sábado, 2 de julho de 2016

Será o Fim da União Europeia?

Nos últimos dias vimos a saída do Reino Unido da União Europeia e agora se discute cada vez mais o futuro desse bloco. Eu me recordo que ainda na universidade ao estudarmos a União Europeia em Direito Internacional Comunitário muito se falava que esse era o tipo de comunidade internacional padrão, ideal e perfeita, que sem dúvida esse seria o futuro dos países ao redor do mundo. Até na América do Sul criou-se o Mercosul, uma versão pálida da União Europeia que diga-se de passagem nunca deu muito certo.

Pois o tempo passou e a tal comunidade internacional perfeita parece que está se esfacelando. O que aconteceu? Não foi apenas um fator que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia, mas vários. E esses mesmo fatores estão pressionando os líderes de outras nações a seguirem o mesmo caminho. Provavelmente teremos consultas populares em países como França, Itália, etc. e também provavelmente o voto pela saída se consagre como o vencedor como aconteceu entre os britânicos.

Eu comecei a perceber as primeiras rusgas mais sérias para o fim da União Europeia com a crise econômica da Grécia. Naquela ocasião a Alemanha assumiu uma posição muito truculenta em relação aos demais países. Isso incomodou demasiadamente os ingleses. Historicamente a Inglaterra jamais aceitou ser subordinada da Alemanha, seja em que contexto fosse. Quando os alemães começaram a determinar os protocolos que seriam seguidos em relação à crise grega, não deixando muita margem para outras opiniões diferentes, eu pude perceber que os britânicos iriam pular fora desse barco.

Depois veio a crise dos refugiados. Ora as leis da União Europeia são bem mais receptivas a essas pessoas que estão vindo de outros países, fugindo de guerras e crises, do que as leis inglesas sobre imigração. O povo inglês se sentiu obviamente incomodado com a entrada sem controle de milhares de refugiados muçulmanos. De repente não ficou difícil ver mulheres com vestimentas islâmicas andando pelas ruas de Londres. Depois veio os atentados e isso consolidou ao inglês médio a necessidade de se controlar melhor suas fronteiras, sua cultura e seu país. Se o Reino Unido continuasse na União Europeia isso não seria possível. Assim o povo muito receoso do que vinha acontecendo resolveu votar pela saída, muito impulsionado pela sensação de que algo deveria ser feito sobre isso.

Ainda é cedo para saber se a saída do Reino Unido vai mesmo significar o fim da União Europeia. Esse vai ser um caminho longo. O efeito manada pode vir a acontecer ou não, ficando o Reino Unido isolado. Isso me fez recordar uma ótima frase do primeiro ministro inglês Winston Churchill que disse certa vez: "Esse não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas seja talvez o fim do princípio".

Pablo Aluísio.

6 comentários:

  1. Pablo:

    Só o fato do Reino Unido nunca adotar o Euro já demonstra o quanto a Inglaterra achava intragável essa união estapafúrdia de países milenares com tantos costumes e leis tão distintas a arraigados. A alma inglesa nunca esteve nesta união.
    A Alemanha devido a tragédia que ela provocou ao mundo jamais deveria ter proeminência em nenhum assunto que afetasse algo além dela mesma. O fato dela determinar as condições no caso da Grécia, por exemplo, é um insulto não só a Inglaterra mas a todas os países que sofreram as atrocidades provocados pela Alemanha na segunda guerra mundial. A Alemanha ainda tem muito o que pagar pelo que fez e ficar de cabeça baixa, não querer mostrar as asinhas. A Inglaterra aguentou o que pode.

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  2. A União Europeia hoje é basicamente um grupo liderado apenas pela Alemanha que dita as regras políticas, econômicas e sociais. Nada muito além disso. A Inglaterra certamente não quis mais fazer parte de algo assim.

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  3. Pois é: a Alemanha novamente implantando seu império, agora pelo chicote do dinheiro.

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  4. Eu acho estranho a França , que foi invadida e humilhada pela Alemanha na guerra mundial, com seu mini presidente François Hollande, ficar lambendo a sola do Loboutin da Merkel não percebendo que a história ameaça a se repetir e como tragédia, não como farsa que é o que esperaria o senso comum.

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  5. Ele tem baixos índices de aprovação na França. Essa é apenas uma das razões disso. Fraco, com discurso incoerente e sem qualquer expressão maior dentro da política mundial.

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