sábado, 10 de janeiro de 2026

Os Últimos Dias de Jim Morrison

Título no Brasil: Os Últimos Dias de Jim Morrison
Título Original: The Last Days of Jim Morrison
Ano de Lançamento: 2007
País: Reino Unido
Estúdio: Entertain Me Productions
Direção: Simon Witter
Roteiro: Simon Witter
Elenco: Alain Ronay, Hervé Muller, Marianne Faithfull, Sam Bernett, Jacques Bisceglia, Frank Lisciandro

Sinopse:
O documentário investiga os últimos dias de Jim Morrison em Paris, em julho de 1971, reunindo depoimentos de pessoas que conviveram com o cantor na capital francesa pouco antes de sua morte. Amigos, jornalistas, músicos, frequentadores do círculo boêmio parisiense e testemunhas da época relatam encontros, comportamentos, estado emocional e físico de Morrison, além de versões conflitantes sobre suas últimas horas. A obra busca separar fatos de mitos em torno da morte do vocalista do The Doors.

Comentários: 
Excelente documentário que foca suas lentes exclusivamente nos últimos dias de vida do cantor e compositor Jim Morrison. Ele estava em Paris, logo após as gravações do último disco dos Doors. Queria escrever poesia e ficar ao lado de sua eterna musa Pamela Courson. Só que tudo deu errado. Ele morreu na banheira de seu apartamento, provavelmente vítima de um ataque cardíaco. Pelo menos essa é a versão oficial do departamento de polícia de Paris. Pelos depoimentos que vemos nesse documentário parece que Pamela escondeu a verdade dos fatos. Jim teria sofrido uma overdose de heroína pura em um clube da cidade, altas horas da madrugada. Um traficante grã-fino estaria envolvido em sua morte. Desesperados com o ocorrido, Pamela e outras pessoas levaram seu corpo para o apartamento para encobrir o que teria acontecido. Ela tinha medo de ser presa naquela ocasião, por isso mentiu para os policiais. Entre tantas confissões de pessoas que estiveram presentes nessa trágica noite só faltou mesmo a fala de Pamela, só que isso era obviamente impossível. Ela também morreu de uma overdose de drogas, em 1974. Mesmo com essa lacuna não há como negar, esse é o melhor documentário sobre a morte de Jim já produzido. Não deixe de assistir. 

Pablo Aluísio. 

Paul McCartney and Wings - One Hand Clapping

Título no Brasil: Paul McCartney and Wings – One Hand Clapping
Título Original: Paul McCartney and Wings: One Hand Clapping
Ano de Lançamento: 1974 (filmado) / 2024 (lançamento oficial restaurado)
País: Reino Unido
Estúdio: MPL Communications
Direção: David Litchfield
Roteiro: David Litchfield, Paul McCartney
Elenco: Paul McCartney, Linda McCartney, Denny Laine, Jimmy McCulloch, Geoff Britton, Wings

Sinopse:
O filme registra sessões de estúdio da banda Paul McCartney and Wings gravadas em 1974 no lendário Abbey Road Studios, em Londres. Em um formato íntimo e espontâneo, McCartney e sua banda interpretam canções recentes e clássicos dos Beatles, além de versões descontraídas e improvisações. O documentário captura o processo criativo do grupo, mostrando ensaios, conversas informais e performances cruas, revelando McCartney em plena fase de transição artística pós-Beatles.

Comentários: 
Vasculhando os arquivos de sua empresa MPL, Paul McCartney acabou encontrando material gravado nos tempos em que ele estava trabalhando em estúdio para finalizar o disco "Band on The Run". Como sempre foi um homem de negócios, Paul resolveu resgatar essas cenas e criou esse filme documentário. Na realidade era um velho projeto. Quando as filmagens foram feitas nos anos 70, Paul tinha planos de transformar tudo em um especial de TV que acabou não acontecendo. Então as décadas passaram e Paul se lembrou dessas filmagens. É um bom material, mas cru ao extremo. Basicamente vale por duas coisas. A primeira ao ver Paul cantando clássicos como  “Band on the Run”, “Jet”, “Live and Let Die” e versões de clássicos dos Beatles como “Let It Be”. A segunda por trazer aquela que até hoje é considerada a melhor formação do Wings com Paul e Linda McCartney, Denny Laine, Jimmy McCulloch e Geoff Britton. Então é isso. Só recomendo para fãs de Paul pois o material tem um estilo mais amador, realmente cru e sem sofisticação visual. Já para fãs de música em geral tudo pode soar como uma mera curiosidade. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Emmanuelle

