igreja Católica em uma época de intensa produção artística.

O pontificado de Clemente IX terminou repentinamente com sua morte, em 9 de dezembro de 1669, em Roma, aos 69 anos. As circunstâncias de seu falecimento provocaram pesar entre aqueles que apreciavam seu estilo moderado de governo e sua reputação de generosidade. Como seu pontificado havia durado pouco mais de dois anos, muitas das questões que enfrentou permaneceram sem solução definitiva, especialmente as controvérsias religiosas francesas e os conflitos entre as potências europeias. Após sua morte, os cardeais reuniram-se novamente em conclave para escolher seu sucessor, elegendo Emilio Bonaventura Altieri, que assumiu o nome Clemente X em abril de 1670. Clemente IX deixou uma herança histórica associada à tentativa de reduzir conflitos por meio da negociação e à valorização da cultura e da assistência aos necessitados. Sua atuação na controvérsia jansenista foi particularmente significativa porque demonstrou como o papado precisava equilibrar a defesa da doutrina com as realidades políticas dos Estados católicos. A Paz Clementina não resolveu todos os problemas, mas ofereceu um período de acomodação que adiou novos confrontos. Na política internacional, o papa enfrentou as limitações de uma Santa Sé que já não possuía a capacidade de impor sua vontade às grandes monarquias europeias. Mesmo assim, continuou exercendo influência como mediador e como representante de uma tradição religiosa que ultrapassava as fronteiras nacionais. Sua personalidade culta, sua preocupação com a caridade e sua disposição para buscar entendimentos contribuíram para sua reputação de pontífice conciliador. Embora seja menos conhecido pelo público moderno do que papas de períodos posteriores, Clemente IX ocupa um lugar importante na história da Igreja do século XVII. Seu breve governo ilustra os desafios enfrentados pelo papado durante a consolidação das monarquias absolutistas e revela como diplomacia, religião e cultura permaneciam profundamente interligadas na Europa barroca.

sábado, 10 de outubro de 2026

Elvis Presley - For LP Fans Only

Elvis Presley - For LP Fans Only
O álbum For LP Fans Only, lançado pela RCA Victor em 23 de janeiro de 1959, é um dos discos mais interessantes da primeira fase da carreira de Elvis Presley. O trabalho surgiu num momento excepcional: Elvis havia ingressado no Exército dos Estados Unidos em março de 1958 e permaneceria afastado dos palcos durante boa parte dos dois anos seguintes. Para manter o cantor presente no mercado fonográfico, a RCA decidiu reunir gravações que já haviam sido lançadas em compactos ou EPs, mas que ainda não estavam disponíveis em um álbum de longa duração. O repertório combina registros da Sun Records, gravados entre 1954 e 1955, com gravações posteriores realizadas para a RCA Victor em 1956. Essa combinação acabou proporcionando uma oportunidade de redescobrir algumas das interpretações mais importantes do início do rock and roll. Para muitos compradores, o disco representou a primeira oportunidade de ouvir em LP canções fundamentais como “That's All Right”, “Mystery Train” e “I'm Left, You're Right, She's Gone”. Embora não tenha sido concebido como um álbum conceitual, o resultado apresenta uma impressionante unidade musical, marcada pela energia do rockabilly, pela influência do rhythm and blues e pela mistura de country com música negra americana. A página oficial de Elvis reconhece que o lançamento foi motivado por necessidades comerciais, mas também destaca a extraordinária qualidade de boa parte do material reunido. Assim, For LP Fans Only transformou uma solução de emergência da gravadora em um importante documento da revolução musical protagonizada por Elvis. 

