sábado, 7 de março de 2026

Elvis Presley - Pot Luck

Elvis Presley - Pot Luck
O álbum Pot Luck with Elvis, lançado em 5 de junho de 1962, representa um momento interessante na carreira de Elvis Presley, um dos maiores ícones da história do rock and roll. Naquele período, Elvis já era uma estrela mundial consolidada, mas sua carreira passava por uma fase diferente, muito marcada por gravações ligadas aos seus filmes de Hollywood. Mesmo assim, “Pot Luck with Elvis” mostrou que o cantor ainda era capaz de produzir um álbum de estúdio consistente e com forte identidade musical. O disco reúne gravações feitas entre 1961 e 1962 e apresenta uma mistura de rock, pop e baladas românticas, estilos que haviam ajudado a definir o sucesso do artista desde os anos 1950. Muitas das faixas foram escritas por compositores importantes do circuito de Nashville e da indústria musical americana da época. Embora não tenha sido tão revolucionário quanto seus primeiros discos, o álbum reforçou o talento vocal de Elvis e sua habilidade de interpretar diferentes estilos. A produção também refletia o som mais polido que dominava a música pop do início dos anos 1960. Em meio às mudanças do cenário musical, com o surgimento de novos artistas e tendências, Elvis continuava sendo uma presença dominante. O álbum também mostrou que o cantor ainda mantinha uma enorme base de fãs fiel. Dessa forma, “Pot Luck with Elvis” tornou-se um registro importante da fase intermediária da carreira do “Rei do Rock”.

A recepção crítica ao álbum na época de seu lançamento foi geralmente positiva, ainda que alguns críticos observassem que Elvis estava adotando uma abordagem mais conservadora em comparação com o impacto revolucionário de seus primeiros trabalhos. A revista Billboard destacou o disco como um lançamento forte no mercado pop, elogiando principalmente a qualidade das interpretações vocais de Presley. Em uma de suas notas sobre o álbum, a publicação comentou que “Elvis continua demonstrando um carisma vocal que poucos artistas conseguem igualar”. A tradicional revista Variety também avaliou positivamente o álbum, ressaltando o potencial comercial das músicas e afirmando que o cantor ainda possuía enorme apelo junto ao público jovem. Já o jornal musical britânico NME destacou que, embora o disco não apresentasse grandes inovações, ele mantinha o padrão de qualidade associado ao nome de Elvis Presley. Alguns críticos elogiaram particularmente a faixa “Kiss Me Quick”, considerada uma das canções mais memoráveis do álbum. Outros apontaram que a voz de Elvis estava mais madura e controlada do que em suas gravações dos anos 1950. A crítica também notou a presença de arranjos mais suaves e sofisticados. No geral, as revistas musicais consideraram “Pot Luck with Elvis” um álbum sólido dentro da discografia do artista. Embora não fosse visto como um divisor de águas, o disco reafirmava o talento interpretativo de Presley.

Grandes jornais americanos também comentaram o lançamento do álbum e refletiram sobre o lugar de Elvis no cenário musical da época. O The New York Times observou que Elvis havia se transformado de um rebelde do rock em um intérprete mais refinado de música popular. Um crítico do jornal escreveu que o cantor “continua possuindo uma das vozes mais reconhecíveis da música americana”. Já o Los Angeles Times destacou que o álbum demonstrava a versatilidade do artista, capaz de interpretar tanto baladas românticas quanto canções com ritmo mais animado. A revista The New Yorker também mencionou Elvis em artigos sobre a indústria cultural da época, observando que sua influência permanecia enorme mesmo após quase uma década de sucesso. Alguns jornalistas notaram que a imagem pública do cantor estava cada vez mais associada ao cinema e ao entretenimento de massa. Ainda assim, suas gravações continuavam a atrair grande atenção do público. Para vários críticos, o álbum mostrava que Elvis mantinha um lugar especial na música popular americana. Mesmo sem a mesma carga revolucionária de seus primeiros anos, sua presença artística permanecia relevante. As análises jornalísticas, portanto, reforçaram a ideia de que Elvis continuava sendo uma figura central na cultura pop dos anos 1960.