Título no Brasil: Emmanuelle
Título Original: Emmanuelle
Ano de Lançamento: 2024
País: França
Estúdio: Rectangle Productions
Direção: Audrey Diwan
Roteiro: Audrey Diwan, Rebecca Zlotowski
Elenco: Noémie Merlant, Naomi Watts, Will Sharpe, Jamie Campbell Bower, Chacha Huang, Anthony Wong

Sinopse:
Emmanuelle é uma mulher sofisticada, solitária e em busca de experiências que rompam os limites do desejo e da identidade. Durante uma viagem a negócios para Hong Kong, ela se envolve em encontros sensuais e reflexivos que a levam a questionar prazer, poder, intimidade e vazio emocional. Distante do erotismo escapista do passado, esta nova versão acompanha uma jornada mais introspectiva, onde o desejo se mistura à solidão, ao autoconhecimento e à inquietação existencial.

Comentários: 
Resolveram fazer um remake do filme original de 1974. A personagem de Emmanuelle Arsan está de volta! Pena que o resultado tenha sido um filme tão fraco! Eu entendo que nos dias atuais um filme como o da década de 1970 seria complicado de repetir. Hoje vivemos um falso moralismo que está em todos os setores. Por mais incrível que isso possa parecer as pessoas (e o cinema) eram mais livres há 50 anos! Sim, vivemos um retrocesso de costumes nesse aspecto. Então esqueça o original caso você tenha assistido. Aqui a questão do erotismo foi suavizado ao máximo. Ao invés disso surge o aspecto psicológico introspectivo da protagonista. Claro que há cenas de teor erótico, não se poderia tirar tudo, mas elas são tão sem graça que o gosto de decepção vem, ainda mais para pessoas da minha geração que cresceram vendo esses filmes. Não espere por nada parecido. 

Pablo Aluísio. 

Emmanuelle 2

Título no Brasil: Emmanuelle 2 
Título Original: Emmanuelle 2: L’antivierge
Ano de Lançamento: 1975
País: França
Estúdio: Trinacra Films
Direção: Francis Giacobetti
Roteiro: Francis Giacobetti, Gérard Depardieu
Elenco: Sylvia Kristel, Umberto Orsini, Frédéric Lagache, Catherine Rivet, Christiane Krüger, Henri Czarniak

Sinopse:
Após suas experiências iniciais de libertação sexual, Emmanuelle continua sua jornada de autodescoberta explorando novas formas de prazer e relacionamentos sem amarras. Viajando por diferentes ambientes exóticos e sofisticados, ela se envolve em encontros que desafiam convenções morais e emocionais, aprofundando sua busca por autonomia, desejo e identidade. O filme aprofunda o erotismo elegante da série, mantendo o foco na curiosidade e na liberdade feminina.

Comentários: 
Caso queira rever os filmes da franquia original deixo aqui a dica desse segundo filme com a Emmanuelle, interpretada pela bela Sylvia Kristel. O filme é a continuação direta de Emmanuelle (1974), grande sucesso internacional do cinema erótico europeu. Francis Giacobetti, fotógrafo e cineasta, assumiu a direção trazendo uma abordagem mais estética e sensual. Sylvia Kristel consolidou definitivamente sua imagem como ícone erótico do cinema dos anos 1970. O longa manteve enorme sucesso comercial, garantindo a continuidade da franquia com várias sequências. A trilha sonora e a fotografia continuavam apostando em um tom sofisticado e contemplativo, característica marcante da série. E se formos comparar com esse novo filme aí que foi lançado, cheio de culpas, esse segundo da franquia original ganha de goleada!

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O Gangster

O Gângster
Esse foi o último grande filme da carreira de Ridley Scott. Uma produção impecável com elenco classe A que prende a atenção do espectador da primeira à última cena. A história do filme (baseada em fatos reais) se passa em Nova Iorque na década de 70. A morte de um chefão do tráfico do Harlem abre espaço para o surgimento de um novo líder, Frank Lucas (Denzel Washington). Ambicioso e metódico ele logo descobre como subir dentro da hierarquia das ruas. Após eliminar ou comprar seus mais potenciais inimigos começa a colocar em prática um plano para trazer a mais fina e pura heroína para o mercado americano. Usando como meio de transporte os próprios aviões militares americanos que voltavam da guerra do Vietnã, Lucas fez fortuna em pouco tempo. Estima-se que chegou a ganhar mais de um milhão de dólares ao dia, uma cifra realmente surpreendente. Dono de um faro comercial e organizacional fora do comum o traficante Frank Lucas logo se tornou o principal importador da drogas aos Estados Unidos. Seu produto dominou todo o mercado de drogas. Com tanto dinheiro e poder em jogo era questão de tempo até chamar a atenção da polícia de Nova Iorque.

