domingo, 13 de março de 2016

Filmografia Comentada - Ellen Page

Menina Má.Com (2005)
Jeff (Patrick Wilson) é um fotógrafo de mais de 30 anos que tem uma queda por adolescentes bonitas. Hayley (Ellen Page) é uma garota de apenas 14 anos que o conhece em uma lanchonete. Após um breve bate papo Jeff a convida para conhecer seu apartamento. O encontro logo tomará rumos completamente inesperados. Filme ícone da carreira da atriz Ellen Page. Aqui ela interpreta uma adolescente supostamente indefesa contra um sujeito bem mais velho do que ela - eu escrevi "supostamente", pois a verdade é que o roteiro de forma muito inteligente subverte as regras do jogo, transformando o predador em presa e a vítima em algoz. É um exemplo de roteiro simples, baseado basicamente em apenas uma situação, que funciona maravilhosamente bem. Isso porém só seria possível com a presença de uma dupla de atores afiados em cena. Page, que recentemente assumiu sua homossexualidade (algo de que já desconfiava) dá show em sua interpretação. De mocinha delicada e ingênua para um verdadeiro surto psicopata. Wilson surpreende, dando o devido pânico para seu personagem encurralado. Uma produção de suspense ao velho estilo que lida de forma diferente com o terrível tema da pedofilia, tão presente em nossa sociedade nos dias atuais. / Título no Brasil: Menina Má.Com / Título Original: Hard Candy / Ano de Produção: 2005 / País: Estados Unidos / Estúdio: Lions Gate Films / Direção: David Slade / Roteiro: Brian Nelson / Elenco: Patrick Wilson, Ellen Page, Sandra Oh.

X-Men: O Confronto Final (2006)
Há uma nova mudança no mundo da ciência. Pesquisas demonstram que finalmente existe uma cura para os mutantes ao redor do mundo. Agora eles simplesmente poderão levar vidas normais caso queiram, mas será que todos querem mesmo que isso venha a acontecer? Essa porém não é apenas a única nova mudança na vida do professor Xavier (Patrick Stewart) e seus X-Men. Ao contrário do que todos pensavam Jean Grey (Famke Janssen) ressurge viva! Ela não havia morrido como todos pensavam. O problema é que não parece mais a mesma pessoa. Esse novo filme dos personagens X-Men inovou em vários aspectos. Saiu o diretor Brian Singer, que havia feito um belo trabalho nos filmes anteriores e entrou Bratt Ratner, o que inicialmente desagradou muitos fãs. Depois o roteiro foi escrito para incorporar novos personagens na saga, entre eles o Fera (Kesley Grammer) e o Anjo (Ben Foster). Houve também uma clara preocupação em explorar ainda mais o conflito entre mutantes e pessoas normais dentro da sociedade, uma óbvia metáfora sobre o mundo em que vivemos e a forma como são tratadas as minorias. Embora o retorno de Jean Grey tenha parecido uma jogada forçada de marketing para promover o filme com a presença da personagem, sempre tão carismática, o fato é que se trata de um dos bons filmes da franquia X-Men. Tem um roteiro sem pontas soltas e bem equilibrado no desenvolvimento dos personagens em doses exatas (realizar qualquer filme com tantos personagens sempre é complicado). Esse foi o primeiro filme de Ellen Page na franquia X-Men. / Título no Brasil: X-Men - O Confronto Final / Título Original: X-Men - The Last Stand / Ano de Produção: 2006 / País: Estados Unidos / Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation, Marvel Enterprises / Direção: Brett Ratner / Roteiro: Simon Kinberg, Zak Penn / Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Halle Berry, Anna Paquin, Ben Foster, Famke Janssen.