No aspecto comercial, “Pot Luck with Elvis” foi um sucesso considerável, confirmando o enorme poder de vendas do cantor. O álbum alcançou a quarta posição na parada de álbuns da Billboard, um resultado bastante forte para a época. Nos Estados Unidos, o disco vendeu centenas de milhares de cópias e permaneceu por várias semanas nas paradas musicais. Internacionalmente, Elvis também continuava extremamente popular, e o álbum encontrou público em vários países. O single “Kiss Me Quick”, por exemplo, tornou-se um grande sucesso em mercados europeus alguns anos depois de sua gravação. Mesmo em um período em que Elvis dedicava grande parte de sua carreira ao cinema, suas gravações ainda tinham grande impacto no mercado musical. A força de sua base de fãs ajudava a garantir boas vendas para praticamente todos os seus lançamentos. As rádios também continuavam tocando suas músicas com frequência. A combinação entre fama cinematográfica e sucesso musical ajudava a manter Elvis constantemente em evidência. Assim, “Pot Luck with Elvis” consolidou-se como mais um lançamento comercialmente bem-sucedido na discografia do artista. O desempenho nas paradas mostrou que o público ainda respondia com entusiasmo a seus novos trabalhos.

Com o passar do tempo, o álbum passou a ser visto pelos especialistas como um retrato fiel da fase de transição da carreira de Elvis Presley no início dos anos 1960. Historiadores da música costumam observar que, nesse período, o cantor estava mais focado em filmes e trilhas sonoras do que em álbuns de estúdio tradicionais. Mesmo assim, “Pot Luck with Elvis” é frequentemente lembrado como um dos discos mais consistentes dessa fase. Fãs do artista apreciam especialmente a qualidade das baladas e a força da interpretação vocal de Elvis. Algumas músicas do álbum também ganharam nova valorização em retrospectivas da carreira do cantor. Críticos modernos destacam que o disco mostra um Elvis mais maduro e tecnicamente seguro como intérprete. Em listas e análises sobre sua discografia, o álbum costuma ser citado como uma obra sólida, embora menos famosa do que seus trabalhos clássicos dos anos 1950. Ainda assim, ele representa um capítulo importante na evolução artística do “Rei do Rock”. O disco também ajuda a compreender como Elvis conseguiu manter sua relevância ao longo de diferentes fases da indústria musical. Décadas após seu lançamento, o álbum continua sendo ouvido e discutido por fãs e estudiosos. Dessa forma, “Pot Luck with Elvis” permanece como um registro significativo dentro da longa e influente carreira de Elvis Presley.

Elvis Presley - Pot Luck with Elvis (1962)
Kiss Me Quick
Just for Old Time Sake
Gonna Get Back Home Somehow
(Such an) Easy Question
Steppin' Out of Line
I'm Yours
Something Blue
Suspicion
I Feel That I've Known You Forever
Night Rider
Fountain of Love
That's Someone You Never Forget

Erick Steve. 

The Beatles - Help!

The Beatles - Help!
O álbum Help!, lançado em 6 de agosto de 1965, marcou um momento importante na evolução artística dos The Beatles. Gravado durante um período extremamente intenso da chamada Beatlemania, o disco serviu também como trilha sonora do segundo filme da banda, Help!, dirigido por Richard Lester. Naquele momento, o grupo formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr já dominava o cenário da música pop mundial. No entanto, “Help!” mostrou sinais claros de amadurecimento musical e emocional, especialmente nas composições de Lennon e McCartney. A faixa-título revelou um tom mais introspectivo, com Lennon posteriormente descrevendo a música como um verdadeiro pedido de ajuda diante da pressão da fama. Ao mesmo tempo, o álbum manteve o espírito pop contagiante que havia transformado o grupo em fenômeno global. O disco mistura rock, folk e baladas românticas, apontando para a direção artística que o grupo desenvolveria em trabalhos posteriores. A presença da balada “Yesterday”, cantada por McCartney, também representou uma inovação, com arranjos de cordas pouco comuns no rock da época. Assim, “Help!” tornou-se um elo entre o período inicial mais pop da banda e a fase mais experimental que viria em seguida. Por tudo isso, o álbum é frequentemente visto como um ponto de transição fundamental na discografia dos Beatles.

