terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Abrindo Horizontes

Abrindo Horizontes
Faroeste B da companhia cinematográfica Allied Artists Pictures. Essa empresa, que já não existe mais, começou distribuindo filmes pelo interior dos Estados Unidos e depois que alcançou grande sucesso nessa atividade começou a produzir seus próprios filmes. Nessa nova função chegou a produzir quase 150 filmes, quando problemas financeiros a levaram à falência. Suas produções tinham pequenos orçamentos, geralmente com nomes de segundo escalão em Hollywood, mas que conseguiam levar público em cinemas dos rincões das cidades do interior do país, geralmente nos cinemas do tipo drive-in, em programação dupla, onde o espectador pagava uma entrada para assistir a dois filmes.

“Abrindo Horizontes” fez parte desse tipo de pacote. Estrelado pelo ator cowboy Sterling Hayden, o filme de baixo orçamento se dava ao luxo de surgir nas telas em cores (technicolor), um luxo para filmes de western B da época como esse. Sterling Hayden era um ator bem limitado, ainda mais nesse ano em que trabalhou nesse filme, pois não passava de um aspirante ao estrelado. Nunca o achei bom ator, Ficava bem abaixo até mesmo de outros atores do gênero. De um jeito ou outro, conseguiria estrelar com êxito um ano depois o clássico “Johnny Guitar” onde interpretava justamente o próprio protagonista chamado Johnny “Guitar” Logan. Esse seria o grande filme de sua carreira. Também seria o único que ganharia o status de cult movie.

Nesse “Abrindo os Horizontes” ele interpreta um oficial do exército americano que se disfarça de engenheiro para ajudar a companhia ferroviária que está construindo uma linha entre o Kansas e o Pacífico. Por essa razão o filme tem o título original de “Kansas Pacific”, justamente o nome da ferrovia em questão. A construção era inevitavelmente alvo de ataques por parte de sulistas que viam a neutralidade do Kansas como um afronta aos interesses dos estados americanos confederados. De ataque em ataque, eles foram minando os trabalhos pois ninguém mais desejava trabalhar na ferrovia com medo de ser morto em algum atentado.

Assim o Capitão Nelson (Hayden) é enviado para a região para dar proteção e segurança aos trabalhadores. O filme é pequeno, quase um média metragem (meros 72 minutos de duração) e se parece demais com um outro filme de Randolph Scott chamado “Devastando Caminhos” de 1949. Plágio? Não diria que chegaria a tanto, apenas um “reciclagem” de ideias por parte da Allied. De qualquer modo, por ser tão curto e com enredo tão redondinho, passa longe de aborrecer alguém. No fundo é uma boa oportunidade de conhecer um típico faroeste da Aliied Artists. E pensar que a juventude da década de 1950 ia para os cinemas drive-in naquela época para namorar e acompanhar faroestes desse tipo.

Abrindo Horizontes (Kansas Pacific, Estados Unidos, 1953) Direção: Ray Nazarro / Roteiro: Daniel B. Ullman / Elenco: Sterling Hayden, Eve Miller, Burton MacLane, Harry Shannon / Sinopse: Capitão do exército americano é enviado para o Kansas para ajudar na proteção dos trabalhadores que estão construindo uma importante ferrovia. Os trabalhos são alvos de vários ataques promovidos por confederados que desejam a guerra entre norte e sul.

Pablo Aluísio. 

Ringo Não Discute... Mata!