A abertura com “That's All Right” é especialmente significativa para a história da música popular. Gravada na Sun Records em julho de 1954, a canção de Arthur Crudup recebeu uma interpretação que misturava a tradição do blues com a espontaneidade do country e uma energia rítmica que ajudou a definir o rockabilly. A guitarra de Scotty Moore, o contrabaixo de Bill Black e a voz de Elvis criaram uma sonoridade diferente daquela que dominava o mercado musical da época. Em “Lawdy, Miss Clawdy”, composição de Lloyd Price, o cantor demonstra sua afinidade com o rhythm and blues, adotando um fraseado vigoroso e uma interpretação cheia de personalidade. “Mystery Train”, gravada na Sun em 1955, é outro ponto alto: a combinação entre a voz de Elvis, a guitarra de Scotty Moore e a pulsação rítmica cria uma atmosfera hipnótica que se tornou uma das marcas do rockabilly. A seleção também apresenta “You're a Heartbreaker” e “I'm Left, You're Right, She's Gone”, duas gravações que revelam o estilo ainda em formação do jovem cantor, quando ele procurava fundir diferentes tradições musicais em uma linguagem própria. Do material registrado para a RCA, “My Baby Left Me” se destaca pela velocidade e pela força instrumental, enquanto “Shake, Rattle and Roll” mostra Elvis explorando o lado mais explosivo do rock and roll. “I Was the One” oferece um contraste importante, com uma interpretação romântica que antecipa o talento do artista para as baladas. O repertório é complementado por “Playing for Keeps” e “Poor Boy”, esta última associada ao filme Love Me Tender. 

A avaliação crítica retrospectiva de For LP Fans Only tem sido bastante favorável, sobretudo entre os especialistas que consideram as gravações da Sun Records essenciais para compreender a formação do rock and roll. Stephen Thomas Erlewine, crítico do AllMusic, observa que o disco foi montado porque a RCA precisava de material durante a ausência de Elvis, mas ressalta que a gravadora acabou reunindo gravações extraordinárias. Em sua análise, Erlewine destaca “That's All Right”, “Mystery Train”, “I'm Left, You're Right, She's Gone” e “You're a Heartbreaker” como algumas das melhores interpretações da carreira do cantor naquele período. O crítico também elogia a maneira como os registros da Sun se combinam com as gravações da RCA, citando “My Baby Left Me” como um exemplo de faixa que preserva a mesma energia das sessões produzidas por Sam Phillips. Sua avaliação conclui que, mesmo sem evidências de que a RCA pretendesse criar um álbum especialmente coeso, o resultado acabou se tornando um dos grandes discos de rock and roll dos anos 1950. A plataforma Apple Music também chama a atenção para a guitarra de Scotty Moore em “Shake, Rattle and Roll” e para a atmosfera marcante de “Mystery Train”. Essas análises ajudam a explicar por que o álbum é valorizado para além de sua origem comercial. Embora não apresente gravações inéditas em sua edição original, ele reúne canções que, espalhadas por diferentes compactos, poderiam ser mais difíceis de encontrar juntas. É importante observar que essas avaliações são retrospectivas, e não devem ser confundidas com críticas publicadas no momento do lançamento, em 1959. 

Comercialmente, o álbum alcançou resultados expressivos considerando que Elvis estava afastado das apresentações ao vivo e não podia promover o disco por meio de uma nova turnê. A edição original norte-americana chegou à 19ª posição da parada de álbuns da Billboard, demonstrando que o interesse pelo cantor continuava forte mesmo durante o serviço militar. Segundo o site oficial de Elvis, as vendas iniciais chegaram a aproximadamente 150 mil exemplares, resultado comparável ao de Elvis' Golden Records, apesar de o novo disco não conter uma sequência de grandes sucessos pop recém-lançados. Outras fontes históricas apresentam estimativas de vendas acumuladas próximas de 200 mil cópias, embora os números variem conforme o período e o critério utilizado. O desempenho confirmou a importância de Elvis para a estratégia comercial da RCA: mesmo sem gravar regularmente material novo para o mercado americano, seu catálogo continuava a gerar procura. O álbum também ajudou a dar maior circulação às gravações da Sun Records, que haviam sido lançadas originalmente por uma companhia independente e não estavam tão acessíveis a todos os consumidores quanto os discos posteriores da RCA. O título For LP Fans Only fazia referência justamente ao público que desejava reunir em um único LP as gravações que até então estavam distribuídas por compactos e EPs. A capa original apresentava um retrato de Elvis e a embalagem incluía uma fotografia colorida do cantor usando uniforme militar na contracapa, aproveitando o interesse público por sua nova condição de soldado. O disco não precisava de um single inédito para cumprir sua função: seu maior atrativo era a reunião de gravações que já haviam ajudado a transformar Elvis em uma estrela internacional. 

