quinta-feira, 5 de março de 2026

Isca

Título no Brasil: Isca
Título Original: Something in the Water
Ano de Lançamento: 2024
País: Reino Unido
Estúdio: StudioCanal
Direção: Hayley Easton Street
Roteiro: Cat Clarke
Elenco: Hiftu Quasem, Lauren Lyle, Natalie Mitson, Ellouise Shakespeare-Hart, Nicole Rieko Setsuko, Gabriel Prevost-Takahashi

Sinopse:
A história acompanha um grupo de amigas que viaja para uma ilha tropical para celebrar um casamento. Durante o passeio, antigas tensões e ressentimentos entre elas começam a surgir. Após um acidente no mar, as jovens acabam presas em águas abertas, lutando para sobreviver enquanto percebem que há algo perigoso rondando sob a superfície: um tubarão. Isoladas e feridas, elas precisam enfrentar tanto o predador quanto seus próprios conflitos para tentar sair vivas daquela situação. 

Comentários:
Eu sei, eu sei... tenho que parar de ver essas tranqueiras, mas no submundo do streaming não tem muitas opções interessantes mesmo para assistir. Assim vamos para mais um filme B com tubarões famintos devorando gatinhas perdidas em alto-mar. O elenco é praticamente formado só por garotas e como o título nacional bem sugere elas vão, mais cedo ou mais tarde, se tornar petiscos e iscas saborosas de tubarão branco, que acredite, também é uma fêmea! Acho que os produtores quiseram fazer um filme mesmo totalmente feminino. Não colou, achei fraco demais, inclusive a criatura marítima que não assusta pois a computação gráfica deixou a desejar. Assim todo mundo, no final, naufragou junto com o próprio filme! 

Pablo Aluísio. 

Tubarão

Título no Brasil: Tubarão
Título Original: Jaws
Ano de Lançamento: 1975
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Peter Benchley e Carl Gottlieb
Elenco: Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss

Sinopse: 
Na pacata ilha turística de Amity, ataques misteriosos começam a ocorrer nas praias durante o verão. O chefe de polícia Martin Brody tenta fechar as praias para proteger a população, mas enfrenta resistência das autoridades locais, preocupadas com os prejuízos ao turismo. Quando fica claro que um gigantesco tubarão branco é o responsável pelas mortes, Brody se une a um biólogo marinho e a um experiente caçador de tubarões para enfrentar a criatura em alto-mar, em uma perigosa e tensa caçada.

Comentários:
Esse clássico moderno de Spielberg completou 50 anos! Foi uma data até que bem celebrada nos Estados Unidos, com lançamento de livros, DVDs, etc. De minha parte resolvi rever o filme que não via há anos! Nessa revisão tirei algumas conclusões. O filme envelheceu bastante! Não acredito que nenhum jovem dos dias de hoje ficaria impressionado com o filme. Não podemos nos esquecer que há mais de 50 anos Tubarão foi um evento cinematográfico, com uma enorme bilheteria e impacto dentro da cultura pop. Só que foi tão imitado, em tantos filmes depois desse, que acabou ficando ele próprio saturado e ultrapassado. Ainda vale pelas boas interpretações de todo o elenco e principalmente pela maravilhosa trilha sonora de John Williams. Fora isso, porém, pouca coisa resistiu ao tempo. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

A Força do Carinho

Título no Brasil: A Força do Carinho
Título Original: Tender Mercies
Ano de Lançamento: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: Horton Foote
Elenco: Robert Duvall, Tess Harper, Betty Buckley, Wilford Brimley, Ellen Barkin, Allan Hubbard

Sinopse:
Mac Sledge (Duvall) é um cantor country decadente que vive isolado e mergulhado no alcoolismo após o fim de sua carreira e de seu casamento. Ao encontrar abrigo em um pequeno posto de gasolina administrado por uma viúva gentil e religiosa, ele inicia um lento e silencioso processo de reconstrução pessoal. Entre recaídas, reencontros dolorosos com o passado e a tentativa de reconciliação com a filha, Mac busca redenção e um novo sentido para sua vida.