Ringo Não Discute... Mata!
Outro ator que cruzou caminho com Franco Nero e seu Django foi Giuliano Gemma, ator romano que fez inúmeros filmes de faroeste espaguetti. Produtivo, estrelou um número enorme de filmes do gênero, feitos em escala industrial. Seu grande sucesso foi “O Dólar Furado” mas esse foi apenas um entre centenas de outros que seguiam a mesma linha. Geralmente atuando com o nome americanizado de Montgomery Brown, Gemma foi colecionando filmes atrás de filmes, criando toda uma legião de fãs nos chamados cinemas de bairro aqui no Brasil que não cansavam de passar suas fitas rápidas e ligeiras. Com preços promocionais, geralmente em sessão dupla, os cinemas rendiam excelentes bilheterias. O curioso é que em muitos desses filmes Giuliano Gemma usava não apenas o nome de Montgomery Brown como seu próprio pseudônimo artístico, mas os seus personagens também levavam esse nome. É o caso desse “Ringo não discute... Mata!”. Antes de mais nada esqueça o personagem Ringo dos westerns americanos. Nas produções Made in Hollywood, Ringo era sempre derivado do famoso pistoleiro Johnny Ringo (que efetivamente existiu de fato). Já no cinema italiano Ringo era apenas um nome sonoro, comercial, que se prestava a todo tipo de caracterização que ia desde pistoleiros a soldados, bandidos, mocinhos e o que mais a imaginação dos roteiristas criassem.

Aqui Gemma interpreta um soldado da União de nome Montgomery Brown (vulgo Ringo) que ao retornar da guerra civil encontra sua esposa e filha sob o domínio de uma família de mexicanos cruel e facínora. O pai é um porco beberrão e o filho um sádico perverso. Além disso descobre que seu pai, um senador honesto, havia sido covardemente assassinado pelos mesmos mal feitores. Disfarçado de humilde jardineiro, Ringo começa aos poucos a planejar sua vingança que tardará mas não falhará. O filme tem produção modesta mas não chega a ser pobre. Existem até bons cenários (todos localizados no deserto da Espanha) que mantém a dignidade. Gemma não se esforça muito – ele não era tão bom ator por essa época, mas apenas um italiano que parecia americano e que por isso era escolhido pelos diretores.

O filme como não poderia deixar de ser termina em um grande tiroteio em que não escapam nem o padre e nem os moradores pacíficos do lugar. Um acerto de contas envolvendo toda a cidade. Era o usual nesse tipo de filme. De bom mesmo temos a trilha sonora de Ennio Morricone – sempre bem realizada, a ponto inclusive de ser lançada em disco de sucesso na época. Aqui no Brasil o filme teve vários títulos diferentes que iam do original “Ringo Retorna” até “Uma Pistola Para Ringo” (esse último inclusive também foi usado em uma outra produção que nada tinha a ver com essa). De qualquer modo é um exemplo do que o cinema italiano realizava na década de 60 – muita ação, balas e diversão com os atores italianos posando de americanos da fronteira no velho oeste daquele país.

Ringo Não Discute... Mata! / O Retorno de Ringo / Uma Pistola Para Ringo (Il Ritorno di Ringo, Itália, Espanha, 1965) Direção: Duccio Tessari / Roteiro: Duccio Tessari, Fernando Di Leo e Alfonso Balcázar / Elenco: Giuliano Gemma, Fernando Sancho, Lorella De Luca, George Martin, Nieves Navarro / Sinopse: Em busca de vingança um veterano do exército da União volta para sua cidade natal para liquidar os assassinos de seu pai. Disfarçado de pobre jardineiro ele começa a colocar em prática seu plano de vingança.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Corações Solitários

Corações Solitários 
Esse filme também é conhecido como "Corações Solitários". Na história um Jovem jornalista desempregado chamado Adam White (Montgomery Clift) aceita trabalhar em um jornal escrevendo a coluna "Corações Solitários". Nela leitores pedem conselhos sentimentais. Inicialmente o jornalista pensa ser tudo uma bobagem, sem maior importância para sua carreira, mas conforme vai se envolvendo nas histórias acaba descobrindo os dramas pessoais de cada pessoa que lhe escreve. Como se já não bastasse os problemas profissionais ele ainda tem que lidar com sua noiva (Dolores Hart) que está perdendo a paciência com sua indefinição, pois ela quer se casar logo, mas ele vacila sobre essa decisão.