Atualmente, For LP Fans Only é reconhecido como uma peça importante na compreensão da evolução artística de Elvis Presley e da própria história do rock and roll. O álbum preserva o momento em que o cantor ainda trabalhava com uma formação musical relativamente simples, apoiada pela guitarra de Scotty Moore, pelo contrabaixo de Bill Black e pela bateria de músicos como D. J. Fontana e outros participantes das sessões da época. As gravações da Sun possuem uma espontaneidade particular: a voz de Elvis alterna entre o canto country, o fraseado do blues e uma interpretação rítmica que ajudou a aproximar públicos e tradições musicais diferentes. “That's All Right” continua sendo lembrada como uma gravação decisiva para a trajetória do cantor, enquanto “Mystery Train” permanece entre os registros mais influentes de sua primeira fase. “Lawdy, Miss Clawdy” demonstra como Elvis absorveu elementos do rhythm and blues, e “My Baby Left Me” confirma que essa energia também acompanhou sua passagem para a RCA. O álbum é igualmente relevante por ter permitido que essas gravações circulassem juntas em formato LP durante muitos anos, antes de uma recuperação mais sistemática do catálogo da Sun. Sua importância não está na novidade das músicas, mas na qualidade e na força histórica das interpretações. Para colecionadores, historiadores e fãs, o disco funciona como uma síntese do jovem Elvis: ousado, instintivo, musicalmente curioso e capaz de transformar influências diversas em uma identidade reconhecível. Por isso, mesmo tendo nascido de uma necessidade comercial, For LP Fans Only permanece um dos lançamentos mais fortes e reveladores de sua primeira década de carreira.

Elvis Presley - For LP Fans Only (1959)
That's All Right
Lawdy, Miss Clawdy
Mystery Train
Playing for Keeps
Poor Boy
My Baby Left Me
I Was the One
Shake, Rattle and Roll
I'm Left, You're Right, She's Gone
You're a Heartbreaker

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

The Beatles - Here Comes The Sun

Música: Here Comes the Sun
Artista: The Beatles
Álbum: Abbey Road
Selo: Apple Records
Produtor: George Martin
Músicos: George Harrison (vocais principais, guitarra acústica, guitarra elétrica, sintetizador Moog); Paul McCartney (baixo elétrico, vocais de apoio); John Lennon (não participou da gravação); Ringo Starr (bateria, pandeiro); músicos de orquestra (violoncelos e violas, na seção de cordas).
Data de gravação: 7 e 8 de julho, 6, 11, 15 e 19 de agosto de 1969.
Data de Lançamento: 26 de setembro de 1969, no Reino Unido, no álbum Abbey Road.

Comentários:
“Here Comes the Sun” foi composta por George Harrison na primavera de 1969, durante um período de grande desgaste pessoal e profissional para os Beatles. A inspiração surgiu quando Harrison visitou a casa de seu amigo Eric Clapton, em Surrey, na Inglaterra, e aproveitou uma manhã ensolarada para caminhar pelo jardim e tocar violão. Naquele momento, ele enfrentava dificuldades relacionadas aos negócios da Apple Corps, reuniões administrativas desgastantes e tensões crescentes entre os integrantes da banda. A chegada da primavera, depois de um longo inverno britânico, tornou-se uma metáfora para o fim de uma fase difícil e o início de tempos melhores. Harrison transformou essa sensação de alívio em uma composição luminosa, cuja letra expressa esperança, renovação e a alegria de perceber que os momentos sombrios não duram para sempre. A música também representa um marco na evolução de Harrison como compositor, que até então costumava ocupar um espaço menor nos álbuns em comparação com John Lennon e Paul McCartney. Depois de conquistar reconhecimento com “While My Guitar Gently Weeps” e “Something”, ele apresentou outra composição de enorme qualidade, demonstrando que havia alcançado um nível artístico comparável ao de seus companheiros. Musicalmente, a canção destaca-se pelo violão acústico, pela melodia envolvente, pelas harmonias vocais e pelas mudanças rítmicas que dão movimento à composição. O emprego de compassos alternados, especialmente na introdução e nas passagens que antecedem o refrão, contribui para a sensação de leveza e movimento. A gravação recebeu ainda contribuições do sintetizador Moog, instrumento eletrônico relativamente novo naquele período, demonstrando o interesse dos Beatles em explorar novas possibilidades sonoras. 