Comentários:
Depois de décadas de trabalho como ator em Hollywood finalmente o grande Robert Duvall teve seu talento reconhecido pela Academia nesse filme, vencendo o Oscar de melhor ator por essa maravilhosa interpretação. O filme merecia, pois trazia uma das performances mais contidas e elogiadas de sua carreira. Em minha opinião foi o melhor trabalho do ator em sua longa jornada no ramo da atuação. E não ficou por aí, sendo premiado também na prestigiada categoria de Melhor Roteiro Original. Tudo muito merecido. O mais tocante nessa história é que ela se baseia, na verdade, na vida de centenas e centenas de artistas. As pessoas esquecem que quando o sucesso se vai, a pessoa fica, por vezes décadas, amargando o fracassso profissional, que muitas vezes é confundido também como fracasso pessoal, de uma vida inteira. Então, carga emocional dramática (e verídica) é o que não falta nesse drama muito sensível e realmente emocionante. 

Pablo Aluísio. 

Robert Duvall (1931 - 2026)

Robert Duvall (1931 - 2026)
Robert Duvall foi um dos atores mais respeitados e consistentes do cinema norte-americano, reconhecido por sua sobriedade interpretativa, profundidade psicológica e extraordinária versatilidade. Nascido em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, Califórnia, Duvall formou-se no Actors Studio, onde desenvolveu uma técnica baseada na naturalidade e no rigor emocional. Desde o início, destacou-se por evitar exageros, construindo personagens com precisão e autenticidade. Sua estreia no cinema ocorreu de maneira impactante em O Sol é para Todos (1962), no qual interpretou Boo Radley, personagem silencioso e enigmático que já revelava sua capacidade de comunicar emoções com gestos mínimos. Ao longo dos anos 1960, participou de produções variadas, consolidando-se como ator coadjuvante de grande força dramática antes de alcançar papéis centrais de maior destaque.

A consagração internacional veio com O Poderoso Chefão (1972), dirigido por Francis Ford Coppola. No papel de Tom Hagen, o advogado da família Corleone, Duvall apresentou uma composição contida, estratégica e profundamente humana. Sua atuação discreta contrastava com a intensidade dos demais personagens, tornando-se essencial para o equilíbrio dramático da obra. Em Apocalypse Now (1979), também de Coppola, Duvall criou um dos personagens mais memoráveis do cinema moderno: o tenente-coronel Kilgore. A famosa frase sobre “o cheiro de napalm pela manhã” tornou-se parte da cultura popular, evidenciando sua habilidade de unir carisma, ironia e ambiguidade moral em uma única performance.

O reconhecimento máximo como protagonista veio com o Oscar de Melhor Ator por A Força do Carinho (1983), no qual interpretou um cantor country decadente em busca de redenção. Sua atuação foi marcada por extrema contenção emocional, transmitindo vulnerabilidade e dignidade sem recorrer a dramatizações excessivas. O papel confirmou sua maestria em personagens introspectivos e complexos. Ao longo das décadas seguintes, Robert Duvall demonstrou impressionante longevidade artística. Atuou em dramas judiciais, faroestes modernos, filmes históricos e produções independentes, sempre mantendo alto nível de qualidade. Sua capacidade de adaptação permitiu-lhe transitar entre o cinema comercial e o autoral com igual competência.

Além de ator, Duvall também se destacou como diretor e produtor, revelando interesse profundo pelo processo criativo completo. Seu envolvimento em projetos pessoais demonstrou compromisso com narrativas autênticas e personagens enraizados na cultura americana, especialmente no universo rural do sul dos Estados Unidos. Sua atuação era frequentemente descrita como invisível no melhor sentido da palavra: ele desaparece dentro do personagem. Essa habilidade de tornar a performance aparentemente simples, mas emocionalmente poderosa, é uma das razões pelas quais é tão admirado por colegas e críticos.

