quarta-feira, 3 de maio de 2023

A América que não amava os Beatles

A América que não amava os Beatles
Quando os Beatles gravaram suas novas músicas e as lançaram no single "She Loves You / I'll Get You" eles acreditaram que tinham acertado em cheio. Afinal o compacto lançado na Inglaterra e em diversos países da Europa imediatamente fez um belo sucesso. Número 1 em diversas paradas. John Lennon acreditou que finalmente essa música seria lançada na América pelo selo Capitol com toda a publicidade que tinha direito. Só que isso não aconteceu! 

Para surpresa completa de John e dos demais Beatles, a Capitol recusou a música. O diretor musical da gravadora americana afirmou que a música era muito fraca e que não faria sucesso nenhum nas rádios americanas. Claro que ele estava muito enganado sobre isso, mas seu veto valeu. A Capitol arquivou o single e ficou esperando por algo melhor vindo daqueles cabeludos ingleses. 

John Lennon ficou muito chateado. Como Paul McCartney diria anos depois, os Beatles compunham suas músicas nessa fase pensando no sucesso comercial. Eles queriam o sucesso e nada seria mais consagrador do que fazer sucesso nos Estados Unidos e na América. Com as portas fechadas daquele jeito, iria ser complicado. Curiosamente o single finalmente seria lançado, só que meses mais tarde quando a Beatlemania tomava conta dos Estados Unidos durante a primeira turnê do grupo naquele país. Para John Lennon aquilo só podia ser piada. Afinal a rejeição inicial lhe deixou bem chateado. 

Já o lado B era bem conhecido dos brasileiros. Isso mesmo, o público brasileiro ouviu essas músicas primeiro do que os americanos. E I'll Get You fazia parte do repertório do disco brazuca "The Beatles Again" que só saiu no Brasil. Com capa medonha de feia, esse disco tinha uma excelente seleção musical, provando que pelo menos na EMI brasileira eles sabiam muito bem o que estavam fazendo. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 2 de maio de 2023

Davy Crockett - O Rei das Fronteiras

Título no Brasil: Davy Crockett - O Rei das Fronteiras
Título Original: Davy Crockett: King of the Wild Frontier
Ano de Lançamento: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Productions
Direção: Norman Foster
Roteiro: Thomas W. Blackburn
Elenco: Fess Parker, Buddy Ebsen, Basil Ruysdael, Hans Conried, Kenneth Tobey, Helene Stanley

Sinopse:
O pioneiro e aventureiro Davy Crockett (Fess Parker) parte em direção ao velho oeste dos Estados Unidos para mais uma missão de exploração do interior selvagem de sua nação. E acaba também indo parar no meio de uma guerra com os mexicanos, se tornando um dos heróis da resistência do forte Álamo 

Comentários:
Davy Crockett é considerado um herói nacional nos Estados Unidos e não apenas por ter sido um dos heróis da história do forte Álamo, mas também por suas aventuras no interior de uma ainda jovem nação, com oeste bravio e selvagem. Esse filme produzido pela Disney procurou reunir as passagens mais importantes de sua história em um só roteiro. Curiosamente chamaram para viver o protagonista o mesmo ator que interpretava outro pioneiro famoso, o Daniel Boone. Inclusive ambos os personagens usavam figurinos bem parecidos, com aquele inconnfundível chapéu de castor das águas cristalinas dos rios do interior do oeste selvagem e indomável. De forma em geral é um filme realmente muito bom, muito querido pelos americanos, embora não podemos fechar os olhos ao fato de que esse filme é uma versão bem romanceada do personagem real da história, que tinha em sua vida algumas coisas nada heróicas para contar. Hollywood, nos dias atuais, não voltaria a fazer um filme com essa figura histórica. A razão é simples de entender. Ele esteve envolvido na colonização do velho oeste e participou da matança dos nativos americanos. Algo imperdoável na mentalidade atual. Só que essa é outra história que não convém creditar a esse filme em si. Simplesmente assista e se divirta! 

Pablo Aluísio.

Um Homem Chamado Sabata

Título no Brasil: Um Homem Chamado Sabata
Título Original: Arriva Sabata!
Ano de Lançamento: 1970
País: Itália, Espanha
Estúdio: Producciones Cinematográficas A.B
Direção: Tulio Demicheli
Roteiro: Tulio Demicheli
Elenco: Anthony Steffen, Peter Lee Lawrence, Eduardo Fajardo, Alfredo Mayo, Rossana Rovere, Luis Induni

Sinopse:
Sabata (Anthony Steffen) e Mangosta (Eduardo Fajardo) são dois assaltantes de bancos procurados, que após mais um assalto, acabam se aliando a um funcionário do próximo banco que vão roubar. Na confusão do crime, acabam levando um gerente como refém e passam a ser perseguidos no deserto por um grupo de militares armados com as melhores armas de sua época. 