A recepção crítica ao álbum foi amplamente positiva na época de seu lançamento, com muitos críticos reconhecendo que os Beatles estavam expandindo suas ambições musicais. A revista Billboard destacou a qualidade das composições e observou que o disco demonstrava “uma evolução consistente na escrita de Lennon e McCartney, mantendo o apelo pop que conquistou o público”. A tradicional revista britânica NME afirmou que o álbum consolidava o domínio do quarteto no cenário musical internacional e elogiou a variedade estilística presente nas faixas. Já a revista Rolling Stone, em análises retrospectivas, descreveu o disco como um momento em que os Beatles começaram a revelar maior profundidade emocional em suas músicas. Críticos também destacaram a força da faixa-título e a sofisticação melódica de “Ticket to Ride”. Para muitos jornalistas musicais, o álbum demonstrava que o grupo não era apenas um fenômeno juvenil, mas artistas capazes de evoluir musicalmente. A revista Variety ressaltou o impacto comercial das músicas do álbum e previu que elas dominariam as rádios por meses. Em várias críticas da época, observou-se que os Beatles estavam ampliando o vocabulário do rock e da música pop. O consenso era de que “Help!” confirmava a posição da banda como a principal força criativa da música popular dos anos 1960. Assim, o álbum foi recebido não apenas como mais um sucesso comercial, mas como um passo significativo no desenvolvimento artístico do grupo.

Grandes jornais também dedicaram análises ao disco e reforçaram a percepção de que os Beatles estavam atravessando uma fase de transformação criativa. O The New York Times observou que as canções do álbum apresentavam “uma combinação rara de simplicidade pop e refinamento melódico”, algo que poucos artistas da época conseguiam alcançar. Já o Los Angeles Times destacou que o grupo demonstrava uma habilidade crescente para compor músicas memoráveis sem depender apenas da energia do rock tradicional. Segundo um crítico do jornal, “Help! mostra que os Beatles estão se tornando compositores cada vez mais sofisticados”. A revista The New Yorker também comentou o impacto cultural do álbum, observando que o quarteto de Liverpool estava redefinindo os limites da música popular. Alguns críticos chamaram atenção para a delicadeza de “Yesterday”, considerada uma das canções mais elegantes da década. Outros ressaltaram a mistura de humor e emoção nas composições do grupo. Em várias análises, destacou-se que Lennon começava a explorar temas mais pessoais em suas letras. Os jornais também notaram que o álbum mantinha o charme característico dos Beatles, mesmo enquanto avançava musicalmente. No conjunto, a crítica jornalística reforçou a ideia de que “Help!” representava um momento importante de crescimento artístico do grupo.

No campo comercial, “Help!” foi um enorme sucesso em praticamente todos os mercados musicais do mundo. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada da Billboard nos Estados Unidos e também liderou as paradas britânicas logo após seu lançamento. Nos Estados Unidos, o disco permaneceu várias semanas entre os mais vendidos, consolidando ainda mais a presença dominante dos Beatles na década de 1960. Estima-se que o álbum tenha vendido milhões de cópias em todo o mundo, tornando-se um dos discos mais bem-sucedidos do grupo naquele período. A trilha sonora americana, lançada pela gravadora Capitol Records, também teve forte desempenho comercial. Singles como “Help!”, “Ticket to Ride” e “Yesterday” tornaram-se grandes sucessos nas rádios e nas paradas de sucesso. “Yesterday”, em particular, tornou-se uma das músicas mais regravadas da história da música popular. O sucesso comercial do álbum refletiu a enorme popularidade dos Beatles em meio à Beatlemania. Em muitos países, o disco alcançou rapidamente certificações de ouro e platina. O desempenho nas paradas demonstrou que o grupo conseguia combinar inovação artística com enorme apelo popular. Dessa forma, “Help!” consolidou ainda mais a posição dos Beatles como a banda mais influente e comercialmente bem-sucedida de sua época.