O argumento desse filme é muito interessante. Existe um subtexto envolvendo o personagem de Clift, um jovem idealista, com seu editor, um sujeito cínico e descrente com a humanidade em geral, que rende ótimos diálogos. Em um deles, impagável, o editor diz a Clift o seguinte: "Não se engane, as pessoas em geral são animais, não existe bondade no mundo". A tese de um e do outro acabará sendo testada justamente nos leitores da coluna "Corações Solitários" - inclusive no personagem de uma dona de casa insatisfeita, casada com um homem impotente.

Como facilmente se percebe, o texto que foi baseado em uma famosa peça da época, é forte, tratando de temas polêmicos. Clift novamente dá show com seu personagem, um jornalista bom e decente que tenta driblar inclusive seu passado nebuloso (que acabará voltando à tona para lhe assombrar). Outro destaque é a presença da starlet Dolores Hart. Ela ficou famosa por aparecer em um filme com Elvis Presley chamado "A Mulher Que eu Amo" (Loving You). Sua história é bem curiosa, pois pouco tempo depois ela largaria a carreira e o cinema para virar uma freira católica em sua cidade natal. Ela ainda está viva e hoje é uma irmã beneditina de um mosteiro americano. Em suma, "Corações Solitários" tem excelente elenco, inteligente roteiro e um final aberto que nos deixa a seguinte pergunta: Afinal quem tinha razão, o editor ou o jornalista? Assista para responder.

Por um Pouco de Amor / Corações Solitários (Lonelyhearts, Estados Unidos, 1958) Direção: Vincent J. Donehue / Rioteiro: Dore Schary, baseado na peça de Howard Teichmann / Elenco: Montgomery Clift, Myrna Loy, Maureen Stapleton, Robert Ryan / Sinopse: Adam White (Montgomery Clift) é um jovem jornalista escritor que aceita o convite para escrever uma coluna sentimental no jornal de sua cidade. No começo ele não leva muito à sério a nova função, mas aos poucos vai descobrindo os dramas reais de pessoas sofrendo com inúmeros problemas emocionais. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz coadjuvante (Maureen Stapleton).

Pablo Aluísio.

Le Mans / 24 Horas de Le Mans

Le Mans
Assisti hoje esse curioso filme da filmografia do Steve McQueen. O fato é que ele era louco por corridas e carros velozes, assim quando estava no auge de seu sucesso resolveu bancar um projeto pessoal: realizar um filme durante as 24 horas de Le Mans (uma das corridas mais famosas da Europa). Embora tenha sido aconselhado a não estrelar o filme Steve bateu o pé e levou uma enorme equipe de Hollywood para filmar o grande evento esportivo. O problema é que em sua ansiedade de fazer o filme McQueen esqueceu de que todo filme tem que ter um roteiro e não basta apenas filmar carros à toda velocidade.

Aí é que está todo o problema de Le Mans: ele não tem roteiro! Não é que o roteiro do filme seja ruim, nada disso, ele simplesmente não existe! Isso mesmo. Tudo se passa nas próprias 24 horas de Le Mans. Tudo o que se vê durante o filme inteiro é a própria corrida e nada mais. É quase um documentário. Para não dizer que McQueen não interpreta nada ele tem duas cenas onde troca diálogos rápidos com outros personagens (que nem mesmo possuem nomes!). Tecnicamente a verdade seja dita: o filme é muito bem editado e tem ótimas sequências de pista... mas também só tem isso. Enfim, o resultado de tudo isso é que o filme foi um tremendo fracasso de bilheteria e o McQueen perdeu uma verdadeira fortuna com isso. Bem feito, só assim ele nunca mais estrelaria um filme sem roteiro.