Comentários:
Sabata, ao lado de Django e Sartana, fez parte da trilogia dos mais famosos personagens do western spaghetti. Foram muitos filmes feitos com eles. Dos três, o pistoleiro e bandoleiro Sabata era o mais confortável com sua vida de criminoso. Era bandido de profissão mesmo, embora também fosse capaz de fazer gestos nobres enquanto fugia dos policiais pelo velho oeste. Também foi intepretado por vários atores em filmes diversos. Nesse aqui o ator Anthony Steffen lhe deu vida na tela. Curiosamente o filme foi acusado na época de ser violento ao extremo. Ora, os anos 70 tinham chegado, era tempo de testar os novos limites que o gênero faroeste iria romper. E nada melhor do que um filme do Sabata para verificar até onde os roteiros poderiam ir. Esse aqui foi longe, bem longe nesse aspecto. De qualquer forma esse é um dos filmes canônicos do personagem, ou seja, nada de ser uma daquelas fitas feitas sem autorização dos direitos autorais, verdadeiros filmes piratas que circulavam na época. É um dos filmes ditos oficiais do pistoleiro Sabata. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Muralhas de Sangue

Título no Brasil: Muralhas de Sangue
Título Original: One Minute to Zero
Ano de Lançamento: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Tay Garnett
Roteiro: Milton Krims, William Wister Haines
Elenco: Robert Mitchum, Ann Blyth, Richard Egan, William Talman, Charles McGraw, Eduard Franz

Sinopse:
Durante os primeiros dias da Guerra da Coréia, o coronel do Exército dos EUA Steve Janowski (Robert Mitchum) é um dos muitos conselheiros militares que treinam o exército sul-coreano e tem a tarefa de evacuar os civis americanos da zona de guerra. Filme com história baseada em fatos históricos reais. 

Comentários:
Um bom filme sobre a guerra da Coreia. O diretor foi um pouco criticado porque na realidade ele parecia mais preocupado com a história dramática do filme, colocando-se ali seu lado romântico, do que com as cenas de ação no campo de batalha. Essa foi uma crítica justa, mas por outro lado, também deve ser amenizada, pois desenvolver bem os personagens de um filme é um mérito da direção e não uma falha. Entretanto a maior controvérsia do filme veio de uma cena em particular mostrando civis indefesos sendo atacados por militares americanos. É bom lembrar que esse filme foi lançado enquanto a guerra acontecia e uma cena chocante como essa poderia causar danos às imagens das forças armadas americanas, o que causou um grande mal estar entre o estúdio e o departamento de defesa. O que aconteceu na realidade foi que o produtor desse filme foi o milionário excêntrico Howard Hughes e ele tinha diversas diferenças com o governo americano. Então aproveitou a história do filme para jogar algumas farpas contra seu alvo preferido. Além disso apenas falou a verdade. De fato as forças armadas dos Estados Unidos cometeram violações de direitos humanos contra populações civis durante essa guerra. Um fato mais do que lamentável. 

Pablo Aluísio.

Quando o Coração Floresce

Título no Brasil: Quando o Coração Floresce
Título Original: Summertime
Ano de Lançamento: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: David Lean
Roteiro: Arthur Laurents, H.E. Bates
Elenco: Katharine Hepburn, Rossano Brazzi, Isa Miranda, Darren McGavin, Mari Aldon, Jeremy Spenser

Sinopse:
A norte-americana Jane Hudson (Katharine Hepburn) viaja de Ohio para Veneza. Jane é uma mulher solteira e solitária de meia-idade que economizou dinheiro para a viagem dos seus sonhos. Ela espera encontrar o amor de sua vida nessa jornada. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor atriz (Katharine Hepburn) e melhor direção (David Lean). 

Comentários:
Quando eu penso em filmes românticos dos anos 50 eu não penso imediatamente no nome da atriz Katharine Hepburn. Ela sempre interpretou personagens femininas mais fortes, nada a ver com mulheres românticas demais. Só que para toda regra existe uma exceção e esse filme se enquadra bem nisso. E o que mais me surpreende é saber que ela foi indicada ao Oscar de melhor atriz por esse papel, que achei até mesmo leve, romantizado em excesso. Não entendi a razão de ser lembrada no prêmio mais importante do ano para atrizes. Para cinéfilos em geral entretanto o grande atrativo vem do fato do filme ter sido dirigido pelo excelente mestre da sétima arte David Lean. Aqui já demonstrava todo o seu talento, procurando tirar todo o proveito de Veneza, uma das cidades reconhecidamente mais românticas do mundo. E nesse aspecto o cineasta certamente foi mais do que bem sucedido. O que já era belo ficou ainda mais bonito na perspectiva de suas lentes de cinema. 