Com o passar das décadas, “Help!” passou a ser visto como um dos álbuns mais importantes da fase intermediária dos Beatles. Especialistas em história da música frequentemente apontam o disco como um momento em que o grupo começou a explorar novas possibilidades criativas. Muitos críticos consideram a faixa-título uma das primeiras canções verdadeiramente confessionais do rock. A presença de “Yesterday” também contribuiu enormemente para o legado do álbum, já que a música se tornou um clássico absoluto da música do século XX. Em retrospectivas publicadas por revistas como Rolling Stone, o disco costuma aparecer em listas dos melhores álbuns da história. Fãs também veem o álbum com grande carinho, pois ele reúne tanto o espírito pop inicial do grupo quanto sinais do amadurecimento artístico que culminaria em obras como Rubber Soul e Revolver. O disco também continua sendo estudado por musicólogos interessados na evolução da composição pop nos anos 1960. Para muitos, ele representa a ponte entre o fenômeno da Beatlemania e a fase mais experimental da banda. A produção musical e os arranjos ainda soam frescos para muitos ouvintes contemporâneos. Assim, décadas após seu lançamento, “Help!” permanece como uma obra fundamental dentro da discografia dos Beatles. Seu legado é o de um álbum que combina sucesso popular, inovação musical e enorme importância histórica na evolução do rock.

The Beatles - Help! (1965)
Help!
The Night Before
You've Got to Hide Your Love Away
I Need You
Another Girl
You're Going to Lose That Girl
Ticket to Ride
Act Naturally
It's Only Love
You Like Me Too Much
Tell Me What You See
I've Just Seen a Face
Yesterday
Dizzy Miss Lizzy

Erick Steve. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Gallipoli

Título no Brasil: Gallipoli
Título Original: Gallipoli 
Ano de Lançamento: 1981 
País: Austrália 
Estúdio: Associated R&R Films 
Direção: Peter Weir 
Roteiro: David Williamson, Peter Weir
Elenco: Mel Gibson, Mark Lee, Bill Kerr, Harold Hopkins, Charles Yunupingu, Bill Hunter 

Sinopse:
Dois jovens da Austrália Ocidental, Archy Hamilton e Frank Dunne, decidem se alistar no exército durante a Primeira Guerra Mundial. Motivados por sonhos de glória, patriotismo e amizade, eles chegam ao campo de treinamento e depois são enviados para a península de Gallipoli, no conflito com o Império Otomano. O filme mostra sua inocência aos poucos se desfazendo à medida que enfrentam a dura realidade da guerra, conflitos entre ordens militares, e tragédias no campo de batalha — especialmente durante o ataque no “Nek”, que se torna um momento de choque, perda e reflexão sobre os custos humanos do combate.

Comentários: 
Logo após o sucesso do primeiro filme com o personagem "Mad Max" o ator Mel Gibson começou sua caminhada rumo ao estrelato. E começou muito bem com esse filme que, se formos analisar em aspectos puramente cinematográficos, era muito superior ao próprio "Mad Max". Até porque se o filme anterior era uma fita de ação on the road rodado em mundo caótico, esse aqui era muito mais profundo em termos de enredo, direção e com amplas possibilidades do elenco demonstrar seu talento de atuação. Era justamente o que procurava Gibson que desejava demonstrar que era acima de tudo um bom jovem ator e não apenas um sujeito talhado para filmes de ação de ritmo intenso. Então é isso. Considero esse filme o primeiro realmente sério e centrado de Mel Gibson, ainda no começo de sua carreira. 

Pablo Aluísio. 

Gattaca

Título no Brasil: Gattaca - Experiência Genética
Título Original: Gattaca
Ano de Lançamento: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol
Elenco: Ethan Hawke, Uma Thurman, Jude Law, Alan Arkin, Ernest Borgnine

Sinopse: 
Num futuro próximo, a sociedade é dominada pela engenharia genética. Crianças passam a ser concebidas em laboratório, livres de defeitos e com características selecionadas. Vincent Freeman nasce de forma natural e, por isso, é considerado geneticamente inferior, tendo poucas oportunidades na vida. Determinado a realizar seu sonho de viajar ao espaço, ele assume a identidade genética de Jerome Morrow, um homem geneticamente perfeito que ficou paraplégico. Vivendo uma vida dupla, Vincent precisa esconder sua verdadeira origem enquanto trabalha na corporação espacial Gattaca, mas um assassinato dentro da empresa coloca sua identidade em risco.