Em um departamento policial corroído por todo tipo de corrupção o detetive Richie Roberts (Russell Crowe) parecia ser realmente uma rara exceção. Policial honesto, logo percebeu que algo grande estava acontecendo no submundo do tráfico das ruas da cidade. Após intensas investigações acabou descobrindo todo o itinerário e a complexa rede de intermediários da heroína que chegava até os viciados nova-iorquinos. A heroína além de ser extremamente pura era de uma qualidade excepcional, vendida a um preço muito barato, revelando um grande esquema de distribuição por trás de tudo. “O Gangster” é um tipo de filme que nos faz lembrar como era interessante o cinema americano, principalmente na década de 70. Os temas eram geralmente relevantes, mostrando problemas atuais em tramas bem desenvolvidas, fundadas em ótimos roteiros. A dupla central de atores aqui está excepcionalmente bem. O Frank Lucas de Denzel Washington é um sujeito contraditório naquilo que entende defender e no que faz em seu dia a dia. Grande direção de Ridley Scott que ultimamente tem derrapado bastante em suas escolhas. Um filme atual com o sabor das antigas produções dos anos 70. Excelente.

O Gangster (American Gangster, Estados Unidos, 2007) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Steven Zaillian / Elenco: Denzel Washington, Russell Crowe, Chiwetel Ejiofor, Josh Brolin, Lymari Nadal, Ted Levine / Sinopse: O filme conta a história de um dos maiores traficantes de Nova Iorque durante a década de 70. Faturando milhões ele conseguiu criar uma grande rede de distribuição e transporte da heroína vinda da Ásia para ser vendida no mercado americano. Filme indicado aos Oscars de Melhor de Direção de Arte e Atriz Coadjuvante (Ruby Dee). Indicado também aos Globos de Ouro de Melhor Direção, Melhor Filme Drama e Ator (Denzel Washington).

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: O Gângster
O drama policial O Gângster (American Gangster) estreou nos cinemas em 2007, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Denzel Washington e Russell Crowe. Baseado na história real do traficante Frank Lucas, que dominou o mercado de heroína em Harlem nos anos 1970 através de métodos incomuns de importação e distribuição, o filme investe num retrato épico do crime organizado nos Estados Unidos e da luta da lei contra essa realidade. A produção marcou um retorno ao gênero policial clássico, abordando tanto os aspectos comerciais quanto morais do crime de alto nível. 

Em termos de bilheteria, O Gângster foi um sucesso comercial. Na sua estreia na América do Norte, o longa arrecadou cerca de US$ 43 milhões, garantindo o primeiro lugar nas bilheterias e se tornando a maior abertura na carreira de Denzel Washington e Russell Crowe até então. Ao final de sua circulação nos cinemas norte-americanos, acumulou mais de US$ 130 milhões, e com as receitas internacionais ultrapassou cerca de US$ 269 milhões mundialmente, números expressivos para um drama criminal sem apelo de franquia tradicional. 

A reação da crítica na época do lançamento foi majoritariamente positiva, com muitos elogiando o estilo narrativo, as performances e a direção. Agregadores como Rotten Tomatoes indicaram que 81 % dos críticos deram avaliações favoráveis, apontando o filme como “um retorno áspero e envolvente aos clássicos filmes de gângster, com atuações em plena forma”. Metacritic apresentou uma meta-nota de 76, sinalizando “críticas geralmente favoráveis”. 

Alguns críticos importantes da época publicaram comentários que refletiram o tom dessa recepção. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu que “este é um relato envolvente, contado de forma suave e eficaz” — elogiando tanto a direção de Scott quanto a contribuição de Crowe à narrativa. Outros comentaristas ressaltaram que o filme trazia “um espetáculo de grandes temas e personagens maiores que a vida, interpretados por dois dos melhores atores do cinema”, enfatizando a força de Washington e Crowe como protagonistas. 

Houve também vozes críticas mais reservas: alguns jornalistas acharam que a atuação de Washington não atingiu todo o potencial esperado, ou que o ritmo narrativo nem sempre se sustentou, como observou parte da imprensa europeia, dizendo que ele “não parecia relaxar nem habitar o papel tão satisfatoriamente quanto em performances anteriores”. Ainda assim, a maioria dos textos publicados em 2007 indicava que O Gângster era um dos melhores filmes policiais daquele ano, sendo elogiado pelo equilíbrio entre entretenimento, profundidade temática e rigor estilístico.