Pablo Aluísio.

sábado, 29 de abril de 2023

Astronauta: Um Sonho Extraordinário

Astronauta: Um Sonho Extraordinário
O ator Richard Dreyfuss interpreta o papel de um homem bem idoso que sempre teve o sonho de se tornar um astronauta. Engenheiro de profissão, ele tentou por anos ser aceito pela NASA. Agora, aposentado, vive na casa da filha, mas logo problemas surgem pois o marido dela não gosta dessa situação. Assim ele vai parar em um asilo para velhos. Entediado e deprimido, com muitas saudades de sua esposa que faleceu há muitos anos, ele decide aceitar a sugestão do neto em se inscrever numa promoção de um lançamento espacial bancado por um bilionário. Ele quer colocar no espaço pessoas comuns, sem experiência como astronautas. Assim o idoso acaba sendo escolhido ao lado de mais 12 pessoas. Só que ele acaba encontrando problemas no projeto desse lançamento, principalmente em relação ao solo de onde a nave deve partir. Como trabalhou por anos na construção de pistas e rodovias, ele certamente sabe do que está falando. 

Esse filme tem aspectos interessantes. O roteiro de forma acertada investe muito mais no lado humano do protagonista da história. Nada de inventar muito, nem de investir em efeitos especiais com naves espaciais e coisas do tipo. Fica claro e evidente que a produção não tinha dinheiro para isso. Dessa forma o lado da vida do senhor aposentado é mais explorado e isso de certa maneira salvou o filme da mediocridade completa. Fiquei surpreso ao ver como o ator Richard Dreyfuss está idoso. Com 75 anos de idade ele surpreende por ainda estar na ativa. Tem dificuldades para andar e atuar, mas luta para se sair bem. Ganhou minha admiração ainda mais. O importante é estar atuando. Talvez esse seja o maior mérito do filme, fazendo com que esse veterano do cinema ainda esteja na ativa e produzindo. 

Astronauta: Um Sonho Extraordinário (Astronaut, Estados Unidos, 2019) Direção: Shelagh McLeod / Roteiro: Shelagh McLeod / Elenco: Richard Dreyfuss, Lyriq Bent, Krista Bridges / Sinopse: Um homem idoso e morando em um asilo decide dar uma guinada na vida. Ele se inscreve em um programa espacial da iniciativa privada para ser um astronauta e apesar da idade acaba sendo escolhido para participar desse lançamento pioneiro. 

Pablo Aluísio.

Eclipse Total

Título no Brasil: Eclipse Total
Título Original: Dolores Claiborne
Ano de Lançamento: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Taylor Hackford
Roteiro: Stephen King,Tony Gilroy
Elenco: Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh, Christopher Plummer, John C. Reilly, David Strathairn, Eric Bogosian

Sinopse:
Uma jornalista investigativa de Nova York volta para sua cidade natal em uma pequena ilha perto da costa de Jonesport, Maine, após receber um fax de um remetente anônimo afirmando que sua mãe, Dolores Claiborne, é a única suspeita no que parece ser o assassinato de sua rica empregadora. Filme indicado ao Edgar Allan Poe Awards.

Comentários:
O escritor Stephen King tem uma maravilhosa parceria com o mundo do cinema há anos. Algumas adaptações cinematográficas de seus livros geraram verdadeiros clássicos do cinema e até mesmo livros menos conhecidos, ditos como menores, também renderam excelentes filmes. Vejo o caso desse Eclipse Total. Dirigido pelo ótimo Taylor Hackford esse filme foi bastante elogiado pela crítica na época de seu lançamento original. Sempre achei que por sua qualidade ele deveria ter sido mais popular, ter feito melhor bilheteria. Em cena temos a grande atriz Kathy Bates que sempre considerei uma das melhores profissionais de atuação de sua geração. Contracenando com ela surgia a jovem Jennifer Jason Leigh também em ótimo trabalho. A relação entre as personagens, mãe e filha, era conturbada desde sempre e volta a se tornar emocionalmente explosiva após a mãe ser acusada de assassinato! Teria ela alguma culpa real no crime? Assista para descobrir... 

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Showgirls

Título no Brasil: Showgirls
Título Original: Showgirls
Ano de Lançamento: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Carolco Pictures
Direção: Paul Verhoeven
Roteiro: Joe Eszterhas
Elenco: Elizabeth Berkley, Kyle MacLachlan, Gina Gershon, 
Glenn Plummer, Alan Rachins, Gina Ravera

Sinopse:
Completamente sozinha no mundo, Nomi Malone vai para Las Vegas, onde está determinada a fazer seu nome como dançarina de boates de striptease, enquanto deixa seu passado para trás. Será que encontrará o sucesso?

Comentários:
Eu me lembro que esse filme foi muito malhado, muito escrachado, quando foi lançado. Eu fiquei tão curioso que fui assistir para ver se era tão ruim mesmo como diziam. É a tal coisa, muitas vezes a imprensa especializada em cinema exagera na dose! O filme é fraco, mas não é toda aquela ruindade que se dizia sobre ele. O que me pareceu foi que um grupo de jornalistas americanos decidiram se vingar do diretor Paul Verhoeven por alguma razão. E nisso se criou uma onda de negatividade sobre o filme que poucas vezes vi igual. No quadro geral talvez seja adocicado demais, pelo tema que explora. Ainda assim não me fez arrepender de tê-lo visto nos anos 90. Não sou dado a extremismos e nem a exageros. O filme pode ser assistido numa boa, sem problema nenhum. E nem tampouco é o desastre todo que falaram dele. 

Pablo Aluísio.