Um Crime Americano (2007)
O abuso doméstico é uma realidade cada vez mais comum nas sociedades. Usando do poder de mando dentro das famílias certas pessoas ultrapassam todos os limites da decência e do bom senso. É justamente esse o tema central desse “Um Crime Americano”. O roteiro é baseado em fatos reais e mostra o inferno em que entraram duas jovens que são colocadas por seus pais em um lar provisório enquanto eles tentam ganhar a vida (pois trabalham em feiras itinerantes que não propiciam estabilidade e segurança para as garotas). O problema é que a mulher com quem ficam é literalmente uma louca sádica que não perde a chance de promover espancamentos por qualquer motivo que seja. Em troca de 20 dólares semanais ela se propõe a tomar conta das garotas mas qualquer desvio por parte delas é severamente punido, qualquer mínimo deslize não escapa das piores punições, inclusive físicas e psicológicas. Uma verdadeira sádica sem limites. O curioso é que certos aspectos da história real foram amenizadas, o que deixa qualquer espectador mais atento impressionado, pois o que é mostrado em cena já parece ser violento o bastante. O filme aposta em um realismo brutal mas sem expor o público a cenas explicitas demais de espancamentos e abusos. O diretor muitas vezes prefere apenas sugerir do que escancarar aos olhos dos que assistem ao filme toda a crueza sórdida da situação enfocada. O grande destaque do elenco vai para a sempre talentosa Ellen Page. Quem acompanha sua carreira tem pleno conhecimento de seu grande carisma e talento. Quando tem bom material em mãos para trabalhar Page se saí realmente bem, algo que se repete aqui pois a humanidade que traz para seu personagem é um dos grandes trunfos da produção. “Um Crime Americano” é um filme bastante relevante, pois mostra um tema importante. Seu roteiro também serve como uma denúncia dos absurdos que podem acontecer dentro de quatro paredes. Um alerta mais do que importante para toda a sociedade. / Um Crime Americano (An American Crime, EUA, 2007) Direção: Tommy O'Haver / Roteiro: Tommy O'Haver, Irene Turner / Elenco: Ellen Page, Hayley McFarland, Nick Searcy / Sinopse: O filme narra a história real de Gertrude Baniszewski, uma dona de casa sádica que promoveu diversos abusos contra uma garota menor de idade durante a década de 1960 em Indiana, Estados Unidos.

Os Fragmentos de Tracey (2007)
Um verdadeiro achado esse "Os Fragmentos de Tracey". O filme não é muito conhecido até por causa de seu formato pouco convencional. Esqueça as narrativas normais que você está acostumado a ver por aí pois não a encontrará aqui. Na realidade a edição é tão dinâmica e desfragmentada que pensamos estar dentro da cabeça da jovem Tracey de quinze anos, com todas as suas inseguranças, sonhos e desejos tão típicos da sua idade. Achei particularmente genial o uso de vários quadros ao mesmo tempo nas cenas. Isso era comum no final dos anos 60 mas aqui o diretor Bruce McDonald resolveu levar tudo às últimas consequências. Assim em uma só cena vemos dois, quatro, seis e até vinte pontos de vista diferentes em um efeito de grande impacto. Além da linguagem inovadora o roteiro é tão bem feito que ficamos com a impressão de ter sido escrito por uma adolescente mesmo. Lá está Tracey com seu amor platônico da escola, a sensação de ser a "loser", a convicção de que sua família é toda formada por idiotas e por aí vai. O filme lida muito com sensações, assim nada de contar a vida dela de forma banal, pelo contrário, tudo é tão jovial e inovador que fiquei realmente surpreso. O filme lembra em certos momentos "Juno" (o grande filme da carreira da Ellen Page) mas é muito mais radical e cool. Está a fim de assistir algo que fuja do feijão com arroz? Ora, corra para ver "Os Fragmentos de Tracey". Eu recomendo com absoluta certeza. / Os Fragmentos de Tracey (The Tracey Fragments, EUA, 2007) Direção de Bruce McDonald / Elenco: Maureen Medved, baseado na novela de Maureen Medved / Elenco: Ellen Page, Zie Souwand, Maxwell McCabe-Lokos / Sinopse: O filme mostra em narração desfragmentada pequenos momentos da vida de Tracey Berkowitz, uma garota de 15 anos que sai em busca de seu irmão.

