sábado, 19 de março de 2016

Poderosa Afrodite / Inesquecível

Poderosa Afrodite
Esse filme de Woody Allen é até hoje um desvio na rota da obra do diretor. Como tudo o que envolve Allen há aqueles que odeiam o filme e outros que o adoram. Não é motivo nem para uma posição radical e nem outra. Na verdade é uma boa comédia, bem mais leve do que a fase mais intelectual que o cineasta atravessou nas décadas de 70 e 80. Não tem grande roteiro e nem é uma obra de arte, mas tem a Mira Sorvino interpretando a personagem Linda Ash, uma atuação que (pasmem!) lhe valeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante numa das maiores zebras da história de Hollywood! Para muitos foi um prêmio para consagrar Allen, mas discordo disso, já que ele também estava concorrendo na categoria de Melhor Roteiro e não venceu. Assim não tem muita lógica afirmar que Mira foi premiada para homenagear Allen. Na verdade essa premiação é um daquelas surpresas complicados de explicar por motivos racionais. Simplesmente aconteceu! Ela é carismática, mas jamais deveria ter sido premiada (com certeza não por essa atuação). Aliás verdade seja dita, pois para ela teria sido muito melhor não ter vencido já que Sorvino acabou se tornando um dos maiores exemplos da "maldição do Oscar", onde atores ou atrizes são premiados precocemente, bem no começo da carreira e depois afundam feio na carreira. Outro exemplo? Cuba Gooding Jr. Muitas vezes o Oscar pode ser o aviso de que tudo acabou, por mais incrível que isso possa parecer. / Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite, EUA, 1995) Direção: Woody Allen / Roteiro: Woody Allen / Elenco: Woody Allen, Mira Sorvino, F. Murray Abraham, Helena Bonham Carter, Olympia Dukakis.

Inesquecível
Quem lembra desse filme? Pouca gente, mostrando que ele pode ser muita coisa, menos inesquecível. Enfim, vamos em frente. Essa é uma ficção B que tenta se sustentar com uma ideia que os roteiristas certamente acharam genial ou inovadora (embora, vamos ser sinceros, não foi para tanto!). David Krane (Ray Liotta) vê sua vida ruir após a morte da esposa, brutalmente assassinada. O crime porém fica sem solução por falta de testemunhas ou provas. Desesperado, Krane resolve experimentar uma estranha fórmula química desenvolvida pela Dra Martha Briggs (Linda Fiorentino) que lhe permite ter acessos às memórias de sua esposa morta. A partir daí ele acaba entrando numa situação alucinante onde não consegue mais distinguir loucura, insanidade e realidade dos fatos! A ideia é até legalzinha, me fez lembrar imediatamente de "O Vingador do Futuro" aquele filme dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone onde havia uma situação bem parecida. A diferença básica é que esse aqui procura manter mais o pé no chão, não sendo tão fantasioso quanto o segundo, que inclusive foi baseado na obra de Philip K. Dick. De uma forma ou outra fica claro que o filme só foi produzido por causa da presença de Ray Liotta, ainda desfrutando do sucesso e prestígio de filmes como "Os Bons Companheiros". Pena que, assim como Mira Sorvino, ele também nunca tenha se tornado uma estrela de primeiro escalão. O filme porém ainda vale como curiosidade, mesmo que depois de pouco tempo você venha a esquecer dele completamente. Filme premiado pelo Cognac Festival du Film Policier na categoria de Melhor Direção. / Inesquecível (Unforgettable, EUA, 1996) Direção: John Dahl / Roteiro: Bill Geddie / Elenco: Ray Liotta, Linda Fiorentino, Peter Coyote.

Pablo Aluísio.

7 comentários:

  1. Avaliação:
    Poderosa Afrodite ★★★
    Inesquecível ★★★

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Falamos outro dia que o Oscar não faz falta alguma ao Stallone, até por conta da maldição. Taí.

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  3. Pois é. Para alguns o Oscar pode significar o fim da carreira. Além do mais ícones como Charles Chaplin nunca venceram o Oscar por seus filmes (só um de homenagem, já no fim da vida). Assim Stallone está em boa companhia.

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  4. Pablo: quero comentar aqui sobre o disco Dream With Dean, porque o post em questão já está muito atrás e eu só hoje o vi.

    Por conta do seu post eu ouvi o disco todo e uma coisa me chamou e atenção. O disco é bem feito como você destaca, a voz do Dean Martin é maravilhosa também, mas tem uma coisa que me desgostou um pouco por ser esse um disco intimista.
    Como pode um cantor que era o amigo que o Frank Sinatra mais respeitava pela personalidade, portanto o tinha no seu circulo mais intimo, não ter aprendido com o mestre Sintara, nada sobre como cantar suingado, ou sincopado, ou seja, balançando entre os compassos, mas, ao contrario, cantar em um disco destes sempre na cabeça na nota, tirando assim muito a virtuosidade que um disco destes poderia ter com um cantor com um voz desta qualidade?
    oSe não fosse essa grande falha na interpretação eu diria que este seria um dos melhores discos desta categoria no mundo, junto com qualquer expoente do swing com João Gilberto, Louis Armstrong, Perry Como, ou o próprio Frank Sinatra que conseguiu se diferenciar do seu ídolo, até o superando, Bing Crosby, justamente por essa qualidade de cantar sincopado de forma surpreendente e emocionante. Que pena esse desperdício de oportunidade deste grande cantor Dean Martin neste disco intimista Dream With Dean.

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  5. É bem intimista realmente. Esse disco do Dean Martin eu vejo como fruto de um contexto histórico. Naquela época a Bossa Nova estava fazendo muito sucesso nos EUA e era considerada bem sofisticada pelos músicos de lá. Acredito que o Dean Martin quis seguir por essa linha (não assumidamente) e realizou aquele disco. De qualquer maneira o Martin tinha uma voz tão linda que acabava caindo bem em quase todos os estilos. Ele foi um cantor maravilhoso.

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  6. Ah, esqueci: a gravação Everybody Loves Somebody está ótima neste disco. As outras versões que conheço o Dean Martin da uma esculachada parecendo estar bêbado.

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  7. Você precisa assistir aos programas dele na TV americana. Ele parecia estar sempre bêbado - fazia parte do charme e o público adorava!

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