Le Mans / 24 Horas de Le Mans (Le Mans, EUA, 1971) Direção: Lee H. Katzin / Roteiro: Harry Kleiner / Elenco: Steve McQueen, Siegfried Rauch, Elga Andersen / Sinopse: O filme mostra em tom quase documental um piloto participando da corrida denominada 24 Horas de Le Mans. Enquanto ele tenta vencer a famosa prova de corrida, precisa também lidar com seus problemas pessoais fora da pista.

 Pablo Aluísio.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

The Beatles - Yellow Submarine

The Beatles - Yellow Submarine
O álbum “Yellow Submarine” foi lançado em 13 de janeiro de 1969 nos Estados Unidos (e em 17 de janeiro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de transição na trajetória dos The Beatles. O disco está diretamente ligado ao filme de animação homônimo produzido no auge da fase psicodélica do grupo, reunindo canções já conhecidas e algumas faixas inéditas. Parte do material havia sido gravada anteriormente, o que faz do álbum um projeto híbrido dentro da discografia oficial. Além das músicas da banda, o segundo lado do vinil apresenta composições orquestrais de George Martin, produtor histórico do grupo, reforçando o caráter cinematográfico do lançamento. O contexto de gravação coincide com o período de fragmentação criativa que culminaria no fim da banda poucos meses depois. Assim, o disco não representa uma obra conceitual coesa, mas sim um registro complementar daquele momento. Mesmo com essa natureza particular, o lançamento teve importância cultural significativa. Ele ampliou a presença dos Beatles no cinema e na cultura pop visual. Também consolidou a estética psicodélica associada ao final dos anos 1960.

A recepção crítica inicial foi mista, refletindo a natureza incomum do projeto. O The New York Times observou que o álbum parecia “mais uma trilha sonora do que um novo passo artístico da banda”, embora elogiasse a qualidade das canções inéditas. Já o Los Angeles Times destacou o valor do material previamente lançado, afirmando que “mesmo quando reciclados, os Beatles permanecem superiores à maioria do pop contemporâneo”. Críticos reconheceram que a presença das músicas orquestrais dividia opiniões entre fãs de rock. Alguns viram a escolha como ousada; outros, como distante do espírito do grupo. Ainda assim, a força cultural do nome Beatles manteve o interesse elevado. A crítica concordava que o disco não estava no mesmo nível de seus antecessores imediatos. Mesmo assim, havia respeito pela inventividade envolvida. O debate crítico demonstrava a expectativa altíssima em torno da banda. Qualquer lançamento era analisado como evento cultural.

Publicações como a Rolling Stone consideraram o álbum “agradável, porém menor dentro de uma discografia extraordinária”, enquanto a Billboard destacou seu apelo comercial garantido pelo filme e pelas canções já populares. A revista The New Yorker adotou tom mais analítico, sugerindo que o disco simbolizava “um momento de dispersão criativa, mas ainda cheio de beleza melódica”. Com o passar do tempo, muitas dessas avaliações foram suavizadas. Críticos posteriores passaram a valorizar mais as faixas inéditas e a contribuição estética do filme. O álbum ganhou nova leitura histórica como peça complementar do universo beatle. Hoje, a crítica tende a enxergá-lo com maior simpatia. Ele não é visto como fracasso, mas como obra circunstancial. Essa reavaliação reforçou sua legitimidade dentro do catálogo do grupo. A percepção crítica evoluiu de decepção moderada para apreciação contextual.

Comercialmente, “Yellow Submarine” teve desempenho forte, embora inferior a outros lançamentos dos Beatles. O álbum alcançou o Top 5 da Billboard 200 nos Estados Unidos e o Top 3 no Reino Unido, confirmando a enorme popularidade do grupo. As vendas atingiram milhões de cópias em todo o mundo, impulsionadas pelo sucesso do filme e pela presença de canções conhecidas. O público respondeu positivamente, especialmente os fãs mais jovens atraídos pela animação colorida. Mesmo não sendo considerado essencial, o disco manteve alto nível de interesse comercial. A marca Beatles continuava praticamente imbatível nas paradas. O desempenho financeiro comprovou isso. O álbum permaneceu relevante em reedições posteriores. Seu sucesso reforçou a força cultural do grupo mesmo em fase final. Comercialmente, foi mais um triunfo sólido.