A gravação foi realizada nos estúdios da EMI, em Abbey Road, durante julho e agosto de 1969, enquanto os Beatles trabalhavam no álbum Abbey Road, que se tornaria o último disco de estúdio gravado conjuntamente pelos quatro integrantes. John Lennon não participou da gravação da música, pois se recuperava de um acidente de automóvel, e a base instrumental foi construída por Harrison, McCartney e Ringo Starr. George Martin supervisionou a produção, enquanto os arranjos adicionais de cordas e sopros ampliaram a riqueza sonora da faixa. Lançada em 26 de setembro de 1969, a música foi incluída no lado B de Abbey Road, imediatamente após “Come Together”, e rapidamente se tornou uma das composições mais queridas do repertório dos Beatles. Embora não tenha sido lançada originalmente como single no Reino Unido, sua popularidade cresceu continuamente por meio das rádios, das coletâneas e de sua presença em filmes, programas de televisão e apresentações de outros artistas. Décadas depois, a canção alcançou uma nova dimensão comercial na era digital, tornando-se uma das gravações mais ouvidas do catálogo do grupo nas plataformas de streaming. Sua recepção crítica também se consolidou, e hoje ela é frequentemente citada entre as maiores composições de Harrison e uma das faixas mais marcantes de Abbey Road. O legado de “Here Comes the Sun” reside na maneira como combina simplicidade melódica, sofisticação musical e uma mensagem universal de esperança. A música atravessou gerações, culturas e mudanças tecnológicas sem perder sua capacidade de emocionar, tornando-se uma espécie de hino à renovação e à superação das dificuldades. Ao lado de “Something”, ela confirmou definitivamente George Harrison como um compositor de primeira grandeza e ajudou a ampliar o reconhecimento de sua contribuição para a história dos Beatles. 

Erick Steve.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Brazil - O Filme

Título no Brasil: Brazil - O Filme
Título Original: Brazil
Ano de Lançamento: 1985
País: Reino Unido, Estados Unidos
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam, Tom Stoppard
Elenco: Jonathan Pryce, Robert De Niro, Kim Greist, Katherine Helmond, Ian Holm, Bob Hoskins, Michael Palin, Peter Vaughan

Sinopse:
Um burocrata do serviços público sonha com uma vida melhor. Só que seus sonhos são esmagados pela dura realidade de se viver em um Estado totalitário e ditadorial, onde qualquer pessoa pode ser acusada de traição, sofrendo todos os tipos de violência e violação de seus direitos humanos. 

Comentários:
Quem conhece a obra de Terry Gilliam não vai se surpreender. Esse ex-membro da trupe do Monty Python foi o que se saiu melhor no cinema em sua carreira solo. Seus filmes tinham essa característica própria, com elementos de fantasia de um universo bem particular. Um tipo de mundo absurdo que a despeito de se identificar muitas vezes com distopias delirantes ainda conseguia manter um certo lirismo no ar. Em relação a esse filme achei tudo mais deprimente do que engraçado. O humor, se existente, é soterrado pela realidade triste em que vive seu protagonista. Jonathan Pryce está perfeito como esse homenzinho que só consegue o emprego no serviço público por causa da mãe, mulher rica da elite, totalmente fútil e inútil para a sociedade. Como sua vida é uma porcaria ele sonha, como ser um herói alado que salva sua princesa dos sonhos em uma realidade fantasiosa. Confesso, fiquei com muita pena desse personagem. Enfim, deprimente e delirante, Brazil causa desconforto nos dias de hoje. Está bem datado, com os cacoetes do cinema dos anos 80, mas se mantém firme como crítica social amarga. 