Comentários: 
Eu gosto muito de filmes do gênero Ficção Científica, algo que os americanos conhecem como Sci-Fi. Até aí tudo bem, só que existem filmes que na ânsia de parecerem inteligentes demais acabam se tornando apenas chatos! É o caso desse Gattaca. Na época, nos anos 90, havia essa onda dos clones, era um assunto da moda, algo que depois iria se revelar apenas um balão de ensaio. De qualquer forma esse roteiro foi escrito, na febre do momento, aproveitando esse tema. O resultado cinematográfico entretanto não me empolgou. Achei mesmo arrastado, indeciso. O roteiro não sabe que caminho seguir, se vai pelo lado puramente da ciência ou se vira filme de ação. Nessa indecisão só sobrou mesmo muitos bocejos de tédio. Não deu certo. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Isca

Título no Brasil: Isca
Título Original: Something in the Water
Ano de Lançamento: 2024
País: Reino Unido
Estúdio: StudioCanal
Direção: Hayley Easton Street
Roteiro: Cat Clarke
Elenco: Hiftu Quasem, Lauren Lyle, Natalie Mitson, Ellouise Shakespeare-Hart, Nicole Rieko Setsuko, Gabriel Prevost-Takahashi

Sinopse:
A história acompanha um grupo de amigas que viaja para uma ilha tropical para celebrar um casamento. Durante o passeio, antigas tensões e ressentimentos entre elas começam a surgir. Após um acidente no mar, as jovens acabam presas em águas abertas, lutando para sobreviver enquanto percebem que há algo perigoso rondando sob a superfície: um tubarão. Isoladas e feridas, elas precisam enfrentar tanto o predador quanto seus próprios conflitos para tentar sair vivas daquela situação. 

Comentários:
Eu sei, eu sei... tenho que parar de ver essas tranqueiras, mas no submundo do streaming não tem muitas opções interessantes mesmo para assistir. Assim vamos para mais um filme B com tubarões famintos devorando gatinhas perdidas em alto-mar. O elenco é praticamente formado só por garotas e como o título nacional bem sugere elas vão, mais cedo ou mais tarde, se tornar petiscos e iscas saborosas de tubarão branco, que acredite, também é uma fêmea! Acho que os produtores quiseram fazer um filme mesmo totalmente feminino. Não colou, achei fraco demais, inclusive a criatura marítima que não assusta pois a computação gráfica deixou a desejar. Assim todo mundo, no final, naufragou junto com o próprio filme! 

Pablo Aluísio. 

Tubarão

Título no Brasil: Tubarão
Título Original: Jaws
Ano de Lançamento: 1975
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Peter Benchley e Carl Gottlieb
Elenco: Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss

Sinopse: 
Na pacata ilha turística de Amity, ataques misteriosos começam a ocorrer nas praias durante o verão. O chefe de polícia Martin Brody tenta fechar as praias para proteger a população, mas enfrenta resistência das autoridades locais, preocupadas com os prejuízos ao turismo. Quando fica claro que um gigantesco tubarão branco é o responsável pelas mortes, Brody se une a um biólogo marinho e a um experiente caçador de tubarões para enfrentar a criatura em alto-mar, em uma perigosa e tensa caçada.