O legado de Yellow Submarine está ligado principalmente ao universo visual e psicodélico criado pelo filme, que se tornou clássico da animação musical. Embora raramente listado entre os melhores discos dos Beatles, o trabalho possui importância histórica como registro de transição. Fãs valorizam especialmente as faixas inéditas e a atmosfera lúdica do projeto. Críticos modernos destacam a contribuição estética para a cultura pop dos anos 1960. O álbum também evidencia a diversidade de caminhos artísticos explorados pela banda naquele período. Sua permanência no imaginário coletivo deve-se tanto à música quanto às imagens do submarino amarelo. Reedições restauradas reforçaram esse interesse. Hoje ele é visto com carinho, ainda que não com reverência máxima. Seu papel é complementar, mas significativo. Dentro da história dos Beatles, permanece uma peça curiosa e culturalmente relevante.

The Beatles – Yellow Submarine (1969)
Yellow Submarine
Only a Northern Song
All Together Now
Hey Bulldog
It’s All Too Much
All You Need Is Love

Pepperland
Sea of Time
Sea of Holes
Sea of Monsters
March of the Meanies
Pepperland Laid Waste
Yellow Submarine in Pepperland

Erick Steve. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Something For Everybody

Elvis Presley - Something For Everybody
O álbum “Something for Everybody” foi lançado em 17 de junho de 1961, pela RCA Victor, em um momento de transição artística na carreira de Elvis Presley. Gravado em sessões realizadas entre 1960 e 1961, o disco surgiu logo após o retorno definitivo do cantor do serviço militar e durante o período em que sua produção estava fortemente ligada ao cinema de Hollywood. Diferente de muitos álbuns compostos apenas por músicas de filmes, este trabalho reuniu gravações de estúdio independentes, pensadas para o mercado fonográfico tradicional. O título refletia a proposta de alcançar diferentes públicos, combinando baladas românticas, canções pop suaves e números mais animados. Havia também a intenção comercial clara de manter Elvis relevante em um cenário musical que começava a mudar com a ascensão de novos artistas. Musicalmente, o álbum apresenta arranjos polidos e vocais controlados, evidenciando maturidade interpretativa. Esse contexto faz do disco um retrato fiel da fase inicial dos anos 1960 do cantor. Sua importância reside na consolidação de Elvis como artista versátil e ainda dominante nas paradas. Mesmo sem o impacto revolucionário dos anos 1950, o álbum reforçou sua permanência no topo da indústria.

A recepção crítica na época foi, em geral, positiva, embora menos entusiasmada do que nos primeiros anos de carreira. O The New York Times observou que o disco demonstrava “um intérprete mais contido, mas tecnicamente seguro”, destacando a qualidade das baladas. Já o Los Angeles Times ressaltou a consistência comercial do trabalho, afirmando que Elvis “continua oferecendo exatamente o que seu público espera ouvir”. Críticos apontaram que o repertório privilegiava melodias acessíveis e produção refinada. Alguns viram isso como sinal de amadurecimento; outros, como acomodação artística. Ainda assim, a execução vocal foi amplamente elogiada. A imprensa reconheceu que poucas vozes do pop possuíam tamanho alcance emocional. O álbum foi entendido como produto sólido dentro do mainstream. Mesmo sem ousadia, mantinha alto padrão profissional. Isso garantiu respeito crítico contínuo.