Pablo Aluísio.

Os Crimes Hediondos da Rua Morgue

Título no Brasil: Os Crimes Hediondos da Rua Morgue 
Título Original: Murders in the Rue Morgue
Ano de Lançamento: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: American International Pictures (AIP)
Direção: Gordon Hessler
Roteiro: Christopher Wicking, Henry Slesar
Elenco: Jason Robards, Herbert Lom, Christine Kaufmann, Adolf Celi, Michael Dunn, Maria Perschy

Sinopse:
Um ator teatral decadente e frustrado, corroído pelo ódio aos seus velhos companheiros, passa a atacar membros de seu antiga trupe de um modo particularmente cruel: jogando ácido em seus rostos! Para um inspetor da polícia a situação se torna ainda mais complexa, por causa das intrigas e violência que ocorreram naquele teatro sombrio em um passado que se recusa a desaparecer. 

Comentários:
Gente, que filme ruim! Prova que não basta ser um filme antigo de suspense e terror baseado na obra de Edgar Allan Poe para ter qualidade! Muitas vezes ocorria o oposto disso! Apenas usavam o nome desse genial escritor para vender verdadeiras porcarias cinematográficas! Esse filme é um exemplo. Aqui pouca coisa se salva. A despeito de alguns nomes respeitáveis que integraram o elenco, tudo soa falso, mal produzido, tosco mesmo. A trama é pessimamente desenvolvida. Chega a ser um desrespeito com a obra original! Some-se a isso os momentos de puro constrangimento quando surge aquele gorila infernal. Não, não dá para levar à sério. O que não deixa de ser bem decepcionante, principalmente para cinéfilos que gostam de carimbar velhos títulos de horror para assistir. Sobre esse filme aqui melhor nem ir atrás. É bem ruim mesmo! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O Predador

O Predador 
O filme O Predador (Predator) foi lançado em 12 de junho de 1987, dirigido por John McTiernan e estrelado por Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Jesse Ventura, Bill Duke, Sonny Landham e Kevin Peter Hall. A história acompanha um grupo de elite das forças especiais enviado à selva da América Central para resgatar reféns de guerrilheiros. Liderados pelo major Dutch, interpretado por Schwarzenegger, os soldados inicialmente enfrentam inimigos humanos em uma missão aparentemente convencional. No entanto, à medida que avançam pela selva, tornam-se alvo de uma força invisível e extremamente letal. Um a um, os membros da equipe são caçados por uma criatura alienígena altamente tecnológica que utiliza camuflagem e armas avançadas. O filme rapidamente se transforma de um típico longa de ação militar em um intenso thriller de ficção científica e horror. A luta final entre Dutch e a criatura se torna um duelo de inteligência e sobrevivência. O ambiente hostil da selva contribui para a sensação constante de perigo. Assim, O Predador combina ação explosiva com elementos de suspense e terror.

Quando foi lançado, O Predador recebeu uma recepção crítica mista, embora com diversos elogios pontuais. O The New York Times destacou que o filme era “eficiente como entretenimento de ação, mas limitado em profundidade narrativa”. Já o Los Angeles Times reconheceu a habilidade da direção de John McTiernan em construir tensão, afirmando que o filme “se destaca pela maneira como transforma um cenário familiar em algo ameaçador e imprevisível”. A revista Variety comentou que o longa era “um espetáculo de ação sólido, impulsionado pelo carisma de Arnold Schwarzenegger e por uma criatura memorável”. Muitos críticos elogiaram o conceito central do filme, especialmente a ideia de um caçador alienígena enfrentando soldados altamente treinados. No entanto, alguns apontaram que os personagens secundários eram pouco desenvolvidos. A crítica também destacou a mudança de tom do filme, que começa como ação militar e evolui para horror. Essa mistura de gêneros foi vista como interessante, embora nem sempre totalmente equilibrada. Ainda assim, o filme chamou atenção por sua intensidade e originalidade dentro do gênero.