Comentários:
Esse clássico moderno de Spielberg completou 50 anos! Foi uma data até que bem celebrada nos Estados Unidos, com lançamento de livros, DVDs, etc. De minha parte resolvi rever o filme que não via há anos! Nessa revisão tirei algumas conclusões. O filme envelheceu bastante! Não acredito que nenhum jovem dos dias de hoje ficaria impressionado com o filme. Não podemos nos esquecer que há mais de 50 anos Tubarão foi um evento cinematográfico, com uma enorme bilheteria e impacto dentro da cultura pop. Só que foi tão imitado, em tantos filmes depois desse, que acabou ficando ele próprio saturado e ultrapassado. Ainda vale pelas boas interpretações de todo o elenco e principalmente pela maravilhosa trilha sonora de John Williams. Fora isso, porém, pouca coisa resistiu ao tempo. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

A Força do Carinho

Título no Brasil: A Força do Carinho
Título Original: Tender Mercies
Ano de Lançamento: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: Horton Foote
Elenco: Robert Duvall, Tess Harper, Betty Buckley, Wilford Brimley, Ellen Barkin, Allan Hubbard

Sinopse:
Mac Sledge (Duvall) é um cantor country decadente que vive isolado e mergulhado no alcoolismo após o fim de sua carreira e de seu casamento. Ao encontrar abrigo em um pequeno posto de gasolina administrado por uma viúva gentil e religiosa, ele inicia um lento e silencioso processo de reconstrução pessoal. Entre recaídas, reencontros dolorosos com o passado e a tentativa de reconciliação com a filha, Mac busca redenção e um novo sentido para sua vida.

Comentários:
Depois de décadas de trabalho como ator em Hollywood finalmente o grande Robert Duvall teve seu talento reconhecido pela Academia nesse filme, vencendo o Oscar de melhor ator por essa maravilhosa interpretação. O filme merecia, pois trazia uma das performances mais contidas e elogiadas de sua carreira. Em minha opinião foi o melhor trabalho do ator em sua longa jornada no ramo da atuação. E não ficou por aí, sendo premiado também na prestigiada categoria de Melhor Roteiro Original. Tudo muito merecido. O mais tocante nessa história é que ela se baseia, na verdade, na vida de centenas e centenas de artistas. As pessoas esquecem que quando o sucesso se vai, a pessoa fica, por vezes décadas, amargando o fracassso profissional, que muitas vezes é confundido também como fracasso pessoal, de uma vida inteira. Então, carga emocional dramática (e verídica) é o que não falta nesse drama muito sensível e realmente emocionante. 

Pablo Aluísio. 

Robert Duvall (1931 - 2026)

Robert Duvall (1931 - 2026)
Robert Duvall foi um dos atores mais respeitados e consistentes do cinema norte-americano, reconhecido por sua sobriedade interpretativa, profundidade psicológica e extraordinária versatilidade. Nascido em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, Califórnia, Duvall formou-se no Actors Studio, onde desenvolveu uma técnica baseada na naturalidade e no rigor emocional. Desde o início, destacou-se por evitar exageros, construindo personagens com precisão e autenticidade. Sua estreia no cinema ocorreu de maneira impactante em O Sol é para Todos (1962), no qual interpretou Boo Radley, personagem silencioso e enigmático que já revelava sua capacidade de comunicar emoções com gestos mínimos. Ao longo dos anos 1960, participou de produções variadas, consolidando-se como ator coadjuvante de grande força dramática antes de alcançar papéis centrais de maior destaque.

A consagração internacional veio com O Poderoso Chefão (1972), dirigido por Francis Ford Coppola. No papel de Tom Hagen, o advogado da família Corleone, Duvall apresentou uma composição contida, estratégica e profundamente humana. Sua atuação discreta contrastava com a intensidade dos demais personagens, tornando-se essencial para o equilíbrio dramático da obra. Em Apocalypse Now (1979), também de Coppola, Duvall criou um dos personagens mais memoráveis do cinema moderno: o tenente-coronel Kilgore. A famosa frase sobre “o cheiro de napalm pela manhã” tornou-se parte da cultura popular, evidenciando sua habilidade de unir carisma, ironia e ambiguidade moral em uma única performance.

O reconhecimento máximo como protagonista veio com o Oscar de Melhor Ator por A Força do Carinho (1983), no qual interpretou um cantor country decadente em busca de redenção. Sua atuação foi marcada por extrema contenção emocional, transmitindo vulnerabilidade e dignidade sem recorrer a dramatizações excessivas. O papel confirmou sua maestria em personagens introspectivos e complexos. Ao longo das décadas seguintes, Robert Duvall demonstrou impressionante longevidade artística. Atuou em dramas judiciais, faroestes modernos, filmes históricos e produções independentes, sempre mantendo alto nível de qualidade. Sua capacidade de adaptação permitiu-lhe transitar entre o cinema comercial e o autoral com igual competência.