Revistas especializadas como a Billboard destacaram o potencial radiofônico do disco, descrevendo-o como “um conjunto de canções cuidadosamente escolhido para amplo apelo popular”. Publicações do setor musical observaram que Elvis mantinha forte presença comercial mesmo em meio às mudanças culturais do início da década. Alguns críticos notaram a ausência do rock mais energético que marcara seus primeiros sucessos, mas reconheceram a eficiência das interpretações românticas. Comentários da época ressaltavam que o cantor havia se tornado um entertainer completo. A recepção, portanto, misturava admiração profissional com certa nostalgia do passado rebelde. Com o passar dos anos, essas análises passaram a ver o álbum com maior equilíbrio histórico. Hoje ele é compreendido como peça representativa de sua fase hollywoodiana. A crítica moderna tende a valorizar mais sua qualidade vocal. Assim, o julgamento do disco tornou-se mais favorável ao longo do tempo.

Comercialmente, “Something for Everybody” foi um grande sucesso. O álbum alcançou o 1º lugar na Billboard 200, confirmando a força de Elvis no mercado norte-americano. Também obteve boas posições em paradas internacionais, refletindo sua popularidade global contínua. As vendas ultrapassaram milhões de cópias, garantindo certificações importantes ao longo das décadas. O público respondeu positivamente ao repertório romântico e acessível. Muitas faixas tornaram-se favoritas dos fãs, especialmente as baladas. O desempenho sólido reforçou a estratégia de diversificação musical do cantor. Mesmo sem singles revolucionários, o conjunto vendeu de forma consistente. Isso demonstrou a lealdade de sua base de ouvintes. Comercialmente, o disco cumpriu plenamente seu papel. Foi mais uma prova do domínio de Elvis nas paradas do início dos anos 1960.

O legado de Something for Everybody está ligado à consolidação da imagem de Elvis como artista universal do entretenimento. Embora não seja considerado tão inovador quanto seus trabalhos dos anos 1950 ou o retorno de 1968, o álbum representa estabilidade artística e sucesso contínuo. Fãs valorizam especialmente a qualidade das interpretações vocais e o clima romântico predominante. Críticos modernos o veem como documento importante da fase hollywoodiana do cantor. O disco também ajuda a compreender a adaptação de Elvis às transformações do mercado musical. Sua permanência nas reedições demonstra interesse duradouro. Dentro da discografia do artista, ocupa posição de transição histórica. É um trabalho que evidencia profissionalismo e consistência. Seu valor está menos na inovação e mais na solidez. Ainda assim, permanece parte essencial do legado do Rei do Rock.

Elvis Presley - Something for Everybody (1961)
There’s Always Me
Give Me the Right
It’s a Sin
Sentimental Me
Starting Today
Gently
I’m Comin’ Home
In Your Arms
Put the Blame on Me
Judy
I Want You with Me
I Slipped, I Stumbled, I Fell

Erick Steve. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

1975: O Ano do Colapso

Título no Brasil: 1975: O Ano do Colapso 
Título Original: Breakdown: 1975
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Morgan Neville
Roteiro: Morgan Neville
Elenco: Martin Scorsese, Jodie Foster, Josh Brolin, Oliver Stone, Albert Brooks, Steven Spielberg (em depoimentos e imagens de arquivos)

Sinopse:
O documentário faz uma análise dos filmes que foram lançados nos cinemas no ano de 1975, mostrando como eram inovadores e completamente fora dos padrões que Hollywood vinha adotando em seu passado recente. Uma safra de produções cinematográficas que rompeu definitivamente com o que vinha sendo produzido e lançado nos cinemas até aquele ano. 

Comentários:
Esse é um novo documentário que pode ser encontrado na Netflix. Assista antes que tirem. O que temos aqui é um desses filmes que são muito bem recebidos por quem aprecia a história do cinema. Ele vai dissecando os filmes que chegaram aos cinemas em 1975, mostrando como eles foram revolucionários, rompendo com uma certa fórmula antiga que Hollywood ainda teimava em continuar explorando. Apesar de achar o documentáro muito bem realizado e tudo mais, tenho certas reservas ao seu conteúdo. Hollywood não mudou, da noite para o dia, nesse ano de 1975, como é proposto pela narrativa do roteiro desse documentário. Na realidade ela já vinha mudando e muito desde o final dos anos 60. Basta dar uma olhada em títulos inovadores que foram lançados em 1968, por exemplo. Então colocar tudo em 1975 me soou um pouco forçado. Ainda assim recomendo esse documentário. Produções nessa linha são tão raras que quando encontramos uma, temos que celebrar e agradecer. Embora não seja tão historicamente exato e preciso em suas premissas, esse documentário ainda vale muito a pena conhecer. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Na Terra de Santos e Pecadores