Com o passar do tempo, a recepção crítica se tornou mais positiva, com muitos analistas reavaliando o filme como um clássico cult da década de 1980. Publicações como The New Yorker e outras revistas especializadas passaram a destacar o longa como um exemplo eficaz de cinema de gênero. A criatura alienígena, conhecida como Predador, tornou-se um dos monstros mais icônicos da cultura pop. O design do personagem, aliado aos efeitos especiais inovadores para a época, foi amplamente elogiado. O filme não recebeu grandes prêmios como o Oscar em categorias principais, mas foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais, evidenciando seu impacto técnico. A performance de Arnold Schwarzenegger também foi reavaliada, sendo vista como essencial para o sucesso do filme. Muitos críticos passaram a apreciar a simplicidade da narrativa, que foca na sobrevivência e no confronto direto entre homem e criatura. A direção de McTiernan também ganhou reconhecimento por sua eficiência e estilo. Assim, o filme conquistou um status mais respeitado ao longo dos anos.

Do ponto de vista comercial, O Predador foi um grande sucesso de bilheteria. Com um orçamento estimado em cerca de 15 milhões de dólares, o filme arrecadou aproximadamente 98 milhões de dólares mundialmente. Nos Estados Unidos, teve uma excelente performance, consolidando Arnold Schwarzenegger como uma das maiores estrelas de ação da época. O público respondeu de forma extremamente positiva à mistura de ação intensa e ficção científica. As cenas de combate e a presença do alienígena geraram forte impacto entre os espectadores. O boca a boca contribuiu para manter o filme em cartaz por várias semanas. Além disso, o longa teve grande sucesso em exibições televisivas e no mercado de vídeo doméstico. O personagem do Predador rapidamente se tornou popular, levando à criação de sequências e produtos derivados. Assim, o filme não apenas foi lucrativo, mas também deu origem a uma franquia duradoura. Seu sucesso consolidou sua posição como um dos grandes filmes de ação dos anos 1980.

Atualmente, O Predador é amplamente considerado um clássico do cinema de ação e ficção científica. O filme é frequentemente citado como um dos melhores trabalhos de Arnold Schwarzenegger e um exemplo marcante do cinema de ação da década de 1980. Sua influência pode ser vista em diversas produções posteriores que exploram o conceito de caça entre humanos e criaturas alienígenas. O design do Predador continua sendo uma referência no cinema e na cultura pop. A estrutura simples, porém eficaz, da narrativa é frequentemente elogiada por sua intensidade. O filme também é lembrado por suas frases marcantes e personagens carismáticos. Ao longo dos anos, conquistou uma base fiel de fãs ao redor do mundo. Novas gerações continuam descobrindo o longa e reconhecendo seu valor. Dessa forma, sua reputação como clássico está plenamente consolidada. O Predador permanece como uma obra essencial dentro do gênero.

O Predador (Predator, Estados Unidos, 1987) Direção: John McTiernan / Roteiro: Jim Thomas e John Thomas / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Jesse Ventura, Bill Duke, Sonny Landham e Kevin Peter Hall / Sinopse: Durante uma missão na selva, um grupo de soldados de elite se torna alvo de um caçador alienígena invisível e altamente tecnológico, levando a um confronto mortal onde apenas o mais astuto poderá sobreviver. 

Erick Steve. 

Força Destruidora

Título no Brasil: Força Destruidora
Título Original: Forced Vengeance
Ano de Lançamento: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: James Fargo
Roteiro: James Fargo, Franklin Thompson
Elenco: Chuck Norris, Mary Louise Weller, Michael Cavanagh, David Opatoshu, Bob Minor, Seiji Sakaguchi

Sinopse:
Chuck Norris interpreta Josh Randall, um chefe de segurança de um famoso cassino em Hong Kong que se vê no meio de uma sangrenta conspiração quando organizações criminosas tentam assumir o controle do estabelecimento. Após um ataque brutal aos donos do cassino, Randall se torna alvo dos bandidos e parte em busca de vingança, usando toda sua habilidade em artes marciais para sobreviver em uma cidade tomada por corrupção e violência.

