Monster - Desejo Assassino O cinema americano já mostrou a vida sinistra de muitos assassinos em série mas esse "Monster" tem um diferencial importante. Mostra a história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), uma das mais famosas Seial Killers americana, acusada de matar vários homens em sua trajetória. O modus operandi de Aileen era relativamente simples: Ela era prostituta de rua e saía geralmente com caminhoneiros ou homens mais velhos. Assim que o programa era acertado eles iam a lugares remotos. Lá Aileen os matava a tiros e depois os roubava, levando consigo tudo o que conseguia encontrar de valor com seus "clientes". Fruto de uma infância terrível onde sofreu abusos de toda ordem, ela se iniciou muito jovem na prostituição, com apenas 13 anos.
Todos esses fatos acabaram criando na assassina um transtorno de personalidade conhecido como Borderline. Esse problema mental é causado por histórico de exposição a traumas durante a infância e juventude. As pessoas que desenvolvem essa doença geralmente são impulsivas e não agem de forma racional. Curiosamente mesmo sendo diagnosticada com esse mal ela foi julgada e sentenciada à morte pela justiça americana. Se fosse no Brasil não sofreria pena e nem prisão mas apenas Medida de Segurança. Enviada a uma instituição adequada teria tratamento e acompanhamento médico.
O grande destaque de "Monster", como não poderia deixar de ser, vem da brilhante atuação da atriz Charlize Theron. Vista até aquele momento como apenas uma beldade nas telas, Charlize aqui surpreende. Com forte maquiagem a atriz fez de tudo para literalmente incorporar a verdadeira assassina. O resultado é excepcional. Theron deixa de existir para dar lugar a Aileen! Ela fez um trabalho primoroso onde reproduz até os mínimos detalhes de ser da verdadeira assassina. Ver uma atuação desse nível e depois ter que encarar essa talentosa profissional fazendo papel de bruxa má em remake de Branca de Neve realmente me deixa perplexo. De qualquer modo Charlize foi reconhecida pelos grandes prêmios pois venceu o Oscar de Melhor Atriz, além de ter sido premiada com o Urso de Prata de Veneza e o Globo de Ouro.
Também merece destaque a atuação inspirada de Christina Ricci, que interpreta a namorada lésbica de Charlize no filme. Sem medo de me equivocar digo que é o melhor momento de ambas as atrizes em suas vidas profissionais. Nem antes e nem depois conseguiram desenvolver um trabalho melhor do que esse. Em conclusão afirmo que "Monster" não é uma produção fácil e nem leve. Seu tema é pesado e sua trama não é nenhum conto de fadas. Mesmo assim temos aqui uma obra não menos do que brilhante. Uma ótima crônica que tenta registrar para a posteridade a triste existência de Aileen Wuornos. Não deixe de conferir.
Monster - Desejo Assassino (Monster, Estados Unidos, 2003) Direção: Patty Jenkins / Roteiro: Patty Jenkins / Elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Scott Wilson, Lee Tergesen./ Sinopse: O filme conta a história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), assassina em série que se tornou famosa nos Estados Unidos por uma longa série de mortes contra homens que a contratava como prostituta. O filme traz uma visão dura e cruel dessa criminosa.
Pablo Aluísio.
Em Cartaz: Monster - Desejo Assassino
O drama criminal Monster – Desejo Assassino estreou nos cinemas em dezembro de 2003, dirigido por Patty Jenkins e protagonizado por Charlize Theron no papel da assassina em série Aileen Wuornos. Inspirado em fatos reais, o filme retrata a trajetória de Wuornos, uma prostituta que matou sete homens na Flórida no final dos anos 1980 e início dos 1990. Desde seu lançamento, o longa chamou atenção pela abordagem crua e humana de uma figura geralmente tratada apenas como monstro pela mídia, além da transformação física radical de Theron, amplamente divulgada na época.
Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho sólido para um drama independente. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 8 milhões, Monster arrecadou aproximadamente US$ 64 milhões em todo o mundo, sendo mais de US$ 34 milhões apenas nos Estados Unidos. O resultado foi considerado excelente para um filme de temática pesada e sem apelo comercial convencional, impulsionado principalmente pelo boca a boca positivo e pela crescente atenção da crítica.
A recepção crítica foi amplamente entusiasmada, com elogios quase unânimes à atuação de Charlize Theron. O The New York Times escreveu que a atriz entregava “uma interpretação feroz, perturbadora e profundamente compassiva”, destacando a complexidade emocional trazida à personagem. Já a revista Time afirmou que Theron estava “irreconhecível e absolutamente hipnotizante”, sugerindo que sua atuação transcendia qualquer vaidade ou glamour normalmente associados a estrelas de Hollywood.
Entre os críticos mais influentes, Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, declarou que “Charlize Theron não interpreta Aileen Wuornos; ela se torna Aileen Wuornos”, acrescentando que a atuação era “uma das mais corajosas e completas do cinema americano recente”. A revista Variety descreveu o filme como “um estudo de personagem implacável e emocionalmente devastador”, elogiando também a direção segura de Patty Jenkins em seu filme de estreia.
No circuito de prêmios, Monster – Desejo Assassino confirmou o impacto apontado pela crítica. Charlize Theron venceu o Oscar de Melhor Atriz, além do Globo de Ouro, do Urso de Prata em Berlim e de diversos prêmios da crítica internacional. Com o passar dos anos, o filme consolidou-se como um marco do cinema biográfico contemporâneo, frequentemente citado como exemplo máximo de transformação artística e entrega total a um personagem. As reações da imprensa em 2003 já indicavam que Monster não era apenas um retrato de violência, mas um filme profundamente incômodo sobre marginalização, abuso e desespero humano.