Colateral

Colateral
Hollywood parece ter fascinação por assassinos profissionais. Um exemplo é esse filme chamado “Colateral”. Na trama o taxista Max (Jamie Foxx) acaba pegando como passageiro Vincent (Tom Cruise), um sujeito que parece ser uma boa pessoa, simpático e generoso. Com notas de dinheiro ele convence Max a leva-lo em diferentes endereços pois ele tem alguns “serviços” a cumprir antes de voltar para sua cidade de origem. Até ai tudo bem, o problema é que Vincent é um assassino profissional que temo como objetivo matar uma série de pessoas que irão testemunhar contra um perigoso cartel de traficantes. Assim seu objetivo é muito simples: ir ao encontro dessas pessoas, executar uma a uma, e depois do serviço concluído pegar o primeiro avião de volta. Max, o taxista, nada mais é do que um “efeito colateral”, um sujeito que estava no local errado, na hora errada. Desde que ele não atrapalhe os planos de Vincent será prontamente liberado. O problema é que por princípios éticos Max resolve intervir para tentar salvar uma das vitimas de Vincent. Má idéia.

“Colateral” é um bom filme de assassino profissional. Tom Cruise deixa de lado seu bom mocismo e enfrenta pela primeira vez um papel de vilão em uma grande superprodução. Seu famoso sorriso acaba funcionando para o papel pois ele logo se torna uma marca registrada de sua psicopatia. O enredo funciona em tempo real, praticamente contando apenas com a situação básica em que o assassino, com o motorista de táxi como refém, sai pelas ruas da cidade de Los Angeles para cumprir seu serviço contratado. A cada morte um novo desafio, novos problemas a superar. O diretor Mann consegue com muita habilidade evitar o marasmo que o filme poderia cair ao apenas mostrar uma sucessão de execuções sumárias. Ao invés disso joga com o suspense e o clima de tensão a todo momento, deixando o espectador realmente grudado na tela à espera dos próximos acontecimentos. Por essas e outras razões recomendamos esse “Colateral” um filme que no fundo apenas mostra um “profissional” tentando cumprir sua meta da melhor forma possível. Nada pessoal.
   
Colateral (Collateral, Estados Unidos, 2004) Direção: Michael Mann / Roteiro: Stuart Beattie / Elenco: Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill / Sinopse: Vincent (Tom Cruise) é um assassino profissional que chega a Los Angeles para cumprir um serviço: matar testemunhas que irão depor em um importante julgamento de traficantes de um poderoso cartel. Em seu caminho acaba fazendo de refém um taxista negro (Jamie Foxx) que tentará de alguma maneira salvar a vida das vítimas dele. Indicado aos Oscars de Melhor Edição e Melhor Ator Coadjuvante (Jamie Foxx).

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Colateral 
O thriller Colateral estreou nos cinemas em agosto de 2004, dirigido por Michael Mann e estrelado por Tom Cruise e Jamie Foxx. O filme marcou uma virada significativa na carreira de Cruise, que interpretou um vilão frio e metódico, distante de sua imagem tradicional de herói. A trama acompanha uma noite em Los Angeles na qual um taxista comum é forçado a conduzir um assassino profissional entre seus alvos, enquanto a cidade se transforma em um labirinto de tensão e paranoia. O lançamento foi cercado de grande expectativa, tanto pelo prestígio do diretor quanto pela escolha ousada de elenco.

Em termos de bilheteria, Colateral obteve um resultado sólido e consistente. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 65 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 220 milhões em todo o mundo, sendo cerca de US$ 100 milhões nos Estados Unidos. O desempenho foi considerado muito positivo para um thriller adulto e urbano, sem apelo de franquia, confirmando o poder comercial de Tom Cruise e o prestígio de Michael Mann junto ao público internacional.

A recepção da crítica em 2004 foi amplamente positiva, com muitos elogios à direção, ao visual e às atuações. O The New York Times escreveu que o filme era “um thriller elegante e implacável, que transforma a cidade em um personagem vivo”, destacando o uso pioneiro de câmeras digitais para capturar a atmosfera noturna de Los Angeles. Já a revista Time descreveu Colateral como “tenso, moderno e hipnótico, um raro exemplo de suspense inteligente no cinema comercial”.

Grande parte dos elogios concentrou-se na atuação de Tom Cruise. O Los Angeles Times afirmou que o ator entregava “uma performance assustadoramente controlada, talvez a mais interessante de sua carreira até então”, enquanto Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu que Cruise criava “um vilão convincente justamente por sua calma, precisão e ausência total de emoção”. Jamie Foxx também foi bastante elogiado, com vários críticos apontando seu desempenho como um contraponto humano essencial à frieza do personagem de Cruise.