Comentários:
O centro cinematográfico dos filmes de artes marciais sempre foi a cidade de Hong Kong. Então nada mais natural do que Chuck Norris fazer um filme por lá. Isso aconteceu justamente nesse filme. Foi uma das primeiras produções americanas filmadas no Oriente e isso abriu um intercâmbio muito interessante entre a indústria cinematográfica ocidental e sua colega do outro lado do mundo. O filme não fez sucesso amplo de bilheteria nos Estados Unidos, como já era esperado, mas acabou sendo bem apreciado justamente em Hong Kong e outros mercados do Oriente, onde chegaram a se formar filas nas entradas dos cinemas. E para quem entende desse nicho, o filme ainda hoje é considerado um dos melhores já feitos naqueles tempos. Nada mal. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Resident Evil (2026)

Título no Brasil: Resident Evil
Título Original: Resident Evil
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures / Constantin Film
Direção: Zach Cregger
Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser, Johnno Wilson e Will Merrick.

Sinopse: 
Bryan é um entregador de medicamentos que leva uma vida aparentemente comum até receber uma missão que o coloca diante de uma situação extremamente perigosa. Enviado para entregar uma encomenda a um hospital remoto, ele chega ao local justamente quando uma terrível epidemia começa a se espalhar. O que deveria ser apenas mais uma entrega transforma-se em uma luta desesperada pela sobrevivência. Cercado por criaturas mutantes e por pessoas contaminadas, Bryan precisa encontrar uma maneira de atravessar uma noite de caos e escapar com vida. Sem ser um soldado ou um agente especialmente treinado, ele é obrigado a improvisar e utilizar tudo o que possui para enfrentar a ameaça. Enquanto tenta compreender o que aconteceu naquele lugar, descobre que o surto pode estar relacionado a acontecimentos muito maiores do que imaginava. A história acompanha sua corrida contra o tempo em um ambiente cada vez mais perigoso, recuperando o clima de horror e sobrevivência associado aos jogos da série.

Comentários: 
Resident Evil marca uma nova tentativa de levar a famosa franquia dos videogames para o cinema, mas apresenta uma história completamente diferente da série protagonizada por Milla Jovovich. Zach Cregger, diretor de Barbarian e Weapons, assumiu a direção e também escreveu o roteiro ao lado de Shay Hatten. A proposta é retornar ao horror de sobrevivência, privilegiando uma experiência mais próxima da tensão e da vulnerabilidade presentes nos jogos. Austin Abrams interpreta Bryan, o protagonista que se vê inesperadamente envolvido no surto, enquanto Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser completam o elenco principal. O filme foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 18 de setembro de 2026, com classificação R devido à violência sangrenta, gore e linguagem. Com cerca de 1 hora e 34 minutos de duração, a produção também foi filmada para exibição em IMAX. A Sony descreve o longa como uma reinvenção da franquia, com uma história inédita e uma noite de sobrevivência marcada pelo caos.

A recepção crítica foi surpreendentemente positiva e marcou uma mudança em relação às adaptações cinematográficas anteriores. O Rotten Tomatoes registra atualmente 96% de aprovação da crítica, com mais de 280 avaliações, destacando principalmente a atmosfera de terror, o ritmo e a maneira como Cregger transforma elementos típicos dos videogames em uma experiência cinematográfica. A publicação também aponta que o humor de Austin Abrams ajuda a equilibrar os momentos mais assustadores da história. O filme também teve uma boa recepção junto ao público, com 91% de aprovação na mesma plataforma. Comercialmente, a produção já ultrapassou US$ 100 milhões na bilheteria norte-americana, demonstrando que a franquia continua atraindo espectadores. Resident Evil representa, portanto, uma ruptura significativa com os seis filmes anteriores, abandonando Alice e sua história para apresentar um novo protagonista e uma abordagem mais próxima do horror. Mesmo utilizando o nome e o universo da franquia, o longa procura funcionar como uma nova porta de entrada para o público e como uma adaptação mais diretamente inspirada na sensação de jogar um survival horror.

Erick Steve.