Além de ator, Duvall também se destacou como diretor e produtor, revelando interesse profundo pelo processo criativo completo. Seu envolvimento em projetos pessoais demonstrou compromisso com narrativas autênticas e personagens enraizados na cultura americana, especialmente no universo rural do sul dos Estados Unidos. Sua atuação era frequentemente descrita como invisível no melhor sentido da palavra: ele desaparece dentro do personagem. Essa habilidade de tornar a performance aparentemente simples, mas emocionalmente poderosa, é uma das razões pelas quais é tão admirado por colegas e críticos.

Mesmo em idade avançada, Duvall continuou ativo, participando de produções que reforçam sua presença como figura de autoridade e sabedoria nas telas. A maturidade acrescentou ainda mais gravidade às suas interpretações, consolidando sua imagem como patriarca do cinema americano. Robert Duvall permaneceu como um dos grandes pilares da atuação moderna. Sua carreira foi exemplo de disciplina, consistência e respeito à arte dramática. Mais do que um astro, ele foi um artesão da interpretação, cuja contribuição à história do cinema é profunda e duradoura. Após uma vida dedicada à arte, que descanse em paz!

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Herança Sagrada

Após a morte do cacique Cochise (Jeff Chandler), a nação Apache se divide em dois blocos de guerreiros. Os que desejam continuar a manter a paz com os brancos são liderados por Taza (Rock Hudson), filho sucessor e novo chefe da tribo. Já o grupo que deseja uma guerra final para expulsar os brancos das terras indígenas é liderado pelo famoso guerreiro Geronimo (Ian MacDonald) e pelo irmão de Taza, o impiedoso Naiche (Rex Reason). No meio do conflito se situa o Forte Apache, guarnição da sexta cavalaria do exército americano que se encontra na região para manter a ordem e a paz. Esse filme “Herança Sagrada” é um western curioso por vários motivos. O primeiro é o fato de ser dirigido por Douglas Sirk, um diretor mais conhecido por seus dramas sentimentais e urbanos. Dentro do gênero faroeste ele realmente não tinha muita intimidade e nem experiência. Nem por isso deixou de desenvolver um excelente trabalho, haja visto que o filme se mantém muito bem, com doses exatas de aventura, ação e até romance. Por exemplo o personagem nativo Taza almeja se casar com a filha de um apache que pertence à ala guerreira do chefe Geronimo, o que lhe trará muitos problemas. A parceria do diretor Sirk com Rock Hudson funcionou novamente muito bem nesse improvável western. Ele era um cineasta hábil que conseguia extrair o melhor de seu elenco, mesmo em filmes como esse.

Em sua autobiografia, o ator Rock Hudson relembrou algumas impressões sobre esse filme. Inicialmente ele afirmou que não se sentia completamente à vontade interpretando um nativo, um índio, pois tinha um biótipo bastante caucasiano, não servindo para interpretar com veracidade esse tipo de guerreiro. Ele obviamente ficaria mais convincente como um soldado da cavalaria dos Estados Unidos, com seus uniformes azuis. Depois relembrou com muito bom humor as dificuldades no set de filmagens. “Herança Sagrada” foi todo rodado em locações reais, no meio do deserto, numa região rica em barro vermelho. Rock no livro escreveu que todos os dias, após filmar suas cenas, tinha que tomar um prolongado banho onde segundo suas próprias palavras havia “toneladas de barro que desciam pelo ralo do banheiro”.