Mesmo em idade avançada, Duvall continuou ativo, participando de produções que reforçam sua presença como figura de autoridade e sabedoria nas telas. A maturidade acrescentou ainda mais gravidade às suas interpretações, consolidando sua imagem como patriarca do cinema americano. Robert Duvall permaneceu como um dos grandes pilares da atuação moderna. Sua carreira foi exemplo de disciplina, consistência e respeito à arte dramática. Mais do que um astro, ele foi um artesão da interpretação, cuja contribuição à história do cinema é profunda e duradoura. Após uma vida dedicada à arte, que descanse em paz!

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Herança Sagrada

Após a morte do cacique Cochise (Jeff Chandler), a nação Apache se divide em dois blocos de guerreiros. Os que desejam continuar a manter a paz com os brancos são liderados por Taza (Rock Hudson), filho sucessor e novo chefe da tribo. Já o grupo que deseja uma guerra final para expulsar os brancos das terras indígenas é liderado pelo famoso guerreiro Geronimo (Ian MacDonald) e pelo irmão de Taza, o impiedoso Naiche (Rex Reason). No meio do conflito se situa o Forte Apache, guarnição da sexta cavalaria do exército americano que se encontra na região para manter a ordem e a paz. Esse filme “Herança Sagrada” é um western curioso por vários motivos. O primeiro é o fato de ser dirigido por Douglas Sirk, um diretor mais conhecido por seus dramas sentimentais e urbanos. Dentro do gênero faroeste ele realmente não tinha muita intimidade e nem experiência. Nem por isso deixou de desenvolver um excelente trabalho, haja visto que o filme se mantém muito bem, com doses exatas de aventura, ação e até romance. Por exemplo o personagem nativo Taza almeja se casar com a filha de um apache que pertence à ala guerreira do chefe Geronimo, o que lhe trará muitos problemas. A parceria do diretor Sirk com Rock Hudson funcionou novamente muito bem nesse improvável western. Ele era um cineasta hábil que conseguia extrair o melhor de seu elenco, mesmo em filmes como esse.

Em sua autobiografia, o ator Rock Hudson relembrou algumas impressões sobre esse filme. Inicialmente ele afirmou que não se sentia completamente à vontade interpretando um nativo, um índio, pois tinha um biótipo bastante caucasiano, não servindo para interpretar com veracidade esse tipo de guerreiro. Ele obviamente ficaria mais convincente como um soldado da cavalaria dos Estados Unidos, com seus uniformes azuis. Depois relembrou com muito bom humor as dificuldades no set de filmagens. “Herança Sagrada” foi todo rodado em locações reais, no meio do deserto, numa região rica em barro vermelho. Rock no livro escreveu que todos os dias, após filmar suas cenas, tinha que tomar um prolongado banho onde segundo suas próprias palavras havia “toneladas de barro que desciam pelo ralo do banheiro”.

Apesar de tudo Rock Hudson reconheceu em seu livro de memórias que o filme foi bom para sua carreira pois fez sucesso de bilheteria, o ajudando a se transformar em um astro. Deixando esses detalhes de lado a conclusão que se chega após assistir a esse “Herança Sagrada” é a de que se trata realmente de um bom western, com cenas bem realizadas (como a emboscada dentro do cânion com os apaches promovendo um verdadeiro massacre da sexta cavalaria) e uma boa dose de realismo na forma como os índios são retratados em cena. “Herança Sagrada” é acima de tudo um filme muito interessante, por colocar os índios como protagonistas da estória e não apenas como inimigos sem alma e nem personalidade, que só serviam para morrer nas mãos  do colonizador branco. Por essa razão “Herança Sagrada” pode ser incluído até mesmo no panteão dos melhores filmes de faroeste já produzidos pela Universal Pictures.

Herança Sagrada (Taza, Son of Cochise, Estados Unidos, 1954) Direção: Douglas Sirk / Roteiro: Gerald Drayson Adams / Elenco: Rock Hudson, Barbara Rush, Gregg Palmer, Jeff Chandler, Ian MacDonald, Rex Reason / Sinopse: Após a morte do chefe Cochise (Jeff Chandler) o jovem Taza (Rock Hudson) assume a liderança de sua tribo. Ele deseja paz com os brancos mas enfrenta forte resistência de seu próprio irmão e Gerônimo, lendário guerreiro da nação Apache, que desejava a guerra contra o inimigo invasor.

