sexta-feira, 16 de junho de 2017

The Beatles - Abbey Road - Parte 1

Eu considero "Come Together" a última grande música de John Lennon nos Beatles. Ela foi lançada no disco "Abbey Road" que de certa maneira era uma colcha de retalhos composta e organizada por Paul McCartney. Havia literalmente um monte de pedaços de canções, letras inacabadas e melodias pela metade. Paul foi genial e com esse material em mãos criou uma verdadeira obra prima, principalmente no lado B do álbum que seguia uma linha bem inovadora, com várias composições de John, Paul e George que se entrelaçavam, quase como se não houvesse uma separação entre elas. Já "Come Together" fugia um pouco dessa linha. Era uma composição cem por cento John Lennon e que havia sido criada de forma independente ao conceito que Paul havia criado para "Abbey Road".

A letra de John Lennon era na realidade um jogo de palavras. Isso já havia se tornado uma característica de John desde os tempos de "Revolver". Ele decidira romper com a velha fórmula de canções sobre amor, paixões de adolescente e afins. Para John isso não tinha mais nenhuma importância. Ele supostamente descreve um sujeito nada convencional, fora dos padrões, mas isso é apenas a espinha dorsal de sua composição. Lennon, inspirado por Dylan, não queria mais soar previsível ou convencional. Assim ele procurava sempre romper barreiras, tanto em termos de letra como melodia. Essa música tem um estilo estranho, com tensão em cada linha escrita. O ouvinte fica esperando pelo clímax que parece nunca chegar. Curiosamente ela seria regravada por Michael Jackson e Aerosmith alguns anos depois, mas nada supera realmente a beleza e a originalidade dessa gravação de Abbey Road. Realmente uma grande faixa que marcou a despedida de Lennon dos melhores anos de sua vida artística.

Durante anos George Harrison viveu à sombra da dupla John Lennon e Paul McCartney. Em entrevistas John Lennon costumava dizer que o grupo sempre deixava um espaço nos álbuns dos Beatles para que George cantasse ou até mesmo encaixasse uma composição própria dentro do repertório. Além de ser mais jovem do que os colegas de banda, George ainda tinha que conviver com a genialidade deles na composição de dezenas de obras primas. Mesmo assim Harrison foi se aperfeiçoando com o tempo. Para muitos a canção "Something" foi a prova definitiva de seu talento como compositor, a sua melhor canção. Pena que ela veio um pouco tarde demais pois quando foi lançada no álbum "Abbey Road" de 1969 os Beatles já estavam separados. Composta por volta de 1968 George esperou alguns meses para levar a música para o estúdio. Queria trabalhar melhor nela. Uma demo crua, apenas com ele e sua guitarra, foi gravada pelo próprio George e em cima dela os demais Beatles e o produtor George Martin começaram a trabalhar nos arranjos.

Logo no começo George Harrison percebeu que apenas uma guitarra seria insuficiente para criar a sonoridade que queria. Por isso tocou várias delas, de diferentes modelos, para que depois fossem unidas na edição da gravação original. O curioso é que John Lennon se ofereceu para tocar a guitarra base, mas George achou por bem ele mesmo tocar todas elas sozinho, dando sua própria marca registrada para cada detalhe da canção. Assim Lennon acabou indo para os teclados onde fez um trabalho apenas básico para o fundo instrumental da melodia. Os demais Beatles foram para seus instrumentos tradicionais, com Paul McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria. Para a parte instrumental George Martin criou um arranjo envolvendo violinos, violoncelos e violões. Tudo foi acrescentado bem depois, na sala de edição de Abbey Road. O resultado ficou realmente ótimo, embora alguns críticos tenham reclamado do arranjo que para alguns se tornou excessivo. Ao longo dos anos "Something" (que foi lançada como single ao lado de "Come Together") se tornou um dos maiores sucessos dos Beatles sendo regravada por alguns grandes cantores, entre eles Frank Sinatra e Elvis Presley (que lançou sua versão ao vivo no álbum "Aloha From Hawaii"). Em suma, essa é provavelmente a maior obra prima da carreira de George Harrison. Uma prova de que ele não era apenas mais um nos Beatles.

Pablo Aluísio.

9 comentários:

  1. The Beatles - Abbey Road - Parte 1
    Pablo Aluísio
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  2. Pablo:

    Sobre Come Together eu já falei aqui: "é os Beatles antecipando a década de "70 com a fúria que essa viria a ter".

    Sobre Something eu só posso dizer que gosto tanto que toco e canto em vários lugares. Adoro a pegada jazz/bossa-nova/rock desta genial música do George Harrison, o Beatle mais amargurado.

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  3. Realmente é de se lamentar que os Beatles não tivessem seguido em frente nos anos 70. Imagine só o que eles poderiam criar no meio daquela sonoridade nova, com o surgimento do rock progressivo, etc.

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  4. Pois é se Come Together já antecipa o rock progressivo, assim como Eleonor Rigby, imagine o que esses verdadeiros gênios da música popular fariam com os recursos e influencias que haviam de vir nas próximas décadas.

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  5. Aos poucos vou voltando (Get Back) ao mundo dos blogs, escrevendo lá nos meus e parando pra ler essa preciosidade de postagem. Parabéns Pablo. Abbey Road é uma preciosidade de disco. Na década de 90 que foi que a beatlemania me pegou de jeito. Esse foi um dos primeiros discos que eu comprei. Ouvi e ouço repetidas vezes. Um abraço do Baratta.

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    1. Olá Baratta. Já havia deixado as boas vindas para você no blog do Elvis. Bom saber que você está voltando a acompanhar os blogs. Então você começou comprando logo um dos melhores discos dos Beatles? Ótimo!

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    2. Sim Pablo, foi esse, mais o A Hard Day´s Night, Rubber Soul, e o Help acho, foi uma penca de uma vez só com meu primeiro salário. Deles eu não consigo destacar um disco que eu goste mais. Pablo, me manda um email no enelito5@gmail.com, preciso falar com você, estou fora do facebook (pra mim já deu aquilo). Me manda um email quando puder, abraço.

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    3. Olá Baratta.
      Bom para facilitar deixarei meu email de contato com você (pabloaluisio@yahoo.com). Durante a semana minha vida é bem corrida, mas no fim de semana poderei responder a você. Abraços.

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