Juno (2007)
Poucas coisas são mais terríveis na vida de uma jovem do que uma gravidez na adolescência. O primeiro reflexo negativo vem em sua vida escolar, depois em sua própria vida pessoal. Muitas são abandonadas pelo pai da criança e elas se vêem sozinhas para enfrentar a criação de um bebê, algo sempre complicado e difícil. Esse filme Juno pretendeu mostrar a vida de uma típica adolescente americana que fica grávida sem ter a mínima condução psicológica ou financeira de assumir tantas responsabilidades. Sem condições pessoais ela resolve colocar seu filho para adoção de um casal com dificuldades de gerar sua própria criança. O interessante em Juno é que esse tema, que poderia virar rapidamente um dramalhão daqueles, acaba sendo mostrado de forma leve, despretensiosa, com muita música indie e um clima de leve esperança juvenil. Um de seus melhores aspectos é o elenco. Certamente Ellen Page é uma das melhores atrizes surgidas recentemente no cinema americano. Com cara de menina mesmo ela vem despontando em produções cada vez mais ousadas e interessantes. De fato ela acabou virando uma espécie de espelho dessa geração que está aí. Jovens que já nasceram com toda a liberdade do mundo mas que não sabem direito o que fazer com ela. O roteiro é de Diablo Cody. Ela virou queridinha da crítica depois que Juno caiu nas graças do público. Ex stripper, ela levou para seu texto muitas coisas de sua própria vida pessoal e isso acabou gerando um contraste entre sua personagem adolescente e as coisas que diz, que são tipicamente de pessoas mais adultas, mais vividas. Isso acabou gerando muito debate no lançamento do filme, dando munição para os que não gostaram muito do roteiro em si. De fato Juno parece não ter uma mentalidade muito condizente com uma garota de sua idade. Ela é esperta, descolada e tem uma cultura pop que não seria muito adequada nem com sua idade e nem com sua personalidade, mas acredito que essa seja uma observação um pouco preciosista demais. No final das contas o que realmente vale a pena em Juno é seu clima alto astral, leve, divertido e até mesmo lírico – a cena final é de um  lirismo ímpar. Se ela é ou não um personagem verossímil já é uma questão para um outro debate maior. Por enquanto assista Juno pelo que essencialmente ele é, um filme soft que retrata um momento hard na vida dessa adorável jovem. / Juno (EUA, 2007) Direção: Jason Reitman / Roteiro: Diablo Cody / Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Olivia Thirlby, J.K. Simmons, Allison Janney, Rainn Wilson, Lucas MacFadden. / Sinopse: Juno MacGuff (Ellen Page) é uma adolescente que fica grávida de seu colega de escola, o nerd e deslocado Bleeker (Michael Cera). Sem ter como criar um filho sendo tão jovem ela resolve levar á criança para doação. O casal escolhido, Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), tenta criar um laço de amizade e afeição com a jovem garota.

Vivendo e Aprendendo (2008)
“A Ignorância é uma benção” – disse certa vez John Lennon. Ele tinha razão de certa forma. Pesquisas já demonstraram que pessoas ignorantes ou de pouco cultura geralmente são mais felizes que pessoas inteligentes, com ampla formação educacional e cultural, uma vez que seu mundo é muito mais simples. “Vivendo e Aprendendo” mostra muito bem esse aspecto. No filme acompanhamos os dramas vividos pela família do professor de inglês Lawrence Wetherhold (Dennis Quaid). Toda a família é intelectual, todos são pequenos gênios em suas respectivas áreas de conhecimento e todos tentam de uma forma ou outra lidar com a grande tragédia que se abateu sobre a família: a morte da matriarca. O professor, marido, viúvo e pai, sofre muito com a perda e se torna uma pessoa amarga, depressiva, sem prazer de viver. Ele só não comete um ato impensado para acabar com tudo porque tem que levar a família em frente, em especial seus filhos James (Ashton Holmes) e Vanessa Wetherhold (Ellen Page). As coisas só começam a mudar quando ele conhece uma nova mulher em sua vida, Janet (Sarah Jessica Parker), que talvez traga redenção em sua amargurada existência. Esse “Vivendo e Aprendendo” é uma ótima surpresa. Com produção até modesta, calcada muito mais em ótimos diálogos do que em soluções banais, o filme consegue entreter sem ofender a inteligência do espectador. É em essência um filme de atuações onde o elenco, muito bom por sinal, brilha em cenas de bastante profundidade existencial. Dennis Quaid deixa a maré baixa que se abateu sobre sua filmografia recente para mostrar que ainda é um ator de mão cheia, que na maioria das vezes é prejudicado apenas por não contar com bom material. Já Ellen Page repete mais uma excelente atuação. Ela é certamente a atriz mais interessante da nova geração de Hollywood. Em todo filme que surge costuma roubar as atenções, fato que se repete aqui novamente. Sua personagem é certamente um dos grandes trunfos de todo o filme. Assim se você estiver procurando por um bom filme, com roteiro inteligente, atuações inspiradas e excelente texto, “Smart People” é certamente um dos mais indicados. É um filme inteligente feito para pessoas igualmente inteligentes. / Vivendo e Aprendendo (Smart People, EUA, 2008) Direção: Noam Murro / Roteiro: Mark Poirier / Elenco: Dennis Quaid, Ellen Page, Thomas Haden Church, Sarah Jessica Parker, Ashton Holmes / Sinopse: Professor de inglês viúvo e depressivo tenta reconstruir sua vida e da família ao encontrar um novo amor em sua amargurada existência.