Com o passar dos anos, Colateral consolidou-se como um clássico moderno do cinema policial, frequentemente citado entre os melhores filmes de Michael Mann. As críticas publicadas em 2004 já indicavam que o longa se destacava não apenas como entretenimento de alta tensão, mas como um retrato estilizado da solidão urbana e da violência contemporânea. Hoje, o filme é lembrado tanto pela atuação memorável de Tom Cruise quanto por sua estética inovadora, confirmando o impacto duradouro que teve desde seu lançamento original.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Monster - Desejo Assassino

Monster - Desejo Assassino 
O cinema americano já mostrou a vida sinistra de muitos assassinos em série mas esse "Monster" tem um diferencial importante. Mostra a história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), uma das mais famosas Seial Killers americana, acusada de matar vários homens em sua trajetória. O modus operandi de Aileen era relativamente simples: Ela era prostituta de rua e saía geralmente com caminhoneiros ou homens mais velhos. Assim que o programa era acertado eles iam a lugares remotos. Lá Aileen os matava a tiros e depois os roubava, levando consigo tudo o que conseguia encontrar de valor com seus "clientes". Fruto de uma infância terrível onde sofreu abusos de toda ordem, ela se iniciou muito jovem na prostituição, com apenas 13 anos. 

Todos esses fatos acabaram criando na assassina um transtorno de personalidade conhecido como Borderline. Esse problema mental é causado por histórico de exposição a traumas durante a infância e juventude. As pessoas que desenvolvem essa doença geralmente são impulsivas e não agem de forma racional. Curiosamente mesmo sendo diagnosticada com esse mal ela foi julgada e sentenciada à morte pela justiça americana. Se fosse no Brasil não sofreria pena e nem prisão mas apenas Medida de Segurança. Enviada a uma instituição adequada teria tratamento e acompanhamento médico.

O grande destaque de "Monster", como não poderia deixar de ser, vem da brilhante atuação da atriz Charlize Theron. Vista até  aquele momento como apenas uma beldade nas telas, Charlize aqui surpreende. Com forte maquiagem a atriz fez de tudo para literalmente incorporar a verdadeira assassina. O resultado é excepcional. Theron deixa de existir para dar lugar a Aileen! Ela fez um trabalho primoroso onde reproduz até os mínimos detalhes de ser da verdadeira assassina. Ver uma atuação desse nível e depois ter que encarar essa talentosa profissional fazendo papel de bruxa má em remake de Branca de Neve realmente me deixa perplexo. De qualquer modo Charlize foi reconhecida pelos grandes prêmios pois venceu o Oscar de Melhor Atriz, além de ter sido premiada com o Urso de Prata de Veneza e o Globo de Ouro. 

Também merece destaque a atuação inspirada de Christina Ricci, que interpreta a namorada lésbica de Charlize no filme. Sem medo de me equivocar digo que é o melhor momento de ambas as atrizes em suas vidas profissionais. Nem antes e nem depois conseguiram desenvolver um trabalho melhor do que esse. Em conclusão afirmo que "Monster" não é uma produção fácil e nem leve. Seu tema é pesado e sua trama não é nenhum conto de fadas. Mesmo assim temos aqui uma obra não menos do que brilhante. Uma ótima crônica que tenta registrar para a posteridade a triste existência de Aileen Wuornos. Não deixe de conferir.

Monster - Desejo Assassino (Monster, Estados Unidos, 2003) Direção: Patty Jenkins / Roteiro: Patty Jenkins / Elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Scott Wilson, Lee Tergesen./ Sinopse: O filme conta a história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), assassina em série que se tornou famosa nos Estados Unidos por uma longa série de mortes contra homens que a contratava como prostituta. O filme traz uma visão dura e cruel dessa criminosa.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Monster - Desejo Assassino 
O drama criminal Monster – Desejo Assassino estreou nos cinemas em dezembro de 2003, dirigido por Patty Jenkins e protagonizado por Charlize Theron no papel da assassina em série Aileen Wuornos. Inspirado em fatos reais, o filme retrata a trajetória de Wuornos, uma prostituta que matou sete homens na Flórida no final dos anos 1980 e início dos 1990. Desde seu lançamento, o longa chamou atenção pela abordagem crua e humana de uma figura geralmente tratada apenas como monstro pela mídia, além da transformação física radical de Theron, amplamente divulgada na época.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho sólido para um drama independente. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 8 milhões, Monster arrecadou aproximadamente US$ 64 milhões em todo o mundo, sendo mais de US$ 34 milhões apenas nos Estados Unidos. O resultado foi considerado excelente para um filme de temática pesada e sem apelo comercial convencional, impulsionado principalmente pelo boca a boca positivo e pela crescente atenção da crítica.