Pablo Aluísio.

Talhado em Granito

Mais um western com o mito Randolph Scott. A produção foi realizada a toque de caixa para aproveitar as férias escolares do meio de ano. Na época Randolph Scott estava prestes a cumprir seu contrato com o estúdio para alcançar vôos mais ousados – ele queria produzir seus próprios filmes sem salário fixo, mas com participação nos lucros, uma decisão que o deixaria milionário nos anos que viriam. Uma decisão muito acertada que inclusive iria inspirar outros atores de Hollywood a seguirem  o mesmo caminho. Ao invés de ser um ator meramente contratado dos estúdios, era mais lucrativo produzir seus próprios filmes, ficando com parte da bilheteria. A decisão de filmar em Santa Clarita na Califórnia, uma região que Scott adorava pelo seu clima ameno e agradável, foi o argumento final para que ele aceitasse rodar a fita. Assim ele terminaria seu contrato com a Warner, ficaria livre para virar produtor de seus filmes e seguiria em frente para realizar seus planos. As filmagens foram tranquilas, sem problemas, com Scott aproveitando para curtir a região, geralmente saindo para cavalgar com amigos após mais um dia de trabalho no set. Era verão, tempo ideal para filmar e curtir umas férias ao mesmo tempo.

Uma das maiores curiosidades na realização desse filme foi que durante praticamente todas as filmagens Randolph Scott contou com a presença do ator e amigo Cary Grant no set. Grant foi à região apenas para visitar o amigo, mas gostou tanto que resolveu ficar uma semana acompanhando os trabalhos. Scott não poderia ficar mais contente já que com Grant lhe fazendo companhia eles poderiam relembrar os bons tempos quando eram apenas jovens atores tentando alcançar um lugar ao sol em Hollywood. Agora, já astros consagrados, podiam relaxar e curtir a bonita região juntos. Cary Grant tentou inclusive convencer o amigo a largar um pouco os filmes de western para realizar outros tipos de filmes. A resposta de Randolph Scott foi muito interessante: “Os filmes de western são uma mina de ouro. São baratos, fáceis de vender e muito comerciais. Além disso gosto de cavalgar e cortejar a mocinha. Sou bom nisso!”. E era mesmo, como podemos confirmar aqui em “Talhado em Granito”, uma fita de rotina mas que mantém um charme incrível mesmo nos dias atuais. Se você é fã do cinema eficiente de Randolph Scott não deixe de assistir.

Talhado em Granito (Sugarfoot, Estados Unidos, 1951) Direção: Edwin L. Marin / Roteiro: Russell S. Hughes baseado no livro de Clarence Budington Kelland / Elenco: Randolph Scott, Adele Jergens, Raymond Massey / Sinopse: Ex-oficial da guerra civil reencontra seus velhos inimigos no distante Arizona. Agora terá que decidir entre acertar devidamente as contas ou esquecer o passado para seguir em frente na sua vida.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 18

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 18
Por volta de meados dos anos 1960 o brilho da carreira de Rock Hudson começou a apagar. Ele havia entrado numa espécie de fórmula de comédias românticas, mas com o tempo o público foi perdendo o interesse nesses filmes. Suas últimas produções nessa linha como "O Esporte Favotito dos Homens" e "Amor à Italiana" tinham fracassado nas bilheterias. E para piorar o que já estava ruim, a Universal não quis mais renovar seu contrato após anos trabalhando no estúdio. Não era algo que acontecia exclusivamente com Rock. Todos os atores da antiga escola foram dispensados. Agora, iriam receber apenas quando estivessem envolvidos em algum filme. Nada de contratos permanentes. O antigo Star System que havia predominado em Hollywood por décadas havia chegado ao final. 