Título no Brasil: Na Terra de Santos e Pecadores
Título Original: In the Land of Saints and Sinners
Ano de Lançamento: 2023
País: Irlanda, Estados Unidos
Estúdio: Facing East Entertainment
Direção: Robert Lorenz
Roteiro: Mark Michael McNally, Terry Loane
Elenco: Liam Neeson, Kerry Condon, Jack Gleeson, Colm Meaney, Ciarán Hinds, Desmond Eastwood

Sinopse:
Ambientado em uma pequena cidade costeira da Irlanda nos anos 1970, o filme acompanha Finbar Murphy (Liam Neeson), um assassino de aluguel envelhecido que busca deixar para trás seu passado violento e viver em paz. Contudo, a chegada de membros do IRA à região desencadeia uma nova onda de conflitos, forçando Finbar a confrontar novamente a violência que tentou abandonar. Entre culpa, redenção e sobrevivência, ele precisa escolher de que lado realmente está.

Comentários: 
Outro bom filme que se pode encontrar atualmente na Netflix. Esse me lembrou muito um antigo filme, dos anos 80, com Mickey Rourke, chamado "Prece Para um Condenado". A premissa é a mesma: um assassino profissional tenta um recomeço na vida, mas antes vai ter que acertar as contas com o IRA, o exército revolucionário irlandês, um grupo classificado como terrorista na época. Hoje em dia o IRA está pacificado e a maioria das pessoas sequer lembra deles, mas naqueles tempos sombrios a coisa era bem barra pesada. Acusações de explosões de carros bombas eram comuns. O clima de ódio era muito intenso. A história desse filme resgata em parte esse capítulo sangrento do que foi vivido. É um bom filme, com competência tanto no desenvolvimento dos personagens, como também nas cenas de ação, de intensidade. Então não senti falta de nada realmente. Um filme bem completo que paga as promessas que fez ao espectador. Está mais do que recomendado. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Dinheiro Suspeito

Título no Brasil: Dinheiro Suspeito
Título Original: The Rip
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Joe Carnahan
Roteiro: Joe Carnahan
Elenco: Matt Damon, Ben Affleck, Scott Adkins, Kyle Chandler, Steven Yeun, Teyana Taylor, 

Sinopse:
Em Miami, uma equipe de policiais do departamento de narcóticos descobre uma grande quantia de dinheiro escondida em uma casa abandonada após um informação sobre uma operação secreta. A quantia, avaliada em dezenas de milhões de dólares, desencadeia tensão, suspeitas e conflitos dentro da equipe. À medida que forças externas se aproximam e a pressão moral aumenta, os laços de confiança entre os policiais começam a se desfazer, levando a confrontos de lealdade, ganância e sobrevivência numa única noite tensa.

Comentários: 
Apesar das muitas críticas que o filme sofreu por aí, eu gostei do que assisti, mesmo com certas ressalvas. É um bom filme, com uma trama envolvente que mantém nossa atenção. E o jogo do roteiro, ora levando o espectador a acreditar na honestidade dos policiais, ora nos convencendo de que são tiras corruptos, é bem interessante. Pena que a dupla Matt Damon e Ben Affleck não leve a história do filmes às últimas consequências. Ao invés disso preservam suas famas de bons moços! Afinal são também produtores do filme. Essa foi uma bola fora da conclusão, pois esperava mais desses personagens, bem mais. Quando a tensão chega ao auge, o roteiro se acovarda e desanda, buscando por soluções facéis e rápidas sobre tudo o que está acontecendo. Eu esperava por algo mais visceral e cru, afinal o filme vai adotando ao longo da história um clima que me levou a pensar justamente nisso. São caras durões, sem carisma, querendo se dar bem o tempo todo. Era para seguir nessa linha. Pelo visto houve um tanto de falta de coragem para transformar essa fita policial em um clássico moderno da linha Brucutu. Uma pena mesmo. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Rio Lobo