A recepção crítica foi amplamente entusiasmada, com elogios quase unânimes à atuação de Charlize Theron. O The New York Times escreveu que a atriz entregava “uma interpretação feroz, perturbadora e profundamente compassiva”, destacando a complexidade emocional trazida à personagem. Já a revista Time afirmou que Theron estava “irreconhecível e absolutamente hipnotizante”, sugerindo que sua atuação transcendia qualquer vaidade ou glamour normalmente associados a estrelas de Hollywood.

Entre os críticos mais influentes, Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, declarou que “Charlize Theron não interpreta Aileen Wuornos; ela se torna Aileen Wuornos”, acrescentando que a atuação era “uma das mais corajosas e completas do cinema americano recente”. A revista Variety descreveu o filme como “um estudo de personagem implacável e emocionalmente devastador”, elogiando também a direção segura de Patty Jenkins em seu filme de estreia.

No circuito de prêmios, Monster – Desejo Assassino confirmou o impacto apontado pela crítica. Charlize Theron venceu o Oscar de Melhor Atriz, além do Globo de Ouro, do Urso de Prata em Berlim e de diversos prêmios da crítica internacional. Com o passar dos anos, o filme consolidou-se como um marco do cinema biográfico contemporâneo, frequentemente citado como exemplo máximo de transformação artística e entrega total a um personagem. As reações da imprensa em 2003 já indicavam que Monster não era apenas um retrato de violência, mas um filme profundamente incômodo sobre marginalização, abuso e desespero humano.

Aileen: A História de uma Serial Killer

Título no Brasil: Aileen: A História de uma Serial Killer
Título Original: Aileen: Queen of the Serial Killers
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Emily Turner
Roteiro: Emily Turner
Elenco: Aileen Wuornos, Nick Broomfield, Arlene Pralle, Lori Grody, Bill Nelson, Mike Trella

Sinopse:
O documentário acompanha os últimos meses de vida de Aileen Wuornos, uma das mais notórias assassinas em série dos Estados Unidos, enquanto aguarda sua execução no corredor da morte da Flórida. Por meio de entrevistas diretas com Aileen, familiares, amigos e autoridades, o filme investiga sua trajetória marcada por abusos, violência e marginalização, além de questionar o sistema judicial e o tratamento dado à acusada. A obra oferece um retrato íntimo, perturbador e humano de uma figura amplamente demonizada pela mídia.

Comentários:
Esse documentário sobre essa assassina em série entrou recentemente no catálogo da Netflix. De certa maneira é uma nova releitura de um documentário bem mais antigo feito quando ela foi executada, lá em 2002. Fizeram uma nova edição, melhoraram, com investimento novo, mas sinceramente falando... nesse campo de documentários True Crime existe uma verdade praticamente absoluta. Nesse nicho impera o Discovery através de seu canal ID (Investigação Discovery). Nada que assisti sobre esses assassinos supera o material da Discovery. Os caras são especialistas nesse campo. São os melhrores, não tem o que dizer. A Netflix e outras plataformas tentam superar, mas nunca vão ser melhores. Sobre a Aileen Wuornos, por exemplo, havia assistido um excelente documentário do ID com cinco episódios. Aquilo sim foi definitivo sobre o tema. Esse aqui do texto soa apenas como uma pálida imitação sem o mesmo brilho. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Homem do Colorado

O Homem do Colorado
Também conhecido como "No Velho Colorado", esse western conta uma história que se passa nos últimos dias da guerra civil americana, quando um coronel do exército da União chamado Owen Devereaux (Glenn Ford) encurrala um grupo confederado em um vale deserto. Sem saída os sulistas levantam a bandeira branca de rendição, mas o velho coronel os ignora, abrindo fogo com seus canhões, matando todos de forma covarde. Quando a guerra chega ao seu final, ele é honrado como um herói (apesar dos crimes que cometeu no campo de batalha). Logo é escolhido para ser o novo juiz de uma cidade do Colorado e leva seu capitão favorito, Del Stewart (William Holden), para ser o novo xerife. De volta à vida civil porém o coronel começa a apresentar desvios de comportamento, fruto dos traumas sofridos durante a guerra civil. Seu desequilíbrio mental se torna um sério problema quando tenta resolver disputas por terras ricas em ouro na região.

Glenn Ford se notabilizou pelos grandes personagens que interpretou na era de ouro do cinema americano. Em termos de western sua filmografia certamente é rica e importante. Aqui em "O Homem do Colorado" (relembrando que passou anos depois na TV como "No Velho Colorado") ele interpreta um personagem bem diferente, um coronel veterano que começa a enlouquecer aos poucos. De fato dentro da trama ele é o verdadeiro vilão do enredo. O roteiro é muito bem desenvolvido mas também apresenta alguns problemas morais ao meu ver. Há na história um grupo de veteranos que acaba indo para a criminalidade pois depois de dar baixa no exército não encontram mais trabalho e nem tampouco terras para começarem uma nova vida pois perderam o direito de extrair o ouro por terem servido por três anos na guerra. Sem alternativas viram criminosos sociais, roubando, promovendo assaltos e até mortes!