Na verdade o problema não era os filmes de Rock Hudson em si, mas sim o próprio cinema que havia mudado. Uma nova geração de jovens havia chegado na fase adulta. O movimento hippie estava no ar, os jovens  que gostavam da contracultura achavam Rock um cafona. Filmes como "Sem Destino" tinham deixado as produções ao velho estilo completamente fora de moda. Havia também uma nova geração de atores surgindo como Robert De Niro, Al Pacino, Jack Nicholson e Robert Redford. Todos eles deixaram Rock Hudson completamente ultrapassado. 

Rock também não curtia o trabalho desses novos atores e implicava com suas aparências. Rock achava todos eles feios (com exceção de Redford). Chegou a dizer a frase: "Alguém poderia imaginar esses atores feiosos como figuras heroicas, como cavaleiros em suas armaduras, em grandes cavalos brancos?". Só que Rock não entendia que o próprio conceito do herói cinematográfico de seu tempo havia passado. Ninguém mais queria ver os tais cavaleiros heroicos. Queriam ver gente como a gente, com seus problemas pessoais e urbanos. O cinema havia perdido parte de sua antiga magia. Era um novo mundo que exigia novos filmes, com temáticas mais relevantes e atuais. 

Irritado com tudo o que estava acontecendo, Rock então resolveu demitir seu agente, que estava com ele desde os primeiros filmes. Com um telefonema demitiu o lendário Henry Wilson. Ele fora um dos mais famosos agentes da velha Hollywood e havia feito a carreira de grandes astros do cinema, mas agora, envelhecido e doente, já não podia fazer mais grande coisa por seus contratados. Rock desabafou: "Wilson não me arranja mais grandes filmes. Ele ficava sentado em seu escritório esperando o telefone tocar! Eu sempre serei grato pelo que ele fez em minha carreira, mas todo ciclo um dia chega ao seu final". E assim Rock Hudson, um dos mais populares astros de Hollywood de repente se viu sem trabalho, sem estúdio e sem agente. Mas não desanimou, esperava por novas oportunidades que iriam surgir em breve. Pelo menos assim esperava.  

Pablo Aluísio. 

Vampiros de Almas

Ao retornar para a pequena cidadezinha onde mora na Califórnia, o Dr. Miles J. Bennell (Kevin McCarthy) começa a receber reclamações estranhas de seus pacientes. Para esses haveria algo muito anormal acontecendo, pois seus parentes não seriam mais quem diziam ser. Eles se pareceriam com seus maridos, tios, pais, mas definitivamente não seriam eles na verdade. Intrigado o Dr. Milles começa a investigar o que estaria acontecendo. Seria algum tipo de delírio coletivo? No mínimo tudo soaria muito estranho... Aos poucos ele vai descobrindo a terrível verdade. O problema é convencer alguém do que estaria acontecendo de fato. Plantas alienígenas estariam trocando os seres humanos por cópias perfeitas? Quem acreditaria em algo tão absurdo?

Esse filme é considerado um dos grandes clássicos de Ficção dos anos 50. O enredo foi baseado em um conto escrito por Jack Finney para a revista de literatura fantástica "Collier's magazine serial". Imaginem uma invasão bem sutil de uma raça de aliens que ao invés de enfrentar os seres humanos em uma grande guerra de mundos estaria aos poucos substituindo todos os humanos por cópias de si mesmos. As estranhas criaturas seriam uma simbiose entre o mundo animal e vegetal e estariam determinadas a conquistar o planeta, se livrando da humanidade que para eles seria completamente descartável por serem seres emocionais e propensos a atos de violência irracional.

O roteiro assim joga com o suspense da situação, sem nunca apelar para os efeitos especiais ou monstros, como era de praxe na época. O curioso dessa produção é que ela joga mais com o lado intelectual da situação do que com qualquer outra coisa. Há certamente cenas de ação e tudo mais (como quando os protagonistas fogem colina acima, perseguidos por uma multidão de abduzidos), mas nada disso é o foco principal da fita. Na verdade o criador do conto original fez uma analogia em cima do clima de paranoia em que vivia a sociedade americana. Havia um temor que o comunismo invadisse e destruísse os valores americanos. Isso fica bem claro quando o médico é informado por um dos seres que o objetivo dos aliens seria a construção de uma sociedade sem individualidade, onde todos seriam iguais, subordinados, sem diferenças entre si (e sem emoções também!).