Apesar de tudo Rock Hudson reconheceu em seu livro de memórias que o filme foi bom para sua carreira pois fez sucesso de bilheteria, o ajudando a se transformar em um astro. Deixando esses detalhes de lado a conclusão que se chega após assistir a esse “Herança Sagrada” é a de que se trata realmente de um bom western, com cenas bem realizadas (como a emboscada dentro do cânion com os apaches promovendo um verdadeiro massacre da sexta cavalaria) e uma boa dose de realismo na forma como os índios são retratados em cena. “Herança Sagrada” é acima de tudo um filme muito interessante, por colocar os índios como protagonistas da estória e não apenas como inimigos sem alma e nem personalidade, que só serviam para morrer nas mãos  do colonizador branco. Por essa razão “Herança Sagrada” pode ser incluído até mesmo no panteão dos melhores filmes de faroeste já produzidos pela Universal Pictures.

Herança Sagrada (Taza, Son of Cochise, Estados Unidos, 1954) Direção: Douglas Sirk / Roteiro: Gerald Drayson Adams / Elenco: Rock Hudson, Barbara Rush, Gregg Palmer, Jeff Chandler, Ian MacDonald, Rex Reason / Sinopse: Após a morte do chefe Cochise (Jeff Chandler) o jovem Taza (Rock Hudson) assume a liderança de sua tribo. Ele deseja paz com os brancos mas enfrenta forte resistência de seu próprio irmão e Gerônimo, lendário guerreiro da nação Apache, que desejava a guerra contra o inimigo invasor.

Pablo Aluísio.

Talhado em Granito

Mais um western com o mito Randolph Scott. A produção foi realizada a toque de caixa para aproveitar as férias escolares do meio de ano. Na época Randolph Scott estava prestes a cumprir seu contrato com o estúdio para alcançar vôos mais ousados – ele queria produzir seus próprios filmes sem salário fixo, mas com participação nos lucros, uma decisão que o deixaria milionário nos anos que viriam. Uma decisão muito acertada que inclusive iria inspirar outros atores de Hollywood a seguirem  o mesmo caminho. Ao invés de ser um ator meramente contratado dos estúdios, era mais lucrativo produzir seus próprios filmes, ficando com parte da bilheteria. A decisão de filmar em Santa Clarita na Califórnia, uma região que Scott adorava pelo seu clima ameno e agradável, foi o argumento final para que ele aceitasse rodar a fita. Assim ele terminaria seu contrato com a Warner, ficaria livre para virar produtor de seus filmes e seguiria em frente para realizar seus planos. As filmagens foram tranquilas, sem problemas, com Scott aproveitando para curtir a região, geralmente saindo para cavalgar com amigos após mais um dia de trabalho no set. Era verão, tempo ideal para filmar e curtir umas férias ao mesmo tempo.

Uma das maiores curiosidades na realização desse filme foi que durante praticamente todas as filmagens Randolph Scott contou com a presença do ator e amigo Cary Grant no set. Grant foi à região apenas para visitar o amigo, mas gostou tanto que resolveu ficar uma semana acompanhando os trabalhos. Scott não poderia ficar mais contente já que com Grant lhe fazendo companhia eles poderiam relembrar os bons tempos quando eram apenas jovens atores tentando alcançar um lugar ao sol em Hollywood. Agora, já astros consagrados, podiam relaxar e curtir a bonita região juntos. Cary Grant tentou inclusive convencer o amigo a largar um pouco os filmes de western para realizar outros tipos de filmes. A resposta de Randolph Scott foi muito interessante: “Os filmes de western são uma mina de ouro. São baratos, fáceis de vender e muito comerciais. Além disso gosto de cavalgar e cortejar a mocinha. Sou bom nisso!”. E era mesmo, como podemos confirmar aqui em “Talhado em Granito”, uma fita de rotina mas que mantém um charme incrível mesmo nos dias atuais. Se você é fã do cinema eficiente de Randolph Scott não deixe de assistir.

Talhado em Granito (Sugarfoot, Estados Unidos, 1951) Direção: Edwin L. Marin / Roteiro: Russell S. Hughes baseado no livro de Clarence Budington Kelland / Elenco: Randolph Scott, Adele Jergens, Raymond Massey / Sinopse: Ex-oficial da guerra civil reencontra seus velhos inimigos no distante Arizona. Agora terá que decidir entre acertar devidamente as contas ou esquecer o passado para seguir em frente na sua vida.

Pablo Aluísio.