E para surpresa geral o roteiro se torna simpático em relação a esse bando de criminosos, chegando ao ponto de colocar o personagem do xerife ao lado deles! É um argumento complicado de aceitar. Mesmo assim, com esse problema ético, o filme é acima da média. Ford e Holden estão em grande forma e seguram as pontas muito bem, do começo ao fim. De qualquer maneira fica a indicação de "O Homem do Colorado", um faroeste típico dos anos 50, muito bem realizado e movimentado, que certamente vai agradar aos fãs do gênero.

O Homem do Colorado / No Velho Colorado (The Man from Colorado, Estados Unidos, 1948) Estúdio: Columbia Pictures / Direção: Henry Levin / Roteiro: Robert Hardy Andrews, Ben Maddow / Elenco: Glenn Ford, William Holden, Ellen Drew / Sinopse: Veterano da guerra civil, com histórico de crimes de guerra, acaba ganhando uma posição de juiz numa cidade do Colorado, onde começa a apresentar problemas emocionais e mentais no cargo. E isso se torna mais complicado no meio de uma disputa por terras onde se descobre ouro. Filme indicado ao Writers Guild of America na categoria Melhor roteiro de filme de western.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: O Homem do Colorado
O western O Homem do Colorado estreou nos cinemas em 1948, dirigido por Henry Levin e estrelado por William Holden e Glenn Ford. Produzido pela Columbia Pictures, o filme se destacou por fugir do maniqueísmo tradicional do gênero ao retratar a transformação psicológica de um herói da Guerra Civil em um homem dominado pela violência e pela paranoia. Ambientado no período de reconstrução do Oeste americano, o longa chamou atenção desde o lançamento por sua abordagem sombria e adulta, pouco comum nos westerns da época.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho respeitável, sem se tornar um grande sucesso comercial. Para os padrões da Columbia no final dos anos 1940, O Homem do Colorado foi considerado um resultado satisfatório, especialmente por se tratar de um western mais psicológico do que aventureiro. O interesse do público foi impulsionado pela presença de William Holden, então em ascensão, e pelo duelo dramático com Glenn Ford, já um nome consolidado do gênero.

A reação da crítica em 1948 foi amplamente positiva, com muitos jornais destacando o tom incomum do filme. O The New York Times escreveu que se tratava de “um western surpreendentemente intenso, que troca o romantismo habitual por um estudo sério do poder e da corrupção”, elogiando a coragem da produção em abordar temas mais sombrios. A revista Variety afirmou que o longa era “bem acima da média do gênero, com interpretações fortes e uma história de peso dramático real”.

Grande parte dos elogios concentrou-se na atuação de William Holden. Críticos da época observaram que o ator oferecia “uma interpretação perturbadora e convincente de um homem que se desfaz moralmente diante dos olhos do espectador”. Já o Los Angeles Times comentou que Glenn Ford funcionava como “o contraponto humano e ético da narrativa, equilibrando a descida do protagonista à brutalidade”, destacando o conflito moral no centro do filme.

Com o passar dos anos, O Homem do Colorado passou a ser visto como um precursor do western psicológico e revisionista, antecipando temas que seriam explorados com mais força nas décadas seguintes. As críticas publicadas em 1948 já indicavam que o filme era algo diferente dentro do gênero, mais preocupado com caráter e consequências do que com heroísmo simples. Hoje, ele é lembrado como um dos westerns mais ousados de seu período, valorizado tanto pela crítica quanto por historiadores do cinema.

O Estouro da Manada

O Estouro da Manada
Alguns filmes da era de ouro do western americano eram verdadeiras homenagens ao estilo de vida do cowboy, aquele bravo que atravessava as mais inóspitas regiões para levar seu gado até a fronteira, onde era finalmente comercializado e vendido para os grandes centros. Esse “O Estouro da Manada” é uma das mais sinceras odes que já assisti em relação ao vaqueiro das pradarias. No enredo um garoto mimado e chato, filho do dono da ferrovia, chamado Chester, se perde no meio do deserto, um dos lugares mais hostis do mundo. Nessa região ele é encontrado por acaso pelo cowboy Dan Matthews (Joel McCrea). O vaqueiro está atrás de um mustang negro selvagem que ele gosta de chamar de “Midnight”. De inicio o garoto rico se faz de arrogante e esnobe com o velho cowboy, mas conforme ambos vão convivendo juntos a relação de amizade muda de tom. A busca pelo cavalo e o trabalho duro de se tocar o gado no meio do deserto acaba criando no jovem rapaz um espírito completamente diferente, de honradez e trabalho. O antes prepotente e irascível garoto acaba se transformando em um homem de verdade, forjado no cotidiano da vida dos cowboys americanos, aqui personificado com maestria pelo ídolo Joel McCrea.