Ora, basta entender o contexto histórico do lançamento de "Invasion of the Body Snatchers" para entender bem onde o argumento queria chegar. Claro que passados tantos anos a ideia já não soa tão original como nos anos 50, afinal de contas o filme foi extremamente imitado por décadas! Mesmo assim não há como negar que é realmente um marco na história do universo Sci-Fi americano. Depois de filmes como esse não haveria mais limites para a imaginação dos roteiristas. Sob esse ponto de vista "Vampiros de Almas" realmente fez escola e pode ser considerado uma das ficções mais influentes da história do cinema americano. Pequena obra prima.

Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers, Estados Unidos, 1956) Estúdio: Allied Artists Pictures / Direção: Don Siegel / Roteiro: Daniel Mainwaring, Jack Finney / Elenco: Kevin McCarthy, Dana Wynter, Larry Gates / Sinopse: Numa pequena cidade da Califórnia um pesquisador começa a investigar um estranho fenômeno envolvendo diversas pessoas. Para alguns eles não seriam mais as mesmas pessoas, embora tivessem a mesma aparência de antes.
  
Pablo Aluísio.

 

domingo, 1 de março de 2026

Imperador Romano Galieno

Imperador Romano Galieno
Galieno foi imperador romano entre 253 e 268 d.C., governando durante um dos períodos mais turbulentos da história do Império, conhecido como a Crise do Século III. Filho do imperador Valeriano, ele assumiu o poder inicialmente como coimperador, dividindo responsabilidades administrativas e militares com o pai. Enquanto Valeriano enfrentava ameaças no Oriente, Galieno permaneceu no Ocidente, lidando com invasões bárbaras, revoltas internas e dificuldades econômicas profundas. A instabilidade política era constante, com generais proclamando-se imperadores em diversas províncias. A inflação corroía a economia, e as fronteiras eram pressionadas por povos germânicos e outros grupos. Quando Valeriano foi capturado pelos persas em 260 d.C., fato inédito e humilhante para Roma, Galieno tornou-se o único governante legítimo do Império. Esse episódio marcou definitivamente seu reinado, que passou a ser visto por muitos como um período de fragmentação e crise. Apesar das dificuldades, Galieno demonstrou resiliência ao tentar reorganizar as forças imperiais e manter a unidade territorial.

Durante seu governo solo, Galieno enfrentou a secessão de importantes regiões, como o chamado Império das Gálias, estabelecido por Póstumo, que controlava a Gália, a Britânia e parte da Hispânia. No Oriente, o poder local foi assumido por líderes ligados à cidade de Palmira, sob a influência de Odenato. Essas fragmentações demonstravam a fragilidade do poder central romano. No entanto, Galieno conseguiu obter algumas vitórias militares significativas, especialmente contra invasores germânicos, reforçando a defesa do Danúbio e da Itália. Ele também promoveu reformas importantes no exército, afastando senadores dos altos comandos militares e favorecendo oficiais de carreira, geralmente de origem equestre. Essa mudança profissionalizou o comando militar e reduziu a influência política do Senado nas legiões. Embora tais medidas tenham causado descontentamento entre as elites tradicionais, elas fortaleceram a capacidade defensiva do Império. Assim, Galieno não foi apenas um governante sitiado por crises, mas também um reformador pragmático diante das circunstâncias adversas.

No campo religioso e cultural, Galieno adotou uma postura relativamente tolerante, especialmente em relação aos cristãos. Diferentemente de seu pai, que promoveu perseguições, ele suspendeu medidas repressivas e permitiu certa liberdade religiosa. Essa política contribuiu para um período de relativa paz para as comunidades cristãs dentro do Império. Culturalmente, seu reinado também refletiu influências helenísticas e orientais, visíveis na arte e na cunhagem de moedas, que frequentemente o retratavam associado a divindades protetoras. Galieno valorizava a filosofia e as artes, mantendo relações com intelectuais de seu tempo. Apesar da imagem negativa transmitida por alguns historiadores antigos, que o acusavam de negligência ou excessos, estudos modernos tendem a reavaliar seu governo de forma mais equilibrada. Ele governou em circunstâncias extraordinariamente difíceis, e muitas das falhas atribuídas a ele derivam da conjuntura estrutural da crise, e não apenas de decisões pessoais.

