sexta-feira, 28 de julho de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 2

O álbum "Revolver" foi de fato o primeiro a romper completamente com aquela sonoridade dos primeiros discos dos Beatles. Não havia mais necessidade de seguir uma determinada fórmula comercial à risca. Ao contrário disso eles queriam mesmo arriscar, sondar novos territórios musicais. Em "Got to Get You into My Life" Paul quis recriar o som da gravadora negra Motown, Por isso pediu a George Martin que ele providenciasse um arranjo com muitos metais. Praticamente foi dispensada a formação clássica de instrumentos dos Beatles. Guitarras e baixo foram colocados em segundo plano. O destaque ficou concentrado mesmo apenas naquele tipo de som que ficaria muito adequado em um lançamento da gravadora de Detroit.

"And Your Bird Can Sing" também fugia do lugar comum. Aqui John Lennon quis dar uma espécie de resposta para a faixa anterior de Paul, também com um arranjo diferente. Porém ao contrário de Paul, John não quis deixar as guitarras debaixo da cama. Ao contrário disso as deixou em primeiro plano, em excelentes solos que iam se revezando ao longo de toda a faixa. Curiosamente o principal parceiro de John na elaboração dessa música dentro do estúdio não foi Paul McCartney, mas sim George Harrison. Afinal ambos eram os guitarristas da banda, então era natural que eles se sentassem para escrever juntos as linhas de melodia que iriam usar. Apesar disso, da intensa colaboração de Harrison, a música acabou sendo creditada, mais uma vez, como uma criação de Lennon e McCartney, apesar da participação de Paul ter sido mínima.

Essa parceria Lennon e Harrison se repetiria também em "Taxman". Anos depois, após o fim dos Beatles, John Lennon iria reclamar publicamente de George Harrison que segundo ele nunca teria dado os créditos merecidos na gravação dessa música. John afirmava que George havia chegado nos estúdios Abbey Road apenas com um esboço muito primário do que seria Taxman. Assim ele e George passariam horas lapidando a música, com John Lennon fazendo grande parte dos arranjos. Curiosamente a dobradinha "Harrison / Lennon" também não apareceu na contracapa do álbum, sendo a canção creditada apenas a George Harrison. Na época John Lennon pareceu não ligar muito para isso, mas depois, já nos anos 70, reclamou da falta de consideração de seu colega de banda.

Bom, o que não poderia faltar em um bom disco dos Beatles nos anos 60 era uma bela e romântica balada. Invariavelmente essas lindas canções de amor eram compostas por Paul McCartney. Aqui não houve exceção. "Here, There and Everywhere" fazia jus a esse legado. Uma das melodias mais bonitas compostas por Paul. Ele a criou em homenagem à sua namorada na época, a ruivinha Jane Asher. Todos os Beatles acreditavam que Paul um dia iria se casar com Jane. Eles estavam juntos há muito tempo e ela foi a fonte de inspiração de algumas das melhores músicas de amor de Paul. John vivia provocando Paul, querendo saber quando seria o dia do casamento pois ele estava cansado de ser o único Beatle casado! Curiosamente Jane e Paul romperiam alguns anos depois. "Uma surpresa e tanto, pensei que eles iriam se casar!" - resumiria depois John em uma entrevista. Pelo menos as ótimas canções românticas que embalaram esse romance sobreviveram ao tempo.

Pablo Aluísio.

6 comentários:

  1. The Beatles - Revolver - Parte 2
    Pablo Aluísio
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  2. "O álbum "Revolver" foi de fato o primeiro a romper completamente com aquela sonoridade dos primeiros discos dos Beatles. Não havia mais necessidade de seguir uma determinada fórmula comercial à risca. Ao contrário disso eles queriam mesmo arriscar, sondar novos territórios musicais".

    O Lobão lançou um novo livro e nas entrevistas em que está fazendo a divulgação do mesmo tem falando sobre o rock dos anos "80 no Brasil e deste gabarito que os produtores e gravadoras impõem sobre os compositores com a justificativa do "o que vende" e assim "mantam a criação e condenam tudo a mesmice e à paumolência." (palavras do Lobão)

    Ouvindo Revolver eu sempre penso nisso; sem criatividade e liberdade para a expressar, os Beatles teriam acabado artisticamente em 1964.

    Em tempo: "Taxman" é genial e realmente parece coisa do John Lennon. O George Harrison era meio "comportadinho" para tal ousadia criativa.

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  3. Diria que Taxman é 60% Lennon e 40% Harrison, mas no final de tudo George levou todos os méritos da canção.

    Na questão comercial vs artístico... É a tal coisa, os artistas que se deixarem ser absorvidos completamente pelos interesses comerciais de suas gravadoras acabam mesmo ficando obsoletos...

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  4. Eu acho que o "ser absorvido" é ditado pela barriga. A fome fala mais alto.

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  5. Também tem isso... mas no caso dos Beatles, pelo menos, eles já estavam milionários por essa época...

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  6. É isso aí; mais muito talento borbulhando, rebeldia, coragem de não querer só agradar mas fazer o certo, e aí vai...

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