O filme tem lindas sequências ao ar livre. “O Estouro da Manada” foi rodado no Vale da Morte na Califórnia, um dos lugares mais secos do planeta. Mesmo assim a natureza em todo seu esplendor acaba proporcionando para a filmografia da produção um lindo cenário natural. No fundo o roteiro trata sobre o aprendizado de um jovem com um homem mais velho que acaba lhe ensinando grandes valores através de pequenas coisas que acontecem no cotidiano de um cowboy.  Enquanto tenta chegar em Santa Fé para entregar a manada o cowboy Dan e seu pupilo vão aprendendo sobre a vida e os valores do homem que vive de seu trabalho, tocando o gado pelas terras sem fim do oeste americano.

Para os fãs do ator Joel McCrea o filme é uma ótima opção. Seu personagem é um vaqueiro que tem o sonho de abrir um rancho próprio para uma criação de cavalos. Por isso ele tentará durante todo o filme capturar Midnight, o cavalo selvagem puro sangue que sempre consegue lhe escapar. A seqüência final, com o estouro de uma enorme manada pelo deserto é maravilhosamente bem realizada. Um clímax mais do que adequado para esse filme que louva com muito sucesso o mais simbólico personagem do velho oeste americano: o cowboy!

O Estouro da Manada (Cattle Drive, Estados Unidos, 1951) Direção: Kurt Neumann / Roteiro: Jack Natteford, Lillie Hayward / Elenco: Joel McCrea, Dean Stockwell, Chill Wills, Leon Ames, Henry Brandon, Howard Petrie / Sinopse: Garoto rico e mimado é esquecido no meio de deserto após o trem que o transportava lhe esquecer durante uma parada. Perdido no meio do nada, ele é salvo por um cowboy, Dan (Joel McCrea), que está no local tocando uma manada de gado em direção a Santa Fé. Juntos, atravessando o deserto, o jovem rapaz irá começar a mudar sua atitude e mentalidade ao tomar conhecimento do modo de viver dos cowboys americanos.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: O Estouro da Manada
O western Cattle Drive estreou nos cinemas em 1951, dirigido por Kurt Neumann e estrelado por Joel McCrea, com Dean Stockwell em um papel de destaque ainda adolescente. Produzido pela 20th Century Fox, o filme acompanha uma longa travessia de gado pelo Oeste americano, durante a qual um jovem problemático aprende, por meio do trabalho duro e da convivência, valores como responsabilidade e liderança. Desde o lançamento, o longa foi apresentado como um western de tom clássico, com forte componente moral e educativo.

Em termos de bilheteria, Cattle Drive teve um desempenho modesto, porém respeitável, típico de produções do gênero naquele início dos anos 1950. Não figurou entre os maiores sucessos do estúdio, mas encontrou bom público em sessões regulares e circuitos regionais, especialmente entre espectadores habituais de westerns. Para a Fox, o filme cumpriu seu papel como um produto sólido, com retorno seguro e boa circulação internacional.

A recepção crítica na época foi geralmente positiva, ainda que discreta. A revista Variety descreveu o filme como “um western competente e bem ritmado, sustentado por personagens claros e um conflito moral direto”, destacando sua eficiência narrativa. Já alguns jornais americanos ressaltaram o equilíbrio entre ação e drama humano, observando que o filme evitava excessos melodramáticos comuns em histórias de formação juvenil.

Grande parte dos elogios concentrou-se na atuação de Dean Stockwell, que chamou atenção da crítica por sua maturidade dramática. Um comentário recorrente na imprensa afirmava que o jovem ator oferecia “uma interpretação convincente e surpreendentemente intensa para sua idade”. Joel McCrea, por sua vez, foi elogiado por manter seu tradicional estilo sóbrio e firme, funcionando como uma figura de autoridade moral dentro da narrativa.

Com o passar dos anos, Cattle Drive (1951) passou a ser visto como um western clássico de formação, representativo da fase em que o gênero valorizava disciplina, amadurecimento e ética do trabalho. As críticas publicadas na época já indicavam que o filme não buscava inovação, mas sim reafirmar valores tradicionais do western hollywoodiano. Hoje, ele é lembrado principalmente pelo início promissor da carreira de Dean Stockwell e como um exemplo sólido do cinema de estúdio americano do pós-guerra.