O fim de Galieno ocorreu em 268 d.C., quando foi assassinado durante o cerco à cidade de Milão, onde combatia o usurpador Auréolo. Sua morte resultou de uma conspiração envolvendo oficiais do próprio exército, refletindo o clima constante de instabilidade política da época. Após sua queda, o trono foi assumido por Cláudio II, conhecido como Cláudio, o Gótico. Com o passar do tempo, a figura de Galieno foi sendo reinterpretada pelos historiadores, que passaram a reconhecer seu papel como um governante que tentou preservar o Império em meio ao colapso. Embora não tenha conseguido reunificar completamente os territórios dissidentes, suas reformas militares prepararam o caminho para a recuperação promovida por imperadores posteriores. Assim, Galieno representa uma figura complexa: ao mesmo tempo vítima das circunstâncias e agente de mudanças estruturais importantes. Seu reinado ilustra como a sobrevivência de Roma no século III dependeu tanto de resistência militar quanto de adaptações institucionais profundas.

Pablo Aluísio. 

Nossa Coleção de Cinema

Nossa Coleção de Cinema 
Aqui estão nossas publicações de Cinema até o momento. Eu pretendo lançar novos títulos esse ano, mas tudo no seu devido tempo. Sendo bem otimista diria que até daria para lançar títulos mensais, mas isso vai depender de vários fatores. De qualquer maneira eu recomendo a aquisição desses livros, até porque fui um colecionador de revistas de cinema em minha vida de cinéfilo por longos anos. Hoje em dia elas, infelizmente, não existem mais! Uma pena. Então estou produzindo esses livros com o espítito daquelas publicações que eu tanto curti no passado. Segue nossa lista:

Cinema Classe A - Volume 1
Nesse primeiro livro temos as filmografias de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Russell Crowe em destaque. Seus filmes são analisados, com resenhas e fichas técnicas. Um livro para quem gosta de ler sobre Cinema Internacional. E tudo com o cuidado técnico que caracteriza nossos textos sobre a história do cinema. Não deixe de ter na sua coleção! Textos de Pablo Aluísio e Erick Steve. 

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Crônicas do Velho Oeste
Uma seleção especial trazendo os melhores filmes de Faroeste, em textos com muitas informações. E não é só. Essa edição ainda traz histórias de western, todas se passando no velho oeste americano. Uma coletânea de contos de faroeste. São 200 páginas com muito faroeste para o leitor! Textos de Pablo Aluísio e Erick Steve. 

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James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano.¨

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Marilyn Monroe
Nesse livro você encontrará uma grande quantidade de informações sobre a atriz Marilyn Monroe. A filmografia completa dessa grande estrela do cinema está comentada filme a filme. Dados pessoais de sua vida pessoal, seus casamentos conturbados, além de crônicas e textos sobre ela. Como adicional ainda encontrará uma seleção dos melhores livros, filmes e discos dessa inesquecível estrela de Hollywood.

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Marlon Brando
Esse livro conta a história da vida e da obra do ator Marlon Brando. Todos os seus filmes são analisados de forma detalhada. A filmografia completa está em suas páginas, em ordem cronológica. Além disso o livro traz diversos artigos, textos e curiosidades sobre esse grande mito da história do cinema americano e da Hollywood em sua era de ouro.

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Elvis Presley - Volume 1
Nesse primeiro volume escrito por Pablo Aluísio, o leitor é apresentado aos primeiros discos e filmes da carreira de Elvis Presley. Um resgate com muitas informações, fruto de uma pesquisa que durou anos por parte de seu autor. Essa é a história do jovem artista que revolucionou o mundo da música desde os seus primeiros anos de fama, sucesso e impacto cultural.

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Pablo Aluísio.