Garota Fantástica (2009)
Após estabilizar sua carreira como atriz e produtora, Drew Barrymore resolveu investir na direção. Esse filme “Garota Fantástica” é sua estréia como cineasta. Na estória acompanhamos Bliss Cavendar (Ellen Page) uma garota normal de 17 anos que mora no Texas. Bonita, sua família quer que ela se inscreva em um concurso de beleza na pequena cidade onde vive. Esse é o desejo, o sonho de sua mãe, mas Bliss gosta mesmo é de participar de uma modalidade esportiva chamada “Roller Derby”. Inspirada em um filme de ficção da década de 70 o esporte coloca duas equipes em uma pista de patinação oval. Juntas elas disputam a posse de uma bola, enquanto competem entre si numa corrida alucinada pelo circuito. Violento e casca grossa o esporte seria o menos indicado para uma garota como Bliss, bonitinha e transparecendo fragilidade. “Garota Fantástica” é quase um experimento de laboratório de Drew Barrymore. De orçamento modesto a produção teve um lançamento discreto nos cinemas americanos e no Brasil foi lançado diretamente no mercado de DVD. Não é um filme imprescindível na coleção de um cinéfilo mas mantém o interesse, principalmente pela sempre interessante presença de Ellen Page, uma atriz talentosa e simpática que sempre traz algo de bom em suas atuações. Seu melhor papel até agora foi a da adolescente grávida Juno e desde então ela tem intercalado filmes menores com blockbusters Hollywoodianos. Essa aqui se encaixa na primeira categoria – filme pequeno, feito na base da amizade que nutre com Drew Barrymore, contando com um elenco de atrizes novas e esforçadas. A direção de Barrymore também não compromete, demonstrando que ela consegue dirigir um filme, desde que seja simples e modesto como esse. No saldo final vale a pena ser assistido, principalmente pelas movimentadas jogadas radicais desse estranho e bizarro esporte (que pelo que eu saiba ainda não chegou ao Brasil). Então fica a dica desse bom passatempo que vale uma espiada. / Garota Fantástica (Whip It!, EUA, 2010) Direção: Drew Barrymore / Roteiro: Shauna Cross baseado na novela de Shauna Cross / Elenco: Ellen Page, Marcia Gay Harden, Kristen Wiig, Drew Barrymore, Juliette Lewis, Jimmy Fallon, Alia Shawkat, Eve. / Sinopse: Garota jovem de 17 anos resolve participar de um novo esporte radical que combina patinação e corrida sobre patins. Cheio de adrenalina ela tentará ser parte da nova equipe campeã da modalidade.

Face Oculta (2010)
Essa é uma pequena obra prima, praticamente desconhecida do grande público que sinceramente mal sabe o que está perdendo. O filme tem um começo que em nada nos faz pensar que algo de interessante vai acontecer com o desenrolar do filme. Mero engano. O filme cresce muito pois o cotidiano da pequena Peacock vai revelando coisas bizarras e terríveis. O filme me lembrou muito Psicose de Hitchcock pelas razões que não irei revelar aqui pois corre-se o risco de simplesmente estragar o filme para quem vai assistir pela primeira vez. Basta dizer que esse é um thriller psicológico classe A. Ideal para estudantes de psiquiatria forense. O ator Cillian Murphy dá show de interpretação. O papel que faz exige bastante e ele se saí extremamente bem. Embora não seja muito conhecido de nome todos logo vão se lembrar dele por seu papel mais popular, o de Espantalho do filme Batman. A ótima atriz Ellen Page também faz um dos principais papéis, a de uma típica "white Trash" do sul dos EUA, com um filho e sem perspectiva nenhuma na vida. Completando o elenco ainda temos Susan Sarandon, excelente como sempre. Se não assistiu ainda corra para ver pois esse filme é pra lá de interessante. / Face Oculta (Peacock, EUA, 2010) Direção: Michael Lander / Roteiro: Michael Lander, Ryan O Roy / Elenco: Cillian Murphy, Ellen Page, Susan Sarandon, Josh Lucas, Bill Pullman, Graham Beckel, Keith Carradine, Eden Bodnar, Chris Carlson, Flynn Milligan, Virginia Newcomb, Jaimi Paige / Sinopse: Um acidente de trem numa cidadezinha do meio oeste americano revela um grande secreto envolvendo um pacato bancário da região.