Rio Lobo
Rio Lobo foi lançado em 18 de dezembro de 1970, dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne, ao lado de Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam e Christopher Mitchum. O filme representa a última colaboração entre Hawks e Wayne, dupla fundamental para a consolidação do western clássico americano. Ambientada logo após a Guerra Civil dos Estados Unidos, a história acompanha um oficial da União que decide investigar uma série de injustiças ocorridas em uma pequena cidade dominada por corrupção e abuso de poder. O ponto de partida surge quando ele descobre que antigos inimigos de guerra podem, na verdade, tornar-se aliados diante de um mal maior. A partir dessa premissa, o longa desenvolve um confronto moral entre honra, vingança e reconciliação, mantendo o foco na jornada do protagonista sem antecipar os acontecimentos finais.

No momento de seu lançamento, Rio Lobo recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times observou que o filme possuía “o charme tranquilo dos westerns tradicionais de Hawks”, mas também apontou que a narrativa parecia familiar demais em comparação com obras anteriores do diretor. Já o Los Angeles Times destacou a presença de John Wayne como elemento central de força dramática, elogiando sua autoridade em cena e sua capacidade de sustentar o tom clássico da produção. Ainda assim, parte da crítica considerou que o gênero western já não ocupava o mesmo espaço cultural dominante do passado.

A revista Variety descreveu o longa como “um western sólido, porém convencional”, ressaltando a competência técnica da direção e das sequências de ação, mas sem grandes inovações narrativas. O The New Yorker comentou que o filme parecia uma despedida melancólica de uma era do cinema americano, marcada por heróis estoicos e conflitos morais diretos. Mesmo sem entusiasmo unânime, muitos críticos reconheceram a elegância clássica da encenação de Hawks e o carisma duradouro de Wayne. O consenso geral foi de respeito moderado, vendo o filme mais como um epílogo do western tradicional do que como uma renovação do gênero.

No campo comercial, Rio Lobo apresentou desempenho modesto nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões, o filme arrecadou valores considerados apenas satisfatórios para os padrões da época, especialmente diante da popularidade anterior das colaborações entre Hawks e Wayne. O western, naquele início dos anos 1970, enfrentava concorrência crescente de outros gêneros e mudanças no gosto do público. Ainda assim, o nome de John Wayne garantiu presença significativa nos cinemas e boa circulação internacional, assegurando retorno financeiro razoável e posterior exibição frequente na televisão.

Com o passar das décadas, Rio Lobo passou a ser visto como uma obra de encerramento simbólico do ciclo clássico do western hollywoodiano. Embora não figure entre os títulos mais celebrados de Hawks ou Wayne, o filme é valorizado por estudiosos como parte importante da transição entre o western tradicional e abordagens mais revisionistas que dominariam os anos seguintes. A relação entre antigos inimigos que se tornam aliados também ganhou leitura mais contemporânea, reforçando temas de reconciliação após a guerra. Hoje, o longa mantém respeito histórico e interesse entre admiradores do gênero.

Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Direção: Howard Hawks / Roteiro: Burton Wohl, Leigh Brackett e Larry Cohen / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam, Christopher Mitchum, Victor French / Sinopse: Um ex-oficial da Guerra Civil investiga abusos cometidos em uma cidade dominada pela corrupção, unindo-se a antigos adversários para restaurar a justiça e a honra no Oeste americano.

Erick Steve.