segunda-feira, 1 de junho de 2015

Despedida em Las Vegas / Os Últimos Passos de um Homem

Despedida em Las Vegas
Ben Sanderson (Nicolas Cage), um roteirista fracassado que perdeu tudo por causa de seu alcoolismo, resolve ir até Las Vegas para literalmente beber até morrer! Em sua trajetória de auto destruição ele acaba encontrando consolo, amizade e amor em uma prostituta chamada Sera (Elisabeth Shue). Grande filme, provavelmente o último grande momento da carreira do ator Nicolas Cage que depois de brilhar aqui em uma intensa interpretação afundou solenemente em um mar de abacaxis. É aquele tipo de roteiro escrito especialmente para grandes atuações. Sem uma excelente dupla a história simplesmente não funcionaria. Felizmente tanto Cage como Shue estão particularmente inspirados em seu trabalho. O cenário não poderia ser mais adequado, uma Las Vegas completamente kitsch e excessiva, mas ao mesmo tempo pouco acolhedora e impessoal. Como se trata de um script desenvolvido completamente para os atores o filme acabou rendendo excelentes frutos para sua dupla central. Nicolas Cage, por exemplo, levou o Oscar de Melhor Ator, um prêmio até merecido por causa de sua filmografia passada. Ele naquele momento era considerado um ator cult, ousado e corajoso que topava fazer filmes estranhos e fora do convencional. Um verdadeiro outsider dentro do universo da indústria de cinema dos Estados Unidos. Nada do que vemos hoje em dia, infelizmente. Elisabeth Shue também foi indicada ao Oscar, mas não chegou a ser premiada, por sua brilhante atuação. Para ela a mera indicação já era uma vitória e tanto. Ela começou a carreira nos anos 80, com fracos filmes adolescentes. Depois abandonou a profissão de atriz para estudar e se formar na prestigiada universidade de Harvard. Depois de receber o diploma tentou um retorno a Hollywood e se deu muito bem, deixando as comédias bobinhas para trás para brilhar em filmes mais consistentes como esse. Hoje em dia anda um pouco sumida, mas pelo menos conseguiu o respeito de seus colegas da Academia. Então é isso. "Despedida em Las Vegas" é uma excelente pedida caso você esteja em busca de grandes atuações. Um roteiro bem humano, visceral e verdadeiro que expõe a fragilidade de uma pessoa buscando o caminho da redenção através de sua própria destruição física. Filme também vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Nicolas Cage). / Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas, EUA, 1995) Direção: Mike Figgis / Roteiro: Mike Figgis, baseado no romance escrito por John O'Brien / Elenco: Nicolas Cage, Elisabeth Shue, Julian Sands.

Os Últimos Passos de um Homem
O título em inglês, "Dead Man Walking" (literalmente "Homem Morto Caminhando"), é uma expressão usada para os prisioneiros que estão no corredor da morte nos Estados Unidos. Homens que já não possuem mais nenhuma esperança de salvação, quando todos os seus recursos já foram julgados e indeferidos, cuja execução se torna apenas uma questão de tempo. Nesse filme que possui um nítido caráter ativista contra a pena de morte encontramos dois personagens centrais, Matthew Poncelet (Sean Penn), o sujeito que está condenado e Helen Prejean (Susan Sarandon), uma mulher corajosa que luta com todas as suas forças para que ele não seja levado para a câmara onde lhe será aplicada a injeção letal. O roteiro trabalha muito bem com o tema, procurando colocar um certo humanismo em destaque. Embora muito bem escrito temos que admitir também que o roteiro derrapa em certos momentos em uma atitude por demais maniqueísta, tentando trazer alguns aspectos humanos inexistentes para certos criminosos, que em última análise, foram condenados justamente por sua violência e brutalidade. As vítimas também são colocadas em um segundo plano que incomoda. De repente o criminoso passa a ser visto como alguém puro e bom que está sendo enviado para a morte sem qualquer razão plausível. Sabemos que isso no mundo real não passa de uma grande bobagem. De qualquer maneira, deixando isso de lado, a excessiva manipulação do roteiro, o que temos é outro filme de excelentes atuações, acima de tudo. É fato notório que tanto Sean Penn como Susan Sarandon são atores politicamente muito engajados com programas liberais. Não é surpresa nenhuma que tenham levantado essa bandeira com esse filme. Certos ou errados nas suas convicções políticas o fato é que suas atuações foram reconhecidas pelos membros da Academia. No Oscar ele foi indicado ao prêmio de Melhor Ator e ela venceu como Melhor Atriz, levantando a cobiçada estatueta pela primeira e única vez em sua carreira. Tim Robbins, o marido de Sarandon, outro liberal de carteirinha, também foi indicado ao prêmio de Melhor Direção. Então no saldo geral tudo foi muito positivo para eles. Certamente houve muita celebração também dentro dos diretórios do Partido Democrata, onde ambos são bem atuantes. Assim fica a recomendação do filme. Assista, mas sem deixar de lado a propaganda, muitas vezes excessiva, que o roteiro faz contra a pena de morte. / Os Últimos Passos de um Homem (Dead Man Walking, EUA, 1995) Direção: Tim Robbins / Roteiro: Tim Robbins, baseado no livro escrito por Helen Prejean / Elenco: Susan Sarandon, Sean Penn, Robert Prosky, R. Lee Ermey.

Pablo Aluísio.

Um comentário:

  1. Avaliação:
    Despedida em Las Vegas ★★★★
    Os Últimos Passos de um Homem ★★★


    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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