A Origem (2010)
"A Origem" é uma excelente ideia que ficou no meio do caminho. Seu roteiro chama a atenção pela extrema imaginação e originalidade, seu argumento é ótimo com uma ideia central muito rica em possibilidades, com tudo bem costurado, coerente e fechadinho mas que se perde em uma narrativa sofrível que prejudica muito o filme no saldo final. Em poucas palavras: Um roteiro extremamente criativo que afunda numa edição ruim e numa linha narrativa pior ainda. Também falta coragem em se assumir como uma ficção totalmente inteligente e conceitual. No desespero de agradar aos mais jovens que frequentam cinema hoje em dia o diretor Christopher Nolan se acovardou e encheu a produção de correrias, tiroteios ultra exagerados (e bregas) tornando tudo banal, mais do mesmo. Não ousou ir até o fim, até as últimas consequências (como Kubrick fazia em seus filmes). Poucas vezes vi um ponto de partida tão promissor se perder em um emaranhado tão vasto de bobagens de estilo e cenas de ação gratuitas. A ideia central do filme não é complicada de se seguir (embora tenha deixado alguns espectadores sem entender muito bem o que acontece). Basicamente é uma alegoria do inconsciente que aqui deixa de ser meramente individual para se tornar coletivo, em um plano compartilhado por várias pessoas ao mesmo tempo. Falando assim até parece sem sentido, mas não é. Quem assistiu sabe disso. O problema é que o diretor Nolan faz um rocambole dos diabos com isso. O calcanhar de Aquiles de "A Origem" é essa: as coisas acontecem em um ritmo tão acelerado e desorganizado que deixa o espectador médio aturdido. Faltou ao diretor organizar melhor as ideias e as distribuir na sequência de cenas de uma forma menos caótica. A terça parte final do filme é um verdadeiro abismo em termos de edição. Temos três níveis de sonhos, mais delírios de subconsciente e lembranças tudo misturado em uma quase inexistente linha de narração. A impressão nítida que tive foi que Nolan se perdeu totalmente nessa parte do filme. As coisas são literalmente vomitadas em cima do espectador que fica sem saber direito o que está afinal acontecendo. Alguns se esforçam para seguir o fio da meada mas pelo pude constatar na sala que assisti a maioria simplesmente desistiu de tentar acompanhar. Para esses Nolan distribuiu fartas cenas de ação vazias que permeiam toda a narrativa. Estaria tentando acordar os mais sonolentos? Foi o que me pareceu. Assim em determinado momento a produção se torna muito chata, afundada numa sucessão de sonhos dentro de sonhos que por sua vez estão dentro de outros sonhos. O filme também é muito pretensioso mas não cumpre o que prometia. Em poucas palavras: se torna um filme intragável para grande parte do público. Realmente faltaram foco, organização, ousadia e sensibilidade no resultado final. Espero sinceramente que Nolan não leve todos esses defeitos para o próximo Batman. Pretensão demais pode levar qualquer filme à sua própria ruína. / A Origem (Inception, EUA, 2011) Direção de Christopher Nolan / Roteiro: Christopher Nolan / Elenco: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page / Sinopse: Don Cobb (Leonardo Di Caprio) é um especialista em adentrar sonhos e mentes alheias com objetivos ilegais e ilícitos. Em uma dessas invasões acaba se envolvendo em uma rede de interesses industriais e comerciais do qual não consegue mais ter controle.

O Sistema (2013)
Um grupo de ativistas radicais anarquistas liderados por Benji (Alexander Skarsgård) adota uma linha de retaliação contra grandes grupos corporativos capitalistas na base do "olho por olho, dente por dente". Assim eles promovem ataques, a que chamam de "peças", para protestar e ao mesmo tempo dar aos grandes executivos um pouco de seus próprios venenos. Para descobrir a verdadeira identidade do grupo uma corporação de investigação resolve infiltrar a agente Sarah (Brit Marling) entre eles. A aproximação com as ideologias e bandeiras que o grupo defende porém irá mudar para sempre a forma de pensar dela. Um filme muito oportuno para o momento em que vivemos, inclusive no Brasil onde grupos anarquistas estão ficando cada vez mais numerosos. O roteiro procura mostrar todos os lados dessa nova e complicada realidade social. O grupo de ativistas mostrada no filme é formada por jovens da alta classe, filhos de industriais, milionários, etc, que certo dia descobrem o vazio em que vivem. Para trazer algum sentido em suas vidas eles resolvem se unir para lutar contra as grandes corporações que não se inibem em destruir o meio ambiente ou contaminar pessoas (até crianças!) visando única e exclusivamente lucros e mais lucros. Uma das coisas pelas quais bato palmas em relação a esse filme é que ele evita o moralismo fácil e de certa forma procura se manter numa postura bem neutra. A agente infiltrada no grupo de anarquistas, por exemplo, acaba sendo seduzida por sua ideologia. Eu credito esse roteiro inteligente não só aos roteiristas mas também a Ridley Scott e seu irmão, Tony Scott, que produziram o filme. Certamente temos aqui uma produção para levantar questionamentos, levar à reflexão. Todo o elenco está muito bem com destaque para a sempre ótima Ellen Page e Alexander Skarsgård, o vampiro de "True Blood" em seu primeiro grande papel no cinema. É um filme realmente muito bom que não pode passar batido em sua lista. Desde já o consideramos um dos melhores do ano, por isso não vá perder! / Título no Brasil: O Sistema / Título Original: The East / Ano de Produção: 2013 / País: Estados Unidos / Estúdio: Scott Free Productions / Direção: Zal Batmanglij / Roteiro: Zal Batmanglij, Brit Marling / Elenco: Brit Marling, Alexander Skarsgård, Ellen Page, Toby Kebbell.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014)
Em um futuro próximo e caótico os mutantes estão chegando ao fim de sua existência graças a uma arma de última geração desenvolvida pelo governo americano que tem como missão definitiva destruir todos os mutantes da face da Terra. Para mudar esse destino sombrio, o professor Charles Xavier (Stewart) decide que Logan (Jackman) deve retornar ao passado, mais precisamente em 1973 para desviar o curso da história, evitando que Raven (Jennifer Lawrence) cometa um erro que irá custar caro para o futuro de todos os mutantes do planeta. Essa franquia realmente mantém um excelente nível em termos de qualidade. Embora tenha se subdividido em outras franquias - como a do Wolverine - o fato é que X-Men continua rendendo bons frutos no mundo do cinema. Esse novo filme intitulado "X-Men - Dias de um Futuro Esquecido" sem dúvida traz o melhor e mais bem trabalhado roteiro da série. Muito bem escrito, com ótimas reviravoltas e um argumento bem desenvolvido, surpreendentemente inteligente. Geralmente filmes que exploram voltas ao passado ou se tornam pequenas obras primas (como "De Volta Para o Futuro", a mais precisa e lembrada referência) ou então se enrolam completamente, deixando um gostinho de decepção no ar. Aqui felizmente o espectador pode ficar tranquilo, pois embora o filme apresente duas linhas narrativas (uma no futuro e outra no passado), as duas pontas que unem as estórias se completam maravilhosamente bem. O diretor Bryan Singer demonstra que é plenamente possível realizar um blockbuster milionário sem em momento algum ofender ou subestimar a inteligência do espectador, pelo contrário, ele aqui dá uma aula de cinema em cineastas infantilóides como Michael Bay, que acreditam em explosões e mais explosões, sem conteúdo algum. Assim a conclusão a que chegamos é que esse novo X-Men é, não apenas um grande filme de heróis em quadrinhos, mas também um belo exemplar de filme Sci-Fi como há tempos não se via. / Título no Brasil: X-Men - Dias de um Futuro Esquecido / Título Original: X-Men - Days of Future Past / Ano de Produção: 2014 / País: Estados Unidos / Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Bryan Singer / Roteiro: Simon Kinberg, Jane Goldman / Elenco: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Halle Berry, Ellen Page, Peter Dinklage.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um comentário:

  1. Avaliação:
    Menina Má.Com (2005) ★★★
    X-Men: O Confronto Final (2006) ★★★
    Um Crime Americano (2007) ★★★
    Os Fragmentos de Tracey (2007) ★★★
    Juno (2007) ★★★★
    Vivendo e Aprendendo (2008) ★★★
    Garota Fantástica (2009) ★★★
    Peacock (2010) ★★★
    A Origem (2010) ★★★★
    O Sistema (2013) ★★★
    X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014) ★★★

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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